Recife

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Município do Recife
"Veneza Brasileira"
"Florença dos Trópicos"
"Cidade Maurícia"
"Manguetown"
"Capital do Nordeste"
"Capital Brasileira dos Naufrágios"
A partir da esquerda: Marco Zero; Recife e suas pontes; Vista aérea do Bairro de Boa Viagem; Praia de Boa Viagem; Torre de Cristal; Rio Capibaribe; Bairro de Boa Viagem; Ilha do Leite; e o pôr do sol no Recife.

A partir da esquerda: Marco Zero; Recife e suas pontes; Vista aérea do Bairro de Boa Viagem; Praia de Boa Viagem; Torre de Cristal; Rio Capibaribe; Bairro de Boa Viagem; Ilha do Leite; e o pôr do sol no Recife.
Bandeira do Recife
Brasão do Recife
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 12 de março
Fundação 12 de março de 1537 (477 anos)
Gentílico recifense
Lema Ut luceat omnibus (traduzido do latim, significa: "Que a luz brilhe para todos")
Prefeito(a) Geraldo Júlio (PSB)
(2013–2016)
Localização
Localização do Recife
Localização do Recife em Pernambuco
Recife está localizado em: Brasil
Recife
Localização do Recife no Brasil
08° 03' 14" S 34° 52' 51" O08° 03' 14" S 34° 52' 51" O
Unidade federativa  Pernambuco
Mesorregião Metropolitana do Recife IBGE/2008[1]
Microrregião Recife IBGE/2008[1]
Região metropolitana Recife
Municípios limítrofes Jaboatão dos Guararapes, São Lourenço da Mata, Camaragibe, Paulista e Olinda.
Distância até a capital 2 220 km[2]
Características geográficas
Área 218,435 km² [3]
População 1 608 488 hab. IBGE/2014[4]
Densidade 7 363,69 hab./km²
Altitude 4 m
Clima Tropical As'
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,772 alto PNUD/2010[5]
PIB R$ 33 149 385 mil (BR: 15º) – IBGE/2011[6]
PIB per capita R$ 21 434,88 IBGE/2011[6]
Página oficial
Prefeitura www.recife.pe.gov.br
Câmara www.recife.pe.leg.br

Recife é um município brasileiro, capital do estado de Pernambuco, situado na Região Nordeste do país. Pertence à Mesorregião Metropolitana do Recife e à Microrregião do Recife. Com uma área de 218,435 km², a cidade é constituída principalmente por uma planície aluvial. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2014 o município possuía uma população de 1 608 488 habitantes.[4] A cidade é sede da Região Metropolitana do Recife, a mais populosa área metropolitana do Norte-Nordeste e a quinta do Brasil de acordo com o censo 2010,[7] com 3,7 milhões de habitantes, além de ser a terceira metrópole mais densamente habitada do país, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro. A capital pernambucana está atrás somente de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo na hierarquia da gestão federal, e possui a quarta maior rede urbana do Brasil em população, com área de influência que abrange, além de Pernambuco, os estados de Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.[8] [9]

Metrópole mais rica do Norte-Nordeste em PIB PPC,[10] o Recife desempenha um forte papel centralizador em seu estado e região, abrigando grande número de sedes regionais e nacionais de instituições e empresas públicas e privadas, como o Comando Militar do Nordeste, a SUDENE, a Eletrobras Chesf, o TRF da 5ª Região, o Cindacta III, o II COMAR, a SRNE da Infraero, a SRNE do INSS, a TV Globo Nordeste, a Votorantim Cimentos N/NE, a Queiroz Galvão, entre outras, além de possuir o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção de São Paulo e do Rio de Janeiro, que tem Consulados-Gerais de países como Estados Unidos, China, França e Reino Unido.[11]

A cidade do Recife foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo, sendo que apenas cinco cidades brasileiras entraram na lista, tendo o Recife recebido a quarta posição, após São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e à frente de Curitiba.[12] E segundo a consultoria britânica PricewaterhouseCoopers, a capital pernambucana será uma das 100 cidades mais ricas do mundo em 2020, à frente de cidades como Munique, Nápoles, Shenyang e Amsterdã.[13] [14]

O Recife destaca-se por possuir o maior parque tecnológico do Brasil, o Porto Digital;[15] [16] o segundo maior polo médico do Brasil;[17] [18] os maiores PIB per capita e rendimento per capita entre as capitais da Região Nordeste;[19] [20] a melhor universidade do Norte-Nordeste, a Universidade Federal de Pernambuco;[21] [22] [23] [24] o nono maior número de arranha-céus das Américas;[25] [26] o melhor aeroporto do Brasil, o Aeroporto Internacional do Recife;[27] [28] [29] e sua região metropolitana, o Complexo Industrial e Portuário de Suape, que abriga o Porto de Suape (melhor porto do Brasil), o Estaleiro Atlântico Sul (maior estaleiro do Hemisfério Sul), entre outros empreendimentos.[30] [31] Destaca-se ainda por ser a capital nordestina com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo dados da ONU de 2010, calculado como de 0.772,[5] figurando como a capital mais alfabetizada, com a menor incidência de pobreza e a com a maior renda média domiciliar mensal do Nordeste do país.[5]

Com um grande potencial turístico e forte vocação para o turismo de negócios, frequentemente a cidade é escolhida como sede de diversos eventos, como simpósios, jornadas e congressos: a Região Metropolitana do Recife foi o terceiro polo de eventos internacionais no Brasil em 2011, atrás somente de São Paulo e Rio de Janeiro, graças ao desempenho do Recife e de Porto de Galinhas.[32] [33] [34]

Uma das regiões mais antigas das Américas e principal centro financeiro do Brasil Colônia até meados do século XVIII,[35] a metrópole pernambucana abriga importantes cidades históricas entre os seus 14 municípios, como a própria cidade do Recife, Igarassu, além de Olinda, cujo centro histórico é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Dentre as muitas alcunhas atribuídas ao Recife, "Veneza Brasileira" é a mais conhecida. O romancista francês Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura de 1957, esteve no Recife em 1949, e comparou a capital pernambucana a outra cidade italiana ao descrevê-la, em seu livro Diário de Viagem, como a "Florença dos Trópicos".[36]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Barreira de recifes naturais que deu nome à cidade. Na foto, um trecho da Praia de Boa Viagem.

O nome "Recife" provém da palavra "arrecife", grande barreira rochosa de arenito (recifes) que se estende por toda a sua costa, formando piscinas naturais. O termo "arrecife" vem de "al-raçif", que em árabe significa "calçada", ou seja, a calçada do mar.

Geralmente, o nome do município dentro de frases é antecedido de artigo masculino, como acontece com os municípios do Rio de Janeiro, do Crato, do Cabo de Santo Agostinho e outros. A esse respeito, muitos intelectuais recifenses e pernambucanos já se pronunciaram, entre eles Gilberto Freyre, em seu livro "O Recife, sim! Recife, não!", em 1960.[37] Sobre o tema, se pronunciou o historiador pernambucano José Antônio Gonçalves de Melo: "Porque se originou de um acidente geográfico - o recife ou o arrecife - a designação do Recife não prescinde do artigo definido masculino: o Recife e nunca Recife".[38] Por outro lado, o gramático Napoleão Mendes de Almeida afirma, em longo arrazoado, que não se deve usar o artigo definido para fazer referência à cidade, mas apenas ao bairro homônimo: "o bairro do Recife na cidade de Recife".[39]

História[editar | editar código-fonte]

Olinda, primeira capital administrativa de Pernambuco e Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, com Recife ao fundo. Recife tem sua origem intimamente ligada ao município de Olinda.
Recife é a mais antiga entre as capitais estaduais brasileiras: a primeira referência ao povoado do Recife é de 1537, dois anos após a fundação de Olinda.[40] [41] [42] Na foto, Rua do Bom Jesus, no bairro do Recife.

Ocupação pré-cabralina[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, os índios tapuias que ocupavam a região da atual cidade do Recife foram expulsos para o interior do continente por povos tupis procedentes da Amazônia.[43]

A chegada dos portugueses[editar | editar código-fonte]

Quando os portugueses chegaram à região, no século XVI, a mesma era ocupada pelo povo tupi dos caetés[44] . O atual município do Recife tem sua origem intimamente ligada ao município de Olinda. No foral (carta de direitos feudais) de Olinda, concedido por Duarte Coelho em 1537, há uma referência a "Arrecife dos navios", um lugarejo habitado por mareantes e pescadores.[45] O Recife permaneceu português até a independência do Brasil, com a exceção de um período de ocupação holandesa entre 1630 e 1654.

Durante os anos anteriores à invasão da Companhia das Índias Ocidentais, o povoado do Recife existiu apenas em função do porto e à sombra da sede Olinda, local que a aristocracia escolheu para residir devido à sua localização elevada, que facilitava a defesa. Ergueram-se fortificações e paliçadas em defesa do povoado e do porto do Recife, todas elas voltadas para o mar. Os temores voltavam-se para o oceano por conta dos constantes ataques ao litoral da América Portuguesa pela navegação de corso e pirataria. Ainda no final do século XVI, o "povo dos arrecifes" foi atacado e saqueado pelo pirata inglês James Lancaster que, com três navios, derrotou a pequena guarnição responsável pela defesa do porto. Entre os anos de 1620 e 1626, o então governador Matias de Albuquerque procurou estabelecer posições fortificadas no porto do Recife a fim de que se pudesse evitar outro ataque como aquele, bem como dissuadir a Companhia das Índias Ocidentais da ideia empreendida na Bahia em 1624.[46] [47]

Governo holandês[editar | editar código-fonte]

Em 1630, a Companhia das Índias Ocidentais invade a Capitania de Pernambuco, então a mais rica capitania do Brasil Colônia e maior produtora de açúcar do mundo.[35] [48]

No Recife holandês, foi iniciada a construção de Mauritsstad (Cidade Maurícia, ou Mauriceia). O Recife foi a capital do Brasil Holandês durante 24 anos, tendo sido governada de 1637 a 1644 pelo conde alemão (a serviço da Companhia das Índias Ocidentais - West Indische Compagnie) Maurício de Nassau.[49] [50] O império holandês nas Américas era composto na época por uma cadeia de fortalezas que iam do Ceará à embocadura do rio São Francisco, ao sul de Alagoas. Os holandeses também possuíam uma série de feitorias na Guiné e Angola, situadas no outro lado do Atlântico, o que lhes dava controle sobre o açúcar e o tráfico negreiro, administradas pela Companhia das Índias Ocidentais.

Vista da Cidade Maurícia (1645). Gravura em água forte de Pieter Schenck baseada em desenho de Frans Post para o livro Rerum in Brasilia et alibi gestarum, de Caspar Barlaeus.
Recife foi a mais cosmopolita cidade das Américas durante o governo do conde alemão (a serviço da coroa holandesa) Maurício de Nassau.[35] [51] [52] Na foto o Marco Zero, cartão postal da cidade.

O conde desembarcou na Nieuw Holland, a Nova Holanda, em 1637, acompanhado por uma equipe de arquitetos e engenheiros. Nesse ponto começa a construção de Mauritsstad, que foi dotada de pontes, diques e canais para vencer as condições geográficas locais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da nova cidade e de edifícios como o Palácio de Freeburg, sede do poder de Nassau na Nova Holanda, e do primeiro observatório astronômico do Continente Americano.[53] [54]

Maurício de Nassau realizou uma política de tolerância religiosa frente aos católicos e calvinistas. Além disso, permitiu a migração de judeus ao Recife e a criação de uma sinagoga, a Kahal Zur Israel, inaugurada em 1642 e considerada o primeiro templo judaico das Américas.[55]

Nassau era também um entusiasta da ciência e das belas artes. Ao embarcar para o Brasil, trouxe uma plêiade de naturalistas e pintores para retratar e estudar a novo continente. Entre estes destacam-se os pintores Frans Post e Albert Eckhout, que retrataram as paisagens e os exóticos habitantes locais, o médico Willem Piso e o naturalista alemão Georg Marggraf, que estudaram a fauna e a flora, a farmacopeia local e as doenças tropicais.[56]

A Kahal Zur Israel, no Recife, foi a primeira sinagoga das Américas.[57] [58]

Nassau retornou à Holanda em 1644, demitido devido a desentendimentos com as autoridades da Companhia, que não se contentaram com o nível de lucros das possessões brasileiras. Os novos governantes holandeses entraram em conflito com a população, desencadeando a partir de 1643 uma insurreição - a chamada Insurreição Pernambucana - que terminaria com a expulsão definitiva dos holandeses em 1654. A economia açucareira local passou a enfrentar a competição das Antilhas Holandesas, para onde os holandeses levaram a tecnologia da produção de açúcar.[59]

Com a colônia holandesa tomada pelos portugueses, os judeus receberam um prazo de três meses para partir ou se converter ao catolicismo. Com medo da fogueira da Inquisição, quase todos venderam o que tinham e deixaram o Recife em 16 navios. Parte da comunidade judaica expulsa de Pernambuco fugiu para Amsterdã, e outra parte se estabeleceu em Nova York. Através deste último grupo a Ilha de Manhattan, atual centro financeiro dos Estados Unidos, conheceu grande desenvolvimento econômico; e descendentes de judeus egressos do Recife tiveram participação ativa na história estadunidense: Gershom Mendes Seixas, aliado de George Washington na Guerra de Independência dos Estados Unidos; seu filho Benjamin Mendes Seixas, fundador da Bolsa de Valores de Nova Iorque; Benjamin Cardozo, juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos ligado a Franklin Delano Roosevelt; entre outros.[60] [61] [62]

Insurreição Pernambucana[editar | editar código-fonte]

As Batalhas dos Guararapes, episódios decisivos na Insurreição Pernambucana, são consideradas a origem do Exército Brasileiro.

Em 15 de maio de 1645, reunidos no Engenho de São João, 18 líderes insurretos pernambucanos assinaram compromisso para lutar contra o domínio holandês na capitania.

Com o acordo assinado, começa o contra-ataque à invasão holandesa.

A primeira vitória importante dos insurretos se deu no Monte das Tabocas, (hoje localizada no município de Vitória de Santo Antão) onde 1200 insurretos mazombos armados de armas de fogo, foices, paus e flechas derrotaram numa emboscada 1900 holandeses bem armados e bem treinados.

O sucesso deu ao líder Antônio Dias Cardoso o apelido de Mestre das Emboscadas. Os holandeses que sobreviveram seguiram para Casa Forte, sendo novamente derrotado pela aliança dos mazombos, índios nativos e escravos negros. Recuaram novamente para as casas-forte em Cabo de Santo Agostinho, Pontal de Nazaré, Sirinhaém, Rio Formoso, Porto Calvo e Forte Maurício, sendo sucessivamente derrotados pelos insurretos.

Palácio de Friburgo (1642), local de residência e de despachos de Maurício de Nassau demolido no século XVIII devido aos danos causados durante a Insurreição Pernambucana.[53]

Por fim, Olinda foi recuperada pelos rebeldes. Cercados e isolados pelos rebeldes numa faixa que ficou conhecida como Nova Holanda, indo do Recife a Itamaracá, os invasores começaram a sofrer com a falta de alimentos, o que os levou a atacar plantações de mandioca nas vilas de São Lourenço, Catuma e Tejucupapo. Em 24 de abril de 1646, ocorreu a famosa Batalha de Tejucupapo, onde mulheres camponesas armadas de utensílios agrícolas e armas leves expulsaram os invasores holandeses, humilhando-os definitivamente. Esse fato histórico consolidou-se como a primeira importante participação militar da mulher na defesa do território brasileiro.

Devido à Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa, a República Holandesa não pôde auxiliar os holandeses no Brasil. Com o fim da guerra contra os ingleses, a Holanda exige a devolução da colônia em maio de 1654. Sob ameaça de uma nova invasão do Nordeste brasileiro, Portugal cede à exigência dos holandeses que Portugal pague 4 milhões de cruzados entre um período de 16 anos. Porém, em 6 de agosto de 1661, a Holanda cede formalmente o Nordeste brasileiro a Portugal através da Paz de Haia.

Movimentos nativistas e separatistas[editar | editar código-fonte]

Conjuração de "Nosso Pai" (1666)[editar | editar código-fonte]

Porto do Recife, no século XVII, foco da revolta de "Nosso Pai".

A Capitania de Pernambuco lutava por reconstruir suas duas principais cidades - Recife e Olinda - destruídas com as lutas contra os invasores holandeses.

Os senhores de engenho, radicados em Olinda e com reservas quanto ao porto do Recife, acreditavam merecer maiores reconhecimentos da Coroa Portuguesa, pelo contributo na expulsão dos neerlandeses.

Portugal, entretanto, mandou para governar a Capitania Jerônimo de Mendonça Furtado, um estranho, contrariando assim os interesses de muitos pernambucanos, que se julgavam merecedores de ocupar a função, e não um estrangeiro.

Mendonça Furtado era apelidado pejorativamente de Xumberga (ou, nalgumas outras versões, Xumbregas) - referência ao general alemão Von Schomberg, mercenário que lutara na Guerra da Restauração, por ter um bigode semelhante ao dele.

O estopim do movimento, que culminou com a prisão e deposição do governador, foi a estada, no porto do Recife, de uma esquadra francesa, que por ordem da Corte, foram bem tratados. Os insurgentes fizeram divulgar a notícia de que o governador estaria a serviço dos estrangeiros, que preparavam um ataque à província, e seu consequente saque.[63]

Vista do Recife por João de Laet (1664).

Guerra dos Mascates (1710-1711)[editar | editar código-fonte]

Após a invasão holandesa, muitos comerciantes vindos de Portugal - chamados pejorativamente de "mascates" - estabelecem-se no Recife, trazendo prosperidade à vila. O desenvolvimento do Recife foi visto com desconfiança pelos olindenses, em grande parte formada por senhores de engenho em dificuldades econômicas. O conflito de interesses políticos e econômicos entre a nobreza açucareira pernambucana e os novos burgueses deu origem à Guerra dos Mascates, durante a qual o Recife foi palco de combates e cercos.[64] [65] [66] [67]

A Guerra dos Mascates é considerada como um movimento nativista, precursor da Independência do Brasil, pela historiografia em história do Brasil.

Revolução Pernambucana (1817)[editar | editar código-fonte]

A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, cujas estrelas representam Pernambuco, Paraíba e Ceará, inspirou a atual bandeira de Pernambuco.
A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, cujas estrelas representam Pernambuco, Paraíba e Ceará, inspirou a atual bandeira de Pernambuco.
A atual Praça da República já teve várias denominações. Durante a Revolução de 1817, era conhecida como Campo da Honra.
A atual Praça da República já teve várias denominações. Durante a Revolução de 1817, era conhecida como Campo da Honra.

A chamada Revolução Pernambucana, também conhecida como "Revolução dos Padres", eclodiu em 6 de março de 1817 na então Província de Pernambuco. Dentre as suas causas destacam-se a crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e a influência das ideias Iluministas, propagadas pelas sociedades maçônicas.

O movimento iniciou com ocupação do Recife, em 6 de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado, acabou se rendendo.

O movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio de Antônio Carlos de Andrada e Silva e de Frei Caneca. Tendo conseguido dominar o Governo Provincial, se apossaram do tesouro da província, instalaram um governo provisório e proclamaram a República.

A repercussão da Revolução Pernambucana contribuiu para facilitar o processo de emancipação de Alagoas, que logrou obter autonomia pelo Decreto de 16 de setembro de 1817. O desmembramento da Comarca de Alagoas da jurisdição de Pernambuco foi sancionado por D. João VI.

Confederação do Equador (1824)[editar | editar código-fonte]

A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista (ou autonomista) e republicano ocorrido em Pernambuco. Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçada na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país.

O conflito possui raízes em movimentos anteriores na região: a Guerra dos Mascates e a Revolução Pernambucana, esta última de caráter republicano.

O centro irradiador e a liderança da revolta couberam à província de Pernambuco, que já se rebelara em 1817 e enfrentava dificuldades econômicas. Além da crise, a província se ressentia ao pagar elevadas taxas para o Império, que as justificava como necessárias para levar adiante as guerras provinciais pós-independência (algumas províncias resistiam à separação de Portugal).

Exército Imperial do Brasil ataca as forças confederadas no Recife, 1824.

Pernambuco esperava que a primeira Constituição do Império seria do tipo federalista, e daria autonomia para as províncias resolverem suas questões.

Como punição a Pernambuco, D. Pedro I determinou, através de decreto de 07/07/1825, o desligamento do extenso território da Comarca do Rio São Francisco (atual Oeste Baiano), passando-o, inicialmente, para Minas Gerais e, depois, para a Bahia.

Revolta Praieira (1848-1850)[editar | editar código-fonte]

A Revolta Praieira, também denominada como "Insurreição Praieira", "Revolução Praieira" ou simplesmente "Praieira", foi um movimento de caráter liberal e separatista que eclodiu, durante o Segundo Reinado, na província de Pernambuco, entre 1848 e 1850.

A Última das revoltas provinciais está ligada às lutas político-partidárias que marcaram o Período Regencial e o início do Segundo Reinado. Sua derrota representou uma demonstração de força do governo de D. Pedro II (1840-1889).

Panorama do Recife em 1855, por Friedrich Hagedorn.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Edifícios históricos no bairro do Recife, Centro da cidade.
Edifícios históricos no bairro do Recife, Centro da cidade.
Deutscher Klub Pernambuco, no bairro do Parnamirim, Zona Norte do Recife.
Deutscher Klub Pernambuco, no bairro do Parnamirim, Zona Norte do Recife.

No início do século XX, o Recife era ainda uma cidade muito influente: só perdia em importância política e econômica para o Rio de Janeiro.[68]

Iniciou-se um período de agitação cultural, e a Belle Époque mostrou a busca de novas linguagens para traduzir as velozes mudanças trazidas pelas novas técnicas. Os recifenses tinham até os meados do século uma forte influência cultural francesa.[69]

Na década de 1970 Recife era ainda a terceira maior metrópole do Brasil, e foi um dos principais centros de atuação da Ditadura Militar.[70] [71] Na foto o Monumento Tortura Nunca Mais.

Nos anos 1910, o Recife pretendia se tornar uma cidade moderna, tal como Paris, através da reforma do porto e construção de largas avenidas, sem preocupação com a preservação dos edifícios históricos, muitos dos quais completamente demolidos. Como em todo o Brasil, o modernismo não afetou as graves diferenças sociais.

Em 1934, Pernambuco assumiu posição inovadora ao contratar Burle Marx e o arquiteto Luiz Nunes. O bairro de Boa Viagem tornou-se um local onde a elite recifense possuía casas de veraneio já no início do século.[72]

Na década de 1950, ganhou o Recife o contorno urbano atual, com o crescimento populacional ocasionado pela migração de pessoas do interior da Região Nordeste e a extinção dos mocambos, obrigando a população pobre a viver nos morros. A cidade já buscava mostrar uma perspectiva positiva de si, escondendo as mazelas sociais.[73]

Em 1966, houve um atentado terrorista cujo alvo era o ditador militar e então presidente da República, Arthur da Costa e Silva, enquanto desembarcava no Aeroporto dos Guararapes. Houve mortos e feridos, mas o presidente escapou, chegando ao Recife de carro a partir de João Pessoa.[74]

Um dos principais centros de atuação do Regime Militar no Brasil, foi na metrópole pernambucana que se iniciou, em 1983, o movimento "Diretas Já", que se expandiu por todo o país e foi responsável por apressar o fim da ditadura brasileira.[71] [75]

Demolições no Centro Histórico do Recife
Largo do Paraíso e a Igreja do Corpo Santo, área completamente demolida para a construção da Avenida Dantas Barreto — Litografia de Luis Schlappriz, 1863.
Largo do Paraíso e a Igreja do Corpo Santo, área completamente demolida para a construção da Avenida Dantas Barreto — Litografia de Luis Schlappriz, 1863.
Vista do casario do bairro do Recife, uma das muitas áreas históricas demolidas durante a modernização do Centro da capital pernambucana — Fotografia de João Ferreira Vilela, 1865.
Vista do casario do bairro do Recife, uma das muitas áreas históricas demolidas durante a modernização do Centro da capital pernambucana — Fotografia de João Ferreira Vilela, 1865.
A Ponte Sete de Setembro, no bairro de Santo Antônio, teve sua estrutura em ferro corroída pela maresia e foi reconstruída em concreto armado, reinaugurada com o nome Ponte Maurício de Nassau — Fotografia de João Ferreira Vilela, 1870.
A Ponte Sete de Setembro, no bairro de Santo Antônio, teve sua estrutura em ferro corroída pela maresia e foi reconstruída em concreto armado, reinaugurada com o nome Ponte Maurício de Nassau — Fotografia de João Ferreira Vilela, 1870.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Recife visto a partir da ISS, pelo astronauta Chris Hadfield.
Pontes centenárias sobre o trecho de confluência do Rio Capibaribe com o Rio Beberibe.
Pontes sobre a Bacia do Pina, que ligam a Zona Sul ao Centro e Zona Norte do Recife.

O Recife é a capital do sétimo estado mais populoso do Brasil, Pernambuco,[76] situando-se próximo ao paralelo 8º04'03'' sul e do meridiano 34º55'00'' oeste. Ocupa uma área de 218,435 quilômetros quadrados,[3] e se limita com os municípios de Jaboatão dos Guararapes, São Lourenço da Mata, Camaragibe, Paulista e Olinda.[77] É sede da Região Metropolitana do Recife (RMR), a sexta maior aglomeração urbana do Brasil (2010),[78] e sua área de influência direta abrange os estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte (este último junto com Fortaleza).[8]

A cidade do Recife está situada sobre uma planície aluvional (fluviomarinha), constituída por ilhas, penínsulas, alagados e manguezais envolvidos por 5 rios: Beberibe, Capibaribe, Tejipió e braços do Jaboatão e do Pirapama, conferindo-lhe características peculiares. Essa planície é circundada por colinas em arco que se estendem do norte ao sul, de Olinda até Prazeres (Jaboatão).[79]

O Recife é conhecido como "Veneza Brasileira" graças à semelhança fluvial com a cidade europeia de Veneza. Cercado por rios e cortado por pontes, é cheio de ilhas e mangues. Ali acontece o encontro dos rios Beberibe e Capibaribe que deságuam no Oceano Atlântico. O município conta com dezenas de pontes, entre elas a mais antiga da América Latina, a Ponte Maurício de Nassau. A altitude média em relação ao nível do mar é de 4 metros, porém há algumas áreas do município que se localizam 2 metros abaixo do nível do mar, segundo o estudioso Fernando Bruce. O município se localiza na latitude de 8º 04' 03''S e longitude de 34º 55' 00''O.[80] [81]

Clima[editar | editar código-fonte]

O Recife tem um clima tropical úmido de monções (tipo Am na classificação climática de Köppen-Geiger),[82] com alta umidade relativa do ar. Apresenta temperaturas equilibradas ao longo do ano devido à proximidade com o mar e índice pluviométrico elevado, com chuvas concentradas nos meses de outono e inverno, principalmente entre abril e julho.[83] Chuvas torrenciais acompanhadas de raios e trovoadas podem ocorrer,[84] especialmente no inverno. Chegadas de frentes frias, apesar de muito raras, também podem acontecer.[85] Ventanias também são comuns, como a que ocorreu em 18 de fevereiro de 2010, quando uma rajada de vento de 86 km/h destelhou casas.[86] Nevoeiros são comuns nos meses mais chuvosos, sendo que o mais forte deles ocorreu foi no dia 30 de outubro de 1998, quando a cidade amanheceu cinzenta devido a uma inversão térmica.[87]

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas
registrados no/em Recife (Curado) por meses
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 117 mm 07/01/2000 Julho 176,4 mm 29/07/1990
Fevereiro 123,1 mm 16/02/1983 Agosto 335,8 mm 11/08/1970
Março 145,7 mm 19/03/2003 Setembro 108,9 mm 17/09/2000
Abril 165,3 mm 22/04/1973 Outubro 86,8 mm 14/10/1976
Maio 235 mm 24/05/1986 Novembro 48,2 mm 24/11/1980
Junho 176,4 mm 12/06/1965 Dezembro 141,1 mm 06/12/2005
Fonte: Rede de dados do INMET. Período: 01/03/1961 a 31/12/2013.[88]

A temperatura média anual fica em torno dos 26 ºC.[89] Janeiro e fevereiro possuem as temperaturas mais altas, sendo a máxima de 30 °C[90] e a mínima de 22 °C,[91] com muito sol.[92] Julho, o mês de maior precipitação (388 mm),[83] possui as temperaturas mais baixas, sendo a máxima de 27 °C[90] e a mínima de 21 °C.[91] Nos dias mais quentes do verão a temperatura pode chegar a 35 °C em alguns bairros, e a mínima ser de 28 °C. Nos dias mais frios, a temperatura máxima pode ser de 23 °C, e a mínima de 16 °C. A maior enchente da história do Recife foi registrada em julho de 1975.[93]

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), entre 1961 e 2013, a menor já registrada na capital pernambucana (estação meteorológica de Curado) foi de 15 °C nos dias 2 de setembro de 1965 e 4 de agosto de 1988,[94] e a maior atingiu 35,1 °C em 21 de março de 1988.[95] O maior acumulado de precipitação observado em 24 horas foi de 335,8 mm em 11 de agosto de 1970. Alguns outros grandes acumulados foram 235 mm em 24 de maio de 1986, 185,9 mm em 1º de agosto de 2000, 176,4 mm em 29 de julho de 1990 e 12 de junho de 1965, 165,3 mm em 22 de abril de 1973, 162,8 mm em 29 de junho de 1990, 162 mm em 21 de julho de 1973, 159,7 mm em 10 de junho de 1980 e 154,2 mm em 8 de abril de 1986.[88] O mês de maior precipitação foi abril de 1973, quando foram registrados 770,4 mm.[96] O menor índice de umidade do ar foi registrado em 17 de janeiro de 1998, de 41%.[97]

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Recife Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 34,7 34,3 35,1 33,5 33 31,9 33,1 32,2 32,7 33,1 32,4 34,5 35,1
Temperatura máxima média (°C) 30,2 30,2 30 29,7 28,9 27,9 27,3 27,5 28,1 29 30,1 30,2 29,1
Temperatura média (°C) 26,5 26,5 26,4 25,9 25,2 24,5 23,9 23,9 24,6 25,5 26,1 26,4 25,5
Temperatura mínima média (°C) 22,4 22,6 22,7 22,6 21,9 21,6 21,1 20,6 20,7 21,4 21,9 22,2 21,8
Temperatura mínima registrada (°C) 16,8 17,9 17,9 17,1 16,9 17,1 16 15 15 16 16,7 16,4 15
Precipitação (mm) 108,2 148,2 256,9 337,6 318,5 377,9 388,1 204,8 122 63 35,7 56,8 2 417,6
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 10 11 16 18 20 21 22 17 13 9 6 8 171
Umidade relativa (%) 73 77 80 84 85 85 85 85 78 76 74 75 79,8
Horas de sol 246,3 210,8 203,9 185,2 186,3 168,3 157,6 207,1 216,6 247,3 265,8 255,2 2 550,7
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (normal climatológica de 1961-1990;[89] [90] [91] [83] [98] [92] [99] recordes de temperatura de 01/03/1961 a 31/12/2013).[94] [95]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A Praça de Casa Forte, no bairro homônimo, área nobre da Zona Norte, foi o primeiro projeto de jardim público do renomado paisagista, filho de recifense, Burle Marx.[100] A praça, que se tornou polo gastronômico, é um dos chamados "Jardins de Burle Marx no Recife" tombados pelo IPHAN.[101]
Praça do Entroncamento, no bairro das Graças, uma das sete praças projetadas por Burle Marx na capital pernambucana.
Parque dos Manguezais com a Via Mangue em construção e, ao fundo à esquerda, o skyline da Zona Norte do Recife.
Parque da Jaqueira, Zona Norte.

O Recife possui algumas áreas de Mata Atlântica no seu território. Entre elas estão:

  • Parque Dois Irmãos: O maior parque do município.[102] Além de parque, é horto, jardim botânico e zoológico e reserva ambiental. Como um parque, Dois Irmãos oferece uma variedade de diversões e lazer para adultos e crianças incentivando o interesse em conservação do ambiente. Um exemplo são desenhos de um elefante, um camelo, um hipopótamo, uma capivara e um macaco, para que as pessoas possam comparar sua altura com a de um desses animais. No fim do parque, entre o fim do zoológico e o começo da reserva ambiental, há um parque para crianças que recria o cenário de uma pequena vila. De seus 384,42 hectares, o Parque Dois Irmãos apresenta 350,10 hectares de reserva ambiental. O parque e a reserva são separados por arames, e os animais mantidos na reserva não podem ser mantidos em cativeiro pelo zoológico. De terça a sexta-feira, a partir das 5h30min da manhã, os guias do parque oferecem trilhas ambientais pela mata atlântica, abertas ao público.
  • Mata do Engenho Uchôa,[103] [104] [105] na Zona Sul, refúgio de vida silvestre de 20 hectares, no nível estadual, e Área de Proteção Ambiental de 192 hectares, no municipal, situada na cidade do Recife, protegida por lei pelo Estado de Pernambuco (Lei Estadual nº 9.989/87). Dos 192 hectares, 60 são de manguezal, que pertencem à União. É considerada a mais abrangente unidade de conservação do Recife. Decretada de utilidade pública em 2002, a área da Mata do Engenho Uchoa nunca foi desapropriada porque os proprietários contestaram o valor da indenização.[106] A Mata do Engenho Uchoa inclui 11 bairros e tem no entorno mais de 270 mil moradores. Os bairros do entorno são: Ibura, Caçote, IPSEP, Areias, Barro, Tejipió, Estância, Cohab, Jiquiá, Imbiribeira e Jordão. Localizada na Bacia do Rio Tejipió, sua preservação é de extrema importância para a manutenção do equilíbrio ecológico da cidade. Possui potencial que é sistematicamente utilizado pelas comunidades do entorno. É a única área em Pernambuco que possui os três biomas: mangue, restinga e Mata Atlântica.[107]
  • Mata de Dois Unidos,[108] localizada no bairro de mesmo nome, é considerada uma área de preservação ambiental. Com uma área de 37,2 hectares, foi criada em 1987.
  • Mata do Engenho São João,[109] na Várzea, Zona Oeste da cidade. Está no entorno da oficina do escultor Francisco Brennand,[110] antigo Engenho São João, que deu nome à floresta.

Além disso, várias áreas do município são de manguezal. As principais encontram-se próximas ao Rio Capibaribe, na Zona Sul e na fronteira com Olinda.

Com 215 hectares de área, o Parque dos Manguezais, pertencente à Marinha do Brasil, está situado entre os bairros do Pina, Boa Viagem e Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, e é banhado pelos rios Jordão e Pina. É um dos maiores manguezais urbanos do mundo, do qual fazem parte a Ilha de Deus, a Ilha de São Simão e a Ilha das Cabras.

Desde o início do povoamento, o processo de formação e estruturação do Recife ocorre, em grande parte, condicionado pelos recursos naturais, cuja inserção no ambiente construído agrega valor às práticas urbanizadoras. A partir de então, essas práticas, na maioria das vezes, desprezam esses recursos, quer como elemento natural, quer como parte importante da paisagem construída, resultando nos seguintes problemas, persistentes até os dias atuais e ignorados pela maioria das gestões municipais:

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional do Recife
Ano Habitantes
1630[115] 7.000
1654[115] 8.000
1709[115] 12.000
1790[115] 15.000
1810[115] 25.000
1838[115] 60.000
1872 126.671
1890 111.000
1900 113.106
Ano Habitantes
1920 238.843
1940 348.424
1950 524.682
1960 788.336
1970 1.060.701
1980 1.203.899
1990 1.288.607
2000 1.422.905
2006[116] 1.515.052
2010[116] 1.546.516

Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2014 a cidade do Recife possuía uma população de 1 608 488 habitantes em uma área de 218,435 km², o que resulta em uma densidade demográfica de 7 363,69 hab./km².[4]

Recife foi a quarta cidade brasileira a atingir 1 milhão de habitantes segundo o Censo de 1970, após São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, sendo que a capital mineira ultrapassou a capital pernambucana em população ainda durante a década de 1960. No decorrer dos anos 1970, Recife viu sua taxa de crescimento populacional cair vertiginosamente pelo fato de possuir uma pequena extensão territorial em comparação a outras capitais, perdendo, deste modo, população para municípios de sua região metropolitana, como Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista.[117]

  • Bairros mais populosos: Boa Viagem, Casa Amarela, Várzea
  • Composição etária da população (2000):
    • 0 a 14 anos: 26,16%
    • 15 a 64 anos: 67,33%
    • 64 anos e mais: 6,51%

Compõe a economia majoritariamente o comércio, prestação de serviços e o Turismo.

Crescimento anual e densidade
Grupos étnicos

A maioria dos brancos do município é de ascendência portuguesa, com possível contribuição holandesa.[118]

Região Metropolitana do Recife[editar | editar código-fonte]

A Região Metropolitana do Recife foi criada no dia 8 de junho de 1973.[119] Naquele ano era o terceiro maior aglomerado urbano do Brasil, após as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, com 1.755.083 habitantes recenseados em 1970.[70] No Censo de 1980 foi ultrapassada pela Região Metropolitana de Belo Horizonte, e no Censo de 1991 perdeu mais uma posição para a Região Metropolitana de Porto Alegre, passando a ocupar a quinta colocação entre as regiões metropolitanas do país.[70] No Censo de 2010 se manteve como a quinta maior região metropolitana do Brasil; porém, considerando os aglomerados urbanos brasileiros, perdeu uma posição para a RIDE Distrito Federal e Entorno.[7]

Atualmente é constituída por 14 municípios: Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Igarassu, Abreu e Lima, Camaragibe, Cabo de Santo Agostinho, São Lourenço da Mata, Araçoiaba, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Moreno e Itapissuma.

Com 3,7 milhões de habitantes, a metrópole pernambucana apresenta-se como a mais populosa da Região Nordeste e a quinta maior do Brasil, além de ser a terceira mais densamente habitada do país, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro.[7]

Cidade do Recife
Zona Sul - vista parcial
Zona Sul - vista parcial
Centro - vista parcial
Centro - vista parcial
Zona Norte - vista parcial
Zona Norte - vista parcial

Religião[editar | editar código-fonte]

Interior da Igreja Madre de Deus.
Decoração barroca da Capela Dourada.
Detalhe do retábulo-mor monumental da Basílica do Carmo.
Altar-mor da Matriz de Santo Antônio, em luxuriante talha rococó no estilo escalonado.
O Templo do Recife foi o segundo templo mórmon construído no Brasil e o 101º no mundo.

De acordo com os dados do Novo Mapa das Religiões, feito pela Fundação Getúlio Vargas com dados de 2009 da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), do IBGE, 53,07% da população do Recife se identifica como católica, 10,36% evangélicos pentecostais, 12,05% outras evangélicas, sem religião (podendo ser ateus, agnósticos, deístas) 13,39%, espíritas 3,60%,afro-brasileira 0,36%, orientais ou asiáticas (como o budismo e o hinduísmo) 0,04%, outras 6,63%.

Igreja Católica Romana

Os colégios tradicionais recifenses, em sua maioria, são ou eram católicos, como o Colégio Damas da Instrução Cristã, o Colégio Marista São Luís e o Colégio Nóbrega pertencente a congregação dos Jesuítas.[120] [121] .

Os templos maiores, mais antigos, mais conhecidos e mais visitados pelos turistas são da Igreja Católica, como a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio, a Concatedral de São Pedro dos Clérigos, o Convento e Igreja de Santo Antônio, a Basílica do Carmo, a Basílica da Penha, a Igreja Madre de Deus, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, entre outras, o que se trata de um sinal de que o catolicismo romano é a religião mais professada entre os recifenses. Recife está dentro da Arquidiocese de Olinda e Recife, comandada atualmente pelo arcebispo Dom Antônio Fernando Saburido.

Evangélicos

A maior minoria religiosa do Recife é a evangélica.

Os evangélicos do município são, em sua maioria, pentecostais, que por seguinte, são em sua maioria da Assembleia de Deus, denominação protestante com maior quantidade de fiéis na cidade. Outras denominações pentecostais e neopentecostais presentes são: Congregação Cristã no Brasil, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Episcopal Carismática, Igreja Cristã Maranata, entre outras.

Entre as denominações evangélicas tradicionais, possuem templos na cidade as igrejas de orientação batista, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Presbiteriana, a Luterana, a Anglicana, a Metodista e a Congregacional.[122]

Outras religiões

Destacam-se os Espíritas e os Santos dos Últimos Dias, mais conhecidos como mórmons. Também existem as Testemunhas de Jeová. O templo afro-brasileiro mais conhecido é o Terreiro do Pai Adão, no bairro de Água Fria.[123] Os judeus também estão presentes. Algumas das personalidades judias que moraram no recife foram a escritora Clarice Lispector, o filósofo Luiz Felipe Pondé, o engenheiro Mário Schenberg, o paisagista Roberto Burle Marx, entre outros.[124] Os budistas, hinduístas e muçulmanos não possuem relevância na população local.

Política[editar | editar código-fonte]

Prefeitura do Recife, sede do poder executivo municipal.

O poder executivo do município do Recife é representado pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários, em conformidade ao modelo proposto pela Constituição Federal.[125] O primeiro prefeito eleito do Recife foi Manoel Pinto Damaso, entre 1891 e 1893,[126] e o atual é Geraldo Júlio de Mello Filho (PSB), eleito no primeiro turno das eleições municipais de 2012, com 51,15 % dos votos válidos,[127] [128] tendo como vice Luciano Siqueira (PC do B).[129]

Câmara Municipal do Recife, sede do poder legislativo.

O poder legislativo é constituído pela Câmara Municipal, composta por 39 vereadores eleitos para mandatos de quatro anos.[130] Na atual legislatura, iniciada em 2013, é formada por seis cadeiras do Partido Socialista Brasileiro (PSB), cinco do Partido dos Trabalhadores (PT), três do Partido Trabalhista Nacional (PTN), Partido Trabalhista Cristão (PTC), três do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), três do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), duas do Partido Verde (PV), duas do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), uma do Partido Trabalhista do Brasil (PT do B), uma do Partido Social Liberal (PSL), uma do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), uma do Partido Republicano Progressista (PRP), uma do Partido Republicano Brasileiro (PRB), uma do Partido da República (PR), uma do Partido Popular Socialista (PPS), uma do Partido Progressista (PP), uma do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), uma do Partido Democrático Trabalhista (PDT), uma do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e uma do Democratas (DEM).[131] Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).[125]

O município do Recife se rege por sua lei orgânica, promulgada no dia 3 de abril de 1990,[125] e é sede de uma comarca, com sede no Fórum do Recife.[132] Por ser a capital do estado de Pernambuco, Recife é sede dos poderes executivo (Palácio do Campo das Princesas), legislativo (Assembleia Legislativa de Pernambuco) e judiciário (Tribunal de Justiça de Pernambuco) estaduais.

Palácio do Campo das Princesas, sede do poder executivo de Pernambuco.
Palácio do Campo das Princesas, sede do poder executivo de Pernambuco.
Assembleia Legislativa de Pernambuco, sede do poder legislativo pernambucano, à noite.
Assembleia Legislativa de Pernambuco, sede do poder legislativo pernambucano, à noite.
Tribunal de Justiça de Pernambuco, sede do poder judiciário estadual.
Tribunal de Justiça de Pernambuco, sede do poder judiciário estadual.

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Conforme a lei municipal nº 16 293, de 22 de janeiro de 1997, Recife se divide em seis regiões político-administrativas (RPAs): Centro, Norte, Noroeste, Oeste, Sudoeste e Sul. As RPAs, por sua vez, dividem-se em microrregiões, que agrupam os bairros. Ao todo, são 94 bairros, instituídos pelo decreto municipal 14 452, de 26 de outubro de 1988.[136] Conforme censo de 2010, a RPA Sul era a mais populosa, com 382 650 habitantes, enquanto a RPA Centro era a menos populosa, com uma população de 78 114 pessoas. No mesmo censo, o bairro mais populoso do Recife era Boa Viagem, localizada na RPA Sul, com 122 922 habitantes, e o menos populoso, situado na RPA Noroeste, era Pau-Ferro, com apenas 72 pessoas residentes.[137]

Economia[editar | editar código-fonte]

Atividades econômicas no Recife - (2012)[138]
O Recife foi eleito por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo.[12]

O Recife registrou PIB nominal de 33 bilhões de reais e PIB nominal per capita de 21.434 reais em 2011.[6] Dois terços do PIB são provenientes de comércio e serviços. No mesmo ano, a Região Metropolitana do Recife atingiu um PIB nominal de 67 bilhões de reais, o que corresponde a dois terços do PIB total de Pernambuco. O Recife pertence ao Mercado Comum de Cidades do Mercosul.

O Recife é o mais importante polo médico do Norte/Nordeste e o segundo mais importante do Brasil.[17] O polo é formado por 417 hospitais e clínicas e possui um total de 8,2 mil leitos. Os principais hospitais estão localizados nos bairros do Derby e da Ilha do Leite.

O Porto Digital, localizado no Recife Antigo, na capital pernambucana, é o maior parque tecnológico do Brasil e referência mundial na produção de softwares.[15] [16]
O Complexo Industrial e Portuário de Suape, localizado na Região Metropolitana do Recife, abriga o melhor porto do Brasil e empreendimentos como o Estaleiro Atlântico Sul, maior estaleiro do Hemisfério Sul.[139] [140]

A cidade é considerada um dos mais importantes polos de tecnologia da informação do país. O Porto Digital, que abriga mais de duzentas empresas, entre elas multinacionais como Accenture, Oracle, ThoughtWorks, Ogilvy, IBM e Microsoft, é reconhecido pela A. T. Kearny como o maior parque tecnológico do Brasil em faturamento e número de empresas,[15] [16] [141] O Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn UFPE) fornece mão de obra para o polo, que gera sete mil empregos e tem participação de 3,5% no PIB do Estado de Pernambuco. Além do Porto Digital, a capital pernambucana possui uma unidade do Instituto Nokia de Tecnologia.[142]

Também merece destaque a indústria da construção civil na cidade. Recife possui centenas de arranha-céus residenciais e comerciais, sendo superada neste indicador no país apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, que têm áreas municipais mais de cinco vezes superiores à da capital pernambucana.[143]

O Recife foi eleito por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo.[12] Apenas cinco capitais brasileiras entraram na lista: São Paulo, que foi a cidade brasileira mais bem colocada, na 12ª posição; Rio de Janeiro (36ª posição); Brasília (42ª); Recife (47ª); e por último Curitiba (49ª). Xangai e Pequim, na China, ocuparam as duas primeiras posições. Para compor o índice que elegeu as cidades com economia mais avançada nos mercados emergentes, foram considerados o ambiente econômico e comercial; crescimento e desenvolvimento econômico; ambiente de negócios; ambiente de serviços financeiros, conectividade comercial; conectividade de educação e TI; qualidade de vida urbana; risco e segurança.

Recife é o principal polo de alto luxo do Norte-Nordeste, abrigando a maior loja da icônica grife Prada na América do Sul, entre outras lojas de alto padrão como Gucci, Burberry (foto) Dolce & Gabbana, Emporio Armani, Valentino e Versace Collection.[144] [145] [146]
Recife é o principal polo de alto luxo do Norte-Nordeste, abrigando a maior loja da icônica grife Prada na América do Sul, entre outras lojas de alto padrão como Gucci, Burberry (foto) Dolce & Gabbana, Emporio Armani, Valentino e Versace Collection.[144] [145] [146]
A capital pernambucana possui dois dos dez maiores shopping centers do Brasil: o RioMar Shopping (foto) e o Shopping Recife.[147] [148]
A capital pernambucana possui dois dos dez maiores shopping centers do Brasil: o RioMar Shopping (foto) e o Shopping Recife.[147] [148]

O RioMar Shopping, localizado na Zona Sul do Recife, é o maior centro de compras do Norte-Nordeste e o terceiro maior do Brasil.[149] Pertence ao Grupo JCPM, conglomerado sediado no Recife, que é proprietário, dentre outros centros comerciais, do Shopping Recife (também localizado na capital pernambucana e sétimo maior do Brasil). Há ainda os seguintes centros de compra na cidade: Shopping Center Tacaruna, Plaza Shopping Casa Forte, Shopping Paço Alfândega e Shopping Boa Vista.

Recife é a cidade com a maior concentração de grifes de alto luxo do Norte-Nordeste, abarcando lojas Prada, Gucci, Burberry, Dolce & Gabbana, Valentino, Versace Collection, Emporio Armani, Hugo Boss, Coach, Diesel, Daslu, Ricardo Almeida, entre outras, além da multimarcas pernambucana Dona Santa/Santo Homem, apelidada pela imprensa nacional de "Daslu do Nordeste" e que trabalha com grifes de alta-costura como Balmain.[144] [150] [151]

Estrutura urbana[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

A Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco obteve o segundo melhor aproveitamento do país, com 78,57% de aprovação no Exame de Ordem (2011.1). Nascida da transferência da Faculdade de Direito de Olinda, é a mais antiga faculdade de Direito do Brasil.[152] [153]

O Recife conta com importantes universidades públicas e privadas, sendo a UFPE a única universidade do Norte-Nordeste entre as dez melhores do Brasil segundo o Ranking Universitário Folha, na 10º posição,[154] embora ocupe a 36ª posição no ranking d'O Globo, que considera a porcentagem de cursos com nota 5 na avaliação do Enade.[155] A UFPE também foi classificada pelo QS World University Rankings, em 2013, como a melhor universidade do Norte-Nordeste e a 8ª melhor universidade federal brasileira, bem como a 15ª melhor universidade do país, tendo ocupado a 43ª posição entre as instituições da América Latina; e embora tenha sido ultrapassada pela Universidade Federal do Paraná com relação ao ano anterior, continua à frente de instituições como a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal da Bahia.[21] [22] [23] [24] [156]

Startup Weekend Recife 2011, evento de tecnologia realizado na capital pernambucana.

A Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco obteve aproveitamento de 78,57% no Exame de Ordem (2011.1), sendo o segundo maior percentual do país, após o curso de Direito da Universidade Federal do Espírito Santo.[157] Nela importantes nomes da história brasileira estudaram, destacando expoentes como Barão do Rio Branco, Castro Alves, Clóvis Bevilaqua, Tobias Barreto, Ruy Barbosa, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queirós, Teixeira de Freitas, Raul Pompeia, Nilo Peçanha, Augusto dos Anjos, Marquês de Paraná, Epitácio Pessoa, Assis Chateaubriand, José Lins do Rego, Graça Aranha, Pontes de Miranda, dentre inúmeros outros.

Conta também a cidade do Recife com a Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, instituição centenária. A UFRPE foi criada em 1912 pelos monges beneditinos no Mosteiro de São Bento em Olinda, e o Curso de Medicina Veterinária foi o seu primeiro curso. Hoje a UFRPE possui mais de 40 cursos de graduação, além dos cursos de mestrado e doutorado, contando com mais de 16 000 alunos, 900 docentes e cerca de 1 000 Técnicos Administrativos em Educação, com destaque para os cursos das ciências agrárias e da natureza, possuindo duas unidades acadêmicas no interior de Pernambuco, a UAG - Unidade Acadêmica de Garanhuns e a UAST - Unidade Acadêmica de Serra Talhada, além do campus sede que fica no bairro de Dois Irmãos na capital pernambucana, e o Colégio Agrícola Dom Agostinho Ikas _ Codai, no município de São Lourenço da Mata na Região Metropolitana do Recife, que forma alunos nos cursos do ensino médio e técnico (Agropecuária, Administração e Alimentos), além do núcleo de Ensino à Distância - NEAD.

Campus Party Recife 2012, realizada no Centro de Convenções de Pernambuco e no Chevrolet Hall. A Campus Party Recife é a única edição da Campus Party brasileira realizada fora de São Paulo.[158] [159]

A UFRPE também tem várias estações experimentais em todo o Estado de Pernambuco, como por exemplo a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar, a Estação de Pequenos Animais de Carpina, a Estação Experimental de Tapacurá (onde está localizada a maior reserva de Pau-Brasil do Estado de Pernambuco e onde fica a Barragem do Tapacurá, que abastece a Cidade do Recife com água potável e tratada pela Companhia Pernambucana de Saneamento - Compesa) além das Estações de Ibimirim e de Parnamirim no Sertão do Estado, bem como da Estação Experimental de Aves Migratórias, que fica na Coroa do Avião na Ilha de Itamaracá.

O Recife também conta com uma Universidade Católica, a Universidade Católica de Pernambuco, que é o maior complexo de Ensino Jesuíta do Brasil, sendo também a única universidade da Ordem dos Jesuítas no Norte-Nordeste do país. A UNICAP é reconhecida nacionalmente por seu pioneirismo no ensino do Jornalismo, da Fonoaudiologia e da Psicologia no Nordeste. O curso de Direito da UNICAP é o mais conceituado e reconhecido curso jurídico de uma instituição particular no Norte-Nordeste, atrás apenas do curso da também recifense Faculdade de Direito da UFPE. Tanto o curso de Direito da UFPE quanto o da UNICAP possuem o "Selo OAB Recomenda", que certificou 89 cursos jurídicos no Brasil. A UNICAP também é responsável por diversas pesquisas em Ciências Ambientais e Arqueológicas no Estado de Pernambuco, possuindo em seu campus no bairro da Soledade um Museu dedicado à Arqueologia.

II Fórum da Internet no Brasil. Recife sedia diversos eventos de tecnologia, e é a única cidade brasileira que abriga edição do International Space Apps Challenge, Hackathon da NASA.[160] [161] [162] [163]

A cidade ainda possui o IFPE — pertencente à Rede Federal de Educação Tecnológica e situada na Cidade Universitária —, a ETEPAM (Escola Técnica Estadual), o Ginásio Pernambucano — que funciona como um centro de ensino experimental —, o Colégio de Aplicação da UFPE, o Colégio Militar do Recife, o Colégio da Polícia Militar de Pernambuco e o Liceu de Artes e Ofícios de Pernambuco — que funciona no Complexo Nóbrega, localizado no Campus Universitário da Unicap. O Colégio de Aplicação da UFPE foi três vezes eleito a melhor escola pública do Brasil.[164]

Mais de 144 mil estudantes estão matriculados nas Escolas municipais do Recife. No Ensino Fundamental municipal a matrícula é de quase cem mil crianças, e as duas escolas do Ensino Médio municipais contam com aproximadamente 2 mil estudantes. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) possui mais de 25 mil estudantes, a maioria em horário noturno.[165]

No ano de 2003, segundo dados do IBGE, Recife possuía 282.305 alunos matriculados, com 12.097 lecionando. Neste mesmo ano, o Ensino Médio possuía matrícula de 97.687 alunos, com 5.262 docentes.

Apesar de ter havido uma redução, a taxa de analfabetismo de pessoas com mais de 15 anos de idade ainda é alta em comparação com algumas capitais brasileiras. Em 2003, 10,6% das pessoas com mais de 15 anos ainda era analfabeta.[166] Em 2010, esse índice era de 7,13% o que indica uma queda significativa, porém insuficiente para ser considerada uma cidade livre do analfabetismo segundo o MEC.[167] [168]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Memorial da Medicina de Pernambuco. O médico pernambucano Correia Picanço, "Patriarca da Medicina Brasileira", fez, no Recife, a primeira operação cesariana do Brasil.[169]

Recife possui uma complexa rede de serviços no setor público, ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Existem 118 Unidades básicas de Saúde, estabelecidas na maioria dos bairros da cidade, que ofertam consultas médicas (Criança, Adulto, Idoso), vacinação, pré-natal, planejamento familiar e exame ginecológico. Cerca de metade destas unidades também oferecem consultas odontológicas. As unidades básicas funcionam de 7:30 às 17:00.[170]

Recife é o segundo maior polo médico do Brasil.[17] [18] Na foto a Avenida Agamenon Magalhães, Zona Norte, onde há grande concentração de hospitais.

Os serviços públicos de urgência 24h realizam atendimento nas áreas de clínica geral, ortopedia e pediatria. São 04 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) localizadas em pontos de fácil acesso (Av. Caxangá, Av. Abdias de Carvalho, Imbiribeira e Nova Descoberta). Além destas, existem 05 Policlínicas 24h que realizam atendimento semelhante e estão localizadas nos bairros de Casa Amarela, Afogados, Parnamirim (apenas pediatria), Campina do Barreto e Ibura. Pessoas com suspeita de infarto ou outro problema cardiológico também podem se dirigir ao Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (PROCAPE), unidade de atendimento do SUS e segundo maior hospital de cardiologia da América Latina.

O maior hospital público do município é o Hospital da Restauração. Outros hospitais importantes são: Hospital Ulysses Pernambucano, segundo hospital psiquiátrico do Brasil; Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco; e Hospital Universitário Oswaldo Cruz, sendo os dois últimos grandes hospitais universitários. O Recife tem um total de 8.875 leitos hospitalares, dos quais 6.037 disponíveis para pacientes do Sistema Único de Saúde.

O Hospital da Restauração é a maior emergência pública e o mais complexo serviço de urgência e trauma do Norte-Nordeste,[171] recebendo pacientes de todo o estado e de estados vizinhos. Referência nas áreas de trauma, neurocirurgia, neurologia, cirurgia geral, clínica médica e ortopedia, possui 482 leitos registrados no Ministério da Saúde (MS), mas, incluindo os extras, funciona com um total de 723 leitos para atender a demanda que lhe é submetida. Desde junho de 2010, a antiga Emergência Geral foi desmembrada em três emergências com entradas e espaços independentes: Emergência Pediátrica, Emergência Traumatológica e Emergência Clínica.[171] Os hospitais particulares do Recife, equipados com máquinas de última geração, fazem da capital pernambucana o segundo maior polo médico e hospitalar do Brasil.[172] Recife também possui o segundo maior número de médicos por grupo de mil habitantes do país – segundo o Conselho Federal de Medicina.[173]

Em 2007, de acordo com a Prefeitura do Recife, a mortalidade infantil na capital pernambucana era de 13,0 p/mil.[174]

Edificações históricas no Recife
Shopping Center Paço Alfândega, antigo Convento dos Oratorianos (século XVIII) e sede da Alfândega (século XIX).
Shopping Center Paço Alfândega, antigo Convento dos Oratorianos (século XVIII) e sede da Alfândega (século XIX).
Quartel do Derby, antigo Mercado Modelo Coelho Cintra.
Quartel do Derby, antigo Mercado Modelo Coelho Cintra.
Forte do Brum, hoje Museu Militar do Forte do Brum.
Forte do Brum, hoje Museu Militar do Forte do Brum.

Transportes[editar | editar código-fonte]

A Torre do Zeppelin foi a primeira estação aeronáutica para dirigíveis da América do Sul, e é o único objeto do seu tipo ainda de pé no mundo.[175] [176]
Recife foi a primeira cidade do mundo a operar locomotivas a vapor construídas especialmente para rodar nas ruas, locomotivas estas construídas pela Manning Wardle & Co. e operadas a partir de 1867.[177] Na foto, bondes em avenida da capital pernambucana na década de 1930.
História

O Recife foi palco da inauguração do primeiro sistema urbano de transporte sobre trilhos da América Latina, a chamada Maxambomba (do inglês machine pump). Antes, o sistema de transporte era atendido por canoas e, para os mais abastados, cavalos e carruagens. A viagem de Maxambomba era metade do preço da viagem de carruagem, e findava às 21 horas, fato este que determinou a mudança do fechamento das lojas para o mesmo horário (antes, fechavam às 18h).[178] O itinerário da maxambomba chegou a ter 22 quilômetros de extensão e 20 estações, até que em 1919 foi substituída por bondes elétricos. Em 1960, os bondes foram substituídos por ônibus elétricos. Paralelamente, houve a implantação de transporte por Ônibus. As linhas de trem da Great Western, antecessora da Rede Ferroviária Federal, também faziam o transporte público urbano. Foram substituídas pelo Metrô do Recife.

Avenida Visconde de Jequitinhonha.

Entre 1930 e 1938, Recife foi uma das primeiras cidades nas Américas e a primeira do Brasil com conexão direita (non-stop) para a Europa, especialmente para a Alemanha, por meio de dirigíveis. Atualmente Recife tem a única estação de atracação de dirigíveis no mundo preservada em sua estrutura original, a Torre do Zeppelin.

Transporte terrestre

O município possui uma frota de aproximadamente 4.600 ônibus, divididos em 18 empresas [179] que transportam diariamente 1,7 milhão de pessoas[180] e o Metrô do Recife (Metrorec), que transporta 205 mil passageiros por dia.[181]

Típico táxi branco do Recife.

As tarifas de ônibus variam entre R$ 2,15 e R$ 3,15 para o serviço comum e de segunda a sábado, e entre R$ 2,50 e R$ 4,00 para os serviços opcionais. Aos domingos, a tarifa comum fica entre R$ 1,10 e R$ 1,55. O metrô tem a tarifa única de R$ 1,60.[182] Recife também conta com 429 ônibus especiais, adaptados com elevadores na porta central para facilitar o acesso dos usuários de cadeira de rodas.[183]

Recentemente, a cidade recebeu um novo sistema informatizado em seu terminal de ônibus da Avenida Caxangá. O sistema experimental consiste na instalação de rastreadores nos ônibus, que por meio de comunicação permanente com o terminal permitem aos passageiros saberem a hora exata da chegada dos veículos. Os dados são mostrados em telas de LCD localizadas em locais que permitem boa visibilidade.[184]

Devido ao aquecimento da economia brasileira, a cidade tem sofrido um forte aumento no número de automóveis em circulação, o que têm causado problemas para estacionar aos habitantes.[185] De acordo com o relatório do Detran-PE de Março de 2010, o Grande Recife apresenta uma frota de 867 mil veículos.[186] Destes, 43% são emplacados em cidades da RMR, mas circulam pela cidade.

Transporte marítimo

O Porto do Recife localiza-se no Recife Antigo, ao lado da Praça Rio Branco (Marco Zero). No período holandês, o porto era um dos mais desenvolvidos do Brasil. Atualmente, tem sua base operacional centrada na movimentação de granéis sólidos, compreendendo grãos, clínquer, barrilha e carga geral.

Metrô do Recife, terceiro sistema metroviário do Brasil, inaugurado após os metrôs de São Paulo e Rio de Janeiro, além de segundo mais extenso do país.[187]
Corredor exclusivo de ônibus na Avenida Conde da Boa Vista (parte do Corredor Leste-Oeste).
O Porto do Recife está na rota de transatlânticos internacionais.[188]
O Aeroporto Internacional do Recife é o melhor aeroporto do Brasil e um dos cinco melhores do mundo segundo a Revista TAM.[29]

Diferencia-se dos demais portos por situar-se num centro urbano e conseguir operar sem interferir no município. Além do transporte de cargas e matérias-primas, o Porto do Recife vem consolidando-se como local de atracação de importantes cruzeiros marítimos, impulsionando o turismo.

Transporte aéreo

O Aeroporto Internacional dos Guararapes-Gilberto Freyre, com capacidade anual de 16 milhões de passageiros,[189] [190] conta com 64 balcões de check-in, 21 posições para aeronaves, sendo 11 dotadas de jetways (conectores climatizados), além de 2.120 vagas de estacionamento e área de compras e lazer com 165 pontos comerciais, seguindo o conceito de "aeroshopping".

Segundo a Infraero, o Aeroporto Internacional do Recife é o maior complexo aeroportuário e segundo mais movimentado do Norte-Nordeste do Brasil.[27] [191] Realiza voos domésticos regulares para 19 capitais de estados brasileiros e mais oito grandes cidades brasileiras, além de voos internacionais regulares para países da Europa, África e Américas.

O aeroporto foi citado pela Revista TAM entre os cinco melhores do mundo juntamente com os terminais de Madri (Barajas), Munique (Franz Josef Strauss), Singapura (Changi) e Londres (Heathrow). Segundo a publicação, estes são aeroportos que fazem a viagem valer a pena antes mesmo do embarque.[192] O aeroporto também é considerado o melhor aeroporto do Brasil e o segundo melhor aeroporto da América do Sul, de acordo com o ranking publicado pela Skytrax.[28]

Bike PE e Porto Leve
Ciclofaixa móvel no Cais José Estelita, bairro de São José, Centro.

Bike PE e Porto Leve são sistemas de aluguel de bicicletas integrados em operação nas três maiores cidades da Região Metropolitana do Recife: Recife, Jaboatão dos Guararapes e Olinda. Trata-se do primeiro sistema intermunicipal de compartilhamento de bicicletas do Brasil.[193]

Ao todo, são 700 bicicletas em 70 estações, sendo sessenta destas estações no Recife, cinco em Olinda e cinco em Jaboatão dos Guararapes.

Os equipamentos estão disponíveis diariamente, das 5 às 23 horas, ao custo de R$ 10,00 mensais. Usuários do VEM — Vale Eletrônico Metropolitano (cartão do sistema de bilhetagem eletrônica da Região Metropolitana do Recife), não pagam. O projeto é uma parceria entre o Governo do Estado de Pernambuco, as prefeituras do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, o Banco Itaú e a empresa pernambucana de eletroeletrônica e tecnologia da informação Serttel.

Comunicação[editar | editar código-fonte]

O exemplar nº1 do Diario de Pernambuco, mais antigo jornal em circulação da América Latina, fundado em 7 de novembro de 1825.[194]

O Recife possui três grandes jornais: o Jornal do Commercio, líder em circulação de exemplares no Norte/Nordeste, com o maior número de assinantes do Estado de Pernambuco, que faz parte do Sistema Jornal de Commercio de Comunicação, pertencente ao Grupo JCPM;[195] [196] o Diario de Pernambuco, o jornal mais antigo em circulação na América Latina, fundado em 7 de novembro de 1825, que atualmente faz parte do grupo Diários Associados, fundado pelo empreendedor Assis Chateubriand;[197] e a Folha de Pernambuco, fundada em 3 de Abril de 1998, pertencente ao grupo Empresarial EQM, do empresário Eduardo de Queiroz Monteiro.[198] Também se destaca o Aqui PE, jornal de formato tabloide com notícias de cunho popular.[199]

Possui diversas emissoras de rádio, algumas delas de difusão nacional, como a Nova Brasil FM, a Transamérica Pop e a Jovem Pan. Outras emissoras de rádio são: CBN Recife, Rádio Jornal, Rádio Clube, Recife FM, entre outras.

A metrópole possui várias emissoras de televisão aberta: Rede Globo Nordeste (única emissora própria da Rede Globo no Norte-Nordeste), TV Jornal, afiliada do SBT; TV Clube, afiliada da Rede Record; a Rede TV! Recife, filial da RedeTV!; TV Tribuna, afiliada da Rede Bandeirantes; TV Universitária, a primeira emissora de televisão educativa do Brasil, fundada em 1968, afiliada da TV Brasil; TV Recife, afiliada da MTV Brasil; e a Rede Estação.

Requalificação urbana[editar | editar código-fonte]

Edifícios empresariais no bairro Ilha do Leite, trecho da Avenida Agamenon Magalhães.

Para atender às novas necessidades da metrópole, os governos federal, estadual e municipal, mais diversos órgãos e empresas nacionais e internacionais, estão trabalhando em conjunto para a transformação de vários setores do Recife. Habitação, transporte, turismo, lazer, meio ambiente, cultura e principalmente segurança, são os principais aspectos explorados pelas novas obras e projetos.

Bairro do Pina, Zona Sul.
  • Complexo Turístico Cultural Recife/Olinda - o objetivo central desse projeto é a valorização do patrimônio cultural e material das duas cidades, promovendo a transformação de bairros e a formação de uma Rede de Equipamentos Culturais. O projeto usa o turismo e a cultura como eixos do desenvolvimento econômico e social da região. Contará com investimentos dos governos Federal, Estadual e Municipais das cidades do Recife e de Olinda.[200] [201]
  • Prometrópole - com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de mais de 35 mil famílias de moradores de favelas e de áreas irregulares da Região Metropolitana do Recife, aumentando o acesso a serviços de água, saneamento, habitação, transporte e escoamento, o projeto inclui um alto grau de participação comunitária e busca realizar melhorias nas edificações e na infra-estrutura das comunidades de baixa-renda na bacia do rio Beberibe dentro da região metropolitana. Serão financiadas obras no sistema hídrico, em saneamento básico, em reassentamento e em projetos-piloto para testar alternativas de parcelamento de terra.[202]
  • Via Mangue - o projeto da Via Mangue visa diminuir os problemas de trânsito da Zona Sul recifense. Trata-se de uma avenida que vai ligar o Pina diretamente às ruas que margeiam os canais Setúbal e Jordão, desafogando o fluxo de veículos em toda a região.[203]
  • Corredor Leste/Oeste - o Corredor Leste-Oeste é um projeto viário que objetiva reduzir o tempo de viagem entre a zona oeste e o centro da cidade, interligando duas avenidas da cidade, a Caxangá (a segunda mais extensa via urbana em linha reta do Brasil, com 6,2 quilômetros de extensão [204] ) e a Conde da Boa Vista.
O bairro da Jaqueira, charmoso e aristocrático bairro recifense, detém um índice de desenvolvimento humano superior ao da Noruega. A Zona Norte abriga bairros tradicionais, sofisticados e bucólicos da capital pernambucana, como Casa Forte, Aflitos, Poço da Panela, Apipucos, entre outros, que têm como principais características os casarões antigos, o casario singelo e as torres residenciais.
  • Corredor Norte/Sul - Projetado pelo Escritório de Jaime Lerner Ex-prefeito de Curitiba e adaptando o modelo de mobilidade paranaense a realidade pernambucana. Vai interligar as Cidades de Igarassu e Jaboatão dos Guararapes, atravessando o Recife de norte a sul por algumas de suas principais vias, entre elas a Av. Agamenom Magalhães na zona central e Av.Domingos Ferreira na zona sul. Assim como a Av. Caxangá, possuirá uma faixa exclusiva para os ônibus do sistema, e no perímetro da Av. Agamenom Magalhães, será construído um elevado sobre o canal, o que possibilitará um deslocamento mais agíl dos coletivos, já que eles não dividirão espaço com os veículos particulares. Para o usuário do sistema haverá uma economia de tempo e dinheiro, já que ele poderá ir aos extremos da RMR pagando somente uma passagem.[205]

Infraestrutura urbana[editar | editar código-fonte]

Saneamento básico
O Rio Capibaribe, considerado o sétimo rio mais poluído do Brasil, é receptor de grande quantidade de esgoto doméstico in natura e efluentes industriais.[206]

Parte significativa da população recifense vive em condições ambientais insalubres, o que repercute sobre a qualidade de vida da população, especialmente para aqueles que habitam nas áreas pobres da cidade. Em 2010, a proporção de domicílios com saneamento básico adequado, ou seja, o percentual de domicílios do Recife com abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica e lixo coletado diretamente ou indiretamente era de 59,8%; um aumento de exatos 10% em comparação ao percentual registrado em 2000. Já a proporção de domicílios com saneamento semiadequado (entenda-se por saneamento básico semiadequado a presença de pelo menos uma forma de saneamento considerada adequada ) era de 39,9%; contra 49,3% registrados em 2000. O percentual de domicílios em que todas as formas de saneamento foram consideradas inadequadas foi de 0,4%, ante 0,9% em 2000.[207]

Alagamentos

As características peculiares da cidade quanto à sua geomorfologia, aliadas a um processo de urbanização realizado às custas da ocupação do espaço natural das águas apontam para uma crescente dificuldade de escoamento das águas pluviais no território municipal.Esta circunstância sobrecarrega as estruturas do sistema de drenagem e provoca, em muitos casos, inundações indesejáveis, às vezes permanentes, nas áreas mais baixas.[208]

Além do mais, a efetividade desse sistema de macrodrenagem ainda é diminuída pela deficiência do sistema de microdrenagem a montante, pelos problemas de assoreamento e deslizamento dos morros e pelas naturais condições da cidade situada ao nível do mar.

Bairro do Espinheiro, Zona Norte.

No caso das encostas dos morros, a ocupação desordenada e realizada à revelia dos princípios básicos da drenagem, contribui para agravar os problemas relativos à macrodrenagem, além de torná-las áreas de risco, sujeitas a desmoronamentos, ameaçando, dessa forma, as vidas de seus moradores.[209]

Coleta de resíduos sólidos

Destaca-se na reciclagem, estando na quinta posição no ranking das cidades brasileiras com o melhor índice de arrecadação de resíduos sólidos urbanos para a coleta seletiva no país. Com 1.350 toneladas por mês no recolhimento de resíduos na coleta seletiva.[210]

Os principais elementos da problemática dos resíduos sólidos no Recife ainda são o alto custo da coleta e do destino final (R$ 4 milhões/mês)e o destino final dos resíduos que fica fora do território municipal no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, em aterro cuja gestão é compartilhada, ficando sob a responsabilidade do Recife as tarefas operacionais; o destino final de resíduos sólidos especiais; os cadáveres de animais recolhidos no Recife ou sacrificados no Centro de Vigilância Animal da Secretaria Municipal de Saúde que atende também ao Município de Olinda; os resíduos hospitalares provenientes das unidades de saúde municipais, estaduais, federais e privadas localizadas no município.[209]

Espaço público

O espaço público tem sido tratado, muitas vezes, com desatenção. Dessa desatenção resultam espaços qualitativamente pouco expressivos, pobres do ponto de vista urbanístico e, frequentemente, pouco atraentes.[211] [212] Some-se a esses problemas, a poluição visual e sonora.[213] [214] [215] É nos bairros de renda alta e média que estão localizadas as praças em bom e regular estado de conservação.[216] [217]

Protesto contra verticalização no Cais José Estelita.
Verticalização

O processo de verticalização intensificou-se em determinadas áreas da cidade, como nos bairros de Casa Forte, Torre, Madalena e Ilha do Retiro. Apenas em determinadas áreas não há predominância de área construída em imóveis de até dois pavimentos: em Boa Viagem, na margem esquerda do Rio Capibaribe, em parte da margem direita e em parte do Centro Expandido. O grande problema em termos do processo de verticalização e de adensamento construtivo da cidade é que vem se realizando de forma indiscriminada em parte do território da cidade sem, muitas vezes, ocorrer de forma compatível com a paisagem urbana e com a capacidade das estruturas urbanas.[218] [219]

Desvalorização e abandono do Centro

A dinâmica de localização das atividades comerciais, de serviços e industriais, conheceu, ao longo do tempo, profundas transformações.

O abandono do Centro e a descaracterização do seu casario histórico são alguns dos problemas enfrentados pelo Recife.[220]

Até a década de 70, o centro abrigava as principais atividades econômicas e institucionais. Com a emergência de um dinâmico mercado imobiliário direcionado às classes médias, os bairros do Espinheiro, Graças e Boa Viagem tornaram-se áreas privilegiadas para esses investimentos imobiliários. Tal processo significou a migração do terciário “nobre” , que se localizava na área central, para esses bairros, particularmente para os seus principais eixos viários.[221]

Ao mesmo tempo, contribuiu para a expansão, na área central e seu entorno, das atividades comerciais e terciárias direcionadas para os segmentos populares.Porém algumas pessoas não observam isso como um problema, e sim, como um sinal de progresso. As pessoas que defendem a teoria da decadência do Centro do Recife diz que o distrito-sede tornou-se bastante desvalorizado e abandonado, fenômeno que também é observado em outras capitais históricas brasileiras, como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Portanto, não existe um consenso (em que todos concordam) sobre a atual situação do centro.[209]

Áreas urbanizáveis e vazios urbanos
Morro da Conceição, Zona Norte do Recife.

Toda a extensão territorial do município do Recife é considerada Zona Urbana, entretanto ainda existem muitos imóveis rurais[222] [223] cadastrados apenas pelo INCRA, alguns com dezenas, ou outros com centenas de hectares, alguns já loteados, outros que ainda resistem ao parcelamento para fins urbanos. Estão localizados nas proximidades das rodovias BR 101, BR 232 e BR 408 (TIP - Curado), a oeste da BR 101 e nos limites com Jaboatão, Camaragibe (Aldeia) e Paulista. Algumas dessas áreas estão protegidas por legislação estadual de proteção de mananciais e reservas ecológicas, o que implicará em parâmetros mais restritivos de parcelamento, ocupação e uso para fins urbanos. Outras, entretanto, integram a fronteira de conurbação e de transbordamento do tecido viário do município do Recife.

Nos estudos sobre a dinâmica espacial, constatou-se que o processo de urbanização e ocupação da cidade gerou um tecido com muitos vazios. Além disso, encontram-se ainda glebas e grandes terrenos vazios ou subutilizados bem localizados e bem servidos de infra-estrutura, em bairros mais centrais do município do Recife.

Favelização

Nas décadas anteriores, existia a omissão do Estado em relação a uma necessária regulação das propriedades urbanas e sua ação direta, por meio de políticas de desenvolvimento urbano e habitacional, se rebateram numa distribuição seletiva dos investimentos públicos, incentivando a retenção especulativa da terra e restringindo o acesso ao solo urbano e à moradia para a população de baixa renda. Esta população só vem tendo, historicamente, acesso à terra urbana e a alternativas habitacionais mediante ações informais e irregulares de ocupação da terra e padrões de baixíssima qualidade na construção da habitação, em áreas pouco infra-estruturadas e ambientalmente frágeis, com as piores condições de habitabilidade (margens de córregos, áreas de risco geotécnico, entre outras).

Porém, desde a década de 2000 a Prefeitura vem fazendo investimentos significativos no setor habitacional[224] O Governo Federal em parceria com o Governo de Pernambuco e com empresas do setor imobiliário[225] , no final da década de 2000 também investiu na parte habitacional.

Mapa holandês de 1665 mostrando a ponte original, a primeira da América Latina e antecessora da atual, que ligava o Recife (Reciffo) à Cidade Maurícia (Stadt Mauritius).
Mapa holandês de 1665 mostrando a ponte original, a primeira da América Latina e antecessora da atual, que ligava o Recife (Reciffo) à Cidade Maurícia (Stadt Mauritius).
Ponte atual, reconstruída em concreto em 1917.
Ponte atual, reconstruída em concreto em 1917.
Estátua da Justiça, uma das quatro estátuas de bronze mantidas em suas colunas laterais, produzidas no século XIX pela fundição francesa Val d'Osne, que fez a Estátua da Liberdade.
Estátua da Justiça, uma das quatro estátuas de bronze mantidas em suas colunas laterais, produzidas no século XIX pela fundição francesa Val d'Osne, que fez a Estátua da Liberdade.

Criminalidade[editar | editar código-fonte]

Recife foi a capital brasileira que mais reduziu a violência na década de 2000, embora ainda tenha altos índices.[227]

Em 2013, a capital pernambucana registrou taxa de 36,82 homicídios para um grupo de 100 mil habitantes, sendo naquele ano a décima segunda capital estadual mais violenta do Brasil, após Maceió, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Salvador, Vitória, São Luís, Belém, Goiânia, Cuiabá e Manaus.[228] Ressalte-se, porém, que Recife é menos violenta que cidades norte-americanas como Detroit, Nova Orleans e Baltimore.[228]

Segundo o "Mapa da Violência 2013", Recife e Aracaju foram as únicas capitais nordestinas que obtiveram uma redução de homicídios em 2011.[229] Segundo a mesma pesquisa, Recife tem uma taxa de 57,1 homicídios por 100 mil habitantes, ou seja, quase 6 vezes a taxa de homicídios considerada aceitável pela ONU (10 homicídios/100 mil habitantes).[230] [231]

Ataques de tubarão[editar | editar código-fonte]

Placas de sinalização sobre o risco de ataque de tubarão na Praia de Boa Viagem, escritas em inglês e português.

A maior parte da Praia de Boa Viagem é protegida por uma barreira de recifes naturais, e as autoridades não recomendam o banho além dos recifes, para evitar ataques de tubarões. Além disso, o surfe atualmente é proibido, embora o antigo governador do estado tenha autorizado, no início do ano de 2006, a instalação de uma rede de proteção contra os tubarões. Em 2007, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) iniciou o processo de instalação, nos tubarões capturados, de sensores que possibilitam a monitoração via satélite, visando identificar o momento de aproximação dos animais da costa, numa área que compreende a Praia do Paiva até o Pina, para então retirar os tubarões da localização de risco. Hoje em dia os ataques são mais raros, porém as restrições permanecem.[232]

O banho é seguro nas muitas piscinas naturais que se formam ao longo da Praia de Boa Viagem durante a maré baixa; porém não é recomendado ultrapassar os recifes (foto).

Segundo especialistas, os ataques de tubarão no litoral recifense são resultado do impacto ambiental provocado pela construção do Porto de Suape, que exigiu o aterramento de dois estuários onde os tubarões-touro davam à luz.[233] Outros fatos contribuem para o aparecimento de tubarões na área da Praia de Boa Viagem: as correntes marinhas direcionam os animais para esse trecho de 20 quilômetros; e nesse ponto os animais encontram dois canais de águas profundas, e quando o tubarão se desvia da rota migratória comum e entra nesses canais, há grande risco de contato com pessoas. Como o ser humano não faz parte do cardápio alimentar dos tubarões, a maior parte dos ataques acontece por engano: quando a água está turva, o tubarão que está à caça por alimento não consegue perceber a diferença entre uma pessoa e um peixe grande.[234]

Uma das praias mais perigosas do mundo, Boa Viagem reúne condições ideais à presença do tubarão mais agressivo do planeta, o tubarão-touro (bull shark). Ser vivo com o maior índice de testosterona da Terra, o tubarão-touro tem preferência por áreas de estuários com águas quentes, caso do Recife. Outra agressiva espécie presente na Praia de Boa Viagem é o tubarão-tigre.[235] [236] [237] [238]

Foram contabilizados 59 ataques de tubarão desde o ano de 1992, com 24 mortes, no trecho contínuo entre as praias do Carmo e do Paiva, no qual está inserida Boa Viagem. A última vítima fatal foi a estudante paulista Bruna Gobbi, mordida por um tubarão em julho de 2013 na Praia de Boa Viagem ao ser arrastada pela correnteza e sofrer princípio de afogamento: apesar de a praia possuir 88 placas de advertência, alguns banhistas insistem em entrar no mar mesmo sob condições que favorecem os ataques, como maré alta, lua cheia e a água turva devido às chuvas no mês de julho.[239] [240] [241] [242] Recife torna o Brasil o quarto país do mundo em número de vítimas fatais por ataques de tubarão, atrás somente da Austrália, dos Estados Unidos e da África do Sul.[243]

Os muitos ataques de tubarão na capital pernambucana fizeram com que Recife ganhasse um personagem na HQ Wolverine and the X-Men, publicada pela Marvel: a "mutante" Iara dos Santos — ou Garota Tubarão (Shark Girl).[244]

Nas terras do antigo Engenho de Ana Paes, no atual bairro da Casa Forte, se encontra a Estrada Real do Poço, através da qual se chega ao bucólico Poço da Panela, bairro da Zona Norte. Com três graus de temperatura a menos do que no resto da cidade, era o lugar preferido dos estrangeiros que se estabeleciam no Recife.
Nas terras do antigo Engenho de Ana Paes, no atual bairro da Casa Forte, se encontra a Estrada Real do Poço, através da qual se chega ao bucólico Poço da Panela, bairro da Zona Norte. Com três graus de temperatura a menos do que no resto da cidade, era o lugar preferido dos estrangeiros que se estabeleciam no Recife.
Segundo relato de 1778 sobre este trecho do Rio Capibaribe, o Poço da Panela tinha os "banhos mais saudáveis do país". Neste bairro o viajante inglês Henry Koster registrou a mais antiga notícia da presença de um piano em terras pernambucanas, em janeiro de 1810.
Segundo relato de 1778 sobre este trecho do Rio Capibaribe, o Poço da Panela tinha os "banhos mais saudáveis do país". Neste bairro o viajante inglês Henry Koster registrou a mais antiga notícia da presença de um piano em terras pernambucanas, em janeiro de 1810.
Nas proximidades do bairro estão localizados espaços culturais e entidades importantes como a Fundação Joaquim Nabuco e o Museu do Homem do Nordeste, além de restaurantes internacionais.
Nas proximidades do bairro estão localizados espaços culturais e entidades importantes como a Fundação Joaquim Nabuco e o Museu do Homem do Nordeste, além de restaurantes internacionais.

Cultura[editar | editar código-fonte]

A cultura recifense é bastante diversificada, uma vez que foi influenciada por indígenas, africanos e europeus.

Produção do conhecimento[editar | editar código-fonte]

Os recifenses Mário Schenberg e Paulo Freire são, respectivamente, o maior físico teórico do Brasil e o maior educador brasileiro.[247] [248] Recife possui grande tradição nas ciências exatas, com nomes como Leopoldo Nachbin, José Leite Lopes, Paulo Ribenboim, dentre muitos, bem como nas ciências humanas, com nomes como João Cabral de Melo Neto, Nelson Rodrigues, Gilberto Freyre, entre outros tantos.

O município deu origem a grandes nomes de todas as áreas do conhecimento, como, nas ciências exatas, Mário Schenberg, José Leite Lopes, Leopoldo Nachbin, Paulo Ribenboim, Joaquim Cardoso, Aron Simis, Israel Vainsencher, Luís Freire, Gauss Moutinho Cordeiro, Ricardo de Carvalho Ferreira, Antonio Mário Antunes Sette, Cristovam Buarque, Norberto Odebrecht, Fernando de Souza Barros, José Tibúrcio Pereira Magalhães, e nas ciências humanas, Paulo Freire, Nelson Rodrigues, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Joaquim Nabuco, Josué de Castro, Manuel de Oliveira Lima, Adelmar Tavares, Martins Júnior, Olegário Mariano, João Carneiro de Sousa Bandeira, Barbosa Lima Sobrinho, Geraldo Holanda Cavalcanti; entre diversos outros.

Paulo Freire é considerado um dos pensadores mais notáveis da história da pedagogia mundial. A pedagogia crítica foi fortemente influenciada pelos trabalhos deste intelectual, o mais aclamado educador crítico. O recifense foi o brasileiro mais homenageado de todos os tempos: ganhou 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford.[249] [250] [251] [252]

Gilberto Freyre, um dos mais importantes sociólogos do século XX, representa um marco na história do Brasil devido ao seu livro Casa-Grande & Senzala, que demonstra a importância dos escravos para a formação do país e que brancos e negros são absolutamente iguais.[253]

Mário Schenberg, considerado o físico teórico mais importante do Brasil, instaurou os primeiros cursos de computação da USP. Albert Einstein apontou o recifense como um dos dez maiores cientistas de sua época; e disse: "Se eu tivesse de escolher um cientista como continuador de minha obra, seria o brasileiro Schenberg".[254] [255]

Leopoldo Nachbin, considerado o mais importante matemático brasileiro, foi cofundador do IMPA e do CBPF. É conhecido pelo Teorema de Nachbin.[256]

Produção artística e folclore[editar | editar código-fonte]

Os recifenses Marco Nanini e Lenine obtiveram grande êxito em suas respectivas vertentes artísticas. No Recife nasceram notórios músicos, como Bezerra da Silva, Naná Vasconcelos, Antônio Nóbrega; bem como nomes destacados do teatro, cinema e televisão, como Guel Arraes, Carmem Verônica, Virgínia Cavendish; entre muitos outros.
Frevo, manifestação oriunda do Recife. Enquanto música, é um dos gêneros mais influentes do país: revelou grandes músicos da MPB e, além de símbolo do Carnaval Recife/Olinda, foi o ritmo utilizado no Carnaval de Salvador antes do surgimento da axé music. O frevo foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.[257]

A metrópole pernambucana deu origem a nomes notórios do teatro, cinema e televisão, como Marco Nanini, Carmem Verônica, Virgínia Cavendish, Bruno Garcia, Patrícia França, Guilherme Berenguer, Armando Babaioff, Fabiana Karla, Tuca Andrada, Arlindo Grund, Ernani Moraes, Caio Braz, Lucy Ramos, Giselle Tigre, Pedro Malta, Carolina Holanda, Cynthia Zamorano, Germano Haiut, Bruno Dubeux, Rebecca da Costa, Anthero Montenegro, Carvalhinho, Aramis Trindade, André Valli, Walter Breda, Rhaisa Batista, Gustavo Falcão, Luiz Armando Queiroz, Rayana Carvalho, Edmílson Barros, Renato Góes, Rodrigo Garcia, Johnny Hooker, Magdale Alves, Eleonora Prado, Guel Arraes, João Falcão, George Moura, Marcelo Gomes, Kleber Mendonça Filho, Heitor Dhalia, Lírio Ferreira, Hilton Lacerda, Katia Mesel, entre muitos outros. Na música, além de pernambucanos da região metropolitana e de outras cidades que cantaram e cantam o Recife, como Chico Science, Alceu Valença, entre diversos outros, há nomes de grande destaque nascidos no município, como Bezerra da Silva, Lenine, Naná Vasconcelos, Walter Wanderley, Siba, Lula Queiroga, Michael Sullivan, Reginaldo Rossi, Clarice Falcão, Robertinho do Recife, Antônio Nóbrega, Miguel Kertsman, Antônio Meneses, Luperce Miranda, Heraldo do Monte, James Strauss, Luís Álvares Pinto, José Carlos Burle, Marlos Nobre, Fernando Lobo, Johnny Hooker, DJ Filipe Guerra, dentre outros tantos. Vale citar artistas que se consideram recifenses, como é o caso da atriz Chandelly Braz, do DJ Dolores e da cantora Karina Buhr. Também na metrópole pernambucana nasceram modelos de grande destaque internacional e nomes notórios da moda, como Arthur Sales, Emanuela de Paula, Kamila Hansen, Isabella Melo, Rhaisa Batista, Rebecca da Costa, Arlindo Grund, Camila Coutinho, Thereza Collor, entre outros. Já Romero Britto, Vicente do Rego Monteiro, Francisco Brennand, Aloísio Magalhães, Andree Guittcis, Telles Júnior, Abelardo da Hora, Gilvan Samico, Paulo Bruscky, Galo de Souza, entre outros nomes, alcançaram grande notoriedade nas artes plásticas e design.

Maracatu Nação no Recife. O "Maracatu de Baque Virado", como também é conhecido, é uma secular manifestação folclórica pernambucana, praticada em todas as regiões do Brasil.

As manifestações culturais mais relevantes de Pernambuco ocorrem na capital, ressaltando-se o Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco, que na década de 1980 reuniu grande número de poetas; o Abril Pro Rock, que surge como revelador do Movimento Manguebeat; entre outros.[258] [259]

O Frevo, um dos principais gêneros musicais e danças do Recife e símbolo do Carnaval Recife/Olinda, se caracteriza pelo ritmo acelerado e pelos passos que lembram a capoeira. Esse gênero já revelou e influenciou grandes músicos. Antes da criação da axé music na década de 1980 o frevo era utilizado também no Carnaval de Salvador. Em cerimônia realizada na cidade de Paris, França, no ano de 2012, a UNESCO anuncia que, aprovado com unanimidade pelos votantes, o frevo foi eleito Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.[260]

O Manguebeat, gênero musical recifense que despontou na cena underground dos anos 90, revelou e influenciou diversos grupos musicais e artistas pernambucanos, como Chico Science, Nação Zumbi, Otto, Mundo Livre S/A, Cordel do fogo encantado, Mestre Ambrósio, Fred Zero Quatro, entre outros. O manguebeat foi criado pelo guitarrista Robertinho do Recife. Na foto, Caranguejo da Rua da Aurora.

Nos anos 90 surgia no Recife o Manguebeat, movimento da contracultura que mistura ritmos regionais, como o maracatu, com rock, hip hop, funk e música eletrônica.[261] [262] O movimento tem como principais críticas o abandono econômico-social do mangue, a desigualdade de Recife (não apenas desta, sendo apenas um reflexo do descaso do Estado fora do eixo Rio-São Paulo).

O Cinema do Recife é muito respeitado pela crítica, além de recordista em indicações e premiações em diversas edições de festivais. Cineastas recifenses como Marcelo Gomes, Kleber Mendonça Filho, Heitor Dhalia, Lírio Ferreira, Hilton Lacerda, Guel Arraes, entre outros, atingiram notoriedade internacional.[263] [264] [265] Na foto, debate no Cinema São Luiz.

Apesar de ter sido inventado já na década de 1970 pelo guitarrista Robertinho do Recife com os álbuns "Jardim da Infância" (1977), "Robertinho no Passo" (1978) e "E Agora pra Vocês... Suingues Tropicais" (1979), o manguebeat tem como ícone o músico Chico Science, ex-vocalista, já falecido, da banda Chico Science e Nação Zumbi, idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das ideias, ritmos e contestações do manguebeat. Outro grande responsável pelo crescimento desse movimento foi Fred Zero Quatro, vocalista da banda Mundo Livre S/A e autor do primeiro manifesto do Mangue de 1992, intitulado "Caranguejos com cérebro".

O Cinema do Recife é muito respeitado pela crítica: já recebeu inúmeros prêmios nacionais e internacionais e é recordista de indicações e premiações em diversas edições de festivais. Filmes de cineastas e roteiristas pernambucanos como os dramas Baile Perfumado (1996), Amarelo Manga (2002), Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), Febre do Rato (2012), O Som ao Redor (2013), ou mesmo romances e comédias como O Auto da Compadecida (1999), Caramuru - A Invenção do Brasil (2001), A Máquina (2005), Fica Comigo Esta Noite (2006), O Bem Amado (2010), entre muitas outras produções, alcançaram grande projeção. Cineastas como Marcelo Gomes, Kleber Mendonça Filho, Cláudio Assis, Daniel Aragão, Heitor Dhalia, Lírio Ferreira, Gabriel Mascaro, Hilton Lacerda, entre outros tantos realizadores oriundos do estado, atingiram notoriedade internacional. Um dos muitos êxitos recentes foi o filme O Som ao Redor, do recifense Kleber Mendonça Filho, que foi incluído na respeitada lista dos 10 melhores do ano do jornal The New York Times, ao lado de produções como Django Livre de Quentin Tarantino e Lincoln de Steven Spielberg. Heitor Dhalia, por sua vez, teve sua estreia em Hollywood em 2012, com o longa-metragem 12 Horas, estrelado pela atriz norte-americana Amanda Seyfried.[266] [267] [268] [269] [270] Em um período de doze meses, Recife conquistou os principais prêmios dos três maiores festivais nacionais: os filmes Era uma vez eu, Verônica, de Marcelo Gomes, e Eles voltam, de Marcelo Lordello, dividiram o Candango de Melhor Filme no Festival de Brasília; O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, conquistou o Troféu Redentor de Melhor Filme no Festival do Rio; e Tatuagem, de Hilton Lacerda, ganhou o Kikito de Melhor Filme no Festival de Gramado.[265]

O Instituto Ricardo Brennand abriga um dos maiores acervos de armas brancas do mundo, com mais de 3.000 peças, entre elas 27 armaduras medievais completas.[271] Foi eleito o melhor museu da América Latina pelos usuários do TripAdvisor.[272]

Espaços culturais e de lazer[editar | editar código-fonte]

O município abriga vários museus, centros culturais como por exemplo o Caixa Cultural, Centro Cultural dos Correios e o Santander Cultural e instituições voltadas para a promoção de ações artísticas e culturais tais como a centenária Academia Pernambucana de Letras, Academia de Artes e Letras de Pernambuco e o Instituto Ricardo Brennand, um dos mais importantes museus do Brasil, que abriga importante coleção de armaria, gravuras e outras obras de arte abrangendo o período entre a Idade Média e o fim das Invasões holandesas do Brasil.[273] Destacam-se a maior Coleção de pinturas de Frans Post do mundo e as Armaduras Medievais.

Entre os museus têm destaque o Instituto Ricardo Brennand, o Museu do Homem do Nordeste, a Fundação Gilberto Freyre, o Museu Cais do Sertão, o Paço do Frevo, o Museu da Abolição, o Memorial da Justiça, o Museu da Cidade do Recife e o Museu do Estado de Pernambuco.

Ao lado do Centro de Artesanato de Pernambuco (foto) funciona o Museu Cais do Sertão, museu interativo considerado um dos mais modernos equipamentos culturais do Brasil.

O Museu da Cidade do Recife, instalado no Forte das Cinco Pontas, destaca-se por conter em seu acervo documentos iconográficos para preservação da história urbana e social do Recife. A memória cultural é representada por cerca de 150 mil imagens e de peças provenientes de antigas residências e da Igreja dos Martírios.

O Museu do Estado de Pernambuco, criado em 24 de agosto de 1928, possui um grande acervo eclético, com cerca de 12 mil itens abrangendo as áreas de arte, antropologia, história e etnografia O Centro de Documentação do Espaço Cícero Dias oferece para consulta uma biblioteca de 4 mil volumes que inclui obras raras.

A Fundação Gilberto Freyre, instituída em 11 de março de 1987 e localizada no bairro de Apipucos, Zona Norte do Recife, funciona na casa onde viveu o escritor, sociólogo e pensador Gilberto Freyre, e tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento político-social, científico-tecnológico e cultural da sociedade brasileira tendo como referencial a obra freyriana.

Galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu.

O Museu do Homem do Nordeste, localizado no Recife, foi fundado em 1979, e criado a partir dos acervos do antigo Museu do Açúcar, do Museu de Antropologia e do Museu de Arte Popular. Fazendo parte do Instituto de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco, sua concepção museológica e museográfica foi inspirada no conceito de museu regional, idealizado pelo sociólogo-antropólogo Gilberto Freyre.[274]

O Museu Cais do Sertão é um museu interativo localizado no antigo Armazém 10 do Porto do Recife, no Recife Antigo. É considerado um dos mais modernos equipamentos culturais do Brasil, e teve como curadora e diretora de criação a socióloga pernambucana Isa Grinspum Ferraz, também autora do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. O museu retrata a cultura do Sertão e a obra do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga.[275]

O Teatro Guararapes, entre Recife e Olinda, é o maior teatro do Norte-Nordeste e um dos maiores do Brasil. Outro teatro da metrópole pernambucana entre os maiores do país é o Teatro da UFPE.[276]

O Instituto Ricardo Brennand (IRB), instituição cultural localizada no bairro da Várzea, é uma das atrações turísticas mais procuradas da capital pernambucana. Fundado em 2002 pelo colecionador e empresário pernambucano Ricardo Brennand, o instituto está sediado em um complexo arquitetônico em estilo medieval, composto por trés prédios: Museu Castelo São João, Pinacoteca e Galeria, circundados por um vasto parque. Abriga um dos maiores acervos de armas brancas do mundo, além de uma coleção permanente de objetos histórico-artísticos de diversas procedências, abrangendo o período que vai da Baixa Idade Média ao século XXI, com forte ênfase na documentação histórica e iconográfica relacionada ao período colonial e ao Brasil Holandês.[271] [277]

O Teatro de Santa Isabel é um dos principais teatros do Recife, e compõe importante conjunto arquitetônico e paisagístico na Praça da República com o Palácio do Campo das Princesas, o Palácio da Justiça e o Liceu de Pernambuco.

Os parques mais frequentados são, entre outros, o Parque da Jaqueira, o Parque Dona Lindu, o Parque 13 de Maio, o Parque Dois Irmãos e o Parque das Esculturas Francisco Brennand.[278]

O Parque 13 de Maio, localizado entre as ruas da Saudade, João Lira, Princesa Isabel e do Hospício, na Boa Vista, é a maior concentração de área verde da cidade, com pista de cooper, pequeno zoológico, parque infantil e vários monumentos. Em seu entorno, estão alguns prédios centenários, como o da Faculdade de Direito do Recife (a primeira do país) e a sede da Câmara de Vereadores. Teve sua construção iniciada em 1892, na gestão do governador Alexandre José Barbosa Lima. Em 1939, foi transformado em parque pelo então prefeito Antônio Novaes Filho.

O Parque das Esculturas Francisco Brennand, situado no molhe do Bairro do Recife, de frente à Praça do Marco Zero, foi inaugurado em dezembro de 2000. O espaço foi criado em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil, em realização ao projeto da Prefeitura do Recife "Eu vi o Mundo... Ele começava no Recife". O museu ao ar livre abriga 90 obras que retratam mistérios do artista plástico pernambucano Francisco de Paula de Almeida Brennand. No local, podem-se observar diversos monumentos de cerâmica, como as sereias, e várias esculturas em bronze, como os pelicanos. O destaque do ambiente é a "Torre de Cristal", construída com 32 metros de altura, composta por argila e bronze.

O Mirabilandia Park é o único parque de diversões fixo das regiões Norte e Nordeste. Trata-se do terceiro maior parque temático do país, contando com mais de trinta equipamentos, entre eles a Montanha-russa Super Tornado.

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

Recife é o terceiro polo gastronômico do Brasil e a terceira cidade brasileira em número de restaurantes estrelados pelo Guia Quatro Rodas 2013, atrás somente de Rio de Janeiro e São Paulo.[279] [280] Na foto, restaurante de cozinha peruana na capital pernambucana.

O Recife é o terceiro maior polo gastronômico do Brasil segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com cerca de 10 mil estabelecimentos, logo após Rio de Janeiro e São Paulo.[279] [281] A Rua da Hora, no bairro do Espinheiro, Zona Norte, e a Rua Capitão Rebelinho, no bairro do Pina, Zona Sul, vêm se tornando redutos dessa fase da culinária recifense.[282] [283] [284]

Restaurante no Porto do Recife.

Recife é também a terceira cidade brasileira em número de restaurantes estrelados pelo Guia Quatro Rodas 2013, atrás somente de São Paulo e do Rio de Janeiro. Onze estabelecimentos da cidade, que contam com chefs renomados e que vão da cozinha regional às cozinhas lusitana, italiana, francesa, japonesa e peruana, foram agraciados. Outros três estabelecimentos pernambucanos receberam a classificação.[280]

Recife abriga ainda o restaurante mais antigo do Brasil: o sofisticado Restaurante Leite, fundado em 1882. Pelo tradicional Restaurante Leite passaram nomes como Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Orson Welles e Juscelino Kubitschek. De sua cozinha saem pratos das gastronomia internacional.[285] [286]

Na cozinha pernambucana existem elementos herdados dos povos africanos, indígenas e europeus. Diversas receitas originais provenientes de outros continentes foram adaptadas com ingredientes encontrados com facilidade na região. Existem vários pratos e petiscos típicos e muito apreciados em Pernambuco, como a carne de sol, o queijo coalho, o arrumadinho, o escondidinho, o sururu, a caldeirada, o cozido, o caldinho de peixe ou camarão, a peixada pernambucana, o chambaril, o charque à brejeira, o bredo de coco, o quibebe, a tapioca, o angu, o mungunzá salgado, o sarapatel, a buchada e o feijão de coco, entre outros. Entre as sobremesas típicas do Estado podemos citar o bolo de rolo, o bolo Souza Leão, o bolo pé de moleque, o bolo de macaxeira, o bolo de mandioca, o bolo barra branca, a cartola, o nego bom e o sorvete de tapioca. No São João as comidas de milho estão presentes na pamonha, na canjica, no bolo de milho, no mungunzá doce, dentre outras iguarias.[287]

Esportes[editar | editar código-fonte]

Os recifenses Karol Meyer e Carlos Burle entraram para o Guinness Book: ela como o ser humano com o maior tempo de mergulho em apneia; e ele com a maior onda surfada no planeta.

O esporte mais popular do Recife é o futebol.

Pernambuco é líder entre os estados do Norte-Nordeste no ranking da CBF, sendo o segundo colocado a Bahia e o terceiro o Ceará.[288] O desempenho dos clubes da capital está diretamente ligado ao bom ranqueamento do estado entre as federações.

Recife foi uma das 6 sedes da Copa do Mundo de 1950 (única do Norte-Nordeste). Na capital pernambucana ocorreu uma partida no Estádio da Ilha do Retiro entre Chile e Estados Unidos, com vitória dos chilenos por 5 a 2. Recife também será uma das sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014.

As recifenses Jaqueline e Dani Lins foram decisivas na conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 pela Seleção Brasileira de Voleibol Feminino. Recife deu origem a diversos atletas de alto rendimento, como Pampa, Joanna Maranhão, Beto Monteiro, entre diversos outros.

Graças aos clubes recifenses, Pernambuco é também o estado do Norte-Nordeste que mais se destaca em outras modalidades esportivas: é o segundo estado brasileiro em número de títulos nacionais de hóquei, tanto no campeonato masculino quanto no feminino, atrás somente de São Paulo, e o Sport Club do Recife um dos dois únicos clubes brasileiros a conquistar um Campeonato Sul-Americano de Hóquei; e é o único estado fora do Centro-Sul com títulos Brasileiro e Sul-Americano de basquete, obtidos pela equipe feminina do Sport Club do Recife entre 2013 e 2014.[289] [290] [291]

Como ocorreu em outras capitais brasileiras, o futebol no Recife também foi introduzido por um brasileiro que estudou na Europa, no caso o recifense Guilherme de Aquino Fonseca.

Filho de João de Aquino Fonseca e Maria Eugênia Regadas de Aquino Fonseca, Guilherme foi estudar na Inglaterra, aos 13 anos de idade, no Hooton Lown Schoool, onde aprendeu a técnica do jogo. Em 1903, ao voltar para o Recife e fascinado pelo esporte, resolveu fundar um clube onde se praticasse o futebol, o críquete, o rugby e o tênis. Trouxe da Inglaterra o material e os apetrechos necessários para a prática desses esportes, porém teve que enfrentar muitas dificuldades.

Rivaldo, nascido na RM do Recife, é o único futebolista do Norte-Nordeste eleito melhor jogador do mundo pela FIFA; já o recifense Juninho Pernambucano foi eleito o melhor batedor de faltas da história do futebol mundial.[292] [293] A metrópole pernambucana deu origem a jogadores de futebol destacados, como Vavá, Ademir Menezes, Manga, Ricardo Rocha, Hernanes, dentre muitos nomes.

Na época, já existiam dois clubes esportivos na cidade, o Internacional e o Náutico. Nenhum dos dois, no entanto, oferecia atividades para uma vida esportiva atuante. O Internacional, originário de um clube de regatas, limitava-se a realização de bailes e jogos de carta. O Náutico, por sua vez, fundado no dia 7 de abril de 1901 e dedicado exclusivamente a esportes aquáticos, como o remo, praticamente não tinha competições por falta de concorrentes. Guilherme fez várias tentativas com os dirigentes do Náutico para que o clube aderisse ao futebol, mas havia um grupo contrário que afirmava não ser o futebol um esporte, mas sim uma troca de pontapés. Ele recorreu, então, aos funcionários da firma inglesa Great Western, que costumavam jogar bola nos finais de semana em suas casas, conseguindo realizar alguns jogos, em campos improvisados no bairro do Derby. Em 1904, reunindo onze jogadores, ele conseguiu disputar uma partida experimental contra o time da Great Western. No dia 13 de maio do ano seguinte, fundou oficialmente o Sport Club do Recife.

O Náutico, clube mais antigo do Recife e terceiro time em número de torcedores no futebol do estado, é mandante na Arena Pernambuco (foto), estádio administrado pela AEG, construído para a Copa das Confederações de 2013 e para a Copa do Mundo FIFA de 2014, e que é marco inicial da Cidade da Copa, primeira cidade inteligente da América Latina.

O Campeonato Pernambucano de Futebol, um dos principais torneios estaduais do país, é disputado desde 1915, tendo como campeão sempre um time da capital.

Os principais times da cidade são:

O Sport Club do Recife, o que mais títulos estaduais possui (40), sendo ainda campeão da Copa do Brasil de 2008, Campeão Brasileiro de 1987, vice-campeão da Copa do Brasil de 1989, Campeão Brasileiro da Série B de 1990 e vice-campeão da Copa dos Campeões de 2000.[294] [295] [296]

O Santa Cruz, segundo time recifense em número de torcedores, tem a maior média de público do Brasil e a 39ª do mundo.[297] Manda os seus jogos no Estádio do Arruda (foto), maior estádio de Pernambuco.

O Santa Cruz Futebol Clube, com 27 títulos pernambucanos, além de 3º colocado no Campeonato Brasileiro de 1975, Campeão Brasileiro da Série C de 2013, vice-campeão da Série B em 1999 e 2005 e da Série D em 2011, e detentor de um título de honra, o Fita Azul do Brasil, por ter retornado invicto ao país após uma excursão internacional na qual enfrentou times de futebol como o Paris Saint-Germain e as seleções da Romênia, do Kuwait, do Bahrein e do Catar;

E o Clube Náutico Capibaribe, que detém a marca de mais títulos estaduais consecutivos (Hexacampeão) de um total de 21 conquistas e os títulos de Vice-Campeão Brasileiro de 1967 (além de dois terceiros e dois quartos lugares na Taça Brasil) e vice-campeão da Série B nos anos de 1988 e 2011.

Os três principais clubes recifenses estão entre os mais antigos e tradicionais do Brasil.

O Sport, em parceria com a Faculdade Maurício de Nassau, também participa de competições nacionais de voleibol, basquete e hóquei em patins.

Outros clubes esportivos importantes no município são o Clube Português e o América Futebol Clube, este último com seis títulos estaduais de futebol e um título regional (Troféu Nordeste).[298] [299]

Os maiores times do Recife possuem estádios próprios. O maior estádio construído é o Estádio do Arruda, pertencente ao Santa Cruz. Destaque ainda para a Ilha do Retiro, pertencente ao Sport, e para o Estádio dos Aflitos, que pertence ao Náutico, sendo que o Náutico manda os seus jogos atualmente na Arena Pernambuco, um novo e moderno estádio construído em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, para a Copa das Confederações de 2013 e para a Copa do Mundo FIFA de 2014, e que terá em seu entorno a Cidade da Copa, primeira cidade inteligente da América Latina.[300]

O Sport é um dos principais clubes esportivos do Recife. Na foto a Ilha do Retiro, sede oficial da agremiação e único estádio do Norte-Nordeste que sediou jogo da Copa do Mundo de 1950. A estrutura do clube abriga quadras de vôlei, basquete, tênis, handebol, hóquei, entre outros esportes.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Recife, conhecida como a "Capital Brasileira dos Naufrágios", atrai mergulhadores de todo o mundo por sua rica vida marinha e suas águas calmas e cristalinas com temperaturas próximas dos 30 graus.[301] [302] [303] [304] [305] [306] Fora do litoral da capital pernambucana há também o Arquipélago de Fernando de Noronha (foto), pertencente à Mesorregião Metropolitana do Recife e considerado um dos melhores lugares para a prática de mergulho do planeta.
Recife é também considerada a "Capital das Assombrações". Entre os lugares "assombrados" da cidade estão o Hospital Pedro II (foto de 1910), a Praça Chora Menino, o Açude do Prata, o casarão da Fundação Gilberto Freyre, o Palácio do Campo das Princesas, além da Cruz do Patrão, que segundo a tradição é o local mais mal-assombrado de Pernambuco.[307] [308] [309]
O galo na Ponte Duarte Coelho, símbolo do bloco Galo da Madrugada do Carnaval do Recife.

O Recife atrai turistas de todo o mundo. Destacam-se entre os motivos desta atração as manifestações culturais como o Carnaval e o São João. O Recife é o portão de entrada do litoral de Pernambuco, de onde partem os turistas que chegam de avião.

O Recife é um município multicultural: suas músicas e danças têm influências africana, indígena e europeia. O bairro do Recife é o principal conjunto arquitetônico e cultural do município, abrigando galerias, museus e outros espaços culturais. Outros bairros e áreas de interesse são Poço da Panela, Derby, Ponte d'Uchoa, Casa Forte, Santo Antônio, dentre outros.

A cidade abriga a maior agremiação carnavalesca do mundo - o Galo da Madrugada, no qual se estima que participem dois milhões de pessoas (mais que a população do município) vindas de várias partes do Brasil e do mundo.

Num passeio de barco é possível conhecer o Parque das Esculturas de Francisco Brennand. Existe, também, o museu do Instituto Ricardo Brennand.

O litoral do município é completamente urbanizado, com as praias de Boa Viagem, Pina e Brasília Teimosa.

Recife tem o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção de São Paulo e do Rio de Janeiro, que tem Consulados-Gerais de países como Estados Unidos, China, França e Reino Unido.[11] [310]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

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  13. São Paulo será 13ª cidade mais rica do mundo em 2020, diz estudo
  14. The 150 richest cities in the world by GDP in 2020
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  26. Skyline Ranking - EMPORIS
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  307. Recife é considerada a ‘Capital das Assombrações’ (em português) Globo.com. Visitado em 29 de dezembro de 2013.
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]