Voyager 1

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Voyager 1
Voyager.jpg
Foto da NASA
Operação NASA / JPL
Tipo de missão Sobrevoo e coleta de dados
Destino Júpiter e Saturno
Lançamento 5 de setembro de 1977
Local do Lançamento Cabo Canaveral LC-41
Flórida, Estados Unidos
Veículo de Lançamento Titan IIIE/Centaur
Duração da missão 36 anos, 10 meses e 26 dias
Designação COSPAR 1977-084A
Site NASA Voyager Website
Massa 721.9 kg (1.592 lb)

Voyager 1 é uma sonda espacial norte-americana lançada ao espaço em 5 de setembro de 1977 para estudar o Sistema Solar exterior e, posteriormente, o espaço interestelar. Em operação há mais de 36 anos, a sonda espacial recebe comandos de rotina e transmite dados para a Terra até hoje. A sonda encontra-se atualmente fora do Sistema Solar, informação que foi oficialmente confirmada pela NASA no dia 12 de setembro de 2013.[1]

Inserida no programa Voyager, que previa o desenvolvimento de duas sondas de exploração inter-planetária (Voyager 1 e 2), ela tinha como objetivo a realização de um "Grand Tour" espacial, aproveitando o posicionamento favorável dos gigantes gasosos do Sistema Solar. Originalmente, porém, o Grand Tour foi desenhado para permitir visitas a apenas Júpiter e Saturno. Sua missão inicial e primária encerrou-se em 20 de novembro de 1980, após seu encontro com o sistema joviano em 1979 e o sistema saturniano em 1980.[2]

Trajetória e dados[editar | editar código-fonte]

A Voyager 1, apesar de ter sido lançada para a sua missão após a Voyager 2, seguiu uma trajetória mais favorável atingindo o seu ponto mais próximo de Júpiter em 5 de Março de 1979, após o qual deu início a uma nova trajetória para interseção do sistema de Saturno ao qual chegou no dia 12 de Novembro de 1980. Esta trajetória mais rápida e desenhada de forma a permitir uma posição mais favorável à observação de Io e de Titã, não permitiu à sonda a continuação da missão em direção a Urano e/ou Neptuno. Assim, a Voyager 1, seguiu uma trajetória que a levaria a sair do Sistema Solar numa direção oposta à da sonda Pioneer 10.

O disco dourado a bordo da Voyager 1, com gravações de sons e imagens de nossa civilização

Ao longo da sua missão científica, a Voyager 1 permitiu o desenvolvimento do nosso conhecimento dos sistemas de Júpiter (obtendo mais de 19 mil imagens de Júpiter e dos seus satélites) e Saturno através do envio de imagens de elevada qualidade e de outras informações obtidas através dos variados instrumentos instalados na sua plataforma. Descobriu três satélites em Saturno: Atlas, Prometeu e Pandora. Após a sua missão planetária, a Voyager 1 iniciou a fase de exploração das fronteiras do Sistema Solar denominada Voyager Interstellar Mission ou VIM, que propõe o estudo da heliosfera e da heliopausa. Espera-se, assim, que a Voyager 1 seja o primeiro instrumento humano a estudar o meio interestelar. Os cientistas esperam que a comunicação com a sonda se perca por volta da década de 2020.

A par da sua gêmea, a Voyager 2, lançada duas semanas antes, a 20 de Agosto de 1977, a Voyager 1 possui um detector de raios cósmicos, um magnetômetro, um detector de ondas de plasma, e um detector de partículas de baixa energia, todos ainda operacionais. Para além destes equipamentos, possui um espectrômetro de ondas ultravioleta e um detector de ventos solares, já fora de operação. Para além deste equipamento, as duas sondas carregam consigo um disco (e a respectiva agulha) de cobre revestido a ouro, contendo uma apresentação para outras civilizações, com 115 imagens (onde estão incluídas imagens do Cristo Redentor no Brasil, a Grande Muralha da China, pescadores portugueses, entre outras), 35 sons naturais (vento, pássaros, água, etc.) e saudações em 55 línguas, incluindo em língua portuguesa, feita por Portugal e pelo Brasil. Foram também incluídos excertos de música étnica, de obras de Beethoven e Mozart, e "Johnny B. Goode" de Chuck Berry. Atualmente, a Voyager 1 é o mais distante objeto feito pelo homem a partir da Terra, viajando fora do planeta e distanciando-se do Sol a uma velocidade relativamente mais rápida que qualquer outra sonda.[3]

Perfil da missão[editar | editar código-fonte]

Encontro com Júpiter[editar | editar código-fonte]

A Voyager 1 fotografou Júpiter e seus satélites entre janeiro e abril de 1979. A aproximação máxima ao planeta aconteceu em 5 de março, quando o sobrevoou a uma distância de cerca de 349 000 km de seu centro.[4] Como a proximidade aos objetos a serem observados favorece a qualidade das imagens, a maioria das observações de luas, anéis, campos magnéticos e cinturão de radiação do sistema joviano foram realizadas pela Voyager 1 em um período de 48 horas durante a aproximação máxima ao planeta.

As duas sondas Voyager fizeram várias descobertas importantes sobre Júpiter, suas luas, seu cinturão de radiação e seus anéis. A descoberta mais surpreendente no sistema joviano foi a atividade vulcânica em Io, algo que nunca tinha sido observado antes.

Encontro com Saturno[editar | editar código-fonte]

Depois de seu encontro com Júpiter, as duas Voyagers seguiram para Saturno e seu sistema de luas e anéis. A Voyager 1 sobrevoou Saturno durante o mês de novembro de 1980. A aproximação máxima ocorreu em 12 de novembro de 1980, quando a sonda passou a 124 000 km de distância das camadas superiores de nuvens do gigante gasoso. Durante a passagem, as câmeras da Voyager 1 capturaram imagens que revelaram complexas estruturas nos anéis de Saturno ao cientistas da missão. Os instrumentos de sensoriamento remoto a bordo da espaçonave estudaram a atmosfera de Saturno e de sua maior lua, Titã.

Com a descoberta de uma atmosfera gasosa e densa em Titã no ano anterior, durante a passagem da Pioneer 11, os controladores da missão Voyager no Laboratório de propulsão a jato elegeram a Voyager 1 para fazer uma aproximação de Titã. A nova trajetória incluindo o sobrevoo de Titã causou uma deflexão gravitacional que acabou enviando a Voyager 1 para fora do plano da eclíptica, encerrando assim a fase planetária da missão. A trajetória da Voyager 1 poderia ter incluído passagens por Urano e Netuno, o que foi alcançado posteriormente com a Voyager 2. As opções de trajetória para a Voyager 1 incluiam o uso do efeito de aceleração gravitacional da massa de Saturno para impulsioná-la em direção a Plutão. Mas como determinou-se que o sobrevoo de Titã tinha um valor científico maior e oferecia menos riscos, a opção por Plutão foi descartada.[5]

Cronologia[editar | editar código-fonte]

2005 - 2010[editar | editar código-fonte]

Posição da Voyager 1 em 2012

Em 2005 a Voyager 1 percorreu mais de 14 bilhões de km (95 unidades astronômicas) e afastau-se da Terra a uma velocidade de 17,2 km/s ou 61 920 km/h (3,6 UA/ano). Os sinais enviados por ela (ou enviados para ela) demoravam 760 minutos (± 12 horas) para chegar.

A sonda atingiu, em 12 de agosto de 2006, uma distância de 100 unidades astronômicas do Sol, tornando-se o primeiro objeto construído pela mão do ser humano a percorrer tal distância. Em 15 bilhões de quilômetros, está monitorando um espaço interestelar desconhecido pela humanidade. Estima-se que possa se libertar em breve da influência da gravidade do Sol, e dentro da década de 2020 poderá perder a comunicação com a Terra.

Em Maio de 2010, a sonda encontrava-se a 113,3 UA no plano da constelação de Ofiúco.

Em 13 de dezembro de 2010, depois de meses à espera da confirmação dos dados, a NASA anunciou que a Voyager 1, viajando a uma velocidade de 17 km/s, havia em junho deste ano alcançado a zona de heliopausa, tornando-se o primeiro artefato humano a chegar à fronteira do Sistema Solar. Nesta data, a nave espacial estava a aproximadamente 17,3 bilhões km (10,8 bilhões de milhas) de distância do Sol.[6] Atualmente, a Voyager 1 é o mais distante objeto feito pelo homem a partir da Terra, viajando fora do planeta e do Sol a uma velocidade relativamente mais rápida que qualquer outra sonda.[3]

2012[editar | editar código-fonte]

No dia 3 de dezembro de 2012 a NASA anunciou que a Voyager 1 atingiu uma região do sistema solar que pode ser a última a ser cruzada antes de chegar ao meio interestelar.[7] Em 20 de março de 2013, foi anunciado que a Voyager 1 pode ter sido o primeiro objeto feito pelo homem a deixar o sistema solar. No entanto, a sonda ainda estava em uma região do espaço interestelar ou uma região desconhecida do sistema solar.[8] [9]

2013[editar | editar código-fonte]

A NASA anunciou em 26 de junho de 2013 que a Voyager 1 entrou em uma zona desconhecida do sistema solar, com uma bolha magnética dominada por partículas solares que representam os limites para o espaço interestelar. Segundo três pesquisas publicadas na revista Science, a sonda atingiu uma região desconhecida chamada de rodovia magnética, onde já sofre influência de outras estrelas da Via Láctea.[10]

No dia 12 de setembro a NASA enfim confirmou que a Voyager 1 havia deixado o Sistema Solar. De acordo com Ed Stone, cientista do projeto Voyager, dados recebidos confirmavam que a sonda havia deixado uma área de gás ionizado (fora da heliosfera) que servia como transição para chegar até uma região onde não sofreria mais efeitos do Sol.[1]

A certeza sobre a saída da Voyager 1 do Sistema Solar se decorreu de forma oficial apenas depois que uma análise feita por cientistas da Universidade de Iowa, que foi publicada na revista Science. Dados recebidos desde de 2004 foram analisados, eles mostraram um aumento na pressão interestelar. Os cientistas não tinham como medir o ambiente em que ela se encontrava para determinar sua localização, pois a sonda não possui sensor de plasma. As informações necessárias foram obtidas apenas em abril de 2013, depois de uma explosão de ventos solares que havia acontecido 13 meses antes, em março de 2012.[11]

A emissão então chegou até a sonda e ela começou a vibrar. Essa vibração fez com que fosse então possível medir a densidade do plasma ao redor da Voyager 1. Assim ficou comprovado que a densidade do plasma ao redor da sonda era 40 vezes maior do que o que fora detectado na camada mais distante da heliosfera. Cálculos mostraram que a Voyager 1 deixou portanto o Sistema Solar no dia 25 de agosto de 2012, e atingiu em setembro de 2013 a distância de 19 bilhões de quilômetros do Sol.[11]

Em setembro a NASA informou que a Voyager 1 havia captado sons do espaço interestelar através de vibrações das ondas de plasma. As ondas detectadas foram amplificadas e reproduzidas para que tivessem uma frequência que pudesse ser ouvida pelos humanos. Os cientistas chegaram à conclusão que as ocorrências tinham uma densidade continuamente crescente.[11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Sonda Voyager é 1º objeto feito pelo ser humano a deixar o Sistema Solar. Globo. Página visitada em 12 de setembro de 2013.
  2. NASA: Mission Information. Página visitada em 03/06/2011.
  3. a b Voyager 1 Sees Solar Wind Decline; Edges Closer to Interstellar Space. NASA (2010-12-13). Página visitada em 15 de dezembro, 2010..
  4. Encounter with jupiter (em inglês). Voyager - The Interstellar Mission. Jet Propulsion Laboratory - California Institute of Tecnology. Página visitada em 19 de dezembro de 2013.
  5. Voyager - Frequently Asked Questions (em inglês). Voyager - The Interstellar Mission. Jet Propulsion Laboratory - California Institute of Tecnology. Página visitada em 19 de dezembro de 2013.
  6. NASA Probe Sees Solar Wind Decline. Cook, Jia-Rui & Brown, Dwayne.. Página visitada em 12/03/2010.
  7. NASA Voyager 1 encounters new region in deep space (em inglês) (3 de dezembro de 2012). Página visitada em 6 de dezembro de 2012.
  8. Voyager 1 has entered a new region of space, sudden changes in cosmic rays indicate. Página visitada em 20/03/2013.
  9. NASA nega que Voyager saiu do Sistema Solar.
  10. Voyager entra em zona desconhecida.
  11. a b c É oficial: a Voyager 1 saiu do Sistema Solar. Revista Galileu. Página visitada em 12 de setembro de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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