Hesíodo

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Hesíodo
Ἡσίοδος
Nascimento Século VIII a.C.
Grécia
Morte Século VIII a.C.
Grécia
Nacionalidade Grego
Ocupação Poeta e Historiador
Antigo busto de bronze, o chamado Pseudo-Sêneca, que atualmente especula-se como sendo um retrato imaginativo de Hesíodo.[1]

Hesíodo (em grego: Ἡσίοδος, transl. Hēsíodos) foi um poeta da Grécia Antiga. Nasceu, viveu e faleceu em Ascra, no fim do século VIII a.C..

Índice

[editar] Biografia

Segundo Marco Veleio Patérculo, Hesíodo faleceu cento e vinte anos após Homero,[2] que floresceu novecentos e cinquenta anos antes da composição do Compêndio da História romana.[3]

Tudo o que se sabe com segurança sobre a sua biografia é o que ele mesmo narrou em seus poemas: seu pai habitava em Cumes, na Eólia, onde possuía um pequeno negócio de navegação. Arruinado, voltou para a Beócia, lar de seus ancestrais. Aí, mais precisamente em Ascra, dedicou-se ao cultivo da terra.

Ao morrer, o pai deixou as suas terras para Hesíodo e seu irmão Perses. Na partilha dos bens, contudo, Hesíodo sentiu-se prejudicado pelo irmão, que teria subornado os juízes. Esta polêmica com o irmão é o ensejo para a composição de uma de suas grandes obras, Os trabalhos e os dias. Além do trabalho rural, Hesíodo havia se tornado aedo (poeta popular), sob a inspiração das Musas, conforme o próprio autor relata em outra grande obra, a Teogonia.

[editar] Obra

Para Werner Jaeger, famoso helenista alemão, com Hesíodo surge o subjetivo na literatura. Na época antiga, o poeta era um simples veículo comandado pelas Musas; já Hesíodo assina sua obra para fazer uma história pessoal. Após exaltar as Musas que o inspiram, diz ele no começo da Teogonia: "Foram elas que, certo dia, ensinaram a Hesíodo um belo canto, quando ele apascentava suas ovelhas ao pé do Hélicon divino".

O conteúdo desse canto é a origem dos deuses. Os velhos mitos constituem o ponto de partida, mas Hesíodo os entrelaça e os enriquece traçando uma genealogia sistemática das divindades. A idéia de que seres individuais constituem o universo e estão vinculados por sucessivas procriações deriva da Teogonia. Nesta obra, há um esforço de pensamento racional que é sustentado pela causalidade e isso abrirá caminho para cosmogonias filosóficas posteriores. Primeiro teve origem o Caos, em seguida a Terra e o Amor (Eros), que é o criador de toda a vida. De Caos surge a sombra, constituída em um par: Érebo e a Noite. Da sombra também surge outro par: o Éter e a Luz (do dia). Terra dará nascimento ao céu, às montanhas e ao mar. Em seguida, é apresentado o nascimento dos filhos da luz, dos filhos da sombra e da descendência da Terra até o momento do nascimento de Zeus e de seu triunfo sobre seu pai, Cronos. A Teogonia enumera três gerações de deuses: a do Céu, a de Cronos e a de Zeus (esta geração é a dos olímpicos).

A interpolação dos episódios de Prometeu e de Pandora na seqüência da Teogonia (e depois retomados em Os trabalhos e os dias), justifica a condição humana: Prometeu rouba o fogo divino para dá-lo aos homens e isso atrai a ira de Zeus, que o condena à tortura de ter o fígado eternamente devorado por uma ave. Para os mortais, o castigo foi menor: é determinada a criação de um ser à imagem e semelhança das deusas imortais que dará um presente em nome dos olímpicos aos mortais. Epimeteu, irmão de Prometeu, recebe o presente e, ao abri-lo, deixa escapar todas as mazelas do mundo, conseguindo aprisionar apenas a esperança.

[editar] Os Trabalhos e os Dias

Já em Os Trabalhos e os Dias, a atenção se concentra sobre a História. Esta é vista como a perda de uma idade primeira, a raça de ouro, que viveu livre de cuidados e sofrimentos e que se transformou nos gênios bons, guardiões dos mortais. Em seguida, surge uma raça inferior, de prata, cujos indivíduos vivem uma longa infância de cem anos mas crescendo entregam-se a excessos e se recusam a "oferecer culto aos Imortais". Estes foram transformados em gênios inferiores, chamados bem-aventurados. Zeus criou então uma "terceira raça de homens perecíveis, raça de bronze, bem diferente da raça de prata". Fortes e violentos, munidos com armas de bronze, sucumbiram uns nas mãos dos outros e foram transportados para o Hades, "sem deixar nome sobre a terra". Em seguida, veio a raça dos heróis, que combateram em Tebas e Tróia. Para estes, Zeus reservou um lugar na ilha dos Bem-aventurados, onde vivem felizes e distantes dos mortais. Por último, surge a raça de ferro, que é o próprio tempo de Hesíodo, constituído por fadigas, misérias e angústias. Dias terríveis esperam esta raça: "O pai não mais se assemelhará ao filho nem o filho ao pai; o hóspede não será mais caro a seu hospedeiro, nem o amigo a seu amigo, nem o irmão a seu irmão".

Assim como o mito de Prometeu ilustra a idéia de trabalho, o mito das idades ilustra a ideia de justiça. Ao mesmo tempo, os temas se completam: o homem da idade do ferro é movido pelo instinto da luta; se esta se transforma em trabalho, torna-se emulação justa e feliz; se se transforma em violência, constitui a própria perdição dos homens. As admoestações lançadas contra o irmão Perses inauguram, depois da ética cavalheiresca e aristocrática de Homero, a outra grande corrente de pensamento moral dos gregos, ou seja, de que a virtude é filha do esforço e de que o trabalho é fundamento e salvaguarda da justiça (porém quando estas palavras foram escritas possuíam sentidos e valores bem diferentes dos actuais e portanto não podem ser interpretadas de modo anacrônico - por exemplo, a escravidão para Aristóteles era algo justo e pros seus contemporâneos também).

São atribuídos também a Hesíodo os 56 primeiros versos do poema Escudo de Héracles.

[editar] O busto

O busto de bronze romano do primeiro século encontrado em Herculaneum, denominado Pseudo-Seneca foi reidentificado como de Hesíodo por Gisela Richter, embora que já fosse reconhecido que o busto não era na realidade Seneca desde 1813. A maioria dos estudos segue a identificação dela agora.

Referências

  1. Simon, Erika. Pergamon und Hesiod (em alemão). Mainz am Rhein: Philipp von Zabern, 1975. OCLC 2326703
  2. Marco Veleio Patérculo, Compêndio da História romana, Livro I, 7.1
  3. Marco Veleio Patérculo, Compêndio da História romana, Livro I, 5.3

[editar] Ligações externas

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