Deísmo

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O deísmo é uma posição filosófica naturalista que aceita a existência e a natureza de Deus (Criador ou não) através da razão, do livre pensamento e da experiência pessoal, em vez dos elementos comuns das religiões teístas como a revelação direta, ou tradição. Deus é um Criador ou Organizador do Universo (comparável ao Demiurgo do filósofo grego Platão), é a primeira causa da filosofia deísta. Em palavras mais simples: um deísta é aquele que está inclinado a afirmar a existência de Deus, mas não pratica nenhuma religião, não negando a realidade de um mundo completamente regido pelas leis naturais e físicas. A interpretação de Deus pode variar para cada deísta.

Deístas, em geral, acreditam que as ideologias religiosas devem tentar reconciliar e não contradizer a ciência, ou seja, o deísmo pode ser considerado um derivado do teísmo agnóstico. Assim, um dos princípios fundamentais desta posição é baseada na consolidação de que Deus existe e criou o universo físico, mas não interfere nele (postulado que inclui a evolução teísta) de maneira evidente como sugerem as religiões teístas, mas de maneira providencialista (ocorre sem que se perceba claramente). Também não tomam posição sobre o que Deus faz fora do mundo físico (céu, inferno, reencarnação e etc). O deísmo nega revelações divinas ao contrário com o fideísmo encontrado em muitos ensinamentos do Cristianismo, Islamismo e Judaísmo, que afirma que a religião depende da revelação das escrituras ou o testemunho de outras pessoas.

Os deístas tipicamente também tendem a rejeitar eventos sobrenaturais, isso por que a razão (com toda sua limitação) não aceitaria tais ideias (milagres, profecias, etc.) não as negando, mas não aceitando como uma verdade racional. Sobre as religiões organizadas que usam revelações divinas e livros sagrados, a maioria dos deístas interpretam-as como invenção de outros seres humanos, e não como fontes de autoridade, mas podem aceitá-las como inspiração espiritual. Os deístas dizem que o maior presente de Deus para a humanidade não é a religião, mas "a capacidade de raciocinar".

Conceitos[editar | editar código-fonte]

Voltaire (1694-1778) filósofo francês, foi um deísta. Acreditava que para chegar a Deus não se precisa ir à igreja, mas à razão.

Os deístas não acreditam em um Deus como apregoam as religiões, nem mesmo acreditam que as religiões possam estar certas quanto a se dizerem conhecedoras da Palavra de Deus, ou da maneira como Deus quer que nós ajamos moralmente. Não há quaisquer comprovações científicas da veracidade de tais argumentos. Como meio de investigação para comprovações metafísicas, os deístas tendem a aceitar totalmente a lógica para tal. Logo, para os deístas, as religiões denominacionais são apenas invenções humanas.

O deísta acredita que a própria estrutura do universo, tão complexa como é, é a prova de que existe um Deus criador, entretanto é importante ressaltar que o deísmo permite aos seus seguidores uma livre interpretação disso. Para alguns deístas, por exemplo, Deus pode ser um ser transcendental criador das coisas, para outros pode ser uma força completamente neutra, não pensante, não sobrenatural, que gera e mantém o universo.

O Deísmo pretende enfrentar a questão da existência de Deus, através da razão, em lugar dos elementos comuns das religiões teístas tais como a "revelação divina", os dogmas e a tradição. Os deístas geralmente questionam as religiões denominacionais e seu(s) deus(es) dito(s) "revelado(s)", argumentando que Deus é o criador do mundo, mas que não intervém, nos afazeres do mesmo (posição criada por ateus dentro da doutrina filosófica deísta), embora esta posição não seja estritamente parte da filosofia deísta. Para os deístas, Deus se revela através da ciência e as leis da natureza. Pessoas que não são seguidoras de religiões mas não estão dispostas a ver a realidade dessa maneira e acreditam num Deus interferente não são deístas, mas na verdade irreligiosas.

Quanto a questões metafísicas, como a existência ou não de vida após a morte, cada deísta é livre para formar a sua opinião sobre isso. Podem crer, ou podem ser incertos sobre isso, achando que não dá para saber ou que ainda não foram encontradas provas que comprovassem ou desmentissem essa ideia.

Um deísta pode ter opiniões bem diferentes de outras pessoas que acreditam em Deus, como achar que Deus não faz questão de ter o seu nome escrito com inicial maiúscula, acreditar que ele não quer ser adorado, acreditar que ele nem mesmo sabe que nós existimos, e etc. Mas isso não ocorre necessariamente com todos eles, já que cada um é um livre pensador individual, com conceitos diferentes, tendo apenas a não interferência como característica em comum, portanto, as concepções de um deísta para o outro podem variar.

Os deístas em geral consideram que Anjos e Demônios são apenas fraquezas da mente humana que podem ser vencidas pelo raciocínio lógico; assim como não acreditam que Deus castigue ou premie as pessoas pelos seus atos, acreditando que cada um é responsável pelas atitudes que toma e suas consequências.

O mais próximo da ideia de um Deus interferente em que um deísta pode acreditar é a ideia de uma providência geral como Voltaire, por exemplo, disse certa vez a uma senhora: Minha senhora, acredito em uma providência geral, mas não numa providência particular que salvou o seu pássaro que estava machucado.

Ou seja, deístas não tem religião, e acreditam em uma divindade não interferente (ou não mais interferente), criador ou não do universo. Portanto, não acreditam em milagres e, se acreditam, interpretam de uma forma natural.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Edward Herbert, considerado o "pai do deísmo", retratado por Isaac Oliver (1560–1617)

As raízes do deísmo estão ligadas aos antigos filósofos gregos, e sobretudo à filosofia aristotélica da primeira causa. Mais tarde este movimento floresce durante o Iluminismo, com o apoio de cientistas britânicos e italianos como Galileu Galilei e Isaac Newton.

As primeiras obras de críticas a Bíblia, tais como Thomas Hobbes no Leviatã e Spinoza no Tratado Político Teológico, bem como obras de autores menos conhecidos, como Richard Simon e Isaac La Peyrère, pavimentaram o caminho para o desenvolvimento do deísmo crítico.

Edward Herbert, Lorde de Cherbury (1583-1648), é geralmente considerado como o "pai do deísmo inglês", e seu livro De Veritate (na verdade, It Is Distinguished from Revelation, the Probable, the Possible, and the False) (1624) a primeira grande demonstração do deísmo.[2] [3]

Herbert apresentou os pontos básicos do deísmo que pode ser resumido na seguinte maneira: "Deus existe, e pode ser cultuado pelo arrependimento e por uma vida de tal modo digna, que a alma imortal possa receber a recompensa eterna em vez do castigo". Outros deístas influentes, como Charles Bloynt (1654-1693), John Tolarndt(1670-1722), Lorde Shaftesbury (1671-1713) pregaram que o cristianismo não era um mistério e poderia ter sua autenticidade verificada pela razão; tudo o que não pudesse ser provado pela razão deveria ser descartado.

Entretanto, foi na época do Iluminismo no final do século XVII, que o movimento deísta atingiu o seu apogeu partir dos escritos de autores ingleses e franceses como Thomas Hobbes, John Locke, Jean Jacques Rousseau e Voltaire. O mais famoso dos deístas franceses foi Voltaire, que adquiriu o gosto pela ciência newtoniana, e reforçou inclinações deístas, durante uma visita de dois anos a Inglaterra a partir de 1726.

Ao mesmo tempo, com a imigração de deístas ingleses, a divulgação dos escritos deístas e a difusão das ideias iluministas nas Treze Colônias contribuíram para popularizar o deísmo nos Estados Unidos, com os escritos dos norte-americanos, John Quincy Adams, Ethan Allen, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, James Madison, George Washington e, especialmente, Thomas Paine em seu livro A Era da Razão. Os princípios deístas, especificamente tiveram efeito sobre as estruturas política e religiosa dos Estados Unidos, tais como a separação entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa.

Thomas Paine, grande divulgador do deísmo nos Estados Unidos.

O deísmo, geralmente considerado como uma influente escola de pensamento, declinou em cerca de 1800. O termo deísta tornou-se raramente utilizado, mas as crenças deístas, suas ideias e influências não. Elas podem ser vistos no século XIX na teologia liberal britânica e na ascensão do unitarianismo, que adotou muitas das suas crenças e ideias. Mesmo hoje, há um número significativo de sites deístas.

Vários fatores contribuíram para um declínio geral na popularidade do deísmo, incluindo:

  • o surgimento, crescimento e propagação do naturalismo e do materialismo, que foram ateístas;
  • os escritos de David Hume e Immanuel Kant (e mais tarde, Charles Darwin), que aumentaram dúvida sobre o argumento da primeira causa e do Argumento Teleológico, transformando muitos (embora não todos) potenciais deístas ao ateísmo ou panendeísmo;
  • perda de confiança em que a razão e o racionalismo poderiam resolver todos os problemas;
  • críticas de excessos da Revolução Francesa;
  • críticas que o livre pensamento levaria inevitavelmente ao ateísmo;
  • uma campanha antideísta e anti-razão de alguns clérigos cristãos para caluniar o deísmo e equipará-lo com o ateísmo na opinião pública;
  • revivalismo de movimentos cristãos que afirmavam que uma relação pessoal com uma divindade era possível.

Características[editar | editar código-fonte]

Os deístas não estão presos a nenhum tipo de mitologia ou dogma, podendo ou não acreditar em algum tipo de pós-vida. Frequentemente, os deístas se encontram insatisfeitos com as religiões denominacionais, e apresentam, geralmente, algumas afirmações que os diferenciam dos religiosos e teístas.

Pandeísmo[editar | editar código-fonte]

Pandeísmo é uma corrente filosófica que surgiu da mistura do panteísmo com o deísmo. Panteísmo é a crença de que tudo compõe um Deus abrangente e imanente, ou que o Universo (ou Natureza) é idêntica à divindade. Panteístas e pandeístas, assim, não acreditam em um deus pessoal ou antropomórfico. Para pandeístas: "Deus originou e se tornou o Universo".

Deístas famosos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e Referências

  1. PAINE, Thomas Age of Reason, Part First, Section 15
  2. Título não preenchido. Favor adicionar. [S.l.: s.n.].
  3. Orr, John. English Deism: Its Roots and Its Fruits. [S.l.: s.n.], 1934. 59 ff. pp.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]