Nuvem de Oort
A nuvem de Oort é uma nuvem esférica hipotética de cometas que possivelmente se localiza a cerca de 50 000 UA, ou quase um ano-luz, do Sol.[1] Isso faz com que ela fique a aproximadamente um quarto da distância a Proxima Centauri, a estrela mais próxima da Terra além do Sol. O cinturão de Kuiper e o disco disperso, as outras duas regiões do Sistema Solar que contêm objetos transnetunianos, se localizam a menos de um centésimo da distância estimada da nuvem de Oort. A parte externa da nuvem de Oort define o limite gravitacional do Sistema Solar.[2]
Acredita-se que a nuvem de Oort compreende duas regiões distintas: uma parte externa esférica e uma parte interna em forma de disco, ou nuvem de Hills. Os objetos da nuvem de Oort são compostos principalmente por gelo, amônia e metano e foram formados perto do Sol, nos primeiros estágios de formação do Sistema Solar. Então, chegaram às suas posições atuais na nuvem de Oort devido a efeitos gravitacionais causados pelos planetas gigantes.[1]
Embora não tenha sido feita nenhuma observação direta à nuvem de Oort, astrônomos acreditam que ela é a fonte de todos os cometas de longo período e de tipo Halley, e também de muitos centauros e cometas de Júpiter.[3] A parte externa da nuvem de Oort é muito pouco influenciada pela gravidade do Sol, e isso faz com que outras estrelas, incluse a própria Via Láctea, possam interferir na órbita de seus objetos e mandá-los para o Sistema Solar interior.[1] De todos os cometas de curto período do Sistema Solar, muitos podem vir do disco disperso, mas alguns podem ter se originado na nuvem de Oort.[1][3] Apesar de que o cinturão de Kuiper e o disco disperso tenham sido estudados e observados, apenas quatro objetos transnetunianos conhecidos—90377 Sedna, 2000 CR105, 2006 SQ372 e 2008 KV42—são considerados possíveis membros da nuvem de Oort interna.[4][5]
[editar] Descrição
O astrônomo holandês Jan Hendrik Oort verificou que os cometas de longo período vinham de uma região situada de 20.000 a 100.000 UA do Sol e previu que o Sistema Solar era cercado por uma nuvem composta de bilhões de cometas. Até hoje ninguém viu a nuvem de Oort, essa gigantesca região esférica que abriga cometas e outros resíduos da nebulosa que deu origem ao Sistema Solar.
Ninguém mediu seu tamanho, sua densidade ou contou o número de objetos que lá existam. Isso provavelmente não será feito num futuro próximo pois os corpos se situam a distâncias muito grandes e são muito pequenos para serem detectados pelos instrumentos existentes. Mas os cientistas têm certeza que ela existe. Ela é totalmente diferente das outras regiões do sistema planetário que contém restos da nebulosa que deu origem ao Sistema Solar. Enquanto os corpos do anel de asteroides, situado entre Marte e Júpiter, e do cinturão de Kuiper, situado logo após a órbita de Netuno, estão confinados às proximidades do plano da eclíptica, os da nuvem de Oort estão espalhados em todas as direções. É bem provável que exista maior aglomeração (5 trilhões) nas proximidades do plano da eclíptica e o restante (1 trilhão) espalhados aleatoriamente.
Os cientistas estimam que a massa total de objetos na nuvem de Oort deva ser da ordem de 40 massas terrestres. Para explicar a variada composição química dos cometas os cientistas dizem que essa matéria deve ter se formado a diferentes distâncias do Sol e portanto em locais com diferentes temperaturas. A temperatura na nuvem de Oort deve ser de -269°C, ou seja, 4°C acima do zero absoluto.
Nas profundezas dessa nuvem a ação gravitacional do Sol é tão fraca que os corpos estão sujeitos à perturbações devidas a estrelas que passem nas proximidades do Sol, a marés galáticas ou pela passagem do Sol por nuvens intergalácticas, e com isso se precipitarem na direção do Sol.
Os cientistas ainda buscam resposta para algumas questões: por que tudo no Sistema Solar tem forma de disco e a nuvem de Oort é esférica? Se a ação gravitacional do Sol é inexistente a essas distâncias, por que os cometas caem na direção do Sol? A cada poucos milhões de anos uma estrela passa próxima do Sol; dentro de 1,36 milhões de anos a estrela Gliese 710 passará a um ano-luz do Sol; porque os encontros anteriores não retiraram todos os corpos de lá?
[editar] Referências
- ↑ a b c d Alessandro Morbidelli (2008-02-03). Origin and dynamical evolution of comets and their reservoirs (PDF). arxiv.
- ↑ "NASA Solar System Exploration". Oort Cloud. Página visitada em 2008-12-02.
- ↑ a b V. V. Emelyanenko, D. J. Asher, M. E. Bailey. (2007). "The fundamental role of the Oort Cloud in determining the flux of comets through the planetary system". Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 381: 779–789. Royal Astronomical Society. DOI:10.1111/j.1365-2966.2007.12269.x. Página visitada em 31/03/2008.
- ↑ Alessandro Morbidelli; Harold Levison. (2004). "Scenarios for the Origin of the Orbits of the Trans-Neptunian Objects 2000 CR105 and 2003 VB12 (Sedna)". The Astronomical Journal 128 (5): 2564–2576. University of Chicago Press. DOI:10.1086/424617.
- ↑ (2008) "International Team of Astronomers Finds Missing Link". NRC Herzberg Institute of Astrophysics. Página visitada em 05/09/2008.