Ártemis

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Ártemis
Deusa da caça, Lua, vida selvagem e da virgindade
Morada Monte Olimpo
Cônjuge nenhum
Pais Zeus e Leto
Irmãos Apolo
Filhos nenhum
Romano equivalente Diana

Ártemis ou Artemisa (em grego: Άρτεμις [1] ) é uma deusa virgem da mitologia grega ligada à vida selvagem e à caça. Ela era considerada filha de Zeus e de Leto, irmã de Apolo[2] [3] [4] ; mais tarde, também tornou-se associada a lua e à magia.

Ela era a deusa grega da lua, caça, animais selvagens, região selvagem, parto, virgindade e protetora das meninas, trazendo alívio para as mulheres; muitas vezes ela foi descrita como uma caçadora carregando um arco e flechas. O cervo e o cipreste eram sagrados para ela.

Um asteroide, 105 Artemis, e as crateras de Vênus, o Artemis Chasma e o Artemis Corona foram todos nomeados em homenagem a deusa.


Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome de Ártemis (substantivo, feminino) é de origem desconhecida e incerta, embora várias tenham sido propostas. [5]

Por exemplo, segundo Jablonski,[6] o nome é frígio e poderia ser "comparado com a denominação real Ártemas de Xenofonte. Segundo Charles Anthon a raiz primitiva do nome é provavelmente de origem persa de *arta, *art, *arte, que significam "grande, excelente, santo", assim Ártemis "torna-se idêntica a grande mãe da natureza, mesmo quando ela era adorada em Éfeso".[6] Anton Goebel sugere que "στρατ ou ῥατ, significa "lançar," e faz Ártemis significar a lançadora do dardo ou a atiradora".[7] Babiniotis embora admitindo que a etimologia é desconhecida, afirma que o nome já está atestado em grego micênico e é, possivelmente, de origem pré-helênica. [7]

Busto de Ártemis em Pafos

O nome também poderia ser relacionado com o grego Arktos que significa "Urso" (h₂ŕ̥tḱos), apoiado pelo culto aos ursos que a deusa recebia no templo em Attica (Brauronia) e na caverna Arkoudiotissa que foi usado como culto á Ártemis, bem como a história de Calisto, que era originalmente sobre Ártemis (Kallisto era um epíteto arcadiano); [8] esse culto era uma sobrevivência de muito antigos rituais xamânicos e totêmicas e fazia parte de um grande culto ao urso encontrado mais longe em outras culturas indo-europeias (por exemplo, o deus celta Artio). Acredita-se que um precursor de Ártemis era adorada em Creta como a deusa da caça e montanhas. Enquanto a conexão com nomes asiáticos tem sido sugerido, [9] as primeiros formas atestadas do nome Ártemis são no grego micênico a-te-mi-to /Artemitos/ e a-ti-mi-te /Artimitei/, escrito em Linear B em Pilos.[10] O linguista Robert SP Beekes sugeriu que o e/ i são pontos que intercambiam de uma origem pré-grega. [11] Artemis era venerada em Lidia como Artimus. [12]

Escritores gregos antigos, por meio da etimologia popular e alguns estudiosos modernos, ligaram Ártemis (do dórico Artamis) para ἄρταμος, artamos, ou seja, "açougueiro" [13] ou, como Platão fez no Crátilo, para ἀρτεμής, Artemes, ou seja, "seguro", "ileso", "puro", "a donzela inoxidável". [6]

Mitologia[editar | editar código-fonte]

Nascimento[editar | editar código-fonte]

Vários relatos conflitantes são dados na mitologia grega do nascimento de Ártemis e seu irmão gêmeo, Apolo. Todos os relatos concordam, porém, que ela era a filha de Zeus e de Leto, e que ela era a irmã gêmea de Apolo.

Um conto de Calímaco diz que Hera proibiu Leto dar à luz em qualquer terra firme (o continente) ou em uma ilha. Hera estava com raiva de Zeus, seu marido, porque ele havia á traído com Leto. Poseidon, apiedando-se de Leto, a levou para ilha de Delos (ou Ortigia no hino homérico a Ártemis) que era flutuante, não sendo um continente e nem uma ilha, para Leto dar a luz lá. Quando finalmente a ilha de Delos a recebeu, Ilítia, filha de Hera e deusa dos partos, estava retida pela sua mãe no Olimpo. Só depois que Zeus distraiu Hera, Ilítia pode socorrer Leto e fazer o parto dos gêmeos.

Dracmas de Diana (Ártemis)

Na história de Creta, Leto era adorada em Festo e na mitologia de Creta, Leto deu luz á Apolo e Ártemis nas ilhas conhecidas hoje como o Paximadia. Os mitos também diferem quanto ao fato de quem nasceu primeiro, Ártemis ou Apolo. A maioria das histórias retratam Ártemis nascendo primeiro, tornando-se parteira de sua mãe após o nascimento de seu irmão Apolo.[14]

Infância[editar | editar código-fonte]

Apolo e Ártemis, Louvre

A infância de Artemis não está totalmente relacionada em qualquer mito sobrevivente. A Ilíada reduziu a figura da deusa ao de uma menina, que, depois de ter sido golpeada por Hera, sobe chorando ao colo de Zeus.[15] Um poema de Calímaco à deusa "que diverte-se em montanhas com arco e flecha" narra que com três anos, Ártemis, ao sentar-se no colo de seu pai, Zeus, pediu-lhe para conceder-lhe seis desejos: manter-se sempre virgem; ter muitos nomes para diferenciá-la de seu irmão Apolo; ser a Portador da Luz; ter um arco e flecha e uma túnica na altura do joelho para que ela pudesse caçar; ter sessenta "filhas Okeanos", todas com nove anos de idade, para ser suas companheiras; e vinte ninfas como servas para cuidar de seus cães e arco enquanto ela descansava. Ela desejou não ter nenhuma cidade dedicada a ela, mas para governar as montanhas e ter a capacidade de ajudar as mulheres em dores de parto. [16]

Ártemis acreditava que ela tinha sido escolhida pelas Parcas para ser parteira, especialmente desde que ela tinha ajudado á mãe no parto de seu irmão gêmeo, Apolo. [17] Todos as suas companheiras permaneceram virgens, e Ártemis vigiou de perto sua própria castidade. Seus símbolos incluem o arco, a flecha de ouro, o cão de caça, o veado, e a lua. Calímaco diz [18] que Ártemis passou sua infância buscando coisas que ela precisaria para ser uma caçadora, assim ela obteve o seu arco e flechas na ilha de Lípara, onde Hefesto e o Ciclope construirão.

As filhas de Okeanos estavam co medo da jovem deusa, mas Ártemis corajosamente se aproximou e perguntou pelos arco e flechas. Calímaco então conta como Ártemis visitou Pan, o deus da floresta, que lhe deu sete cadelas e seis cães. Ela, então, capturou seis cervos dourados e colocou o chifres para puxar sua carruagem. Ártemis praticou com seu arco primeiro disparando contra as árvores e depois em animais selvagens. [18]

Intimidade[editar | editar código-fonte]

Diana (Ártemis) corre para o corpo de Orion, Louvre/A. Dequier

Sendo virgem, Ártemis despertava o interesse de muitos deuses e homens, mas apenas o seu companheiro de caça, Orion, ganhou seu coração. Orion foi morto acidentalmente ou por Ártemis ou por Gaia.

Alfeu, um deus do rio, estava apaixonado por Ártemis, mas ele percebe que não poderia fazer nada para ganhar seu coração, então, ele decidiu capturá-la. Ártemis, que estava com suas companheiras no rio, vai ver Alfeu, mas, desconfiada de seus motivos, ela cobre o rosto com lama para que o deus do rio não reconhecê-la. Em outra história, Alfeu tenta estuprar a ninfa protegida de Ártemis, Arethusa. Ártemis se compadece de Arethusa e salva-la, transformando Arethusa numa fonte na ilha de Ortigia, em Siracusa, Sicília.[19]

Bouphagos, filho do titã Jápeto, vê Ártemis e pensa em estuprá-la. Lendo seus pensamentos pecaminosos, Ártemis o golpeia no Monte Foloi.

Sipriotes é um menino, que, seja porque ele acidentalmente vê Ártemis no banho ou porque ele tenta estuprá-la, é transformado em uma garota pela deusa.[20]

Actéon[editar | editar código-fonte]

Várias versões do mito de Actéon sobrevivem, embora muitas estejam fragmentadas. Os detalhes variam, mas no cerne elas envolvem um grande caçador, Actéon que é transformado por Ártemis em um veado por causa de uma transgressão e que é morto por cães de caça. Normalmente, os cães são seus, que não reconhecem seu mestre. Às vezes, eles são cães de Ártemis.

Actéon sendo devorado pelos cães, grupo de esculturas em Caserta

De acordo com o texto moderno padrão, de Lamar Ronald Lacey, The Myth of Aktaion: Literary and Iconographic Studies, a versão original mais provável do mito é que Actéon foi o companheiro de caça da deusa que, depois de vê-la nua em sua fonte sagrada, tentou estrupra-la. Por esta atitude ele é transformado em um veado e devorado por seus próprios cães de caça. No entanto, em algumas versões sobreviventes Actéon é um forasteiro que acidentalmente ver a deusa nua na fonte. Também á divergências em relação a transgressão do caçador, que às vezes é simplesmente ver a deusa virgem nua, às vezes ostentando que ele é um caçador melhor do que ela, ou mesmo apenas sendo um rival de Zeus para o afeto de Semele.

Adônis[editar | editar código-fonte]

Em algumas versões da história de Adônis, que foi uma adição tardia à mitologia grega no período helenístico, Ártemis enviou um javali para matar Adônis como castigo por sua ostentação arrogante que ele era um caçador melhor do que ela.

Em outras versões, Ártemis matou Adônis por vingança. Em mitos posteriores, Adônis havia sido relacionado como um dos favoritos de Afrodite e Afrodite foi responsável pela morte de Hipólito, que tinha sido um favorito de Ártemis. Portanto, Ártemis matou Adônis para vingar a morte de Hipólito.

Em outra versão, Adônis não foi morto por Ártemis, mas por Ares, que tinha ciúmes de Adônis com Afrodite.

Orion[editar | editar código-fonte]

Orion foi companheiro de caça de Ártemis. Em algumas versões, ele é morto por Ártemis, enquanto em outras ele é morto por um escorpião enviado por Gaia. Em algumas versões, Orion tenta seduzir Opis (outro nome para Ártemis [21] ), e ela o matou. Em uma versão de Arato, [22] Orion pegou o robe de Ártemis e ela o matou em legítima defesa.

Em outra versão, Apolo envia o escorpião. De acordo com Higino [23] Ártemis amou uma vez Orion (apesar de ser uma adição tardia ao mito, esta versão parece ser um remanescente raro de Ártemis como uma deusa pré-olímpica, que assumiu consortes), mas foi enganado e matado por seu irmão Apolo, que era "protetor" da virgindade de sua irmã.

Diana, a personificação da noite, por Anton Raphael Mengs

Os Aloadae[editar | editar código-fonte]

Os gigantes filhos gêmeos de Poseidon, Otos e Ephialtes, cresceram enormemente em uma idade jovem. Eles eram agressivos, grandes caçadores, e não poderiam serem mortos, a menos que se matassem. O crescimento dos Aloadae nunca parou, e eles se gabavam de que assim que eles pudessem alcançar o céu, eles iriam sequestrar Ártemis e Hera e tomá-las como esposas. Os deuses estavam com medo deles, com exceção de Ártemis que capturou um belo veado (ou em outra versão da história, ela capturou uma corça) e jogou entre os gigantes. Os Aloadae jogaram suas lanças um ao outro por engano e mataram um ao outro.[24]

Calisto[editar | editar código-fonte]

Em Júpiter e Calisto de François Boucher, Zeus toma a forma de Ártemis, apesar de que o símbolo da Lua crescente ornando a cabeça da deusa, é símbolo de Selene, deusa primitiva da Lua. (Museu Pushkin, Moscou)

Calisto era filha de Licaon, rei de Arcadia e também foi uma das caçadoras de Ártemis. Como uma companheira de Ártemis, ela fez um voto de castidade. Zeus lhe apareceu disfarçado como Ártemis, ou em algumas histórias como Apolo, ganhou a confiança dela, então se aproveitou de sua (ou a estuprou, segundo Ovídio) virgindade. Como resultado desse encontro, ela concebeu um filho, Arcas.

Enfurecida, Hera ou Ártemis (alguns relatos dizem as duas) transformou-a em um urso. Arcas quase matou o urso, mas Zeus parou na hora certa. Por piedade, Zeus colocou Calisto como um urso nos céus, assim, a origem da constelação de Urso. Algumas histórias dizem que ele colocou tanto Arcas e Calisto nos céus como ursos, formando as constelações Ursa Menor e Ursa Maior.

Ifigénia[editar | editar código-fonte]

Ártemis puniu Agamenon depois dele ter matado um veado em um bosque sagrado da deusa e se gabou de que ele era um caçador melhor do que ela. Quando a frota grega estava se preparando para ir para Tróia e participar da Guerra de Tróia, Ártemis acalmou os ventos impedindo o navio de zarpar. O vidente Calcas aconselhou Agamenon que a única maneira de apaziguar Ártemis era sacrificar sua filha Ifigénia. Ártemis, em seguida, pegou Ifigênia do altar de sacrifício e substituiu por um cervo. Vários mitos foram feitos sobre o aconteceu depois que Ártemis a levou. Ou ela foi trazida para Tauros e viveu com seus pais, ou tornou-se uma das companheiras imortais de Ártemis.[25]

Níobe[editar | editar código-fonte]

A morte dos Nióbidas, por Pierre Charles Jombert

A rainha de Tebas e esposa de Anfião, Niobe se gabava de sua superioridade sobre Leto, proibindo seu culto em Tebas e afirmando que enquanto ela tinha quatorze crianças, sete meninos e sete meninas, Leto tinha apenas um de cada. Leto pediu vingança aos seus filhos, Ártemis e Apolo; Assim, Apolo matou os filhos de Níobe enquanto eles praticavam atletismo, e Ártemis atirou nas suas filhas, que morreram instantaneamente, sem um som. Apolo e Ártemis usaram veneno nas setas para matá-los, mas de acordo com algumas versões, dois filhos foram poupados, um menino e uma menina. Anfião, com a visão de seus filhos mortos, se matou. Níobe devastada com a morte dos filhos, fez Zeus ficar compadecido com sua dor e a transformou numa rocha, mas ela ainda chorava a perda dos filhos, vertendo água constantemente numa nascente.

Chione[editar | editar código-fonte]

Chione era uma princesa de Pokis. Ela era amada por dois deuses, Hermes e Apolo, e vangloriou-se de que ela era mais bonita do que Ártemis, porque ela fez dois deuses se apaixonar por ela ao mesmo tempo. Ártemis ficou furiosa e matou Chione com sua flecha ou a golpeou, tirando fora a língua. No entanto, algumas versões desse mito diz que Apolo e Hermes protege-la da ira de Ártemis.

Atalanta, Eneu e as Meleagrids[editar | editar código-fonte]

Artemis salvou o bebê Atalanta de morrer depois que seu pai a abandonou. Ela enviou uma ursa para dar de mamar o bebê, que foi, então, criado por caçadores. Mas logo depois ela enviou um urso para ferir Atalanta porque as pessoas diziam que ela era uma caçadora melhor. Isto é, em algumas histórias.

Entre outras aventuras, Atalanta participou da caçada ao javali Calydonian, que Ártemis tinha enviado para destruir Calidão porque o rei Eneu tinha esquecido de fazer os sacrifícios de colheita para ela. Na caça, Atalanta tirou o primeiro sangue do javali, e foi agraciada com a pele do animal como prêmio. Ela pendurou a pele em um bosque sagrado em Tégea como uma dedicação a Ártemis.

Meleagro era um herói de Etólia. O rei Eneu reuniu heróis de toda a Grécia para caçar o javali Calydonian. Após a morte de Meleagro, suas irmã Meleagrids gritavam e chorava muito de luto, e Ártemis as transformou em Numididae.[26]

Ártemis, original grego do Século IV A.C

Aura[editar | editar código-fonte]

Em Dionisíaca de Nono de Panópolis, Aura era a deusa grega da brisa e ar fresco, filha do titã Lelantos e Periboea. Ela era uma caçadora virgem, assim como Ártemis e orgulhosa de sua virgindade. Um dia, ela afirmou que o corpo de Ártemis era muito feminino e que ela duvidava de sua virgindade. Ártemis pediu a Nêmesis ajuda para vingar a sua dignidade e causou a violação de Aura por Dionísio. Aura tornou-se uma assassina louca e perigosa. Quando ela deu à luz a filhos gêmeos, ela comeu um deles, enquanto o outro, Iakhos, foi salvo por Ártemis. Iakhos mais tarde tornou-se um atendente de Deméter e líder da Mistérios de Elêusis.

Guerra de Troia[editar | editar código-fonte]

Ártemis foi representada como uma defensora de Troia, porque seu irmão Apolo era o deus padroeiro da cidade e ela mesma foi amplamente adorada no oeste da Anatólia em tempos históricos. Na Ilíada [27] ela chegou às vias de fato com Hera, quando os aliados divinos dos gregos e troianos brigaram entre si no conflito. Hera golpeou Ártemis nas orelhas com sua própria aljava, fazendo com que as flechas da caçadora caírem. Depois Ártemis fugiu chorando para Zeus, e Leto recolheu seu arco e flechas.

Ártemis teve participação em grande parte desta guerra. Como sua mãe e irmão, que foram amplamente adorados em Troia, Ártemis ficou do lado dos troianos. Na jornada dos gregos para Troia, Ártemis calmou o vento e parou a viagem até o sacrifício de Ifigénia.

Enéias foi ajudado por Ártemis, Leto, e Apolo. Apolo o encontrou ferido por Diomedes e levantou-o para o céu. Lá, os três secretamente o curou em uma grande câmara.

Culto[editar | editar código-fonte]

Miniatura do Templo de Ártemis de Éfeso; O templo de Ártemis em Éfeso foi uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Ártemis, a deusa das florestas e colinas, era adorada por toda a Grécia Antiga. [28] Seus mais conhecidos cultos eram, na ilha de Delos (sua cidade natal), em Ática no santuário Brauron e em Esparta. Ela foi muitas vezes representada em pinturas e estátuas em um ambiente de floresta, carregando um arco e flechas, e acompanhado por um veado.

Os antigos espartanos costumavam sacrificar animais a ela; Como Ártemis era uma de suas deusas padroeiras, eles faziam isso antes de iniciar uma nova campanha militar.

Festivais atenienses em homenagem a Ártemis incluí Elaphebolia, Mounikhia, Kharisteria e Brauronia. O festival Artemis Orthia foi visto em Esparta.

Pré-púberes e meninas adolescentes atenienses foram enviadas para o santuário de Ártemis em Brauron para servir a Deusa por um ano. Durante este tempo, as meninas eram conhecidas como arktoi, ou pequenas ursas. Um mito que explica este título afirma que um urso tinha o hábito de visitar regularmente a cidade de Brauron, e as pessoas de lá o alimentaram, de modo que, ao longo do tempo, tornou-se um urso domesticado. Uma menina brincava com o urso, e, em algumas versões do mito, ele a matou, enquanto que, em outras versões, ele agarrou seus olhos. De qualquer maneira, os irmãos da garota matou o urso, e Ártemis ficou enfurecida. Ela exigiu que as meninas "agirem como urso" no seu santuário em expiação pela morte do urso.

A virginal Ártemis era adorada como uma deusa da fertilidade/parto em alguns lugares, assimilada a Ilitia, uma vez que, de acordo com alguns mitos, ela ajudou a sua mãe no parto de seu irmão gêmeo. Durante o período clássico, em Atenas, ela foi identificada com Hécate.

Epítetos[editar | editar código-fonte]

Como Aeginaea, ela era adorada em Esparta; o nome significa tanto caçadora de camurça, ou a possuidora do dardo (αἰγανέα).[29] Ela era adorada em Lepanto como Aetole; em seu templo naquela cidade havia uma estátua de mármore branco a representando jogando um dardo.[30] A "Aetolian Artemis" não teria sido introduzida em Lepanto, antigamente Lócrida, até que a adoração foi concedida aos Aetolianos por Filipe II da Macedônia. Estrabão registra outro recinto do "Aetolian Artemos" em Adriático. [31] Como Agoraea ela era protetora da ágora.

Como Agrotera, ela foi especialmente associada como a deusa padroeira dos caçadores. Em Atenas, Ártemis foi muitas vezes associado a deusa local Aeginian, Aphaea. Como Potnia Theron, ela era a padroeira dos animais selvagens; Homero usou este título. Como Kourotrophos, ela era a enfermeira de jovens. Como Locheia, ela era a deusa do parto e parteiras. Ela às vezes era conhecida como Cynthia, a partir de sua cidade natal no Monte Cynthus em Delos, ou Amarynthia de um festival em sua honra originalmente realizado na Eubeia. Ela às vezes era identificada pelo nome Phoebe, a forma feminina do epíteto solar do seu irmão, Apollo Phoebus. Em Esparta Artemis Lygodesma era adorada. Esse epíteto significa "salgueiro-limiar" do Lygos (λυγός, salgueiro) e desmos (δεσμός, ligação). O salgueiro aparece em vários mitos da Grécia antiga e rituais. [32]

Alphaea, Alpheaea, ou Alpheiusa ( Gr. Ἀλφαῖα, Ἀλφεαία, ou Ἀλφειοῦσα) foi um epíteto de Ártemis derivado do deus do rio Alfeu, que se diz ter sido apaixonado por ela.[33] Foi com este nome que ela era adorada em Letrini em Élida, [34] e em Ortígia. [35] Artemis Alphaea foi associada com o uso de máscaras, principalmente por causa da lenda que durante a fuga os avanços da Alfeu, ela e suas ninfas escapou-lhe, cobrindo seus rostos. [36]

Festivais[editar | editar código-fonte]

Ártemis, cópia romana do século 1, do helênico original (Louvre)

Ártemis nasceu no sexto dia, a razão pela qual ele era sagrado para ela.

  • Festival de Artemis em Brauron, onde as meninas, com idades entre cinco e dez anos, vestida com túnicas cor de açafrão interpretavam um urso para apaziguar a deusa depois que ela enviou a praga quando seu urso foi morto.
  • Festival de Amarysia é uma celebração em Ática . Em 2007, uma equipe de arqueólogos suíços e gregos descobriram a ruína do Artemis Amarysia Temple, na Eubeia, Grécia. [37]
  • Festival de Artemis Saronia, um festival para celebrar Ártemis em Trozeinos, uma cidade de Argólida. Um rei chamado Saron construiu um santuário para a deusa depois que ela salvou sua vida quando ele foi à caça.[38]
  • No dia 16 de métagitnion (calendário ático) (segundo mês no calendário gregoriano), as pessoas sacrificam a Ártemis e Hécate. [39]
  • Festival Kharisteria em 6 de Boidromion (terceiro mês) para comemorar a vitória na Batalha de Maratona, também conhecido como o ateniense "Ação de Graças". [39]
  • Dia 6 de Elaphobolia (nono mês) festival de Artemis Deer Huntress onde é oferecido para ela bolos em forma de veados, massa de pão, mel e gergelim. [39]
  • Dia 6, de Mounikhion (décimo mês) uma celebração sua como a deusa da natureza e dos animais. A cabra é sacrificada a ela. [39]
  • Dia 6 de Thargelion (décimo primeiro mês), o "aniversário" da deusa, enquanto o sétimo é de Apolo. [39]
  • O festival de Artemis Diktynna em Hypsous.
  • Laphria, um festival de Artemis em Patras. A procissão define as toras de madeira em volta do altar, cada um deles com dezesseis côvados de comprimento. No altar, dentro do círculo, é colocado a madeira mais seca. Pouco antes da época do festival, eles fazem uma subida suave para o altar, empilhando terra sobre os degraus do altar. O festival começa com uma procissão mais esplêndida em homenagem a Ártemis, com as donzelas e sacerdotisas sendo as últimas na procissão em cima de uma quadriga, emparelhada com quatro veados, o modo tradicional de Ártemis se transportar. Apenas no dia seguinte que o sacrifício é oferecido.
  • Em Orcômeno, um santuário foi construído para Artemis Hymnia onde seu festival era celebrado todos os anos.

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Ártemis

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Também utilizado pelos gregos antigos para denominar a Lua, o termo Άρτεμις deriva provavelmente de ἅρταμος, i.e., "carniceiro", "cozinheiro" ou, em sentido figurativo, "assassino". Existem outros termos da mesma família que se associam etimologicamente a toda a simbólica da caça associada à deusa:
    • ἀρτάνη, i.e., "corda", "laço", "nó corrediço".
    • ἀρτάω, i.e., "pendurar", "suspender", "atar a";
    • ἀρτεμής, i.e., "são e salvo".
    Cf. Diccionario Manual Griego - Griego Clásico-Español, Sabadell, Ed. Vox (18.ª ed.), 2000, p. 87.
  2. Hesíodo, Teogonia, 918
  3. Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 1.4.1
  4. Pausânias (geógrafo), Descrição da Grécia, 8.53.1
  5. Dicionário de Etimologia - Ártemis.
  6. a b c Anthon, Charles (1855). "Artemis" . A Classical dictionary
  7. a b Lang, Andrew (1887). Myth, Ritual, and Religion.
  8. Michaël Ripinsky-Naxon, The Nature of Shamanism: Substance and Function of a Religious Metaphor (Albany, NY: State University of New York Press, 1993), 32.
  9. Campanile, Ann. Scuola Pisa 28: 305; Restelli, Aevum 37: 307, 312.
  10. John Chadwick and Lydia Baumbach, "The Mycenaean Greek Vocabulary"
  11. Etymological Dictionary of Greek , Brill, 2009
  12. Indogermanica et caucásica.: Festschrift pele Karl Horst Schmidt zum 65 Geburtstag (Estudos de língua indo-européia e cultura), W. de Gruyter, 1994
  13. ἄρταμος . Liddell, Henry George; Scott, Robert; Um Léxico Grego-Inglês no Projeto Perseus .
  14. Ou como um berço ilha separada de Artemis- "Alegra-te, abençoado Leto, para vos nuas crianças Glorioso, o senhor Apollon e Ártemis que se delicia com flechas; ela em Ortygia, e ele em Rocky Delos", diz o hino homérico
  15. Ilíada xxi.505-13;
  16. Hino da infância de Ártemis.
  17. Hino á Ártemis.
  18. a b Calímaco, Hino III Artemis 46
  19. Virgílio, Geórgicas
  20. [www.theoi.com/Olympios/ArtemisWrath.htm Sipriotes] (em inglês).
  21. "Another name for Artemis herself", Karl Kerenyi observes, The Gods of the Greeks (1951:204).
  22. Arato, 638
  23. Higino, Poeticon Astronomicon , II.34, citando o poeta grego Istrus.
  24. Os Aloadae.
  25. Ifigénia.
  26. Ovídio, Metamorfoses, VIII, 532-545
  27. Homero, Ilíada 21.470
  28. ...uma deusa universalmente adorado na Grécia histórica, mas com toda a probabilidade pré-helênica. "Hammond, Oxford Dictionary Clássico, 126.
  29. Pausanias , iii. 14 § 2
  30. Pausanias , x. 38 § 6.
  31. Entre os Heneti certas honras foram decretadas para Diomedes, e, de fato, um cavalo branco ainda é sacrificado para ele, e duas delegacias ainda estão para ser visto - um deles sagrado ao argivo Hera e outro para o Aetolian Artemis . (Estrabão, v.1.9)
  32. Bremmer Jan N. (2008) Religião e Cultura Grega, da Bíblia e do Antigo Oriente Próximo, Brill, Holanda, p. 187.
  33. Schmitz, Leonhard (1867). "Alphaea"
  34. Pausanias , Description of Greece
  35. Estrabão , Geographica
  36. Dickins, G .;Society for the Promotion of Hellenic Studies (1929).
  37. Buscas pelos templo de Ártemis em Eubeia continuam.
  38. Saron.
  39. a b c d e Antigo calendário ateniense.