Odisseia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
'Odisseia'
Beginning Odyssey.svg
Início da Odisseia em seu idioma original
Autor (es) Homero
Idioma Grego homérico
País Grécia Antiga
Género Poesia épica
Editora Várias
Lançamento século VIII a.C.

Odisseia (em grego: Οδύσσεια, transl. Odýsseia) é um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, atribuídos a Homero[1] . É, em parte, uma sequência da Ilíada, outra obra creditada ao autor, e é um poema fundamental no cânone ocidental. Historicamente, é a segunda - a primeira sendo a própria Ilíada - obra da literatura ocidental.

A Odisseia, assim como a Ilíada, é um poema elaborado ao longo de séculos de tradição oral, tendo tido sua forma fixada por escrito, provavelmente no fim do século VIII a.C.[2] . A linguagem homérica combina dialetos diferentes, inclusive com reminiscências antigas do idioma grego, resultando, por isso, numa língua artificial, porém compreendida. Composto em hexâmetro dactílico era cantado pelo aedo (cantor), que também tocava, acompanhando, a cítara ou fórminx, como consta na própria Odisseia (canto VIII, versos 43-92) e também na Ilíada (canto IX, versos 187-190).

O poema relata o regresso do protagonista Odisseu - do qual deriva o título da obra - (ou Ulisses, como era conhecido na mitologia romana), um herói da Guerra de Troia. Como se diz na proposição, é a história do “herói de mil estratagemas que tanto vagueou, depois de ter destruído a cidadela sagrada de Troia, que viu cidades e conheceu costumes de muitos homens e que no mar padeceu mil tormentos, quanto lutava pela vida e pelo regresso dos seus companheiros”. Odisseu leva dez anos para chegar à sua terra natal, Ítaca, depois da Guerra de Troia, que também havia durado dez anos. [3]

A trama da narrativa, surpreendentemente moderna na sua não-linearidade, apresenta a originalidade de só conservar elementos concretos, directos, que se encadeiam no poema sem análises nem comentários. A análise psicológica, a análise do mundo interior, não era ainda praticada. As personagens agem ou falam; ou então, falam e agem. E falam no discurso directo, diante de nós, para nós – preparando, de alguma forma, o teatro[2] . Os eventos narrados dependem tanto das escolhas feitas por mulheres, criados e escravos quanto dos guerreiros.

A influência homérica é clara em obras como Eneida, de Virgílio, Os Lusíadas, de Camões, ou o Ulysses, de James Joyce, mas não se limita aos clássicos. As aventuras de Ulisses, a superação desesperada dos perigos, nas ameaças que lhe surgem na luta pela sobrevivência, são a matriz de grande parte das narrativas modernas, desde a literatura ao cinema[4] . [2]

Em português, bem como em diversos outros idiomas, a palavra odisseia passou a referir qualquer viagem longa, especialmente se apresentar características épicas.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

A Odisseia se inicia in medias res, com sua trama já inserida no meio de uma história mais ampla, e com os eventos anteriores sendo descritos ou através de flashbacks ou de narrativas dentro da própria história. O dispositivo foi imitado por diversos autores de épicos literários posteriores, como por exemplo Virgílio, na Eneida, bem como poetas modernos como Alexander Pope em The Rape of the Lock.

A acção está repartida em três tempos principais: situação de Penélope e Telémaco em Ítaca e viagem de Telémaco; chegada de Ulisses ao país dos Feaces, onde narra as suas aventuras (recuo da acção, em vários anos); regresso de Ulisses a Ítaca e morte dos pretendentes [5] .

Perante a presunção da morte de Ulisses, a sua esposa Penélope e o seu filho, Telêmaco são obrigados a lidar com um grupo de insolentes pretendentes, os Mnesteres (em grego: Μνηστῆρες) ou Proci, que competem pela mão de Penélope em casamento.Telêmaco tenta assumir o controlo da sua casa e aconselhado por Atena, viaja em busca de notícias do seu pai desaparecido. A cena então muda: Odisseu é cativo da bela ninfa Calipso, com quem ele passou sete dos dez anos em que esteve perdido. Após ser libertado pela intercessão de sua padroeira, Atena, ele parte. Porém, a sua jangada é destruída por Posídon, furioso por Odisseu ter cegado o seu filho, Polifemo. Quando Odisseu alcança a praia de Esquéria, lar dos feácios, é auxiliado pela jovem Nausícaa, de quem recebe hospitalidade; em troca, satisfaz a curiosidade dos feácios, narrando a eles - e ao leitor - as suas aventuras desde a partida de Troia. Os feácios, hábeis construtores de navios, emprestam-lhe uma embarcação para que ele regresse a Ítaca, onde recebe a ajuda do pastor de porcos Eumeu, se encontra com Telêmaco e reconquista o seu lar, reencontrando a sua esposa, Penélope e matando os seus pretendentes.

Quase todas as edições e traduções modernas da Odisseia são divididas em 24 livros. Esta divisão é conveniente, porém não é original; foi desenvolvida pelos editores alexandrinos do século III a.C.. No período clássico diversos dos livros (individualmente e em conjunto) recebiam seus próprios títulos; os primeiros quatro, que se concentravam em Telêmaco, eram comumente conhecidos como a Telemaquia; a narrativa de Odisseu, no livro 9, que contém seu encontro com o ciclope Polifemo, era tradicionalmente chamada de Ciclopeia; e o livro 11, que descreve seu encontro com os espíritos dos mortos no Hades, era conhecido como Nekyia. Os livros 9 a 12, onde Odisseu reconta suas aventuras para seus anfitriões feácios eram referidos como os Apologoi, as "histórias" de Odisseu. O livro 22, no qual Odisseu mata todos os pretendentes, recebia o título de Mnesterophonia, o "massacre dos pretendentes".

Os últimos 548 versos da Odisseia, que correspondem ao livro 24, são tidas por muitos acadêmicos como uma adição feita por um poeta posterior; diversas passagens dos livros anteriores parecem preparar para os eventos que ocorrem nele, portanto se de fato forem uma adição posterior, o editor responsável teria alterado algum texto antigo já existente (para as diversas visões a respeito da origem, autoria e unidade do poema, veja escolástica homérica).

Argumento[editar | editar código-fonte]

Telêmaco, filho de Odisseu, tem apenas um mês de idade quando seu pai sai para combater em Troia, numa guerra da qual ele não quer fazer parte.[6] No ponto em que a obra se inicia, já se passaram dez anos após o fim da Guerra de Troia - que por sua vez durou dez anos - Telêmaco tem 20 anos e está dividindo a casa de seu pai ausente, localizada na ilha de Ítaca, com sua mãe e uma multidão de 108 arruaceiros, "os pretendentes", cuja meta é persuadir Penélope de que seu marido está morto, e que ela deve se casar com um deles.

A deusa Atena, a protetora de Odisseu, discute seu destino com Zeus, rei dos deuses, no momento em que o inimigo do herói, o deus do mar, Posídon, se ausenta do monte Olimpo. Escondida como um chefe táfio chamado Mentes, ela visita Telêmaco e o encoraja a procurar notícias de seu pai. Ele oferece sua hospitalidade, e ela pode observar o comportamento inapropriado dos pretendentes, jantando no meio de arruaças enquanto o bardo Fêmio lhes interpretava um poema narrativo. Penélope opõe-se ao tema de Fêmio, o "Retorno de Troia",[7] por lembrá-la de seu marido desaparecido, porém Telêmaco refuta suas objeções.

Naquela noite, Atena, disfarçada como Telêmaco, encontra um navio e uma tripulação para o verdadeiro Telêmaco. No dia seguinte, este reúne uma assembleia de cidadãos de Ítaca, para discutir o que deveria ser feito com os pretendentes. Acompanhado por Atena (agora disfarçada como seu amigo, Mentor), ele parte para a Grécia continental, onde é recebido por Nestor, o mais respeitável dos guerreiros gregos de Troia, já de volta a seu lar, em Pilos. De lá, Telêmaco parte por terra, acompanhado pelo filho de Nestor, para Esparta, onde encontra Menelau e Helena, já reconciliados; estes descrevem como retornaram à Grécia depois de uma longa viagem, que passou pelo Egito e, de lá, pela ilha mágica de Faros, onde Menelau encontrou o velho deus do mar Proteu, que o contou que Odisseu havia sido aprisionado pela ninfa Calipso. Telêmaco também descobre o destino do irmão de Menelau, Agamenon, rei de Micenas e líder dos gregos em Troia, assassinado logo depois de retornar ao seu lar, por sua esposa Clitemnestra e seu amante Egisto.

A obra chega então à história de Odisseu, que passou sete anos no cativeiro, na ilha de Calipso. Esta é persuadida a libertá-lo pelo deus mensageiro, Hermes, enviado por Zeus. Odisseu constrói uma jangada e recebe roupas, comida e bebida de Calipso; acaba naufragando, no entanto, por obra de Posídon, e é obrigado a nadar até a ilha de Esquéria onde, nu e exausto, ele se esconde numa pilha de folhas e adormece. Na manhã seguinte, desperto pelas risadas de garotas que se aproximam, vê a jovem Nausícaa, que veio com suas criadas lavar roupas à beira do mar. Odisseu pede ajuda a ela, que o encoraja a procurar a hospitalidade de seus país, Aretê e Alcínoo. Odisseu que inicialmente não se identifica, é bem recebido; permanece no local por diversos dias, participa de um pentatlo e ouve o cantor cego Demódoco executar dois poemas narrativos. O primeiro é um incidente obscuro da Guerra de Troia, a "Disputa ente Odisseu e Aquiles", enquanto o segundo é a narrativa de um caso de amor entre dois deuses do Olimpo, Ares e Afrodite. Odisseu pede então a Demódoco que retorne ao tema da Guerra de Troia, que conta sobre o Cavalo de Troia, um estratagema no qual Odisseu havia desempenhado um papel crucial. Incapaz de esconder suas emoções ao narrar o episódio, Odisseu finalmente revela sua identidade, e começa a contar a fantástica história de seu retorno à Troia.

Odisseu arrebatado pela canção de Demódoco, de Francesco Hayez, 1813-15

Após uma incursão pirática em Ismara, na terra dos cicones, Odisseu e seus doze navios são desviados do curso por tempestades. Visitam então os letárgicos Comedores de Lótus, e são capturados pelo ciclope Polifemo, do qual escapa apenas após cegá-lo com um pedaço afiado de madeira. São recebidos por Éolo, senhor dos ventos, que dá a Odisseu um saco de couro contendo todos os ventos (com a exceção do vento oeste), um presente que deveria lhe ter garantido a viagem de volta para casa; seus marinheiros, no entanto, abrem de maneira tola o saco enquanto Odisseu dormia, pensando que continha ouro; todo o vento voou para fora do saco, e a tempestade resultante mandou os navios de volta para onde haviam vindo, quando Ítaca havia acabado de aparecer no horizonte.

Após pedir em vão para que Éolo o ajudasse novamente, Odisseu e seus companheiros reembarcaram nos navios e zarparam, viajando até encontrar o canibal Lestrigão. O navio de Odisseu acaba sendo o único a sobreviver ao ataque, e acaba indo parar junto à deusa-bruxa Circe, que transforma metade dos seus homens em porcos, após alimentá-los com vinho e queijo. Hermes, que havia alertado Odisseu a respeito de Circe, dá a ele uma droga chamada móli, que o fazia resistente à magia de Circe. Esta, atraída por esta resistência, apaixonou-se por ele e libertou seus homens a seu pedido. Odisseu e sua tripulação permaneceram na ilha por um ano, durante o qual festejaram, beberam e realizaram banquetes incessantes. Finalmente, os homens de Odisseu o convencem que é hora de partir para Ítaca; guiado pelas instruções de Circe, cruzam o oceano a atingem um porto na beira ocidental do mundo, onde Odisseu sacrifica aos mortos e invoca o espírito do velho profeta Tirésias para aconselhá-lo. Em seguida Odisseu encontra o espírito de sua própria mãe, que havia morrido de desgosto durante sua longa ausência; dela, descobre pela primeira vez notícias de sua própria casa e família, ameaçada pela cobiça dos pretendentes. Lá encontra também os espíritos de mulheres e homens famosos, entre eles Agamenon, que lhe informa sobre seu assassinato e lhe alerta sobre os perigos das mulheres (ver Nekyia para maiores detalhes do encontro de Odisseu com os mortos).

Ao retornar à ilha de Circe, são aconselhados por ela sobre as etapas restantes de sua jornada. Após costearem a terra das Sereias, passam por entre Cila, um monstro de muitas cabeças, e o redemoinho Caribde, e chegam à ilha de Trinácia. Lá, os homens de Odisseu ignoram os avisos de Tirésias e Circe, e abatem o gado sagrado do deus-sol, Hélio; este sacrilégio lhes traz como punição um naufrágio, onde todos morrem afogados, com a exceção de Odisseu, que consegue chegar à ilha de Calipso, ninfa que o força a se tornar seu amante por sete anos, até que ele consegue escapar.

Depois de ouvir com grande atenção a história, os feácios, marinheiros experientes, concordam em ajudar Odisseu a voltar para casa. Deixam-no à noite, enquanto está em sono pesado, num porto escondido em Ítaca. Lá ele consegue chegar à casa de um de seus antigos escravos, o pastor de porcos Eumeu. Odisseu se disfarça como um mendigo vagrante, para descobrir como estão as coisas em sua residência. Após jantar, conta aos trabalhadores da fazenda uma história fictícia sobre si; afirma ter nascido em Creta, e ter liderado um grupo de cretenses que lutaram ao lado dos gregos na Guerra de Troia, e que havia passado sete anos na corte do rei do Egito, e depois naufragado na Tesprócia, de onde teria vindo a Ítaca.

Enquanto isso, Telêmaco navega para casa, vindo de Esparta, fugindo de uma emboscada preparada pelos pretendentes. Desembarca na costa de Ítaca e se dirige à casa de Eumeu; lá, pai e filho se encontram, e Odisseu se identifica para o filho (embora ainda não para Eumeu), e decidem que os pretendentes devem ser mortos. Telêmaco chega à sua casa primeiro; acompanhado por Eumeu, Odisseu retorna ao seu lar, ainda fingindo ser um mendigo, e presencia as arruaças dos pretendentes. Encontra-se com Penélope, e testa suas intenções com uma história inventada sobre seu nascimento em Creta onde, segundo ele, teria se encontrado com Odisseu. Ao ser interrogado, acrescenta que também havia estado recentemente em Tesprócia, onde fora informado sobre as viagens recentes de Odisseu.

Sua identidade é descoberta pela caseira, Euricleia, quando ela lava seus pés e descobre uma antiga cicatriz que Odisseu tinha, fruto de uma caçada a javalis; ele a faz jurar segredo. No dia seguinte, instigada por Atena, Penélope convence os pretendentes a competir por sua mão, numa competição de arco-e-flecha, utilizando o arco de Odisseu - que participa da competição, ainda disfarçado, e, após ser o único com força suficiente para dobrar o arco, a vence. Odisseu passa então a disparar flechas contra os pretendentes; com a ajuda de Atena, Telêmaco, Eumeu e Filoteu, um pastor, todos são mortos; Odisseu ainda executa, juntamente com Telêmaco, doze das criadas da casa que haviam feito sexo com os pretendentes, e, após mutilá-lo, também executam o pastor de cabras Melâncio, que havia caçoado de Odisseu e o maltratado. Odisseu então finalmente se identifica para Penélope, que, hesitante, o aceita após ele descrevê-la a cama que teria construído para ela após se casarem.

No dia seguinte Odisseu e Telêmaco visitam a fazenda de seu velho pai, Laertes, que também só aceita sua identidade após ver Odisseu descrever corretamente o pomar que Laertes lhe dera certa vez.

Os cidadãos de Ítaca, no entanto, seguem Odisseu e Telêmaco ao longo da estrada, planejando vingar as mortes dos pretendentes, seus filhos. O líder do grupo afirma que Odisseu havia causado a morte de duas gerações de homens de Ítaca - seus marinheiros, nenhum dos quais havia sobrevivido à jornada de volta, e os pretendentes, que ele havia agora executado. A deusa Atena intervem pessoalmente, e convence ambos os lados a abandonar a vingança. Ítaca finalmente está em paz novamente, e a Odisseia é concluída.[8]

Personagens[editar | editar código-fonte]

Concílio dos deuses no Olimpo.
Odisseu e o ciclope Polifemo.

Odisseu[editar | editar código-fonte]

O traço heroico de Odisseu está em sua mētis, ou "inteligência astuta"; ele frequentemente é descrito como "Par de Zeus em Conselhos". Esta sua inteligência se manifesta no uso de disfarces e em falas e discursos enganosos. Seus disfarces podem tanto ser físicos (alterando sua aparência) como verbais, como fez ao contar para o ciclope Polifemo que seu nome era Ουτις (Oútis), "Ninguém", e fugir após cegá-lo; quando os outros ciclopes perguntaram a Polifemo o motivo de seus gritos, ele responde que "Ninguém" lhe está machucando, e os outros assumem que "Se sozinho como você está [Polifemo] ninguém usa violência sobre si, ora, não há como escapar do mal enviado pelo grande Zeus; então melhor rezar a seu pai, o senhor Posidão".[9] A falha mais evidente que Odisseu ostenta é a sua arrogância e seu orgulho, ou húbris. À medida que ele navega para longe da ilha dos ciclopes, Odisseu grita seu próprio nome, e se orgulha de que ninguém pode derrotar o "Grande Odisseu". Os ciclopes jogam então a metade superior de uma montanha sobre ele, e rezam para seu pai, o deus do mar, Posidão, dizendo que ele cegou um de seus filhos; isto enfurece o deus, o que o faz impedir o retorno de Odisseu a seu lar por muitos anos.

Casa de Odisseu[editar | editar código-fonte]

  • Odisseu (conhecido também pela forma latina, Ulisses), herói da guerra de Troia e que quer voltar para junto dos seus familiares;
  • Penélope, esposa de Odisseu, prima de Helena de Troia;
  • Telémaco, filho de Odisseu e de Penélope;
  • Laertes, pai idoso de Odisseu;
  • Eumeu, porqueiro;
  • Euricleia, ama de confiança de Odisseu;
  • Antinoo, um dos pretendentes o mais malvado de todos;
  • Eurimaco, um dos pretendentes que copia tudo o que Antinoo diz.

Casa dos Feácios[editar | editar código-fonte]

Marinheiros de Odisseu[editar | editar código-fonte]

Deuses intervenientes[editar | editar código-fonte]

  • Zeus rei dos deuses;
  • Atena deusa da sabedoria (a favor de Odisseu);
  • Circe feiticeira, filha de Hélio e Persa (a favor de Odisseu);
  • Posseidon deus dos mares (maior inimigo de Odisseu);
  • Éolo deus dos ventos, que recebe Odisseu e seus amigos em sua ilha;
  • Hermes mensageiro dos deuses;
  • Hélio o Sol, de quem os companheiros de Odisseu mataram o gado;
  • Calipso ninfa, filha de Atlante, que se apaixona por Odisseu;
  • Leucótea deusa marinha que salva Odisseu de um naufrágio.

Monstros e criaturas[editar | editar código-fonte]

  • Cila, monstro com doze pernas e seis cabeças, cada uma com três fileiras de dentes, habitava o interior de uma gruta cavada no rochedo;
  • Ciclopes, (literalmente "Olho redondo", "Olhicircular") em particular Polifemo (lit. "que fala muito", "Multifalaz"), filho de Possêidon e da ninfa Toosa. Gigante de um olho só, dedicado ao pastoreio e que vive em estado selvagem;
  • Caríbdis, monstro das profundezas marinhas que três vezes ao dia sorvia e vomitava a água do mar. Sua morada ficava a curta distância de Cila;
  • Hárpias, em Homero, dois monstros com corpo metade mulher e metade pássaro, habitantes de uma ilha na qual há bonança. Com seus cantos, encantam os homens que passem perto, devorando-os depois;
  • Lotófagos ("Comedores de Lótus"), povo fantástico que vive próximo as regiões da Líbia na África e se alimentam de flores de lótus, a qual provoca certo esquecimento.
  • Lestrigões gigantes antropófagos e arremessadores de rochas

Geografia da Odisseia[editar | editar código-fonte]

Mapa da Grécia Homérica

Os eventos na sequência principal da Odisseia (excluindo-se a narrativa de Odisseu) se dão no Peloponeso e naquelas que são atualmente chamadas de ilhas Jônicas. Existem controvérsias quanto à real identificação de Ítaca, terra natal de Odisseu, que pode ou não ser a mesma ilha que é atualmente chamada pelos gregos de Ithake. As viagens de Odisseu narradas aos feácios, e a localização da própria ilha destes, Esquéria, apresentam problemas geográficos ainda mais fundamentais aos estudiosos: tanto acadêmicos antigos quanto modernos dividem-se quanto à existência ou não dos lugares visitados por Odisseu depois de Ismaros e antes de seu retorno à Ítaca.

Traduções[editar | editar código-fonte]

No Brasil, há três traduções poéticas publicadas.

A primeira é de Manuel Odorico Mendes, do século XIX (publicada entretanto, somente em 1928), que, seguindo a tradição épica em português, emprega o decassílabo, porém branco. A tradução é marcada pela concisão (o número de versos da tradução é menor do que o do original), preciosismo lexical, estruturas sintáticas incomuns e neologismos - sobretudo para traduzir os epítetos gregos, latinizando-os ou somente transliterando-os, como em "Aurora dedirrósea" [Aurora de dedos róseos]. Outra característica (na verdade, comum até sua época) é a substituição dos nomes dos deuses gregos pelos correspondentes latinos: Zeus, por Júpiter, Posidão por Netuno, Atena por Minerva, Odisseu por Ulisses etc.

Sua tradução foi reeditada pela EdUSP e Ars Poetica, na coleção "Texto e Arte", com organização, notas suplementares e prefácio de Antonio Medina Rodrigues

Eis o proêmio traduzido por Odorico Mendes:

Canta, ó Musa, o varão que astucioso
Rasa Ílion santa, errou de clima em clima, 
Viu de muitas nações costumes vários. 
Mil transes padeceu no equóreo ponto, 
Por segurar a vida e aos seus companheiros a volta; 
Baldo afã! Pereceram, tendo, insanos, 
Ao claro Hiperiônio os bois comido, 
Que não quis para a pátria alumiá-los. 
Tudo, ó prole Dial, me aponta e lembra

A segunda tradução, do século XX (publicada originalmente ná década de 1960), é de Carlos Alberto Nunes, cujo principal critério foi transpor o metro original do poema (hexâmetro dactílico) para o português, resultando num verso de dezesseis sílabas poéticas, cujo ritmo é a sequência de seis grupos ("pés") de sílabas, sendo cinco deles compostos, cada um, por uma sílaba tônica e duas átonas, e o sexto grupo composto, em geral, de uma tônica e uma átona, no seguinte esquema: ó o o | ó o o | ó o o | ó o o | ó o o | ó o .

A tradução é editada pela Ediouro, porém em uma versão revisada por Marcus Reis Pinheiro (a qual distorce o esquema métrico em alguns versos, devido a essa revisão), e também pela editora Hedra, mas esta com o texto original.

Eis o proêmio traduzido por Carlos Alberto Nunes (o negrito marca as tônicas):

Musa, reconta-me os feitos do herói astucioso que muito
peregrinou, dês que esfez as muralhas sagradas de Troia; 
muitas cidades dos homens viajou, conheceu seus costumes, 
como no mar padeceu sofrimentos imeros na alma, 
para que a vida salvasse e de seus companheiros a volta. 
Os companheiros, porém, não salvou, muito embora o tentasse, 
pois pereceram por culpa das próprias ações insensatas.
Loucos! que as vacas sagradas do Sol Hiperiônio comeram. 
Ele, por isso, do dia feliz os privou do retorno. 
Deusa nascida de Zeus, de algum ponto nos conta o que queiras. 

Em 2011, Trajano Vieira, seguindo os passos de Haroldo de Campos, publicou sua tradução (ou transcriação) da Odisseia, tendo como critério resgatar a sonoridade do poema grego e sua complexidade lexical. Utiliza-se do dodecassílabo, neologismos e certo vocabulário rebuscado.

A tradução do prôemio por Trajano Vieira:

O homem multiversátil, Musa, canta, as muitas
errâncias, destruída Troia, pólis sacra,
as muitas urbes que mirou e mentes de homens
que escrutinou, as muitas dores amargadas
no mar a fim de preservar o próprio alento
e a volta aos sócios. Mas seu sobre-empenho não
os preservou: pueris, a insensatez vitima-os
pois Hélio Hiperiônio lhes recusa o dia
da volta, morto o gado seu que eles comeram.
Filha de Zeus, começa o canto de algum ponto!

Há também a tradução de Donaldo Schüler, editada pela L&PM em três volumes. Não sendo propriamente poética (apesar de dispor o texto em versos), utiliza-se ainda de um vocabulário mais coloquial. Eis seu proêmio:

O homem canta-me, ó Musa, o multifacetado, que muitos 
males padeceu, depois de arrasar Tróia, cidadela sacra. 
Viu cidades e conheceu costumes de muitos mortais. No 
mar, inúmeras dores feriram-lhe o coração, empenhado em 
salvar a vida e garantir o regresso dos companheiros. Mas 
não conseguiu contê-los, ainda que abnegado. Pereceram. 
vítimas de suas presunçosas loucuras. Crianções! Forraram  
a pança com a carne das vacas de Hélio Hipérion. Este os 
privou, por isso do dia do regresso. Das muitas façanhas, 
Deusa, filha de Zeus, conta-nos algumas a teu critério. 

Em Portugal, foi publicada pela editora Cotovia, em 2003, a tradução feita por Frederico Lourenço, que objetiva uma maior literalidade e, para tal, ele empregou versos livres. Sua tradução também foi recentemente publicada no Brasil, pela Companhia das Letras (Clássicos Penguin).

Eis sua tradução do proêmio:

Fala-me, Musa, do homem astuto que tanto vagueou, 
depois que de Troia destruiu a cidadela sagrada.
Muitos foram os povos cujas cidades observou,
cujos espíritos conheceu; e foram muitos no mar
os sofrimentos por que passou para salvar a vida,
para conseguir o retorno dos companheiros a suas casas.
Mas a eles, embora o quisesse, não logrou salvar.
Não, pereceram devido à sua loucura,
insensatos, que devoraram o gado sagrado de Hipérion,
o Sol — e assim lhes negou o deus o dia do retorno.
Destas coisas fala-nos agora, ó deusa, filha de Zeus.

Referências

  1. GLEESON-WHITE, Jane. 50 Clássicos: que não podem faltar na sua biblioteca. 1 ed. Campinas: Verus, 2009. 276 p. 1 vol. vol. 1. ISBN 978-85-7686-061-7
  2. a b c Romilly, Jacqueline, Homero, Introdução aos Poemas Homéricos, Lisboa, Edições 70, 2001.
  3. Odyssey 17.327; cf. also 2.174-6, 23.102, 23.170.
  4. Lourenço, 2003
  5. Gonçalves, 1997
  6. Odisseia, livro XIV.
  7. Este tema já existiu na forma de um épico escrito, Nostoi, já perdido.
  8. Descrição baseada originalmente em Dalby, Andrew(2006), escrito(a) em New York, London,', Norton, ISBN 0393057887 pp. xx-xxiv.
  9. A partir da tradução em inglês da Odisseia feita por Richmond Lattimore [Livro 9, pág. 147/8, versos 410 - 412]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • HOMERO. Odisseia. Trad. Odorico Mendes; org. Antônio Medina Rodrigues, pref. Haroldo de Campos. São Paulo: Ars Poetica / EDUSP, 2000.
  • HOMERO. Odisseia. Trad. Carlos Alberto Nunes; rev. Marcus Rei Pinheiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997.
  • HOMERO. Odisseia. Trad. Frederico Lourenço. Lisboa: Livros Cotovia, 2003.
  • HOMERO. Odisseia I: Telemaquia. Trad. Donaldo Schüler. Porto Alegre: L&PM, 2007.
  • HOMERO. Odisseia II: Regresso. Trad. Donaldo Schüler. Porto Alegre: L&PM, 2007.
  • HOMERO. Odisseia III: Ítaca. Trad. Donaldo Schüler. Porto Alegre: L&PM, 2007.
  • Gonçalves, Maria Isabel Rebelo, Épica, Épicas, Épica Camoniana, Lisboa, Cosmos, 1997.
  • Romilly, Jacqueline, Homero, Introdução aos Poemas Homéricos, Lisboa, Edições 70, 2001

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikiquote Citações no Wikiquote
Commons Imagens e media no Commons

Ligações externas[editar | editar código-fonte]