Nêmesis (mitologia)

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Nêmesis, de Alfred Rethel (1837)

Némesis (português europeu) ou Nêmesis (português brasileiro) (em grego, Νέμεσις), deusa grega da segunda geração, era, segundo Hesíodo, uma das filhas da deusa Nix (a noite). Pausânias citou Nêmesis como filha dos titãs Oceano e Tétis. Autores tardios puseram-na como filha de Zeus e de Têmis.

Apesar de Nêmesis ter nascido na família da maioria dos deuses trevosos, vivia no monte Olimpo e figurava a vingança divina. Nêmesis era também chamada "a inevitável".

Nêmesis era tão bela como Afrodite, geralmente representada na forma alada. Certa vez Zeus sentiu uma enorme paixão por Nêmesis devido à sua beleza e resolveu de todas as formas possuir a deusa. Esta buscou evitar a união com Zeus transformando-se em uma gansa, mas o deus acabou por tornar-se um cisne e uniram-se. A gansa pôs um ovo, o fruto dessa união, e o abandonou. Alguns pastores encontraram o ovo e entregaram-no à então rainha Leda de Esparta para esta chocá-lo junto aos ovos próprios dela (os frutos da sua união com Zeus na forma de cisne), e do ovo que havia sido pôsto pela gansa nasceram Pólux e Helena.

Veneração[editar | editar código-fonte]

Em Ramnunte, pequena cidade da Ática não muito longe de Maratona situada na costa do estreito que separa a Ática da ilha de Eubeia, Nêmesis tinha um templo célebre, o qual ao mesmo tempo era um templo de Têmis. As estátuas das duas deusas foram esculpidas juntas por Fídias (as mais belas estátuas de Têmis e de Nêmesis) em um bloco de mármore de Paros trazido pelos persas e destinado a fazer um troféu. Os persas tinham-se mostrado demasiado seguros da vitória denotando desmesura (húbris), e nunca tomaram Atenas, em favor da qual Nêmesis tomou partido. Nêmesis encorajou o exército maratônio.

Outros locais de que Nêmesis era padroeira eram as cidades anatólias de Éfeso e Esmirna (cidade que pode ter sido a sua origem) bem como a ilha de Samos.

Poderes[editar | editar código-fonte]

Nêmesis representava uma força encarregada de abater toda a desmesura (húbris), a exemplos do orgulho de um rei e do excesso de felicidade de um mortal. Essa é uma concepção fundamental do espírito helênico:

Cquote1.svg Tudo que se eleva acima da sua condição, tanto no bem quanto no mal, expõe-se a represálias dos deuses. Tende, com efeito, a subverter a ordem do mundo, a pôr em perigo o equilíbrio universal e, por isso, tem de ser castigado, se se pretende que o universo se mantenha como é. Cquote2.svg

Nêmesis foi a deusa que castigou o rei Creso da Lídia. Creso, demasiado feliz com suas riquezas, foi levado por Nêmesis a empreender uma expedição contra Ciro, o que acabou por lhe trazer ruína e desgraça.

Outra vítima de punição enviada por Nêmesis foi Narciso. Demasiado contente com sua própria beleza, Narciso desprezava o amor. As jovens desprezadas por Narciso pediram vingança a Nêmesis, que ouviu-as e causou um forte calor. Após uma caçada, Narciso debruçou-se sobre uma fonte para se dessedentar. Nela viu o seu belo rosto, e apaixonado por sua própria beleza definhou até a morte pelo amor impossível.

Etimologia e significado[editar | editar código-fonte]

A palavra 'nêmesis' vem do grego antigo νέμεσις, derivado do verbo νέμω (némo: 'distribuir'), da raiz indo-europeia nem-. O termo foi usado com o significado de 'desdém', 'indignação' por Homero (na Odisseia) e por Aristóteles (na Etica Nicomachea), e com o sentido de 'vingança', 'castigo' por Heródoto, por Cláudio Eliano (na Varia historia) e por Plutarco. Na Theologumena arithmeticae de Jâmblico designa o numeral cinco.

A palavra tem também o sentido de "justiça distributiva". Originariamente, a deusa grega infligia dor ou concedia felicidade segundo o que era justo. Portanto, por antonomásia, entende-se nêmesis como a situação negativa que se segue a um período particularmente favorável, como ato de justiça compensatória. A ideia que subjaz ao termo é a de que o mundo deve obedecer a uma lei de harmonia, segundo a qual o bem deve ser compensado pelo mal em igual medida.

Em português, a palavra designa 'alguém que exige ou inflige retaliação' ou, por extensão de sentido, um 'rival ou adversário temível e geralmente vitorioso'[1] . Na cultura anglo-saxã moderna, o termo assumiu o significado de 'inimigo' ou o pior inimigo de uma pessoa, normalmente alguém que é exatamente o oposto de si mas que é também, de algum modo, muito semelhante a si. Por exemplo, o Professor Moriarty é frequentemente descrito como a nêmesis de Sherlock Holmes – isto é, seu arqui-inimigo, pelo qual, todavia, nutre grande respeito e admiração.

Referências

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