Partido Popular Socialista

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Partido Popular Socialista
Número no TSE 23
Presidente Roberto Freire
Fundação 19 de março de 1992 (22 anos)
Sede Rua Germaine Burchard, 352, Água Branca, São Paulo, SP
Ideologia Terceira via, Social-democracia, Liberalismo social, Socialismo Democrático, parlamentarismo
Cores Vermelho e Amarelo
Site http://www.pps.org.br/

Partido Popular Socialista (PPS) é um partido político do Brasil que surgiu da decisão de parte da executiva nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB) de dissolver o partido e fundar um novo. O PPS foi criado frente a uma nova ordem internacional, após a queda dos antigos modelos comunistas (fim da URSS e da Guerra Fria). Em 17 de abril de 2013 a executiva nacional do partido anunciou a fusão com PMN para formar a Mobilização Democrática (MD), entretanto em 29 de junho de 2013 a executiva nacional do PMN rejeitou a proposta, anulando o processo de fusão.[1]

Seu código eleitoral é o 23,[2] o mesmo utilizado anteriormente pelo PCB. Sua fundação ocorreu em 1992 e obteve registro permanente em 19 de março de 1992.

Seus principais aspectos programáticos são a "radicalidade democrática", uma nova definição do socialismo, pautado no humanismo e no internacionalismo, o que o classifica para alguns como partido defensor da social-democracia.

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Na década de 1980, o sistema socialista soviético estava beirando o fim, e o comunismo perdia forças por todo o mundo. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas viria a se fragmentar em países capitalistas, como a Rússia e a Ucrânia, em 1991. Com o fim do bloco soviético, o socialismo passou a ser representado por um pequeno número de países, como China, Coreia do Norte e Cuba. Por todo o mundo, a extrema esquerda foi perdendo força, e o Brasil não foi exceção.

Após a ditadura militar, o Partido Comunista Brasileiro se dividiu com a decadência do comunismo. Durante o X Congresso do PCB, um grupo liderado ex-deputado constituinte e ex-presidenciável Roberto Freire afirmou que o socialismo revolucionário e o regime comunista estava em crise e rompe com o "Partidão". Em contra-posto a esse grupo, um grupo liderado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, pelo cartunista Ziraldo, pelo educador Horácio Macedo e pelo livreiro Raimundo Jinkings continuam com a legenda do PCB, que decaiu cada vez mais desde o rompimento com o grupo de Freire, sendo hoje uma das menores legendas do país.

Em 1992, Roberto Freire e seus seguidores fundam o Partido Popular Socialista, defensor da esquerda moderada, da social democracia e do socialismo democrático. O novo partido também apóia a terceira via, uma corrente ideológica proposta pelo britânico Anthony Giddens, que busca conciliar a esquerda política com a direita, tanto que tem como aliados o PSDB e DEM (antigo PFL, remanescente da Arena). No plebiscito de 1993, o PPS defendeu a república parlamentarista.

Governo Itamar[editar | editar código-fonte]

O partido apoiou desde o princípio o governo de Itamar Franco. Vice-presidente de Fernando Collor de Mello, Itamar assumiu a Presidência em um golpe do destino, quando o presidente sofreu o primeiro ''impeachment'' da história do país, após manifestações por todo o Brasil. A cassação do mandato do primeiro presidente eleito da história do país desapontou o povo, que começou a desacreditar na recém-nascida democracia brasileira. Itamar teve a difícil tarefa de governar o país, desapoiado e desacreditado pelos do brasileiros. A imensa inflação da época também foi um grande castigo para o governo Itamar Franco. Contudo, foi nesse governo que nasceu o Plano Real, que estabilizou a economia do país.

O partido, representado por seu fundador, Roberto Freire, assumiu a liderança do governo na Câmara dos Deputados. Junto ao PSDB e ao PC do B, o PPS apóia a república parlamentarista no plebiscito de 1993. O partido tenta atrair figuras do Partido dos Trabalhadores para o governo, como a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, que foi ameaçada de expulsão caso aceitasse a proposta. Itamar Franco viria a se filiar ao PPS em 2009, sendo eleito senador por Minas Gerais em 2010 pelo partido.

Eleições de 1994[editar | editar código-fonte]

Mesmo apoiando o Plano Real, criado pelo tucano Fernando Henrique Cardoso enquanto ministro da Fazenda, o PPS decide se manter ligado à esquerda política e integra a coligação do PT na eleição presidencial de 1994, a primeira eleição em que o partido participa. A chapa ''Frente Brasil Popular'' encabeçada pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva, em sua segunda tentativa de alcançar a Presidência, também era composta por PSB, PC do B, PV e PSTU.

Impulsionado pelo sucedo do Real e pela estabilização da economia, Fernando Henrique vence a eleição ainda no primeiro turno, o que coloca o PPS na oposição do governo FHC. O partido consegue eleger Roberto Freire ao Senado Federal, eleito pelo estado de Pernambuco, junto ao tucano Carlos Wilson

Governo Fernando Henrique[editar | editar código-fonte]

Na oposição, o PPS denunciava a crescente submissão do governo democrático de FHC a uma base de sustentação política, majoritariamente fisiológica e conservadora, insensível às reivindicações da maioria da população e também às conquistas da modernidade. Mesmo assim, nunca deixou de elogiar e apoiar o Plano Real criado pelo presidente enquanto era ministro de Itamar Franco. O partido começa a se relacionar com o também oposicionista Partido Socialista Brasileiro. O PSDB sofre uma baixa quando um dos seu fundadores e ministro da Fazenda de Fernando Henrique, o cearense Ciro Gomes migra para o PPS, em setembro de 1997.

O PPS suaviza seu ponto de vista em relação ao governo FHC em seu segundo mandato. O pernambucano Raul Jungmann, fundador do partido, é convidado para assumir o Ministério do Desenvolvimento Agrário. O partido critica movimentos como o Fora FHC.

Eleições municipais de 1996[editar | editar código-fonte]

Recém-criado, o PPS já disputou as eleições de 1996. O partido venceu na cidade de Sumaré, SP, com Dirceu Dalben, o primeiro prefeito do partido no estado de São Paulo.

Eleições de 1998[editar | editar código-fonte]

Em 1998, o PPS lança o recém-filiado Ciro Gomes à Presidência da República. A coligação de Ciro era formada também pelo PL (hoje PR) e pelo extinto PAN. O candidato à vice-presidente foi o presidente nacional da sigla, Roberto Freire. A coligação fica em 3º lugar, com mais de 7 milhões de votos. Mesmo relacionado à escândalos políticos, Fernando Henrique consegue se reeleger na Presidência, novamente em primeiro turno. O partido não consegue eleger nenhum governador ou senador.

Eleições municipais de 2000[editar | editar código-fonte]

O partido venceu na cidade de São Bernardo do Campo, maior reduto petista, com Maurício Soares.

Eleições de 2002[editar | editar código-fonte]

Em 2002, o PPS decide lançar Ciro Gomes à Presidência mais uma vez. Após o relativo sucesso nas eleições de 1998, o partido forma uma coligação mais poderosa, composta pelas duas maiores siglas trabalhistas do país: o PTB e o PDT. A eleição presidencial de 2002 foi uma das mais concorridas de toda a história brasileira, principalmente porque contava com quatro candidatos principais: Lula, José Serra, Ciro e Anthony Garotinho.

Ciro chegou a aparecer em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, sendo cotado para disputar o segundo turno com o candidato petista. Porém sua candidatura foi alvo da campanha do PSDB, encabeçada por Serra, que desestabilizou o sucesso do candidato pepessista, fazendo-o terminar a eleição em quarto lugar. No segundo turno, apóia Lula, sendo convidado a integrar o governo do petista, levando o PPS para o poder mais uma vez.

Além de eleger a ex-mulher de Ciro, Patrícia Saboya, senadora pelo estado do Ceará, o PPS também conquista os governos do Amazonas, como Eduardo Braga, e de Mato Grosso, como Blairo Maggi.

Governo Lula[editar | editar código-fonte]

Com Ciro no Ministério da Integração Nacional, o PPS fez parte do governo Lula até 2003. Ao discordar de algumas posturas do presidente, o partido rompe com o governo, o que faz Ciro Gomes migrar para o PSB. Novamente na oposição, o PPS se junta ao PFL (hoje DEM) e ao PSDB, formando um bloco oposicionista que dura até hoje. A oposição critica o governo em diversos momentos do mandato de Lula, como durante o escândalo do mensalão.

Eleições de 2006[editar | editar código-fonte]

Durante as eleições de 2006, o PPS apoiou de forma efetiva a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República, embora nunca tenha formalizado adesão à coligação PSDB-PFL de Alckmin. Nas eleições estaduais, fez coligações com o PFL como no Rio de Janeiro, lançando Denise Frossard para o governo com o apoio do prefeito César Maia do PFL. Elegeu Marina Maggessi e Leandro Sampaio como deputada federal, pelo Rio de Janeiro.

Nas eleições parlamentares brasileiras de 2006 o PPS não conseguiu superar a cláusula de barreira, prevista desde 1996 na legislação eleitoral e que havia recentemente entrado em vigor. Em decorrência disto, o partido fundiu-se com o Partido da Mobilização Nacional (PMN) e o Partido Humanista da Solidariedade (PHS) para formar um novo partido, a Mobilização Democrática (MD). Após a cláusula de barreira ser declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o PMN decidiu desligar-se da MD, extinguindo, assim, o novo partido e restaurando o PPS e o PHS.

Eleições municipais de 2008[editar | editar código-fonte]

Nas eleições municipais de 2008, o Partido Popular Socialista disputou o primeiro turno com Alex Manente em São Bernardo do Campo, apoiando no segundo turno a candidatura de Luiz Marinho, do Partido dos Trabalhadores, da coligação São Bernardo de Todos. A candidata do partido à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, fica em 5º lugar, atrás de tradicionais figuras políticas paulistanas. O PPS conquista mais de 140 prefeituras em todo o país.

Eleições de 2010[editar | editar código-fonte]

O PPS apoia a candidatura presidencial do tucano José Serra, compondo a coligação partido, junto ao DEM, PTB, PMN e PT do B. Conquista uma cadeira no Senado, com o ex-presidente Itamar Franco. Seu candidato ao governo de Rondônia, João Cahulla chega em segundo lugar, perdendo para Confúcio Moura. Com a derrota de Serra, se mantém na oposição, junto ao PSDB e DEM.

Governo Dilma[editar | editar código-fonte]

Mantendo a postura que adota desde 2003, permanecendo na oposição ao governo petista. Com a morte do ex-presidente e senador pelo PPS, Itamar Franco, o partido perdeu sua única cadeira no Senado. O presidente nacional da sigla é Roberto Freire e o líder na Câmara é Rubens Bueno. Atualmente é processado pelo PCB no STF por uso indevido da imagem do mesmo em propagangas políticas.[3]

Ranking da corrupção[editar | editar código-fonte]

Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral divulgou um balanço, em 4 de outubro de 2007, com os partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção desde o ano 2000. O PPS ocupa a oitava posição no ranking, com quatorze cassações, atrás do DEM, PMDB e PSDB, PP, PTB, PDT e PR.[4]

Ideologia[editar | editar código-fonte]

O PPS se considera, em seu estatuto, como um partido socialista, e em discursos, como uma terceira via. Entretanto, as recentes alianças com partidos tradicionalmente de centro e de direita, como PSDB, DEM (antigo PFL), PTB e PMN, tanto na esfera federal quanto em governos estaduais e municipais, e afastamento de outros partidos oposicionistas de esquerda como o PSOL e o PSTU, despertam críticas de jornalistas e analistas políticos sobre a real posição do partido no espectro político, sendo muitas vezes considerado "linha auxiliar" dos tucanos.[5] [6] O presidente do PPS, Roberto Freire, é amigo de José Serra desde os tempos de liderança estudantil.[7]

Ainda em 2005, o então Ministro da Integração Nacional pelo PPS, Ciro Gomes, fez duras críticas às políticas de Roberto Freire, reforçando a ideia de que o mesmo queria transformar o partido em uma "linha auxiliar de José Serra e do PSDB"[8] .

O ex-deputado Raul Jungmann também mostrou ter divergências sobre os rumos do partido, afirmando que "(...) infelizmente o PPS tem se posicionado como aliado do PSDB, sem nenhuma reciprocidade por parte desse. Estes interesses dos aliados são legítimos, mas cabe a nós a organização enquanto partido, e não como linha auxiliar".

Após o anúncio de sua pré-candidatura para a Prefeitura de São Paulo em 2012, Soninha Francine reiterou que "o PPS insiste na tese da construção de uma terceira via, fora da polarização PT × PSDB", e citou o histórico do PPS em apoiar candidatos como Luiz Inácio Lula da Silva e Luiza Erundina.[9]

Bancada na Câmara dos Deputados[editar | editar código-fonte]

Composição atual[editar | editar código-fonte]

Deputados AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
9 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 2 1 0 0 0 0 1 1 3 0

Fonte: "Conheça os Deputados", Portal, BR: Câmara dos Deputados, http://www2.camara.gov.br/deputados/pesquisa  – Selecione "Partido..." e "UF...", e clique no segundo botão, "Pesquisar".

Bancada eleita para a legislatura[editar | editar código-fonte]

Legislatura Eleitos  % AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO Diferença
54ª (2011-2015)
12 2,34 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 1 0 0 0 3 1 0 1 0 0 0 0 3 1 -10
53ª (2007-2011)
22 4,29 1 0 0 1 2 0 1 0 0 0 4 1 1 0 0 1 0 2 3 0 1 0 1 1 0 2 0 +7
52ª (2003-2007)
15 2,92 1 0 0 0 1 1 0 0 0 0 3 1 0 0 0 1 0 2 0 0 1 0 1 0 0 3 0 +12
51ª (1999-2003)
3 0,58 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0

Fonte: "Bancada na Eleição", Portal, BR: Câmara dos Deputados, http://www2.camara.gov.br/deputados/liderancas-e-bancadas/bancada-na-eleicao .

Participação do partido nas eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Ano Candidato a Presidente Candidato a Vice-Presidente Coligação Votos  % Colocação
2014 Marina Silva (PSB) Beto Albuquerque (PSB) PSB, PHS, PRP, PPS, PPL e PSL
2010 José Serra (PSDB) Indio da Costa (DEM) PSDB, DEM, PTB, PPS, PMN e PT do B 43.711.388 43,95
2002 Ciro Gomes (PPS) Paulo Pereira da Silva (PTB) PPS, PTB e PDT 10.170.882 11,97
1998 Ciro Gomes (PPS) Roberto Freire (PPS) PPS, PL e PAN 7.426.190 10,97
1994 Luiz Inácio Lula da Silva ( PT) Aloizio Mercadante (PT) PT, PSB, PC do B, PPS, PV e PSTU 17.122.127 27,04

Principais lideres[editar | editar código-fonte]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]