Voyager 1
| Voyager 1 | |
|---|---|
Foto da nave espacial Voyager 1. |
|
| Operação | |
| Tipo de missão | Sobrevoo e coleta de dados |
| Destino | Júpiter & Saturno |
| Lançamento | 5 de setembro de 1977 (35 anos) |
| Veículo de Lançamento | Titan IIIE/Centaur |
| Local do Lançamento | |
| Duração da missão | Em andamento |
| Designação COSPAR | 1977-084A |
| Site | NASA |
| Massa | 721.9 kg |
| Portal Astronomia | |
Voyager 1 é uma sonda espacial norte-americana lançada ao espaço em 5 de setembro de 1977 para estudar o Sistema Solar exterior e, posteriormente, o espaço interestelar. Em operação há mais de 35 anos, a sonda espacial recebe comandos de rotina e transmite dados para a Terra até hoje. É a primeira sonda a deixar o Sistema Solar e o mais longínquo objeto criado pelo homem no espaço.1
Inserida no programa Voyager, que previa o desenvolvimento de duas sondas de exploração inter-planetária (Voyager 1 e 2), ela tinha como objetivo a realização de um "Grand Tour" espacial, aproveitando o posicionamento favorável dos gigantes gasosos do Sistema Solar. Originalmente, porém, o Grand Tour foi desenhado para permitir visitas a apenas Júpiter e Saturno. Sua missão inicial e primária encerrou-se em 20 de novembro de 1980, após seu encontro com o sistema joviano em 1979 e o sistema saturniano em 1980.1
Índice |
Trajetória e dados [editar]
A Voyager 1, apesar de ter sido lançada para a sua missão após a Voyager 2, seguiu uma trajetória mais favorável atingindo o seu ponto mais próximo de Júpiter em 5 de Março de 1979, após o qual deu início a uma nova trajetória para interseção do sistema de Saturno ao qual chegou no dia 12 de Novembro de 1980. Esta trajetória mais rápida e desenhada de forma a permitir uma posição mais favorável à observação de Io e de Titã, não permitiu à sonda a continuação da missão em direção a Urano e/ou Neptuno. Assim, a Voyager 1, seguiu uma trajetória que a levaria a sair do Sistema Solar numa direção oposta à da sonda Pioneer 10.
Ao longo da sua missão científica, a Voyager 1 permitiu o desenvolvimento do nosso conhecimento dos sistemas de Júpiter (obtendo mais de 19 mil imagens de Júpiter e dos seus satélites) e Saturno através do envio de imagens de elevada qualidade e de outras informações obtidas através dos variados instrumentos instalados na sua plataforma. Descobriu três satélites em Saturno: Atlas, Prometeu e Pandora. Após a sua missão planetária, a Voyager 1 iniciou a fase de exploração das fronteiras do Sistema Solar denominada Voyager Interstellar Mission ou VIM, que propõe o estudo da heliosfera e da heliopausa. Espera-se, assim, que a Voyager 1 seja o primeiro instrumento humano a estudar o meio interestelar. Os cientistas esperam que a comunicação com a sonda se perca por volta da década de 2020.
A par da sua gêmea, a Voyager 2, lançada duas semanas antes, a 20 de Agosto de 1977, a Voyager 1 possui um detector de raios cósmicos, um magnetômetro, um detector de ondas de plasma, e um detector de partículas de baixa energia, todos ainda operacionais. Para além destes equipamentos, possui um espectrômetro de ondas ultravioleta e um detector de ventos solares, já fora de operação. Para além deste equipamento, as duas sondas carregam consigo um disco (e a respectiva agulha) de cobre revestido a ouro, contendo uma apresentação para outras civilizações, com 115 imagens (onde estão incluídas imagens do Cristo Redentor no Brasil, a Grande Muralha da China, pescadores portugueses, entre outras), 35 sons naturais (vento, pássaros, água, etc.) e saudações em 55 línguas, incluindo em língua portuguesa, feita por Portugal e pelo Brasil. Foram também incluídos excertos de música étnica, de obras de Beethoven e Mozart, e "Johnny B. Goode" de Chuck Berry. Atualmente, a Voyager 1 é o mais distante objeto feito pelo homem a partir da Terra, viajando fora do planeta e distanciando-se do Sol a uma velocidade relativamente mais rápida que qualquer outra sonda.2
Perfil da missão [editar]
Encontro com Júpiter [editar]
A Voyager 1 começou a fotografar Júpiter em janeiro de 1979. Sua aproximação máxima ao planeta aconteceu em 5 de março de 1979, a uma distância de cerca de 349 000 quilômetros do centro do planeta. Devido à maior resolução fotográfica permitida durante uma aproximação maior, a maioria das observações de luas, anéis, campos magnéticos e o cinturão de radiação do sistema de Júpiter foi feita durante um período de 48 horas durante a maior aproximação. A Voyager 1 terminou de fotografar o sistema de Júpiter em abril de 1979.
As duas sondas Voyager fizeram várias importantes descobertas sobre Júpiter, seus satélite, seu cinturão de radiação e seus anéis. A descoberta mais surpreendente no sistema de Júpiter foi a descoberta de atividade vulcânica em Io, que nunca tinha sido observado antes.
-
A Grande Mancha Vermelha, vista da Voyager 1.
-
Vista de fluxos de lava irradiando do vulcão Ra Patera em Io.
-
Detalhe em cor falsa da atmosfera de Júpiter, fotografada pela Voyager 1.
Encontro com Saturno [editar]
Depois do encontro com Júpiter, as duas Voyagers foram visitar Saturno e seu sistema de luas e anéis. O sobrevoo por Saturno da Voyager 1 aconteceu em novembro de 1980, com a aproximação máxima em 12 de novembro de 1980, quando a sonda chegou a 124 000 quilômetros das nuvens superiores de Saturno. As câmera da Voyager 1 detectaram estruturas complexas nos anéis de Saturno, e seus instrumentos de sensoriamento remoto estudaram a atmosfera de Saturno e de sua maior lua, Titã.
Como a sonda Pioneer 11 tinha detectado um ano antes uma fina e gasosa atmosfera em Titã, os controladores da Voyager 1 decidiram que ela iria fazer uma aproximação a Titã. Essa trajetória com um sobrevoo próximo a Titã causou um desvio gravitacional que enviou a Voyager 1 para fora do plano da eclíptica, acabando com sua missão planetária. A Voyager 1 poderia ter seguido uma trajetória diferente, em que os efeitos gravitacionais de Saturno poderiam ter impulsionado ela em direção a Plutão. No entanto, isso não aconteceu, porque a outra trajetória que levava a um sobrevoo próximo a Titã tinha mais valor científico e menos risco.3
-
Imagem de Saturno fotografada pela Voyager 1 a partir de 5,3 milhões de quilômetros de distância, quatro dias após a sua maior aproximação.
Estado atual [editar]
Em 2005 a Voyager 1 percorreu mais de 14 bilhões de km (95 unidades astronômicas) e afasta-se de nós a uma velocidade de 17,2 km/s ou 61 920 km/h (3,6 UA/ano). Os sinais enviados por ela (ou enviados para ela) demoravam 760 minutos (± 12 horas) para chegar.
Atingiu, em 12 de agosto de 2006, uma distância de 100 unidades astronômicas do Sol, tornando-se o primeiro objeto construido pela mão do ser humano a percorrer tal distância. Em 15 bilhões de quilômetros, está monitorando um espaço interestelar desconhecido pela humanidade. Estima-se que possa se libertar em breve da influência da gravidade do Sol, e em 2020 poderá perder a comunicação com a Terra.
Em Maio de 2010, a sonda encontrava-se a 113,3 UA no plano da constelação de Ofiúco.
Em torno de 14 mil anos ou mais, desde que nenhum choque físico com algum objeto externo (detritos ou outros fatores físicos) a comprometa, ela deverá emergir da Nuvem de Oort, lar dos cometas, muito além dos limites da Heliosfera, porém ainda considerada o limite extremo do Sistema Solar. Enfim, em torno de 40 000 anos, ela deve passar a 1,6 anos-luz da estrela AC+79 3888, da constelação da Girafa, que atualmente pertence a esta mas em 40 000 anos, estará na constelação de Ofiúco, seguindo na sua eterna rota pelo espaço sideral.
Em 13 de dezembro de 2010, depois de meses à espera da confirmação dos dados, a NASA anunciou que a Voyager 1, viajando a uma velocidade de 17 km/s, havia em junho deste ano alcançado a zona de heliopausa, tornando-se o primeiro artefato humano a chegar à fronteira do Sistema Solar. Nesta data, a nave espacial estava a aproximadamente 17,3 bilhões km (10,8 bilhões de milhas) de distância do Sol.4 Atualmente, a Voyager 1 é o mais distante objeto feito pelo homem a partir da Terra, viajando fora do planeta e do Sol a uma velocidade relativamente mais rápida que qualquer outra sonda.2
No dia 3 de dezembro de 2012 a NASA anunciou que a Voyager 1 atingiu uma região do sistema solar que pode ser a última a ser cruzada antes de chegar ao meio interestelar.5
Em 20 de março de 2013, foi anunciado que a Voyager 1 pode ter sido o primeiro objeto feito pelo homem a deixar o sistema solar. No entanto, ainda está em debate se a nova região é o espaço interestelar ou uma região desconhecida do sistema solar.6 7
Ver também [editar]
Referências [editar]
- ↑ a b NASA: Mission Information. Página visitada em 03/06/2011.
- ↑ a b Voyager 1 Sees Solar Wind Decline; Edges Closer to Interstellar Space. NASA (2010-12-13). Página visitada em 15 de dezembro, 2010..
- ↑ Voyager - Frequently Asked Questions. Voyager.jpl.nasa.gov (14/02/1990). Página visitada em 01/09/2010.
- ↑ Cook, Jia-Rui & Brown, Dwayne. NASA Probe Sees Solar Wind Decline. Missions News, NASA. 12.13.10
- ↑ NASA Voyager 1 encounters new region in deep space (em inglês) (3 de dezembro de 2012). Página visitada em 6 de dezembro de 2012.
- ↑ Voyager 1 has entered a new region of space, sudden changes in cosmic rays indicate. Página visitada em 20/03/2013.
- ↑ http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/03/nasa-nega-que-sonda-voyager-1-saiu-do-sistema-solar.html