Fernando Gabeira
| Fernando Gabeira | |
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| Fernando Gabeira | |
| Deputado federal pelo |
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| Mandato | Fevereiro de 1995 até Janeiro de 2011 (4 mandatos consecutivos) |
| Vida | |
| Nascimento | 17 de janeiro de 1941 (71 anos) Juiz de Fora, Minas Gerais |
| Partido | Partido Verde |
Fernando Paulo Nagle Gabeira (Juiz de Fora, 17 de fevereiro de 1941) é um escritor, jornalista e político brasileiro.
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[editar] Biografia
É conhecido pela sua atuação no Partido Verde brasileiro (do qual é membro-fundador), defendendo posições polêmicas em questões consideradas como tabus na cultura política brasileira (como a profissionalização da prostituição, o casamento homossexual e a descriminalização da maconha).[1] Esquerdista histórico, alternou-se como membro do Partido Verde ou do Partido dos Trabalhadores, candidatando-se ora pelo primeiro, ora pelo segundo, em diversas eleições.
É também conhecido por ter participado da luta armada contra o Regime militar no Brasil (1964–1985), como militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro, que tentava instaurar o socialismo no Brasil. Na época, trabalhava como repórter do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro.
Participou do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick às vésperas do 7 de setembro de 1969. O episódio é narrado em seu livro O que é isso, companheiro?, de 1979. O sequestro ocorreu como forma de pressionar o regime militar a libertar quinze presos políticos, ligados a organizações clandestinas da esquerda política. De fato, tais presos foram libertos e banidos do país, mas os envolvidos no sequestro foram presos algum tempo depois. O próprio Gabeira foi preso em 1970 na cidade de São Paulo. Resistiu à prisão e tentou fugir em direção a um matagal que existia por perto. Vários tiros foram disparados e um deles atingiu suas costas, perfurando rim, estômago e fígado.
Preso, foi liberto em junho do mesmo ano, tendo sido trocado com outros 39 presos pelo embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, que também havia sido sequestrado. O grupo foi banido do país e embarcado para a Argélia.
Fernando Gabeira esteve exilado entre 1970 e 1979. Em dez anos, esteve em vários países, entre eles Chile, Suécia e Itália. Na Suécia, onde viveu a maior parte de seu exílio, estudou Antropologia na Universidade de Estocolmo e exerceu da profissão de reporter até a função de condutor de metrô, em Estocolmo. Voltou ao Brasil, em 1979, com a Lei da Anistia. Passou, então, a atuar como jornalista e escritor, defendendo o fim do regime militar. Após 1985, apoiou a causa dos direitos das minorias e do meio ambiente.
Gabeira é primo da jornalista Leda Nagle. Durante o exílio, casou-se com sua companheira de militância política, Vera Sílvia Magalhães. Já de volta ao Brasil, foi casado por dezesseis anos com a estilista Yamê Reis, com quem teve duas filhas — a psicóloga Tami e a surfista Maya Gabeira. O casal se divorciou em 1999. Atualmente, é casado com a atriz e empresária Neila Tavares.
[editar] Carreira política
Após voltar ao Brasil, em 1986 Fernando Gabeira foi candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro pelo PT, sendo derrotado por Moreira Franco; em 1989 concorreu à Presidência da República, dessa vez pelo PV, obtendo 0,18% dos votos.
Em 1994, Fernando Gabeira é eleito deputado federal, pelo Partido Verde do Rio de Janeiro, sendo reeleito em 1998. Em 2002, trocou o Partido Verde pelo PT novamente, sendo novamente eleito. Após considerar um absurdo ter tido que esperar durante uma hora para ser atendido pelo então Ministro-Chefe da Casa Civil José Dirceu,[2] decidiu abandonar mais uma vez o partido, ficando algum tempo sem legenda.
Em 2005, na Câmara dos Deputados, Gabeira chamou o então Presidente da Casa, Severino Cavalcanti de "vergonha para o país", e ameaçou começar um movimento para derrubá-lo se ele continuasse a apoiar em nome do Congresso empresas que utilizam trabalho escravo.[3] Também participou da CPI das Sanguessugas, em 2006, como um dos sub-relatores.
Filiando-se novamente ao PV, concorreu à reeleição, sendo o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro em 2006.
Em 2008, lançou sua candidatura a prefeitura do Rio de Janeiro em uma aliança com o PSDB e o PPS. Fernando Gabeira ficou em segundo lugar no primeiro turno das eleições à prefeitura do Rio de Janeiro, ocorrida no dia 5 de outubro, com 839.994 dos votos válidos, ou 25.61%.[4] No segundo turno, Fernando Gabeira obteve 1.640.970 de votos, ou 49,17% dos votos válidos e perdeu por uma diferença de apenas 1,66% para seu adversário, Eduardo Paes.[5]
Em 2009, Gabeira admitiu o uso indevido da sua cota parlamentar de passagens aéreas,[6] possibilitando que terceiros, cujos nomes não foram divulgados, viajassem utilizando o dinheiro público. O próprio deputado admitiu que este escândalo pode significar sua morte política, tendo inclusive cogitado abandonar a carreira pública,[7] mudando de opinião logo em seguida.
Gabeira se candidatou a governador no Estado do Rio de Janeiro nas eleições de 2010, tendo ficado em segundo lugar com 20,68% dos votos, sendo derrotado pelo governador Sergio Cabral.
Em 2010, em um projeto com a presidenciável Marina Silva, lançou o jogo online "Um Mundo"[8] que aproveita a onda dos jogos de criação no estilo "Farm" e convida o visitante, mesmo não simpatizante, a contribuir com a criação de um mundo melhor.
No segundo turno das eleições presidenciais de 2010, Gabeira declara apoio à candidatura de José Serra.
[editar] Literatura
Escreveu, em 1979, o livro O que é isso, companheiro?, sobre sua participação na luta armada contra o regime militar no Brasil (1964–1985) e seu posterior exílio na Europa. O livro venceu o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria biografia e (ou) memórias em 1980 e foi transformado em filme pelo cineasta Bruno Barreto em 1997.
Em 1980, lançou O crepúsculo do macho, uma continuação de O que é isso, companheiro?.
Em 1981, lançou Entradas e bandeiras, livro no qual narra sua volta ao Brasil e seu abandono da ideologia marxista, passando a lutar por questões como ecologia, prazer e liberdade sexual. No mesmo ano, lançou Hóspede da utopia, no qual aprofunda seu novo posicionamento ideológico.
Em 1982, lançou Sinais de vida no Planeta Minas, no qual conta as lutas feministas contra a sociedade conservadora do estado brasileiro de Minas Gerais, através das biografias de cinco mulheres mineiras. Entre elas, Dona Beja e Ângela Diniz.
Em Goiânia, rua 57 — o nuclear na terra do sol, lançado em 1987, Gabeira narrou o acidente radiológico ocorrido em Goiânia em setembro daquele ano.[9]
Em 2000, lançou o livro A maconha, no qual discute a descriminalização de seu uso, suas funções terapêuticas, o papel social que desempenha etc[10].
Em 2006, lançou o livro Navegação na neblina, sob uma licença Creative Commons, tratando do Escândalo dos Sanguessugas, em 2005.[11]
| Precedido por Cyro dos Anjos |
Prêmio Jabuti - Biografia e/ou Memórias 1980 |
Sucedido por Alfredo Sirkis |
Referências
- ↑ Gabeira descarta voto em Lula. Gazeta da Serra. Página visitada em 7/4/2010.
- ↑ "José Dirceu contesta motivo para saída de Gabeira do PT", Terra Online, 2008, http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2008/interna/0,,OI3267348-EI11874,00.html.
- ↑ sessão 233.3.52.O, Brasília, DF, BR: Câmara dos Deputados, 17:14 30/8/2005, http://www.camara.gov.br/internet/sitaqweb/TextoHTML.asp?etapa=5&nuSessao=233.3.52.O%20%20%20%20%20&nuQuarto=93&nuOrador=2&nuInsercao=0&dtHorarioQuarto=17:14&sgFaseSessao=GE%20%20%20%20%20%20%20%20&Data=30/08/2005&txApelido=FERNANDO%20GABEIRA,%20PV-RJ&txFaseSessao=Grande%20Expediente%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20&txTipoSessao=Ordinária%20-%20CD%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20&dtHoraQuarto=17:14&txEtapa=.
- ↑ "Apuração do 1º turno", G1, Rio de Janeiro, RJ, BR: Globo, 2008, http://g1.globo.com/Eleicoes2008/apuracao/0,,AUE0-15693-2-60011,00.html.
- ↑ "2º turno", Apuração, Rio de Janeiro, RJ, BR: Terra, 2008, http://apuracao.terra.com.br/2008/2turno/rj/60011/
- ↑ Jornal do Brasil (online ed.), Rio de Janeiro, RJ, BR: Terra, 2009‐4‐21, http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/04/21/e210421842.asp.
- ↑ "Temer, Gabeira admitem que também participaram da farra das passagens", O Globo, Rio de Janeiro, RJ, BR: Globo, 2009‐4‐20, http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/04/20/temer-gabeira-admitem-que-também-participaram-da-farra-das-passagens-755355333.asp.
- ↑ "Tupiniquim", Um Mundo, BR, http://www.ummundo.com.br/tupiniquim.
- ↑ Goiânia, rua 57, Gabeira, http://www.gabeira.com.br/armazem/e-books/482-goiania-rua-57.
- ↑ "Livro discute a legalização da maconha e os prós e contras da droga; leia trecho", Folha Online, UOL, http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u351921.shtml.
- ↑ "Gabeira lança livro licenciado em Creative Commons", Creative Commons, http://www.creativecommons.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=64&Itemid=0.
[editar] Ligações externas
- Jornalistas de Minas Gerais
- Prêmio Jabuti
- Deputados federais do Rio de Janeiro
- Candidatos a Presidência da República do Brasil
- Opositores da ditadura militar no Brasil (1964-1985)
- Socialistas do Brasil
- Membros do Partido Verde
- Membros do Partido dos Trabalhadores
- Ativistas pela reforma da política antidrogas
- Blogueiros do Brasil
- Naturais de Juiz de Fora
- Escândalo das passagens aéreas