Makemake

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(136472) Makemake
Planeta anão
Makemake pelo telescópio Hubble.
Makemake visto pelo Telescópio Espacial Hubble
Características orbitais[1] [2]
Semieixo maior 45,790 UA
Perélio 38,507 UA
Afélio 53,073 UA
Excentricidade 0,159
Período orbital 309,86 anos
Velocidade orbital média 4,419 km/s
Inclinação 28,962 °
Argumento do periastro 298,40º
Longitude do nó ascendente 79,382°
Características físicas
Diâmetro equatorial 1434 ± 14 km[3]
1502 ± 45 km[4]
1420 ± 60[5] km
Área da superfície ~ 6 900 000 km²
Volume ~ 1,7×109 km³
Massa  ? kg
Densidade média 1,4-3,2[3] g/cm³
Dia sideral 7,771 ± 0,003 horas[6]
Albedo 0,81+0,01−0,02[3]
Temperatura média: −243 ºC
Magnitude aparente 16,7 (oposição)[7] [8]
Magnitude absoluta −0,4[2]

Makemake, formalmente designado como (136472) Makemake, é o terceiro maior planeta anão do Sistema Solar e o maior objeto transnetuniano conhecido na população dos cubewanos,[9] [nota 1] com um diâmetro de cerca de dois terços o de Plutão.[13] Não possui satélites conhecidos, o que o torna único entre os grandes corpos do cinturão de Kuiper. Sua superfície é coberta por metano, etano e possivelmente nitrogênio e tem uma baixa temperatura média de cerca de 30 K (-243,2 °C).[10]

Inicialmente conhecido como 2005 FY9 e depois pelo código de planeta menor 136472, Makemake foi descoberto em 31 de março de 2005 no Observatório Palomar, por uma equipe liderada por Michael Brown, e anunciado em 29 de julho de 2005. Recebeu o nome do deus rapanui Makemake. Foi formalmente classificado como plutoide e planeta anão em julho de 2008.[13] [14]

Descoberta[editar | editar código-fonte]

Makemake foi descoberto em 31 de março de 2005 no Observatório Palomar (em San Diego, Califórnia), por um grupo liderado por Michael E. Brown,[2] e foi anunciado ao público em 29 de julho de 2005, o mesmo dia do anúncio da descoberta de Éris e dois dias depois do anúncio de Haumea.[15]

Apesar de seu brilho relativo (um quinto do brilho de Plutão),[nota 2] Makemake foi descoberto bem depois de outros objetos do Cinturão de Kuiper com um brilho menor do que o dele. A maioria das buscas por planetas menores foram feitas relativamente perto da eclíptica (a região do céu em que o Sol, a Lua e os outros planetas parecem estar, vistos da Terra), devido à maior probabilidade de encontrar objetos lá. É provável que Makemake escapou da primeira pesquisa por causa de sua alta inclinação, e pelo fato de que ele estava na maior distância possível da eclíptica em sua descoberta, no norte da constelação de Coma Berenices.[8]

Além de Plutão, Makemake é o único outro planeta anão brilhante o suficiente para que Clyde Tombaugh pudesse ter descoberto durante sua busca por objetos transnetunianos em 1930.[17] Na época das buscas de Tombaugh, Makemake estava a apenas poucos graus da eclíptica, perto da borda de Taurus e Auriga,[nota 3] com uma magnitude aparente de 16.0.[8] No entanto, essa posição era também muito perto da Via Láctea, portanto a detecção de Makemake ficaria quase impossível com o fundo cheio de estrelas. Tombaugh continuou a procurar por objetos transnetunianos após a descoberta de Plutão, mas sem sucesso.[18]

Nomeação[editar | editar código-fonte]

A designação provisória 2005 FY9 foi dada a Makemake quando sua descoberta foi publicada. Antes disso, a equipe responsável por sua descoberta o apelidou de "coelho da páscoa", porque sua descoberta foi feita um pouco antes da Páscoa.[19]

2005 FY9 foi oficialmente nomeado em julho de 2008, junto com sua classificação como planeta anão.[13] O nome Makemake, o criador da humanidade e deus da fertilidade dos rapanui, um povo nativo da Ilha de Páscoa,[14] foi escolhido em parte para preservar a conexão do objeto com a Páscoa.[19]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Makemake é classificado como um objeto clássico do cinturão de Kuiper (cubewano),[20] o que significa que sua órbita está longe o suficiente de Netuno para se manter estável a longo prazo.[21] [22] Ao contrário de plutinos, que podem cruzar a órbita de Netuno devido a ressonâncias orbitais 2:3 com o planeta, os objetos clássicos têm perélios mais distantes do Sol, livres das perturbações do planeta.[21] Makemake, com uma inclinação de 29°,[1] é membro da população quente dos cubewanos, que contém os objetos com inclinações maiores que 4°.[11]

Em 24 de agosto de 2006, a União Astronômica Internacional (UAI) anunciou uma definição formal do termo planeta, que incluiu a criação da categoria dos planetas anões, objetos semelhantes a planetas, mas sem dominância orbital. Com essa definição, Plutão, Ceres e Éris foram reclassificados como planetas anões.[23] Em 11 de junho de 2008, foi criada uma subclasse de planeta anão, plutoide, especificamente para planetas anões situados além da órbita de Netuno. Éris e Plutão são, portanto, plutoides, enquanto Ceres (que está no cinturão de asteroides) não é. Foi especificado que todo objeto transnetuniano com uma magnitude absoluta de +1 ou menos seria um plutoide,[24] o que é o caso de Makemake, que tem uma magnitude absoluta de -0,4.[2] Em 11 de julho de 2008, Makemake foi oficialmente classificado como um planeta anão e plutoide.[14] [13]

Órbita[editar | editar código-fonte]

Órbitas de Makemake (em azul), Haumea (verde), Plutão (vermelho) e a eclíptica (cinza). O perélio (q) e o afélio (Q) estão marcados juntos com as datas de passagem.

Makemake é o segundo planeta anão mais afastado do Sol, com um semieixo maior de 45,790 unidades astronômicas (UA). Atualmente, está a uma distância de 52,4 UA (7,84×109 km) do Sol, quase atingindo seu afélio (53,073 UA), o que acontecerá em 2033.[7] [1] [8] Sua órbita é parecida à de Haumea, com uma alta inclinação de 29° e excentricidade moderada de 0,16, mas é mais afastada do Sol em termos de semieixo maior, perélio e afélio.[25] O período orbital de Makemake é de aproximadamente 310 anos,[1] maior que o de Plutão (248 anos) e Haumea (284 anos).[26] [27]

Características físicas[editar | editar código-fonte]

Brilho e tamanho[editar | editar código-fonte]

Comparação de tamanho de Éris, Plutão, Makemake, Haumea e da Terra.

Makemake é o segundo objeto mais brilhante do cinturão de Kuiper, logo atrás de Plutão,[17] tendo uma magnitude aparente de 16,7 em oposição.[7] Isso é brilhante o suficiente para ser visto com um telescópio amador de alta qualidade. O alto albedo de Makemake de aproximadamente 80% sugere uma temperatura de cerca de 30 K (-243,2 °C).[28] O tamanho de Makemake não é conhecido precisamente. Observações em infavermelho com o Telescópio Spitzer e o Observatório Espacial Herschel, combinadas com as semelhanças de espectro com Plutão, estimaram um diâmetro entre 1 360 e 1 480 km.[5] Em 2012, foram publicados dados de uma ocultação estelar por Makemake em 2011, usados para calcular dimensões de 1 502 × 1 430 km.[4] Em 2013, uma reanálise desses dados estimou um diâmetro equatorial de 1 434 ± 14 km e diâmetro polar de 1 422 ± 14 km.[3] Isso é um pouco maior que Haumea, fazendo de Makemake o terceiro maior objeto transnetuniano conhecido, perdendo apenas para Plutão e Éris.[9] Makemake foi o quarto planeta anão no Sistema Solar a ser reconhecido como tal, devido à sua magnitude absoluta na banda V de -0,4. Esse brilho praticamente garante que ele é grande o suficiente para alcançar equilíbrio hidrostático e tornar-se um esferoide oblato.[13] [24] [2] [29]

Espectro[editar | editar código-fonte]

Concepção artística de Makemake.

Em uma publicação no jornal Astronomy and Astrophysics em 2006, Licandro et al. relatou as medições do espectro visível e infravermelho próximo de Makemake. Eles usaram o Telescópio William Herschel e o Telescopio Nazionale Galileo e mostraram que a superfície de Makemake é parecida à de Plutão.[30] Como Plutão, Makemake aparece vermelho no espectro visível, e bem mais vermelho que a superfície de Éris.[30] O espectro infravermelho próximo apresenta acentuadas bandas de absorção de metano (CH4). O metano é observado também em Plutão e Éris, mas seu sinal espectral é muito mais fraco.[30]

Análises espectrais da superfície de Makemake revelaram que o metano deve estar presente na forma de grandes grãos de pelo menos um centímetro de tamanho.[10] Além disso, grandes quantidades de etano e tolina podem estar presentes, provavelmente criados por fotólise de metano pela radiação solar.[10] As tolinas provavelmente são responsáveis pela cor vermelha do espectro visível. Embora existam evidências da presença de nitrogênio na sua superfície, em nenhum lugar de Makemake há o mesmo nível de nitrogênio que há em Plutão e em Tritão, onde ele constitui 98% da crosta. A relativa falta de nitrogênio em Makemake sugere que o fornecimento de nitrogênio acabou de algum modo durante a evolução do Sistema Solar.[10] [31] [32]

Análises fotométricas no infravermelho distante (24–70 μm) e submilímetro (70–500 μm) feitas pelos telescópios Spitzer e Herschel revelaram que a superfície de Makemake não é homogênea. Sua maior parte é coberta por nitrogênio e gelos de metano, onde o albedo varia entre 78 e 90%, porém existem pequenas áreas de terreno escuro que compõem 3–7% da superfície, cujo albedo é de apenas 2 a 12%.[5]

Atmosfera[editar | editar código-fonte]

A presença de metano e possivelmente nitrogênio sugere que Makemake pode ter uma atmosfera transitória, semelhante à de Plutão perto de seu perélio.[30] O nitrogênio, se presente, é o principal componente dela.[10] A existência de uma atmosfera também fornece uma explicação natural para o esgotamento de nitrogênio: uma vez que a gravidade de Makemake é mais fraca do que a de Plutão, Éris e Tritão, uma grande quantidade de nitrogênio provavelmente foi perdida por causa do escape atmosférico; o metano é mais leve que o nitrogênio, mas tem uma pressão de vapor significativamente menor nas temperaturas registradas em Makemake (-243,2 °C a -238,2 °C), o que impede sua fuga. O resultado desse processo é uma relativa abundância de metano.[33] No entanto, a ocultação estelar de 2011 mostrou que atualmente Makemake não possui uma atmosfera significativa e colocou um limite máximo de 4-12 nanobar para a pressão na sua superfície.[4]

Satélites[editar | editar código-fonte]

Nenhum satélite foi descoberto orbitando Makemake. Um satélite com um brilho de pelo menos 1% do brilho de Makemake teria sido detectado se estivesse a uma distância de 0,4 segundos de arco ou mais dele.[17] Isso contrasta com outros grandes objetos transnetunianos, muitos dos quais possuem pelo menos um satélite: Éris tem um, Haumea tem dois e Plutão tem cinco.[9] Acredita-se que cerca de 10% a 20% de todos os objetos transnetunianos têm satélites. Como os satélites oferecem um método simples para medir a massa de um objeto, a falta de satélites em Makemake dificulta a medição precisa de sua massa.[17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Notas e referências[editar | editar código-fonte]

Notas de rodapé

  1. Os astrônomos Mike Brown, David Jewitt e Marc Buie classificam Makemake como um corpo do disco disperso, mas o Minor Planet Center o considera um integrante da população principal do Cinturão de Kuiper (cubewano).[1] [10] [11] [12]
  2. Makemake tem uma magnitude aparente em oposição de 16,7 contra 15 de Plutão.[16]
  3. Baseado na efeméride dada pelo Minor Planet Center: 1 de março, 1930: RA: 05h51m, dec: 29,0

Referências

  1. a b c d e Marc W. Buie (última obs. 30 de março de 2014). Orbit Fit and Astrometric record for 136472 SwRI (Space Science Department). Visitado em 9 de março de 2014.
  2. a b c d e JPL Small-Body Database Browser: 136472 NASA Jet Propulsion Laboratory (última obs. 24 de abril de 2014). Visitado em 7 de junho de 2014.
  3. a b c d Brown, M. E. (abril de 2013). "On the Size, Shape, and Density of Dwarf Planet Makemake". The Astrophysical Journal Letters 767 (1): artigo L7, 5 pp.. DOI:10.1088/2041-8205/767/1/L7. Bibcode2013ApJ...767L...7B.
  4. a b c Ortiz, J. L. et al. (novembro de 2012). "Albedo and atmospheric constraints of dwarf planet Makemake from a stellar occultation". Nature 491 (7425): pp. 566-569. DOI:10.1038/nature11597. Bibcode2012Natur.491..566O.
  5. a b c Lim, T. L. et al. (julho de 2010). "``TNOs are Cool: A survey of the trans-Neptunian region . III. Thermophysical properties of 90482 Orcus and 136472 Makemake". Astronomy and Astrophysics 518: id.L148, 5 pp.. DOI:10.1051/0004-6361/201014701. Bibcode2010A&A...518L.148L.
  6. Heinze, A. N.; de Lahunta, Daniel. (outubro de 2009). "The Rotation Period and Light-Curve Amplitude of Kuiper Belt Dwarf Planet 136472 Makemake (2005 FY9)". The Astronomical Journal 138 (2): pp. 428-438. DOI:10.1088/0004-6256/138/2/428. Bibcode2009AJ....138..428H.
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  8. a b c d Asteroid 136472 Makemake (2005 FY9) HORIZONS Web-Interface JPL Solar System Dynamics. Visitado em 1 de julho de 2008.
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  25. S. C. Tegler, W. M. Grundy, W. Romanishin, G. J. Consolmagno, K. Mogren, F. Vilas. (fevereiro de 2007). "Optical Spectroscopy of the Large Kuiper Belt Objects 136472 (2005 FY9) and 136108 (2003 EL61)". The Astronomical Journal 133 (2): pp. 526-530. DOI:10.1086/510134. Bibcode2007AJ....133..526T.
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  28. Stansberry, J.; Grundy, W.; Brown, M.; Cruikshank, D.; Spencer, J.; Trilling, D.; Margot, J.-L. (2008). "Physical Properties of Kuiper Belt and Centaur Objects: Constraints from the Spitzer Space Telescope". The Solar System Beyond Neptune: p.161-179. Bibcode2008ssbn.book..161S.
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  31. Tegler, S. C.; Grundy, W. M.; Vilas, F.; Romanishin, W.; Cornelison, D. M.; Consolmagno, G. J. (junho de 2008). "Evidence of N 2-ice on the surface of the icy dwarf Planet 136472 (2005 FY9)". Icarus 195 (2): p. 844-850. DOI:10.1016/j.icarus.2007.12.015. Bibcode2008Icar..195..844T.
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  33. Schaller, E. L.; Brown, M. E. (abril de 2007). "Volatile Loss and Retention on Kuiper Belt Objects". The Astrophysical Journal 659 (1): pp. L61-L64. DOI:10.1086/516709. Bibcode2007ApJ...659L..61S.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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