Terceira via

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Bill Clinton e Tony Blair, dois entusiastas da terceira via.

A terceira via é uma corrente que surge no Distributismo e mais tarde na ideologia social-democrata, porém, é também promovida por alguns partidários do liberalismo social. Tenta reconciliar a direita e a esquerda, através de uma política econômica ortodoxa e de uma política social progressista. À primeira vista, parece ser uma corrente que apresenta uma conciliação entre capitalismo de livre mercado e socialismo democrático. Entretanto, os defensores da terceira via veem-na como algo além do capitalismo de livre mercado e do socialismo democrático. Esta afirmação baseia a concepção alternativa da terceira via como "centrismo radical".

A terceira via tem sua origem no governo trabalhista que emergiu na Austrália no final da década de 1980. Popularizou-se durante o governo de Bill Clinton nos Estados Unidos, sendo também defendido pela mulher dele, Hillary, durante a campanha presidencial de 2008. O primeiro-ministro britânico Tony Blair e sua facção dentro do Partido Trabalhista, o New Labour, foram os defensores mais entusiastas da corrente.

Este pensamento defende um "Estado necessário", em que sua interferência não seja, nem máxima, como no socialismo, nem mínima, como no liberalismo. Também defende, entre outros pontos, a responsabilidade fiscal dos governantes, o combate à miséria, uma carga tributária proporcional à renda, com o Estado sendo o responsável pela segurança, saúde, educação e a previdência.

História[editar | editar código-fonte]

Desde meados do século XIX, após o aparecimentos da Revolução Industrial surge a história de dois sistemas económicos adversários o socialismo e o capitalismo fundado no liberalismo deixando espaço a outros. Será já nos anos 20 do século XX que G. K. Chesterton, juntamente com seu amigo Hilaire Belloc, criam o que chamaram de Distributismo. Uma teoria económica baseada nos princípios nos ensinamentos cristãos, referidos depois na encíclica do Papa Leão XIII, Rerum Novarum, que este propõe o direito à propriedade privada para todos chamando a atenção que ambos os sistemas acima referidos não o permitiam. Será sob essa égide que, no dia 17 de setembro de 1926, eles criaram a Liga Distributista e à qual propunha divulgar àquilo que chamavam uma "terceira via".

Muito mais tarde, em 5 de fevereiro de 1998, será o então primeiro-ministro britânico Tony Blair anunciou, em Washington, D.C., junto com o presidente estadunidense Bill Clinton, a decisão de convocar uma reunião internacional para discutir e atualizar a social-democracia, criando um movimento que foi denominado de "Terceira Via".1

Naquela época, o líder trabalhista britânico despontava como uma liderança mundial, conseguindo reunir sucessivamente, em Florença, Washington e Londres, figuras como Bill Clinton, Lionel Jospin, Gerhard Schröder, Massimo D'Alema, Fernando Henrique Cardoso, António Guterres e Ricardo Lagos, entre outros governantes e intelectuais ligados de uma forma ou outra à social-democracia europeia, ou ao Partido Democrata estadunidense.1

O projeto comum das lideranças reunidas era construir um novo programa que adequasse a velha social-democracia às novas ideias e políticas neoliberais, hegemônicas desde a ascensão de Margaret Thatcher e Ronald Reagan.1 De acordo com o economista José Luís Fiori, "o resultado foi uma geleia ideológica, com propostas extremamente vagas e imprecisas", voltado para a abertura, desregulação e desestatização das economias nacionais.1 De acordo com a revista francesa Nouvelle Observateur, se tratou de um "prolongamento vagamente social da revolução thatcherista".1

A ideologia social-democrata deu uma contribuição decisiva à história do século XX, em particular devido à criação do "estado do bem-estar social" após a Segunda Guerra Mundial.1 Entretanto, a partir da década de 1980, tal ideologia começou a perder fôlego político, o que acabou resultando em uma reformulação ideológica a partir das práticas neoliberais dos governos Thatcher e Reagan.1 Isso se deu na Espanha, com Felipe González, na França, com François Mitterrand, na Itália, com Bettino Craxi, e na Grécia, com Andréas Papandréu.1 Na décade de 1990, esta reformulação adquiriu outra densidade, com a vitória de Bill Clinton para a presidência dos Estados Unidos e de Tony Blair para o cargo de primeiro-ministro britânico.1

Na América Latina, o processo deu-se de maneira diferente, uma vez que as políticas neoliberais apareceram associadas à questão da renegociação da dívida externa do continente, como se fosse um problema de política econômica.1 Apenas no Chile e no Brasil, que a proposta da terceira via teve grande repercussão.1 No caso do Chile, esse destaque se deu a partir da consolidação da aliança entre o Partido Socialista e o Partido Democrata Cristão durante o governo de Ricardo Lagos (1990-1996), que aderiu pessoalmente ao projeto.1 No Brasil, o destaque se dá a partir da consolidação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e da participação ativa do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), na formulação das ideias do movimento, ao lado de Blair e Clinton.1

A terceira via começou a perder fôlego na década de 2000, em parte devido à derrota nas urnas de seus líderes mais importantes.1 O idealizador do movimento, Tony Blair, foi afastado da liderança do Partido Trabalhista em 2007, enfrentando forte oposição da imprensa e da opinião pública inglesa devido à denúncia de que teria mentido para justificar a entrada de seu país na Guerra do Iraque.1 Seu substituto, Gordon Brown, também ideólogo da terceira via acabou sofrendo uma das derrotas eleitorais mais arrasadoras da história do partido.1

Ideólogos[editar | editar código-fonte]

Um dos principais defensores e difusores do pensamento da Terceira Via é o sociólogo britânico Anthony Giddens. Ele expõe regularmente suas visões por meio de contribuições ao think tank Policy Network do Reino Unido. Outros acadêmicos que contribuíram para esse pensamento foram Robert Putnam, Ian Winter e Mark Lyon, entre diversos.

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p Fiori, José Luís. "Requiescat in pace". Valor Econômico. 25 de agosto de 2010.
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