Sílaba
Sílaba é uma emissão de voz completa, representada por um ou mais fonemas.1
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Número de sílabas [editar]
As sílabas, agrupadas, formam vocábulos. De acordo com o número de sílabas que os formam, os vocábulos podem ser:
- monossílabos - formados por uma única sílaba: é, há, ás, cá, mar, flor, quem, quão.
- dissílabos - apresentam duas sílabas: a-í, a-li, de-ver, cle-ro, i-ra, sol-da, trans-por.
- trissílabos - apresentam três sílabas: ca-ma-da, O-da-ir, pers-pi-caz, tungs-tê-nio, felds-pa-to,ca- va-lo
- polissílabos - apresenta quatro ou mais sílabas: bra-si-lei-ro, psi-co-lo-gi-a, a-ris-to-cra-cia, o-tor-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta, pa-ra-le-le-pí-pe-do
Na língua portuguesa, o número de sílabas de uma palavra corresponde ao número de vogais completas.2
Divisão silábica [editar]
A divisão silábica obedece a algumas regras básicas. O conhecimento das regras de divisão silábica é útil para a translineação das palavras, ou seja, para separá-las no final das linhas. Quando houver necessidade da divisão, ela deve ser feita de acordo com as regras abaixo. Por motivos estéticos e de clareza, devem-se evitar vogais isoladas no final ou no início de linhas, como a-sa ou Urugua-i.
- ditongos e tritongos pertencem a uma única sílaba: au-tô-no-mo, ou-to-no, di-nhei-ro, U-ru-guai, i-guais.
- os hiatos são separados em duas sílabas: du-e-to, pro-i-bi-do, ca-a-tin-ga.
- os dígrafos ch, lh, nh, gu e qu pertencem a uma única sílaba: chu-va, mo-lha, es-ta-nho, guel-ra, a-que-la.
- as letras que formam os dígrafos rr, ss, sc, sç, xs, e xc devem ser separadas: bar-ro, as-sun-to, des-cer, nas-ço, es-xu-dar, ex-ce-to.
- os encontros consonantais que ocorrem em sílabas internas devem ser separados, excetuando-se aquelas em que a segunda consoante é l ou r: con-vic-ção, a-pli-ca-ção, as-tu-to, a-pre-sen-tar, ap-to, a-brir, cír-cu-lo, re-tra-to, ad-mi-tir, de-ca-tlo, ob-tu-rar. Exceção: ab-rup-to. Os grupos consonantais que iniciam palavras não são separáveis: gnós-ti-co, pneu-má-ti-co, mne-mô-ni-co.
Sílaba tônica [editar]
Na língua portuguesa, o acento tônico recai mais frequentemente na penúltima sílaba,3 mas pode também cair na última ou na antepenúltima sílaba,4 e jamais situa-se em outra posição além destas.5 Em esperanto, ele sempre recai sobre a penúltima sílaba,6 e no aramaico bíblico, ele recai mais frequentemente na última sílaba.7 No aramaico, como em outras línguas semíticas, as sílabas começam por consoantes, seguidas de pelo menos um som vocálico, e podem terminar com uma vogal (sílaba aberta) ou com uma consoante (sílaba fechada).8
As sílabas que não recebem acento tônico são chamadas de átonas.9 Na língua portuguesa, excluídas a tônica e a subtônica de uma palavra, suas demais sílabas são sempre átonas.10 A tonicidade das sílabas finais de palavras tem influência em sua variação fonética. No português brasileiro, os ditongos nasais de sílabas finais átonas estão sujeitos a variações fonéticas por redução da nasalidade (cantaram/cantaru), o que parece ser condicionado linguística e socialmente.11
Na gramática, as palavras podem ser classificadas segundo a posição da sílaba tônica. Assim, elas são agudas, graves ou esdrúxulas. Em alternativa, podem ser chamadas oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, respectivamente. No Brasil, os segundos termos são os mais usados. Em Portugal, depende do contexto.
Estrutura interna [editar]
De acordo com a teoria de Chomsky de Gramática Universal, uma sílaba pode ter três elementos: ataque, núcleo e coda, e em cada língua, sua gramática define que segmento pode ocupar cada posição na estrutura da sílaba, além de estabelecer parâmetros, pelos quais, por exemplo, o ataque pode ser obrigatório e a coda, opcional.12
Poesia [editar]
No poema, a sílaba tônica é a sílaba de mais ênfase, a que se pronuncia mais forte, utilizada para classificar a métrica dos versos.
Características diversas [editar]
Quanto à decomposição silábica das palavras, a sílaba é, na maioria dos casos, iniciada por uma consoante (se existir), terminando numa vogal. Na língua portuguesa existem, contudo, casos excepcionais:
- Emperrado = Em + per + ra + do
No caso acima, os R não ficaram unidos quando da separação das sílabas. A mesma regra se aplica para a letra S, quando dobrada.
Referências
- ↑ Ledur 2006, pp. 23
- ↑ Ledur 2006, pp. 23
- ↑ Bisol 2005, pp. 69
- ↑ Abreu 2003, pp. 58
- ↑ Ledur 2006, pp. 31
- ↑ Dubois 2001, pp. 71
- ↑ Araújo 2008, pp. 44
- ↑ Araújo 2008, pp. 42-43
- ↑ Dubois 2001, pp. 78
- ↑ Ledur 2006, pp. 30
- ↑ Bisol 2009, pp. 13
- ↑ Bisol 2005, pp. 15
Bibliografia [editar]
- Abreu, Antônio Suárez. Gramática Mínima para o Domínio da Língua Padrão (em português). 2 ed. [S.l.]: Atelie Editorial, 2003. 356 p. ISBN 9788574801988
- Araújo, Reginaldo Gomes de. Gramática do Aramaico Bíblico (em português). [S.l.]: EdiçõesTargumim, 2008. 367 p. ISBN 9788599459010
- Bisol, Leda. Introdução a estudos de fonologia do português brasileiro (em português). 4 ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2005. 296 p. ISBN 9788574305295
- Bisol, Leda (org.); Collischonn, Gisela (org.). Português do sul do Brasil : variação fonológica (em português). 1 ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009. ISBN 9788574308883
- Dubois, Jean. Dicionário de Linguística (em português). 8 ed. [S.l.]: Cultrix, 2001. 653 p. ISBN 9788531601231
- Figueiredo, Adriana; Figueiredo, Fernando. Gramática Comentada com Interpretação de Textos, 2a Edição: Teoria Completa e Questões Comentadas (em português). [S.l.]: Elsevier Brasil, 2012. 532 p. ISBN 9788535256826
- Ledur, Paulo Flávio. Português Prático (em português). 7 ed. [S.l.]: Editora AGE Ltda, 2006. 223 p. ISBN 9788574972848