Atentado do Aeroporto dos Guararapes

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O atentado do Aeroporto Internacional do Recife ocorreu em 25 de julho de 1966[1] [2] [3] [4] [5] , quando uma bomba explodiu no saguão do aeroporto matando Edson Régis de Carvalho (jornalista) e Nelson Gomes Fernandes (almirante). Outras 14 pessoas foram feridas na explosão.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Nessa manhã de 12 de julho de 1966, o Marechal Costa e Silva, então candidato à Presidência da República, era esperado por cerca de 300 pessoas que lotavam o Aeroporto Internacional dos Guararapes. Às 08:30h, poucos minutos antes da previsão de chegada do Marechal, o serviço de som anunciou que, em virtude de pane no avião, ele estava deslocando-se por via terrestre de João Pessoa até Recife e iria, diretamente, para o prédio da SUDENE, local onde ocorreria um ato de campanha.

Esse comunicado provocou o início da retirada do público. O guarda-civil Sebastião Tomaz de Aquino[6] , o "Paraíba", outrora popular jogador de futebol do Santa Cruz, percebeu uma maleta escura abandonada junto à livraria "SODILER", localizada no saguão do aeroporto. Julgando que alguém a havia esquecido, pegou-a para entregá-la no balcão do Departamento de Aviação Civil (DAC). Ocorreu uma forte explosão. O som ampliado pelo recinto, a fumaça, os estragos produzidos e os gemidos dos feridos provocaram o pânico e a correria do público. Passados os primeiros momentos de pavor, viu-se que o atentado vitimou 16 pessoas.

Morreram o jornalista e secretário do governo de Pernambuco Edson Régis de Carvalho e o vice-almirante reformado Nelson Gomes Fernandes[7] . O guarda-civil "Paraíba" feriu-se no rosto e nas pernas, o que resultou, alguns meses mais tarde, na amputação de sua perna direita. O então tenente-coronel do Exército, Sílvio Ferreira da Silva, sofreu fratura exposta do ombro esquerdo e amputação traumática de quatro dedos da mão esquerda.

Ficaram, ainda, feridos os advogados Haroldo Collares da Cunha Barreto e Antonio Pedro Morais da Cunha, os funcionários públicos Fernando Ferreira Raposo e Ivancir de Castro, os estudantes José Oliveira Silvestre, Amaro Duarte Dias e Laerte Lafaiete, a professora Anita Ferreira de Carvalho, a comerciária Idalina Maia, o guarda-civil José Severino Pessoa Barreto, o deputado federal Luís de Magalhães Melo e Eunice Gomes de Barros e seu filho, Roberto Gomes de Barros, de apenas seis anos de idade.

Além das pessoas acima listadas, há evidências de que várias outras também sofreram ferimentos menores (luxações, pequenas escoriações, etc...)[8] , sem que seus nomes tenham sido mencionados publicamente.

O acaso, transferindo o local de chegada do futuro presidente, impediu que ele fosse atingido e provavelmente salvou-lhe a vida.

O historiador e um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Jacob Gorender, baseado em declarações de Jair de Sá Ferreira, dirigente da Ação Popular (AP), aponta o militante político Raimundo Gonçalves Figueiredo, codinome Chico, como um dos executores, mas essa participação nunca ficou provada. Raimundo viria a ser morto pela Polícia Civil, em abril de 1971, já como integrante da VAR-Palmares .Sua esposa, Maria Regina Lobo Leite Figueiredo foi assassinada, um ano depois, pela repressão política, na chamada Chacina de Quintino. O corpo de Raimundo nunca foi entregue à sua família, que recebeu a indenização assegurada por lei. O nome de Raimundo foi dado a uma rua em Belo Horizonte.

Ainda segundo Jacob Gorender, o mentor do atentado foi o ex-padre Alípio de Freitas[9] [10] , da AP.

Um ano após o atentado, em 25 de julho de 1967, foi inaugurada no Aeroporto uma placa de bronze com os seguintes dizeres:

"Homenagem da Cidade do Recife aos que tombaram neste Aeroporto dos Guararapes no dia 25 de julho de 1966 vitimados pela insensatez dos seus semelhantes.

- Almirante Nelson Fernandes - Jornalista Edson Regis “Glorificados pelo sacrifício, seus nomes serão sempre lembrados recordando aos pósteros o violento e trágico atentado terrorista, praticado à sorrelfa pelos inimigos da Pátria.”

Referências

  1. Recordando a história. O atentado de Guararapes. Portal da ONG TERNUMA (Terrorismo Nunca Mais). (visitado em 6 de novembro de 2010)
  2. Moura e Souza, A.M. (Cel R/R EB). "41 anos depois do atentado terrorista no Aeroporto Internacional dos Guararapes". Editora MSM, 27 de julho de 2007. Portal Mídia Sem Máscara. (visitado em 6 de novembro de 2010)
  3. Brilhante Ustra, C. A. "Ciex X Aeroporto de Guararapes". Trecho do livro "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça", 3ª ed. Portal A Verdade Sufocada. (visitado em 6 de novembro de 2010)
  4. Grangeiro Cortez, L. "O drama barroco dos exilados do nordeste". (citação a "O atentado a bomba no Aeroporto Guararapes", pg 152). Ed Universidade Federal do Ceará, 2005. Acessível no Google Books (visitado em 6 de novembro de 2010)
  5. O Atentado de Guararapes. Portal CMI Brasil. (visitado em 7 de novembro de 2010)
  6. Bourbon, R. "A bomba dos Guararapes". HISTÓRIA // Há 40 anos, atentado no aeroporto do Recife deixava 17 vítimas, entre elas, Sebastião, o Paraíba, "Canhão do Arruda" Portal Diário de Pernambuco.com (visitado em 6 de novembro de 2010)
  7. Vítimas do terrorismo. Portal "A verdade sufocada". (visitado em 7 de novembro de 2010)
  8. Escapando por sorte da explosão no Atentado Terrorista de Guararapes. Biografia do Dr. Seth Emanuel Couto de Mello que, em 1966, era major médico do Exército Brasileiro e chefe do Serviço de Saúde da 7ª. Região Militar e do 4º. Exército, em Recife. Wikipédia.
  9. Artigos: 1- "Zaratini critica avaliação do padre Alípio"; 2- "Felícia Soares nega participação"; 3- "Acusado, cabo da Marinha ainda sofre com o episódio". Matéria publicada no Jornal do Commércio, de Recife/PE, sobre o atentado que aconteceu no Aeroporto dos Guararapes. Disponível em "Memórias do Golpe: o Brasil de 64 a 85." (visitado em 6 de novembro de 2010)
  10. O Padre “criador” do PCC e do PCP. Matéria publicada na revista Época de 28 de março de 2008. Disponível no portal da ASSPM - Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Estado de São Paulo. (arquivo pdf; visitado em 6 de novembro de 2010)
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