Progressismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O progressismo é uma doutrina política ou corrente filosófica, muitas vezes relacionada ao evolucionismo e ao positivismo[1] . O progressismo expressa a crença ou o desejo de evolução, desenvolvimento, aperfeiçoamento, superação. Opõe-se ao conservadorismo.

Políticas progressistas são aquelas que propõem mudanças sócio-econômicas radicais, para o desenvolvimento e o progresso da sociedade.

Iluminismo[editar | editar código-fonte]

O grande avanço da ideia de progresso na Europa ocorreu com o Iluminismo, quando pensadores sociais e filósofos começaram a perceber que as próprias pessoas, em vez de deuses, podem mudar a sociedade e seu modo de vida. As figuras do Iluminismo acreditavam que o progresso tinha aplicação universal em todas as sociedades e que estas ideias se espalhariam da Europa para todo o mundo[2]

O moderno progressismo surgiu como parte de uma resposta às grandes mudanças sociais trazidas pela industrialização no mundo ocidental no final do século XIX, especialmente com a visão de que o progresso estava sendo sufocada pela grande desigualdade econômica entre os ricos e os pobres, devido ao não regulamentado Laissez-faire capitalismo, com fora de controle corporações monopolistas, conflitos intensos e muitas vezes violento entre trabalhadores e capitalistas, e falta de esforço por parte dos governos para resolver estes problemas.[3] O liberalismo moderno foi influenciado pelo filósofo liberal John Stuart Mill com a sua concepção de que as pessoas são "seres progressistas".[4]

Giambattista Vico argumentou, porque as pessoas criaram sua própria sociedade, elas também poderiam entendê-la completamente. Isso deu origem a novas ciências, ou proto-ciências, que pretendiam fornecer novos conhecimentos sobre o que a sociedade era e como se pode mudá-la para melhor.[1] Isto deu origem à ideologia progressista, em contraste com a opinião dos conservadores.

Posturas progressistas têm evoluído ao longo do tempo. No final do século XIX, havia progressistas que aceitavam o racismo científico pelo motivos de ele ter uma base científica, no entanto, este foi mais tarde descartado como resultado do racismo sendo demonstrado não ter uma base científica.[3] Posturas em relação ao imperialismo eram inicialmente divididas entre progressistas no final dos anos XIX e início do século XX, particularmente nos Estados Unidos, onde alguns progressistas apoiavam o imperialismo americano enquanto outros se opuseram a ele.[3]

Liberalismo[editar | editar código-fonte]

O pai do Liberalismo foi John Locke, ao contrário de Adam Smith, como se pensa. O liberalismo é uma corrente política que prevê, de fato, a liberdade em todas suas esferas: política, social e econômica. O liberalismo defende, principalmente, as eleições democráticas, direitos civis, liberdade de imprensa, liberdade de religião, livre comércio e propriedade privada. De acordo com a ética liberal, as liberdades individuais são o que há de mais importante. A sociedade liberal teria um governo mínimo (minarquismo), na qual as pessoas seriam livres para empreender e não teriam sua renda locupletada através de impostos que nem sempre são revertidos em serviços dos quais elas possam usufruir.

O liberalismo prega também o Livre Mercado, que é o conjunto de interações humanas sobre os recursos, sem ser restrito pela imposição política de interesses particulares. Difere-se, assim, de sistemas protecionistas ou mercantilistas. Enquanto explicava o funcionamento do mercado, a economia clássica de Adam Smith, David RicardoAnne Robert Jacques Turgot e Jean-Baptiste Say também caracterizava-se pela oposição às formas de restrições ao comércio.

Na idade contemporânea, defenderam o ideal liberal os teóricos Mises, Bastiat e Hayek, entre outros, que aperfeiçoaram o liberalismo clássico à economia global e de fluxos, criando o atual conceito de libertarianismo.

São exemplos de sociedades liberais: Holanda, Alemanha, Chile e Hong Kong.

Marxismo[editar | editar código-fonte]

Marx referiu-se ao progresso nos seguintes termos, segundo o materialismo histórico :

"A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar constantemente os instrumentos de produção e, por conseguinte, as relações de produção e, com elas, todas as relações sociais.A conservação inalterada do antigo modo de produção constituía, pelo contrário, a primeira condição de existência de todas as classes industriais anteriores(...) Cada etapa da evolução percorrida, pela burguesia era acompanhada de um progresso político correspondente. Classe oprimida pelo despotismo feudal, associação armada administrando-se a si própria na comuna; aqui, república urbana independente, ali, terceiro estado, tributário da monarquia; depois, durante o período manufatureiro, contrapeso da nobreza na monarquia feudal ou absoluta, pedra angular das grandes monarquias, a burguesia, desde o estabelecimento da grande indústria e do mercado mundial, conquistou, finalmente, a soberania política exclusiva no Estado representativo moderno... A história de toda a sociedade até nossos dias consiste no desenvolvimento dos antagonismos de classe, antagonismos que se têm revestido de formas diferentes nas diferentes épocas(...) A propriedade privada atual, a propriedade burguesa, é a última e mais perfeita expressão do modo de produção e de apropriação baseado nos antagonismos de classe, na exploração de uns pelos outros."[5]

Em linhas gerais, o antigo, feudais e modernos modos de produção burguesas podem ser designados como épocas que marcam o progresso no desenvolvimento econômico da sociedade. O modo de produção burguês é a última forma antagônica do processo social de produção - não antagônica no sentido de antagonismo individual, mas de um antagonismo que emana das condições de existência sociais dos indivíduos -, mas as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam também as condições materiais para a solução deste antagonismo.[6]

Além disso, segundo Marx, o progresso social é baseado na interação entre as forças produtivas e relações de produção:

"Nenhuma ordem social jamais é destruída antes que todas as forças produtivas tenham sido suficientemente desenvolvidas, e as novas relações de produção superiores nunca substituem as antigas antes que as condições materiais para sua existência tenham amadurecido dentro da estrutura da antiga sociedade." [7]

Ainda segundo o marxismo, o capitalismo, na sua busca de lucros mais altos e novos mercados, inevitavelmente irá lançar as sementes de sua própria destruição, sendo substituído pelo socialismo e, afinal, pelo comunismo.

São exemplos de sociedades marxistas: a extinta URSS, China, Laos, Vietnã, Cuba, Venezuela, Zimbábue.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b J. B. Bury The Idea of Progress, 1920 :

    The history of the idea of Progress has been treated briefly and partially by various French writers; e.g. Comte, Cours de philosophie positive, vi. 321 sqq.; Buchez, Introduction a la science de l'histoire, i. 99 sqq. (ed. 2, 1842); Javary, De l'idee de progres (1850); Rigault, Histoire de la querelle des Anciens et des Modernes (1856); Bouillier, Histoire de la philosophie cartesienne (1854); Caro, Problemes de la morale sociale (1876); Brunetiere, "La Formation de l'idee de progres", in Etudes critiques, 5e serie. More recently M. Jules Delvaille has attempted to trace its history fully, down to the end of the eighteenth century. His Histoire de l'idee de progres (1910) is planned on a large scale; he is erudite and has read extensively. But his treatment is lacking in the power of discrimination. He strikes one as anxious to bring within his net, as theoriciens du progres, as many distinguished thinkers as possible; and so, along with a great deal that is useful and relevant, we also find in his book much that is irrelevant. He has not clearly seen that the distinctive idea of Progress was not conceived in antiquity or in the Middle Ages, or even in the Renaissance period; and when he comes to modern times he fails to bring out clearly the decisive steps of its growth. And he does not seem to realize that a man might be "progressive" without believing in, or even thinking about, the doctrine of Progress. Leonardo da Vinci and Berkeley are examples. In my Ancient Greek Historians (1909) I dwelt on the modern origin of the idea (p. 253 sqq.). Recently Mr. R. H. Murray, in a learned appendix to his Erasmus and Luther, has developed the thesis that Progress was not grasped in antiquity (though he makes an exception of Seneca) - a welcome confirmation.

  2. Rieber, Alfred J.. "Enlightenment Phantasies: Cultural Identity in France and Germany, 1750-1914" (em inglês). [S.l.]: Cornell University, 2003. p. 157.
  3. a b c Nugent, Walter. 'Progressivism: A Very Short Introduction'. [S.l.]: Oxford University Press, 2010. 2 pp. ISBN 9780195311068
  4. Alan Ryan. The Making of Modern Liberalism. P. 25.
  5. Marx e Engels.Manifesto do Partido Comunista
  6. Marx, Karl. / A Contribution to the Critique of Political EconomyPreface (em en) marxists.org. Página visitada em 27 de setembro 2013.
  7. Marx, Karl. Preface Critique of political economy..

Ligações externas[editar | editar código-fonte]