George Berkeley

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George Berkeley
George Berkeley
George Berkeley by John Smibert.jpg
Data de nascimento: 12 de março de 1685
* Local: Condado de Kilkenny
Data de falecimento 14 de janeiro de 1753 (67 anos)
* Local: Oxford
Principais interesses: Metafísica
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George Berkeley (Condado de Kilkenny, 12 de março de 1685Oxford, 14 de janeiro de 1753) foi um filósofo Idealista irlandês.

Estudou no Trinity College de Dublin, onde se tornou fellow em 1707. Lecionou hebraico, grego e teologia. Por esta época, dedicou-se ao estudo sistemático da filosofia (em especial John Locke, Isaac Newton e Malebranche).

Dois anos mais tarde, publicou seu primeiro livro importante: Ensaio para uma nova teoria da visão. Em 1710, apresentou seu princípio de que ser é ser percebido (esse est percipi) na primeira parte da obra Tratado sobre os princípios do conhecimento humano. Em 1712 publicou Três diálogos entre Hilas e Filonous a fim de melhor explicar as concepções propostas na obra anterior.

Ao mesmo tempo, Berkeley era ministro da Igreja Anglicana e, em Londres, escreveu uma série de artigos no jornal The Guardian contra os livre-pensadores. Em 1713 abandona essa atividade e torna-se preceptor de jovens ingleses que desejavam conhecer a Itália. Viajou para lá, onde permaneceu até 1721. Nesse período, perdeu o manuscrito da segunda parte dos Princípios, que jamais voltaria a escrever.

Em seguida, atirou-se à polêmica religiosa, atribuindo todos os males de seu país à incredulidade. Pensando em remediá-los, tornou-se missionário e foi para as Bermudas, onde ficou três anos. Nessa viagem pelo novo mundo, escreveu o Alciphron em 1732.

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De volta a Londres, escreveu O analista entre 1732 e 1734. Nesta obra, criticava o cálculo diferencial e integral de Newton. Também escreveu Uma defesa do livre pensamento em matemática. Ainda em 1734, é nomeado bispo de Cloyne, na Irlanda. Durante a fome e a epidemia de peste, que ocorreram entre 1737 e 1741, Berkeley devotou-se aos doentes, tentando curá-los com água de alcatrão. Sobre o tema, escreveu uma obra chamada Siris, em 1744. Também por esta época escreveu O questionador, onde reflete sobre questões econômicas e sociais.

Em 1752, já velho e doente, Berkeley renunciou ao episcopado e se retirou para Oxford, onde veio a morrer.

Filosofia imaterialista[editar | editar código-fonte]

Berkeley aceita o empirismo de Locke mas não admite a passagem dos conhecimentos fornecidos pelos dados da experiência para o conceito abstrato de substância material. Por isso, e assumindo o mais radical empirismo, Berkeley afirma que uma substância material não pode ser conhecida em si mesma. O que se conhece, na verdade, resume-se às qualidades reveladas durante o processo perceptivo. Assim, o que existe realmente nada mais é que um feixe de sensações e é por isso que Esse est percibi - ser é ser percebido. O que está em xeque não é a negação do mundo exterior, mas sim o conceito fundamental, desde Descartes, de uma ideia de matéria como constituinte de tudo o que é e que fosse diferente da substância pensante. Para fugir do subjetivismo individualista (pois tudo que existe somente existiria para a mente individual de cada indivíduo), Berkeley postula a existência de uma mente cósmica que seria universal e superior à mente dos homens individuais. Deus é essa mente e tudo o mais seria percebido por Ele (de modo que a existência do mundo exterior à mente individual e subjetiva do homem, estaria garantida).

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 1685. Nasce George Berkeley, no dia 12 de março, em Kilkenny, na Irlanda, no Castelo de Dysart, próximo a Thomastown.
  • 1696. Berkeley vai para o Kilkenny College.
  • 1700. Ingressa no Trinity College, de Dublin.
  • 1702. É eleito Scholar.
  • 1704. Recebe o título de Bacharel em Artes (B.A.), no Trinity College.
  • 1707. Recebe o título de Mestre em Artes (M.A.); é eleito fellow do Trinity College; desenvolve a filosofia imaterialista, parcialmente registrada em dois cadernos de anotações, conhecidos atualmente como Comentários filosóficos; publica dois breves tratados matemáticos, intitulados Arithmetica e Miscellanea Mathematica.
  • 1708. Profere, em 11 de janeiro, um sermão sobre a imortalidade; redige a primeira versão da Introdução (manuscrita) do Tratado sobre os princípios do conhecimento humano.
  • 1709. Publica Um ensaio para uma nova teoria da visão.
  • 1710. Publica Tratado sobre os princípios do conhecimento humano; ordena-se padre.
  • 1712. Publica Discurso sobre a obediência passiva, previamente apresentado na forma de três sermões.
  • 1713. É apresentado à Corte Inglesa por Jonathan Swift, autor da obra Viagens de Gulliver, e logo se torna um favorito da Corte; publica, em Londres, Três diálogos entre Hylas e Philonous; faz sua primeira viagem pelo continente europeu; visita Paris e Lyon, dentre outras cidades.
  • 1716. Como acompanhante de viagem de George Ashe (1658-1718), bispo de Clogher e amigo de Swift, faz um grande tour pela Europa; visita Paris, Roma, Turim, Nápoles, dentre outras cidades.
  • 1717. Escreve uma carta sobre a erupção do Monte Vesúvio; mantém um diário sobre sua viagem à Itália.
  • 1720. Retorna a Londres.
  • 1721. Recebe o título de Bacharel em Teologia (B.D.) e o de Doutor em Teologia (D.D.); publica De Motu; Essay on the Ruine of Great Britain.
  • 1722. Resolve criar um colégio nas Bermudas; é indicado para Deão de Dromore.
  • 1724. Nomeado Deão de Derry; delega seu cargo e usa sua renda para sustentar o Projeto Bermudas; publica An Proposal for the Better Supplying of Churches in our Foreign Plantations, and for converting the Savage Americans to Christianity, o anúncio público do Projeto Bermudas.
  • 1726. O Parlamento aprova, e o tesouro promete, uma subvenção de £20.000 para o Projeto Bermudas.
  • 1728. Em agosto, casa-se com Anne Forster; em setembro, depois de quatro anos de preparação para o novo colégio, viaja para a América do Norte; desembarca em Virgínia.
  • 1729. Em Newport, Rhode Island (EUA), compra uma propriedade para o colégio.
  • 1730. Espera a subvenção do Tesouro; pronuncia sermões; escreve Alciphron.
  • 1731. Fica sabendo que a subvenção não será paga; retorna a Londres.
  • 1732. Publica Alciphron, or The Minute Philosopher, obra em sete diálogos “contendo uma apologia a favor da religião cristã contra os assim chamados livre-pensadores”.
  • 1733. Publica A teoria da visão confirmada e explicada.
  • 1734. É consagrado bispo de Cloyone, onde serve sua diocese durante quase vinte anos; publica O analista.
  • 1735. Publica A Defence of Free-thinking in Mathematics e a primeira parte de The Querist, uma obra que examina as razões das péssimas condições econômicas na Irlanda.
  • 1736. Publica a segunda parte de The Querist.
  • 1737. Publica a terceira parte de The Querist; em Dublin, toma posse na Casa dos Lordes.
  • 1738. Discourse Addressed to Magistrates.
  • 1744. Publica Siris: a Chain of Philosophical Reflections and Inquiries concerning the Virtues of Tar-water, and divers other subjects, obra que contém uma discussão dos valores medicinais da água de alcatrão e faz uma exposição sobre a natureza metafísica do universo físico e espiritual assim como de Deus.
  • 1749. Publica Word to the Wise.
  • 1751. Morre William, seu filho mais velho.
  • 1752. Deixa Cloyne e vai para Oxford com sua família, onde estuda seu filho George. Publica Miscellany e a última edição de Alciphron.
  • 1753. Morre em Oxford, no dia 14 de janeiro; é enterrado na nave da Christ Church, de Oxford.

Principais obras[editar | editar código-fonte]

Textos sobre Berkeley em português[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]