Grande Mancha Vermelha

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Imagem da Grande Mancha Vermelha, obtida pela Voyager 1 em 25 de fevereiro de 1979, quando a sonda estava a 9,2 milhões km de Júpiter. Detalhes de até 160 km de extensão podem ser vistos aqui. O padrão colorido e ondulado à esquerda da Mancha Vermelha é uma região com movimentos extremamente complexos e variáveis. A tempestade oval branca diretamente abaixo da Mancha Vermelha possui o mesmo diâmetro da Terra.

A Grande Mancha Vermelha é um enorme anticiclone da atmosfera de Júpiter localizado na latitude 22°S.[1] De forma oval e coloração em tons de vermelho, é uma das características mais distintivas do planeta e corresponde a uma tempestade de grandes dimensões e com carácter mais ou menos permanente.

É a maior tempestade existente no Sistema Solar.[2] Seu tamanho já foi grande o suficiente (de leste-oeste) para abranger mais de duas vezes o diâmetro da Terra.[3] Com o passar do tempo, no entanto, seu tamanho sofreu uma redução e em 2014 imagens captadas pelo Telescópio Espacial Hubble mostraram que em sua largura (pouco menos de 16.100 quilômetros de diâmetro) só poderia caber uma vez o tamanho da Terra.[4]

Características[editar | editar código-fonte]

Esta região anti-ciclónica (sistema de altas pressões) encontra-se no hemisfério sul do planeta a 22º do equador e parece ser de carácter permanente. Experiências laboratoriais parecem relacionar a sua cor vermelha com a existência de moléculas orgânicas complexas ou com a presença de fósforo vermelho aspirado pelas correntes de gás em movimento na atmosfera. A tempestade em si é mais fria que as áreas circundantes e bastante complexa, em constante rotação, com ventos no seu interior que atingem os 600 km/h. Perto do centro, no entanto, o movimento é menor e o sentido das correntes estima-se aleatório. Uma vez que a mancha absorve alterações atmosféricas menores é possível encontrar cadeias de outras tempestades no seu interior. A sua rotação no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio (impulsionada pelo calor interno de Júpiter) completa-se após aproximadamente seis dias terrestres.

Dimensões[editar | editar código-fonte]

Animação da cor do movimento da nuvem de Júpiter.

Vista em plano bidimensional a mancha estende-se por um comprimento de aproximadamente 25 000 km e tem uma “altura” de sensivelmente 12 000 km (1979).[5] O topo da tempestade (cristas das nuvens) distanciam-se em altura aproximadamente 8 km das nuvens circundantes. Já há bastante tempo vêm sendo observadas outras manchas de tempestades de menores dimensões mas de características similares, não só em Júpiter como também em Saturno e Neptuno.

Júpiter apresenta ainda as chamadas ovais brancas (nuvens frias na atmosfera superior) e as ovais castanhas (nuvens mais quentes na camada “normal” de nuvens)

Metamorfose[editar | editar código-fonte]

Terá sido pela primeira vez observada por Cassini ou pelo cientista Robert Hook por volta de 1665, mas nada anula a possibilidade de já ter sido avistada anteriormente (é possível vê-la através de um telescópio terrestre). Sabe-se que no final do século XIX, por volta de 1880, a mancha tinha o dobro do tamanho atual, cerca de 40 000 km de comprimento (onde caberiam um planeta Terra) e desde então tem-se verificado uma diminuição longitudinal. Este facto é provado pelas comparações efectuadas por diversas sondas enviadas pela NASA (Voyager 1, Voyager 2, Galileu - NASA e Cassini – ESA/NASA) em comunhão com diversos registos históricos.

Assim, em 1979, e embora a “altura” da forma oval se tenha mantido relativamente constante, as primeira e segunda Voyager registaram a contracção da mancha para os 25 000 km de comprimento. Sabe-se que esta contracção longitudinal é de cerca de 0,19 graus por ano e que por volta de 2040 a forma da mancha se aproximará mais, por isso, a um círculo. Por outro lado, as correntes intensas (ventos) que seguem em sentidos opostos, a norte e a sul da mancha, forçarão a que a forma se mantenha mais ou menos oval.
Explicação para esta contracção é ainda desconhecida, mas assume-se a possibilidade de um comportamento cíclico determinado em décadas, visto que o planeta em si também aumenta esporadicamente a sua actividade e consequentemente faz irromper tempestades periódicas. Também a intensidade da cor varia, o que poderá ter a ver com a velocidade dos ventos que circundam a mancha.

Longevidade[editar | editar código-fonte]

As manchas de tempestades no planeta podem durar de horas a séculos. A longa vida da grande mancha vermelha é também difícil de fundamentar. Sendo que o planeta Júpiter é gasoso, ou seja, não possui uma camada sólida como a Terra, faz com que a tempestade nunca encontre uma superfície na qual seja possível dissipar a sua energia. Esta é uma possível explicação para a sua longevidade, para a qual ainda não é possível prever um fim.

Referências

  1. Great Red Spot (em inglês). Encyclopædia Britannica. Página visitada em 14 de novembro de 2013.
  2. Astrônomos desvendam segredos da Grande Mancha Vermelha de Júpiter (em português). Inovação Tecnológica (19 de março de 2010). Página visitada em 14 de novembro de 2013.
  3. Calvin J., Hamilton. Júpiter - La Gran Mancha Roja (em espanhol). Vistas do Sistema Solar. Página visitada em 14 de novembro de 2013.
  4. Grande Mancha Vermelha de Júpiter encolhe para seu menor tamanho em todos os tempos (em en). Space. Página visitada em 15 de maio de 2014.
  5. Beatty, J. Kelly (25 de junho de 2004). Jupiter's Shrinking Red Spot (em inglês). New Track Media. Sky & Telescope. Página visitada em 14 de novembro de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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