Simónides de Ceos

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Simónides (português europeu) ou Simônides (português brasileiro) (em grego: Σιμωνίδης, transl. Simōnídēs) de Ceos (em grego: Σιμωνίδης ὁ Κεῖος; ca. 556 a.C.468 a.C.) foi um poeta grego, o maior autor de epigramas do período arcaico. Marca uma mudança na Tradição Poética pois é o primeiro a fazer da Poesia um ofício e receber benefícios por ela. Ao mesmo tempo situa a função poética a partir de um novo ângulo: o esforço de reflexão sobre a natureza da Poesia. É a Simônides que a Antiguidade atribui a famosa definição: “A pintura é uma Poesia silenciosa e a Poesia é uma pintura que fala”. Simônides marcaria o momento em que o homem grego descobre a imagem. Ele seria o primeiro testemunho da teoria da imagem, ou Mimesis (SETTI, 1958: 78).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Segundo o geógrafo Pausânias, Simônides passou um tempo na corte de Hierão, tirano de Siracusa[1] .

O professor de retórica romano Quintiliano comenta que Simónides foi a primeira pessoa a descobrir a arte da memória, e ilustra com um episódio da sua vida.[2] Tendo sido contratado para declamar os dotes atléticos de um vencedor no pugilismo[Nota 1] , acrescentou elogios a Castor e Pólux na sua ode.[2] Por causa disso, ele não recebeu todo o pagamento combinado, sendo dito que ele cobrasse o resto dos dióscuros.[2] Durante o banquete em honra ao atleta, Simónides foi chamado para fora do salão, por dois jovens, mas ao sair, ele não encontrou ninguém[3] - e neste momento o salão desabou.[4] Os convidados ficaram tão desfigurados, que nem os próprios parentes reconheceram os corpos, mas Simónides conseguia se lembrar exatamente onde ficava cada convidado, e assim cada corpo foi identificado[4] . Um dos mortos neste desabamento foi Escopas, um nobre da Tessália, além de vários descendentes de um outro Escopas[5] , ancestral epônimo de uma importante família da Tessália.[Nota 2]

Poesia[editar | editar código-fonte]

A reflexão sobre a Poesia, sua função e seu objeto próprio, consuma a ruptura com a tradição do Poeta inspirado, que diz a Alétheia tão naturalmente quanto respira. Mas a desvalorização de Alétheia não é inteligível, a não ser em sua relação com uma inovação técnica, que é um outro aspecto fundamental da secularização da Poesia empreendida por Simônides. Toda uma Tradição atribui-lhe a invenção da Mnemotécnica, o que significa no plano poético a colocação em prática de procedimentos de memorização.

Até Simônides a Memória era um instrumento fundamental para o Poeta: função de caráter religioso que lhe permitia conhecer o passado, o presente e o futuro. Através de uma visão imediata, através da Memória, o Poeta entrava no além, atingia o invisível. Com Simônides a Memória torna-se uma técnica secularizada, uma faculdade psicológica que cada um exerce mais ou menos segundo regras definidas, ao alcance de todos. Não é mais uma forma de conhecimento privilegiada, nem como a Memória dos Pitagóricos, um exercício de salvação; é o instrumento que contribui para o aprendizado de um ofício. No lugar da mítica Alétheia Simônides reivindica a Doxa. Retomando as palavras de Platão, a retórica é “uma prática que exige uma alma dotada de penetração e audácia, e naturalmente, apta para o trato com os homens” (JAEGER, 1995: 335).

Traduções[editar | editar código-fonte]

  • Poemas da Antologia Grega ou Palatina. José Paulo Paes (trad.). São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Portal Græcia Antiqua - epigramas de Simônides traduzidos do grego para o português

blog Primeiros Escritos - epigramas de Simônides traduzidos

Notas e referências

Notas

  1. Quintiliano, que duvida da parte da história que faz referência a Castor e Pólux, não consegue precisar o nome do atleta, listando como possíveis candidatos Glauco de Caristo, Leocrates, Agátarco ou o próprio Escopas
  2. Ateneu faz referência a um Escopas, que gostava muito de beber, filho de Creonte e neto de Escopas

Referências

  1. Descrição da Grécia, 1.2.3, por Pausânias
  2. a b c Quintiliano, Institutos de Oratória, Livro XI, Capítulo 2, 11
  3. Quintiliano, Institutos de Oratória, Livro XI, Capítulo 2, 12
  4. a b Quintiliano, Institutos de Oratória, Livro XI, Capítulo 2, 13
  5. Quintiliano, Institutos de Oratória, Livro XI, Capítulo 2, 15