Prometeu

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Nota: Se procura satélite natural de Saturno, consulte Prometeu (satélite).

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Prometeu (em grego: Προμηθεύς, "antevisão") é um personagem da mitologia grega, um titã, filho do também titã Jápeto e de Ásia, também chamada de Clímene, filha de Oceano (segundo alguns autores, sua mãe seria Témis) e irmão de Atlas, Epimeteu e Menoécio.[1] Seu mito foi mencionado por dois dos principais autores gregos, Hesíodo e Ésquilo.[2]


É pai de Deucalião. Segundo uma outra tradição minoritária, Prometeu teria nascido da união entre Hera e de seu amante, o gigante Eurimedonte.

Foi o titã que criou os homens, com seu irmão Epimeteu, e que também roubou o fogo dos deuses para presentear às suas criações.

Índice

[editar] História

Prometeu leva o fogo à humanidade, tela de Heinrich Friedrich Füger de 1817

Segundo Hesíodo[3] foi dado a Prometeu e seu irmão Epimeteu a tarefa de criar os homens e todos os animais. Epimeteu encarregou-se da obra e Prometeu encarregou-se de supervisioná-la. Na obra, Epimeteu atribuiu a cada animal os dons variados de coragem, força, rapidez, sagacidade; asas a um, garras outro, uma carapaça protegendo um terceiro, etc. Porém, quando chegou a vez do homem, formou-o do barro. Mas como Epimeteu gastara todos os recursos nos outros animais, recorreu a seu irmão Prometeu. Este então roubou o fogo dos deuses e o deu aos homens. Isto assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou a Hefesto que o acorrentasse no cume do monte Cáucaso, onde todos os dias uma águia (ou corvo) dilacerava seu fígado que, todos os dias, regenerava-se. Esse castigo devia durar 30.000 anos.

Prometeu foi libertado do seu sofrimento por Hércules que, havendo concluído os seus doze trabalhos dedicou-se a aventuras. No lugar de Prometeu, o centauro Quíron deixou-se acorrentar no Cáucaso, pois a substituição de Prometeu era uma exigência para assegurar a sua libertação.[4]

A história foi teatralizada pela primeira vez por Ésquilo no século V a.C. com o título de Prometeus desmotes (Prometeu Agrilhoado/Acorrentado).

[editar] Literatura

Ao longo de séculos, vários autores[5][6]retomaram a história de Prometeu e o colocaram como figura que representa a vontade humana por conhecimento (mesmo tendo que passar por cima dos deuses). A captura do fogo[7] é visto como a busca do conhecimento pela ciência.[8]

Dentre esses autores, o poeta romântico alemão Goethe escreveu um pequeno poema de 8 estrofes sobre a lenda de Prometeu intitulado de Prometheus (1774) do qual segue-se um trecho:

Hefesto acorrentando Prometeu (1623) em tela de Dirck van Baburen
"Encobre o teu Céu ó Zeus
com nebuloso véu e,
semelhante ao jovem que gosta
de recolher cardos
retira-te para os altos do carvalho ereto
Mas deixa que eu desfrute a Terra,
que é minha, tanto quanto esta cabana
que habito e que não é obra tua
e também minha lareira que,
quando arde, sua labareda me doura.
Tu me invejas!

(...)

Eu honrar a ti? Por quê?
Livraste a carga do abatido?
Enxugaste por acaso a lágrima do triste?

(...)

Por acaso imaginaste, num delírio,
que eu iria odiar a vida e retirar-me para o ermo
por alguns dos meus sonhos se haverem
frustrado?
Pois não: aqui me tens
e homens farei segundo minha própria imagem:
homens que logo serão meus iguais
que irão padecer e chorar, gozar e sofrer
e, mesmo que sejam parias,
não se renderão a ti como eu fiz"


Goethe descreve um homem extraordinário, que se nega a venerar deuses e, como ato de rebeldia, se prontifica a fazer homens segundo à própria imagem que não precisem venerar os deuses. Essa questão de rebeldia aos deuses e de criação de vida é um tema que permeia a sociedade moderna até hoje.

Alguns anos depois da publicação de seu poema, surgia na Inglaterra a figura de Frankenstein, ou o Moderno Prometeu, que é um ser criado de vários humanos que ganhou vida através de seu cientista. Porém essa liberdade de criar homens é muito discutida e não tem consenso geral da sociedade, como é o caso da clonagem, que começou com a ovelha Dolly e até hoje causa discussão entre as sociedade, sobre até onde o homem pode ir.

Goethe, em sua fase mais madura, parece mudar de opinião, pois escreve outro poema intitulado "Limite da Humanidade" (Grenzen der Menschheit)[9], onde faz elogios aos deuses e faz um reconhecimento da incapacidade humana.

Além dos românticos, Prometeu também era um homem modelo de Marx.

[editar] Astronomia

Em homenagem ao personagem mitológico, deu-se o nome de Prometeu a um dos 56 satélites de Saturno (ver Prometeu).

Referências

  1. MOMIGLIANO, Os limetes da Helenização.Rio de Janeiro. Sazar. 1991
  2. Sephton 1895, p. 434 ([1]).
  3. HESÍODO, Os Trabalhos e os dias. São Paulo. Iluminuras. 1990
  4. Ésquilo. Prometeu Acorrentado. In Teatro grego. São Paulo. Companhia das Letras. 1987
  5. "Mythos Prometheus": Reclam Verlag Leipzig, 1995.
  6. BRUNEL, Pierre (Org.). Dicionário de mitos literários. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997
  7. 9[2]) (pag.47)
  8. ([3])
  9. ([4])

[editar] Bibliografia

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