Ação Libertadora Nacional

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Cartaz da ALN.

Ação Libertadora Nacional (ALN) é uma organização política de ideologia socialista que participou da luta armada contra a ditadura militar no Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

O grupo surgiu no fim de 1966, com a saída de Carlos Marighella do Partido Comunista Brasileiro, após sua participação na conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) em Havana (Cuba).

Para o jornalista Luís Maklouf Carvalho, a ALN era a organização mais estruturada da guerrilha urbana, sendo também aquela onde a quantidade de mulheres a ela vinculadas era proporcionalmente maior do que em outras organizações.1

Em seu programa de ação a Ação Libertadora Nacional menciona suas táticas revolucionárias de resistência à ditadura militar: Todos nós somos guerrilheiros e não homens que dependem de votos de outros revolucionários ou de quem quer que seja para se desempenharem do dever de fazer a revolução. O centralismo democrático não se aplica a Organizações revolucionárias como a nossa.2

Segundo pesquisadores e militantes de esquerda, como Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio (ambos ex-guerrilheiros), a ALN tinha a proposta de uma ação objetiva e imediata de aniquilamento da ditadura militar,3 4 5 defendendo a luta armada e a guerrilha como instrumento de ação política.

Em declaração ao jornalista Elio Gaspari, Daniel Aarão Reis, ex-militante do MR-8, professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense e autor de Ditadura Militar, Esquerda e Sociedade, disse sobre os grupos guerrilheiros de esquerda armada da época da ditadura militar, dentre as quais enquadra-se a ALN, que todos eram socialistas e revolucionários:

Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura (socialista) revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática.6

Também segundo Jarbas Passarinho, político e militar de direita, ministro do governo Médici e um dos participantes da reunião governamental que decidiu pela instituição do AI-5, o objetivo da ALN era a construção de uma ditadura de esquerda (socialista).7

A dissidência formada ao redor de Marighella denominou-se Agrupamento Comunista de São Paulo (ou "Ala Marighella"), enquanto arregimentava mais militantes que saíam do chamado Partidão (PCB). Só em 1968 passou a se chamar ALN, como expressão da proposta de libertação nacional de seu líder e ideólogo8 .

Em 1967, a ALN iniciou ações para sua estruturação, como assaltos a bancos, assaltos de carro, trens pagadores, denominados de expropriações e outros métodos revolucionários. Em seus melhores momentos, tinha nos estudantes a maioria de seus militantes, que foram a linha de frente da organização. Dos quatro sequestros de diplomatas realizados no país na história, participou de dois. O primeiro, junto com o MR-8, foi o do embaixador norte americano Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, que conseguiu a libertação de 15 presos políticos. O outro foi o do embaixador alemão Ehrefried Von Holleben, que libertou 40 presos políticos e como o primeiro teve grande destaque na imprensa, divulgando a sigla da organização e a ideia da luta armada.

Marighella foi morto em uma emboscada montada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, no dia 4 de novembro de 1969, em São Paulo, na alameda Casa Branca.9 Joaquim Câmara Ferreira (o "Velho" ou "Toledo"), jornalista e ex-membro do PCB desde a década de quarenta, dirigiu a ALN a partir daí até sua morte em 23 de outubro de 1970, delatado por José Silva Tavares, o "Severino", que teria sido torturado após ser preso. Joaquim Câmara foi torturado até a morte pelo Delegado Fleury e membros de sua equipe.

Em 1970, Eduardo Collen Leite (codinome Bacuri), um importante membro da ALN, foi preso pela equipe do delegado Fleury. Bacuri morreu após 109 dias de tortura, totalmente mutilado.10 .

Em 1971, um grupo de dissidentes que havia efetuado treinamento de guerrilha em Cuba, criou o Movimento de Libertação Popular (Molipo). A maior parte de seus militantes de linha de frente foi morta até 1974 e depois disso a ALN apenas sobreviveu ao cerco montado pela repressão.

Em 5 de fevereiro de 1972 militantes da ALN, VAR-Palmares e PCBR,11 assassinaram a tiros o marinheiro inglês David Cuthberg, que se encontrava no país juntamente com uma força-tarefa da Marinha Britânica para as comemorações dos 150 anos de independência do Brasil. Após o atentado foram arremessados dentro do táxi onde ele se encontrava panfletos que informavam que o ato teria sido decisão de um "tribunal", como forma de solidariedade à luta do Exército Republicano Irlandês contra o domínio inglês.12

O único comandante da ALN ainda vivo é Carlos Eugênio Paz, conhecido por Clemente nos tempos de guerrilha. Carlos Eugênio entrou para a ALN aos 17 anos e participou de diversas ações visando o combate a ditadura. Por ser o homem mais procurado pela repressão ele se exilou na França em 1973. Viveu por lá até 1981. Até outubro de 2009, havia publicado os livros "Nas trilhas da ALN" e "Viagem à Luta Armada".

A ALN constantemente disseminava para a população seus ideais de luta contra a ditadura militar e pela instalação de um regime socialista no Brasil por meio de panfletagem e discursos.

As dissidências da ALN[editar | editar código-fonte]

Em 1971 surgem duas dissidências da ALN que teriam vida efêmera e contigentes reduzidos: o Movimento de Libertação Popular (Molipo)3 e a Tendência Leninista (TL).

O Molipo, por sua vez, foi extinto com a prisão ou com a execução sumária ou sob torturas da maioria de seus membros, entre os quais destacaram-se líderes estudantis paulistas como Antonio Benetazzo, José Roberto Arantes de Almeida e Jeová Assis Gomes.

Recriação da nova ALN[editar | editar código-fonte]

Várias pessoas espalhadas pelo pais querem fundar a ALN como partido politico pois até então não conseguiu registro legal, Daniel de Jesus é quem coordena a criação. da nova legenda.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Carvalho, Luis Maklouf. Mulheres que foram à luta armada. São Paulo: Globo, 1998, p. 200
  2. Sobre a Organização dos Revolucionários: Aliança Libertadora Nacional (ALN)
  3. a b MIRANDA, Nilmário e TIBÚRCIO, Carlos. Dos filhos deste solo. São Paulo: Fundação Perseu Abramo e Boitempo, 1999. Página 26. ISBN 85-85934-37-9
  4. ANTUNES, Ricardo L. C. Classe operária, sindicatos e partido no Brasil: um estudo sobre a consciência de classe, da Revolução de 30 até a Aliança Nacional Libertadora. 3ª edição. São Paulo: Cortez/Ensaio: Autores Associados, 1990.
  5. SILVA, Antônio Ozaí da. História das tendências no Brasil (Origens, cisões e propostas). São Paulo: Proposta Editorial, 1987.
  6. Folha de S. Paulo, 23 de setembro de 2001
  7. depois do AI-5, os governos militares venceram a luta armada, que as diversas facções comunistas haviam desencadeado, não, como se pretende hoje, para restaurar a democracia, mas para instaurar a ditadura comunista”, PASSARINHO, Jarbas - A História pelos odientos, O Estado de S. Paulo, São Paulo, 29 de dezembro de 1998.
  8. REZENDE, Claudinei C. Suicídio Revolucionário. São Paulo: Unesp, 2010.
  9. [1]
  10. [2]
  11. Carlos Alberto Brilhante Ustra. Rompendo o Silêncio. Editora Laudelino Amaral de Oliveira. ISBN 0002295105, 9780002295109.
  12. Alessandro Meiguins. Ditadura X esquerda explosiva. Aventuras na História.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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