Ananque

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Searchtool.svg
Esta página ou secção foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa (desde julho de 2012). Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo. Considere utilizar {{revisão-sobre}} para associar este artigo com um WikiProjeto e colocar uma explicação mais detalhada na discussão.
Ananque representada na ilustração da versão moderna da República de Platão.

Na mitologia grega, Ananque[1] ou Ananke (em grego Αυάγκη, a partir do substantivo ἀνάγκη, "força", "restrição", "necessidade") era uma antiga deusa primordial da inevitabilidade, mãe das Moiras e personificação do destino, necessidade inalterável e fato. Era casada com Moros, mas outras tradições dizem que ela foi mãe das moiras com Zeus.

Ela costuma ser representada por uma serpente, simbolizando, com Chronos, o início do Cosmos, na cosmogonia órfica. Juntos, eles cercaram o ovo primordial de matéria sólida, trazendo a criação do universo ordenado. A antiga deusa também era representada por uma figura portando uma tocha, ou um fuso, como a representação da Moira (destino).

Ananque pode ser relacionada com a Moira homérica e com Tekmor, a deusa primitiva da ordem na cosmogonia de Alcman (século VII AC). Representava inicialmente o princípio universal da ordem natural que controlava todo o destino dos mortais, indo além do poder dos deuses mais jovens, cujos destinos foi algumas vezes controlado por ela. Os escritores gregos chamavam esse poder de Moira, ou Ananque, e até mesmo os deuses não poderiam alterar o que foi por ela ordenado. [2]

Segundo o viajante grego Pausânias havia um templo na antiga Corinto onde as deusas Ananque e Bia (violência ou pressa violenta) eram adoradas em conjunto no mesmo santuário.

Na Mitologia romana, era conhecida por Necessitas ("necessidade").

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Ananque" deriva do substantivo do grego antigo, ἀνάγκη, (jônico αναγκαίη: anankaiê) que significa força restrita ou necessidade. Homero usa-a no sentido de necessidade (αναγκαίη πολεμίζειν "é necessário para lutar") ou força (εξ 'ανάγκης, "pela força"). [3] Na Literatura clássica, a palavra também é usada como fatalidade ou destino, (ανάγκη δαιμόνων, o destino "pelos daemons ou pelos deuses"), e pela compulsão extensiva ou tortura por alguém superior. [4] A palavra é muitas vezes personificada na poesia como Simónides: "Nem mesmo os deuses podem lutar contra ananke" [5] .

No sentido filosófico, significa necessidade ou necessidade lógica [6] , ou leis da natureza [7]

Cosmogonia mítica[editar | editar código-fonte]

Ovo Órfico de Jacob Bryant (1774)
Portal A Wikipédia possui o portal:

Na cosmogonia de Álcman, primeiro surgiu Tétis (criação), e depois, simultâneamente Poros (caminho) e Tekmor (fim).[8] Poros é relacionado ao inicio de todas as coisas, e Tekmor, com o final.[9]

Posteriormente, na cosmogonia órfica, inicialmente surgiu Tésis (criação), cuja natureza inefável não é expressa. Ananque é a deusa primordial da inevitabilidade, e ela está entrelaçada a seu companheiro Chronos, o deus do tempo, desde o início dos tempos. Eles representam as forças cósmicas eternas do Destino e do Tempo. Juntos eles formam o "ovo primordial" de matéria sólida (Ovo órfico) e dividi-se em suas partes constituintes (terra, céu e mar) e, assim, criam o universo ordenado.[10] Essas idéias eram a base da cosmogonia de Empédocles (século V a.C.). Strife Neikea separou os quatro elementos na esfera inicial até que o Amor (Philia) surgiu e equilibrou tudo. Strife e Amor lutam entre si num processo cósmico recorrente, onde Ananke deve manter a ordem imemorial.[11] [12]

Referências

  1. Mitologia, Abril S.A. Cultural e Industrial, vol. 1, São Paulo, 1973.
  2. Ésquilo, Prometeu Acorrentado , 510–518 "Prometeu: Não dessa forma é Moira (Destino), que traz toda a satisfação, destinada a completar este curso. Só quando eu me dobrar em dores e torturas infinitas posso eu escapar do meu cativeiro. A habilidade é mais fraca, de longe, do que a Ananque (Necessidade). Refrão: Quem é o timoneiro de Ananque (Necessidade)? Prometeu: As três faces da Moira (Destino) e Erínias (Fúrias). Refrão: Será que Zeus tem menos poder do que elas? Prometeu: Sim, nem mesmo ele pode escapar do que é predito." Theoi Project - Ananke.
  3. Ilíada 4,300 Odisseia 4,557: Lidell, Scott: A Greek English Lexicon ανάγκη
  4. E.Ph.1000, Xenofonte Hiero 9,4
  5. Simónides Fr. 4.20 Diehl : C.M.Bowra , The Greek experience .W.P Publishing company, Cleveland and New York p.61
  6. Aristóteles, Metaph.1026.b28, 1064.b33: Lidell, Scott: A Greek English Lexicon ανάγκη
  7. Xenofonte, Memorabilia 1.11.1: Lidell, Scott: A Greek English Lexicon ανάγκη
  8. τέκμωρ ( Τekmor) : marca fixa or limite, final, propósito τέκμαρ,
  9. Alcman , frag 5, (de Scholia), Trad. Cambell, Vol Greek Lyric II  : Theoi Project - Ananke.
  10. Orphica. Teogonias frag 54 (de Damascius). Hinos gregos séc III a.C., séc II a.C. Theoi Project - Ananke.
  11. Frag. B57, (Simplício, On the Heavens, 586)
  12. Empedocles, Fragmentos (Filósofo grego séc V a.C.): Theoi Project - Ananke.
Ícone de esboço Este artigo sobre mitologia grega é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.