Ateísmo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Ateísmo, num sentido amplo, é a ausência de crença na existência de divindades.[1] O ateísmo é oposto ao teísmo,[2] [3] que em sua forma mais geral é a crença de que existe ao menos uma divindade.[3] [4] [5] [6]

O termo ateísmo, proveniente do grego clássico ἄθεος (transl.: atheos), que significa "sem Deus", foi aplicado com uma conotação negativa àqueles que se pensava rejeitarem os deuses adorados pela maioria da sociedade. Com a difusão do pensamento livre, do ceticismo científico e do consequente aumento da crítica à religião, a abrangência da aplicação do termo foi reduzida. Os primeiros indivíduos a identificarem-se como "ateus" surgiram no século XVIII.[7]

Os ateus tendem a ser céticos em relação a afirmações sobrenaturais, citando a falta de evidências empíricas que provem sua existência. Os ateus têm oferecido vários argumentos para não acreditar em qualquer tipo de divindade. O complexo ideológico ateísta inclui: o problema do mal, o argumento das revelações inconsistentes e o argumento da descrença. Outros argumentos do ateísmo são filosóficos, sociais e históricos. Embora alguns ateus adotem filosofias seculares,[8] [9] não há nenhuma ideologia ou conjunto de comportamentos que todos os ateus seguem.[10] Na cultura ocidental, assume-se frequentemente que os ateus são irreligiosos, embora alguns ateus sejam espiritualistas.[11] Ademais, o ateísmo também está presente em certos sistemas religiosos e crenças espirituais, como o jainismo, o budismo e o hinduísmo. O jainismo e algumas formas de budismo não defendem a crença em deuses,[12] enquanto o hinduísmo mantém o ateísmo como um conceito válido, mas difícil de acompanhar espiritualmente.[13]

Como os conceitos sobre a definição do ateísmo variam, é difícil determinar quantos ateus existem no mundo atualmente com precisão.[14] Segundo uma estimativa, cerca de 2,3% da população mundial descreve-se como ateia, enquanto 11,9% descreve-se como não-religiosa.[15] De acordo com outra estimativa, as taxas de pessoas que se auto-declaram como ateias são mais altas em países ocidentais, embora também varie bastante em grau — Estados Unidos (4%), Itália (7%), Espanha (11%), Reino Unido (17%), Alemanha (20%) e França (32%).[16]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra do grego clássico αθεοι (transl.: atheoi), tal como aparece na Epístola aos Efésios (2:12) no início do século III.

No grego antigo, o adjetivo ἄθεος (transl.: atheos) é formado pelo prefixo a, significando "ausência" e o radical "teu", derivado do grego theós, significando "deus". O significado literal do termo é, então, "sem deus".

A palavra passou a indicar de forma mais direta pessoas que não acreditavam em deuses no século V a.C., adquirindo definições como "cortar relações com os deuses" ou "negar os deuses". O termo ἀσεβής (asebēs) passou então a ser aplicado contra aqueles que impiamente negavam ou desrespeitavam os deuses locais, ainda que crendo em outros deuses. Modernas traduções de textos clássicos, por vezes tornam atheos em "ateu". Como substantivo abstrato, também existia ἀθεότης (atheotes), "ateísmo". Cícero traduziu a palavra do grego para o latim como atheos. O termo era frequentemente usado pelas duas partes, no sentido pejorativo, no debate entre os primeiros cristãos e os helênicos.[17]

Cquote1.svg Durante os séculos XVI e XVII, a palavra "ateu" ainda era reservada exclusivamente para a polêmica … O termo "ateu" era um insulto. Não ocorreria a alguém autodenominar-se ateu. Cquote2.svg

O termo "ateísmo" foi utilizado pela primeira vez para descrever uma crença autoconfessa na Europa do final do século XVIII, especificamente denotando descrença no deus monoteísta abraâmico.[19]

No século XX, a globalização contribuiu para a expansão do termo para referir-se à descrença em todos os deuses, embora ainda seja comum na sociedade ocidental descrever o ateísmo como simples "descrença em Deus."[20] Mais recentemente, tem havido um movimento em certos círculos filosóficos para redefinir ateísmo como a "ausência de crença em divindades", e não como uma crença em si mesmo; esta definição tornou-se popular em comunidades ateístas, embora sua utilização tenha sido limitada.[20] [21] [22]

Definição e distinções[editar | editar código-fonte]

Um Diagrama de Venn mostrando a relação entre as definições de ateísmo fraco/forte e ateísmo implícito/explícito. Ateus explícitos fortes/positivos/duros (em roxo à direita) afirmam que "existe pelo menos uma deidade" é uma afirmação falsa. Os ateus explícitos fracos/negativos/suaves (em azul à direita) rejeitam ou distanciam-se da crença de que existe qualquer deidade sem realmente afirmarem que "pelo menos uma deidade existe" é uma afirmação falsa. Os ateus implícitos/fracos/negativos (em azul à esquerda) incluiriam pessoas (como crianças pequenas e alguns agnósticos) que não creem numa deidade, mas que não rejeitaram explicitamente tal crença. (Os tamanhos no diagrama não são representativos dos tamanhos relativos dentro de uma população.)

Autores discutem entre si sobre qual a melhor forma de definir e classificar o "ateísmo", contestando quais as entidades sobrenaturais a que o termo se aplica, se é uma afirmação por direito próprio ou se é meramente a ausência de uma, e se requer uma rejeição consciente, explícita. Uma variedade de categorias têm sido propostas para tentar distinguir as diferentes formas de ateísmo.[23]

Abrangência[editar | editar código-fonte]

Alguma da ambiguidade e controvérsia envolvida na definição do ateísmo resulta da dificuldade em chegar a um consenso sobre a definição de palavras como "divindade" e "Deus". A pluralidade de concepções muito diferentes de deus e de divindades conduz a ideias conflituosas sobre a aplicabilidade do ateísmo. Os antigos romanos acusavam os cristãos de serem ateus por não adorarem os seus deuses pagãos. Aos poucos, essa visão caiu em desuso, pois o teísmo passou a ser entendido como a crença em qualquer divindade.[24]

No que diz respeito à gama de fenômenos sendo rejeitados, o ateísmo pode contrapor-se a qualquer coisa desde a existência de uma divindade à existência de quaisquer conceitos espirituais, sobrenaturais ou transcendentais, como os do budismo, hinduísmo, jainismo e taoísmo.[24]

Implícito versus explícito[editar | editar código-fonte]

As definições do ateísmo também variam quanto ao grau de consideração que uma pessoa deve dar à ideia de deus (ou deuses) para ser considerado um ateu. O ateísmo tem sido por vezes definido para incluir a simples ausência de crença na existência de qualquer divindade. Essa definição ampla incluiria os recém-nascidos e outras pessoas que não tenham sido expostas a ideias teístas. Já em 1772, o Barão d'Holbach disse que: "Todas as crianças nascem ateias, elas não têm ideia de Deus".[25] Do mesmo modo, o escritor norte-americano George H. Smith sugeriu em 1979 que: "O homem que não está familiarizado com o teísmo é ateu porque não acredita em um deus. Esta categoria também incluiria a criança com a capacidade conceitual de compreender as questões envolvidas, mas que ainda não tomou conhecimento dessas questões. O fato de que esta criança não acredita em Deus qualifica-a como ateu."[26] Smith cunhou o termo "ateísmo implícito" para se referir à "ausência de crença teísta sem uma rejeição consciente dela" e "ateísmo explícito" para referir-se à definição mais comum de descrença consciente. Ernest Nagel contradiz a definição de Smith sobre o ateísmo como uma mera "ausência de teísmo", reconhecendo apenas o ateísmo explícito como "ateísmo" verdadeiro.[27]

Positivo versus negativo[editar | editar código-fonte]

Filósofos como Antony Flew[28] e Michael Martin[29] têm contrastado o ateísmo positivo (forte/duro) com o ateísmo negativo (fraco/suave). O ateísmo positivo é a afirmação explícita de que os deuses não existem. O ateísmo negativo inclui todas as outras formas de não-teísmo. Segundo esta classificação, quem não é um teísta é um ateu negativo ou positivo.[30] Os termos "ateísmo forte" e "ateísmo fraco" são relativamente recentes, enquanto os termos "ateísmo negativo" e "ateísmo positivo" são de origem mais antiga, tendo sido utilizados (de maneira ligeiramente diferente) na literatura filosófica[28] e na apologética católica.[31] Sob esta demarcação do ateísmo, a maioria dos agnósticos podem ser qualificados como ateus negativos.

Como mencionado acima, os termos "positivo" e "negativo" têm sido usados na literatura filosófica de uma forma similar aos termos "forte" e "fraco", respectivamente. No entanto, o livro Ateísmo Positivo, do escritor indiano Goparaju Ramachandra Rao, publicado pela primeira vez em 1972, introduziu um uso alternativo do termo.[32] Tendo crescido em um sistema hierárquico com uma base religiosa, Gora pedia uma Índia secular e sugeriu diretrizes para uma filosofia ateísta positiva, ou seja, uma que promova os valores positivos.[33] O ateísmo positivo, definido desta forma, implica coisas como moralmente reto, mostrando um entendimento de que as pessoas religiosas têm razões para acreditar, sem proselitismo ou dando lições sobre o ateísmo e defender-se com honestidade, em vez de com o objetivo de "ganhar" qualquer confronto com os críticos sinceros.

Enquanto Martin, por exemplo, afirma que o agnosticismo implica o "ateísmo negativo",[29] a maioria dos agnósticos vêem o seu ponto de vista como distinto do ateísmo, o qual podem considerar tão pouco justificado como o teísmo ou como requerendo igual convicção.[34] A afirmação da intangibilidade do conhecimento a favor ou contra a existência de deuses é às vezes vista como indicação de que o ateísmo requer .[35] As respostas comuns de ateus contra este argumento incluem que proposições religiosas não comprovadas merecem tanta descrença quanto todas as outras proposições não comprovadas[36] e que a improbabilidade da existência de um deus não implica igual probabilidade para ambas as possibilidades.[37] O filósofo escocês J.J C. Smart argumenta ainda que "às vezes uma pessoa que é realmente ateia pode descrever-se, mesmo apaixonadamente, como agnóstica devido ao irrazoável ceticismo filosófico generalizado que nos impediria de dizer que sabemos alguma coisa qualquer, exceto, talvez, as verdades da matemática e da lógica formal."[38] Por conseguinte, alguns autores ateus como Richard Dawkins preferem distinguir as posições teísta, agnóstica e ateia segundo a probabilidade que cada uma delas atribui à afirmação "Deus existe".[39]

Definição como impossível ou impermanente[editar | editar código-fonte]

Antes do século XVIII, a existência de Deus era tão universalmente aceita no mundo ocidental, que mesmo a possibilidade do ateísmo verdadeiro era questionada. Isso é chamado de inatismo teísta, a noção de que todas as pessoas acreditam em Deus, desde o nascimento; dentro desta visão estava a conotação de que os ateus estão simplesmente em negação.[40]

Existe também uma posição alegando que os ateus são rápidos a acreditar em Deus em tempos de crise, que os ateus fazem conversões no leito de morte, ou de que "não existem ateus nas trincheiras."[41] Alguns defensores dessa posição afirmam que um dos benefícios da religião é que a religiosa permite aos seres humanos suportarem melhor as dificuldades, funcionando como o "ópio do povo". Contudo, tem havido exemplos do contrário, entre os quais exemplos de literais "ateus nas trincheiras."[42]

Alguns ateus questionam a própria necessidade de usar o termo "ateísmo". Em seu livro Carta a Uma Nação Cristã, Sam Harris escreve:

Na verdade, o "ateísmo" é um termo que nem deveria existir. Ninguém precisa identificar-se como um "não-astrólogo" ou "não-alquimista". Não temos palavras para pessoas que duvidam que Elvis ainda está vivo ou que estrangeiros têm atravessado a galáxia só para molestar fazendeiros e seu gado. O ateísmo é nada mais do que ruídos que pessoas razoáveis ​​fazem na presença de crenças religiosas injustificadas.[43]

Conceitos filosóficos[editar | editar código-fonte]

Barão d'Holbach, um defensor do ateísmo no século XVIII.

A fonte da infelicidade do homem é a sua ignorância da Natureza. A pertinácia com que ele se agarra a opiniões cegas absorvidas em sua infância, que se entrelaçam com sua existência, o preconceito consequente que deforma sua mente, que impede sua expansão, que o torna o escravo da ficção, parece condená-lo ao erro contínuo. d'Holbach em O Sistema da Natureza[44]

A mais ampla demarcação da lógica ateísta é entre o ateísmo prático e teórico.

Ateísmo prático[editar | editar código-fonte]

No ateísmo prático ou pragmático, também conhecido como apateísmo, os indivíduos vivem como se não existissem deuses e explicam fenômenos naturais sem recorrer ao divino. A existência de deuses não é rejeitada, mas pode ser designada como desnecessária ou inútil; de acordo com este ponto de vista os deuses não dão um propósito à vida, nem influenciam a vida cotidiana.[45] Uma forma de ateísmo prático, com implicações para a comunidade científica, é o naturalismo metodológico - a "adoção tácita ou assunção do naturalismo filosófico no método científico, aceitando-o ou nele acreditando, totalmente ou não."[46]

O ateísmo prático pode assumir várias formas:

  • Ausência de motivação religiosa — a crença em deuses não motiva a ação moral, a ação religiosa, ou qualquer outra forma de ação;
  • Exclusão ativa do problema dos deuses e da religião da busca intelectual e de ações concretas;
  • Indiferença — a ausência de qualquer interesse pelos problemas dos deuses e da religião; ou
  • Desconhecimento do conceito de uma divindade.[47]

Ateísmo teórico[editar | editar código-fonte]

Argumentos ontológicos[editar | editar código-fonte]

O ateísmo teórico postula explicitamente argumentos contra a existência de deuses, respondendo a argumentos teístas comuns, como o argumento teleológico ou a Aposta de Pascal. Na verdade, o ateísmo teórico é principalmente uma ontologia, precisamente uma ontologia física.

Argumentos epistemológicos[editar | editar código-fonte]

O ateísmo epistemológico argumenta que as pessoas não podem conhecer um Deus ou determinar a existência de um Deus. O fundamento do ateísmo epistemológico é o agnosticismo, o qual assume uma variedade de formas. Na filosofia da imanência, a divindade é inseparável do próprio mundo, incluindo a mente de uma pessoa e a consciência de cada pessoa está bloqueada no sujeito. De acordo com esta forma de agnosticismo, esta limitação de perspectiva impede qualquer inferência objetiva, desde a crença em um deus às afirmações de sua existência. O agnosticismo racionalista de Kant e do Iluminismo só aceita o conhecimento deduzido com a racionalidade humana. Esta forma de ateísmo afirma que os deuses não são perceptíveis como uma questão de princípio e, portanto, sua existência não pode ser conhecida. O ceticismo, baseado nas ideias de Hume, afirma que a certeza sobre qualquer coisa é impossível, por isso nunca se pode saber da existência de um Deus. A inclusão do agnosticismo no ateísmo é disputada; também pode ser considerado como uma visão básica do mundo independente.[45]

Outros argumentos para o ateísmo, que podem ser classificados como epistemológicos ou ontológicos, incluem o positivismo lógico e o ignosticismo, que afirmam a falta de sentido ou ininteligibilidade de termos e frases básicos tais como "Deus" e "Deus é todo-poderoso." O não cognitivismo teológico afirma que a declaração "Deus existe" não expressa uma proposição, sendo antes absurda ou cognitivamente sem sentido. Tem sido argumentado em ambos os sentidos sobre se tais indivíduos podem ser classificados em alguma forma de ateísmo ou agnosticismo. Os filósofos A. J. Ayer e o filósofo norte-americano Theodore M. Drange rejeitam ambas as categorias, afirmando que ambos os campos aceitam a frase "Deus existe" como uma proposição; eles, ao invés, classificam o não cognitivismo em uma categoria própria.[48] [49]

Argumentos metafísicos[editar | editar código-fonte]

Um autor escreve:

Cquote1.svg O ateísmo metafísico...inclui todas as doutrinas ligadas ao monismo metafísico (a homogeneidade da realidade). O ateísmo metafísico pode ser: a) absoluto - uma negação explícita da existência de Deus associada com o monismo materialista (todas as tendências materialistas, tanto nos tempos antigos quanto nos modernos); b) relativo - a negação implícita de Deus em todas as filosofias que, apesar de aceitarem a existência de um absoluto, concebem o absoluto como não possuindo qualquer um dos atributos próprios de Deus: transcendência, um caráter ou unidade pessoal. O ateísmo relativo está associada com o monismo idealista (panteísmo, panenteísmo, deísmo). Cquote2.svg
[50]

Argumentos lógicos[editar | editar código-fonte]

Epicuro é creditado como sendo o primeiro a expor o problema do mal. David Hume, em seus Diálogos sobre a Religião Natural (1779), citou Epicuro ao afirmar o argumento como uma série de perguntas:[51] "[Deus] quer impedir o mal, mas não é capaz? Então ele é impotente. Ele é capaz, mas não está disposto? Então, ele é malévolo. Ele é capaz e disposto? Donde vem então o mal?"

O ateísmo lógico sustenta que às diversas concepções de deuses, como o deus pessoal do cristianismo, são atribuídas qualidades logicamente inconsistentes. Os ateus apresentam argumentos dedutivos contra a existência de Deus que afirmam a incompatibilidade entre certas características, como a perfeição, estatuto de criador, imutabilidade, onisciência, onipresença, onipotência, onibenevolência, transcendência, a pessoalidade (um ser pessoal), não-fisicalidade, justiça e misericórdia.[52]

Os ateus teodiceanos acreditam que o mundo como o experimentam não pode ser conciliado com as qualidades normalmente atribuídas a Deus e aos deuses pelos teólogos. Eles argumentam que um Deus onisciente, onipotente e onibenevolente não é compatível com um mundo onde existe o mal e o sofrimento, e onde o amor divino está escondido de muitas pessoas.[53] Um argumento semelhante é atribuído a Siddhartha Gautama, o fundador do budismo.[54]

Redução da importância da religião[editar | editar código-fonte]

Filósofos como Ludwig Feuerbach[55] e Sigmund Freud argumentaram que Deus e outras crenças religiosas são invenções humanas, criadas para atender a várias necessidades psicológicas e emocionais. Esta é também uma visão de muitos budistas.[56] Karl Marx e Friedrich Engels, influenciados pela obra de Feuerbach, argumentaram que a crença em Deus e na religião são funções sociais, utilizadas por aqueles no poder para oprimir a classe trabalhadora. De acordo com Mikhail Bakunin, "a ideia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; é a negação mais decisiva da liberdade humana, e, necessariamente, termina na escravização da humanidade, na teoria e na prática." Ele inverteu o famoso aforismo de Voltaire de que se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo, escrevendo que "se Deus realmente existisse, seria necessário aboli-lo."[57]

Alternativos[editar | editar código-fonte]

O ateísmo axiológico, ou construtivo, rejeita a existência de deuses em favor de um "absoluto maior", como a humanidade. Esta forma de ateísmo favorece a humanidade como fonte absoluta da ética e valores, e permite que os indivíduos resolvam problemas morais, sem recorrerem a Deus. Marx e Freud utilizaram este argumento para transmitir mensagens de libertação, de desenvolvimento integral e de felicidade sem restrições.[45]

Uma das críticas mais comuns ao ateísmo tem sido a tese contrária: que negar a existência de um deus conduz ao relativismo moral, deixando o indivíduo sem fundamento moral ou ético,[58] ou torna a vida sem sentido e miserável.[59] Blaise Pascal argumentou esta visão nos seus Pensées.[60]

Existencialismo ateísta[editar | editar código-fonte]

O filósofo francês Jean-Paul Sartre identificou-se como um representante de um "existencialismo ateísta",[61] menos preocupado com negar a existência de Deus do que estabelecer que o "homem precisa... encontrar-se novamente e entender que nada pode salvá-lo de si mesmo, nem mesmo uma prova válida da existência de Deus.""[62] Sartre disse que um corolário de seu ateísmo era que "se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes que ele possa ser definido por qualquer conceito, e ... este ser é o homem."[61] A consequência prática desse ateísmo foi descrita por Sartre no sentido de que não há regras a priori ou valores absolutos que podem ser invocados para governar a conduta humana e que os humanos estão "condenados" a inventar estes por si mesmos, tornando o "homem" absolutamente "responsável por tudo que ele faz."[63]

O acadêmico Rhiannon Goldthorpe sugeriu que alguns dos escritos de Sartre estavam "permeados por um 'ateísmo cristão', no qual crenças antigas ainda alimentam a imaginação e a sensibilidade do cético mais radical."[64] O acadêmico Priest Stephen descreve a perspectiva de Sartre como "uma metafísica ateísta."[65] O tradutor de Sartre, Hazel Barnes, escreveu sobre aquele: "O Deus que ele rejeita não é um poder vago, um X desconhecido que explicaria a origem do universo, nem tão pouco é um ideal ou um mito para simbolizar a busca do homem pelo Bem. É especificamente o Deus dos Escolásticos ou, pelo menos, qualquer ideia de Deus como um Criador específico, todo-poderoso, absoluto e existente."[66]

História[editar | editar código-fonte]

Apesar do termo ateísmo ter origem na França do século XVI,[67] ideias que seriam hoje reconhecidas como ateístas estão documentadas desde a antiguidade clássica e o período védico.

Antiga religião hindu[editar | editar código-fonte]

Escolas ateístas são encontradas no hinduísmo antigo, e existem desde o tempo da religião védica. Entre as seis escolas ortodoxas (āstika e nāstika) da filosofia hindu, Sankhya, o mais antigo sistema filosófico, não aceita Deus, enquanto a antiga Mimamsa também rejeita a noção de divindade,[68] e sustenta que a própria ação humana é suficiente para criar as circunstâncias necessárias à apreciação dos seus frutos.[69]

A completamente materialista e antiteísta escola filosófica Carvaka que se originou na Índia em torno do século VI a.C. é provavelmente a escola de filosofia mais explicitamente ateísta da Índia, similar à escola cirenaica grega. Este ramo da filosofia indiana é classificado como heterodoxo devido à sua rejeição da autoridade dos Vedas e não é considerado parte das seis escolas ortodoxas do hinduísmo, mas é notável como evidência de um movimento materialista dentro do hinduísmo.[70] Chatterjee e Datta explicam que a nossa compreensão da filosofia Carvaka é fragmentária, baseada principalmente na crítica das suas ideias por outras escolas, e que não é uma tradição viva:

Cquote1.svg Apesar do materialismo de uma forma ou de outra ter estado sempre presente na Índia, e referências ocasionais sejam encontradas nos Vedas, na literatura budista, nos épicos, bem como nas obras filosóficas posteriores, não encontramos nenhum trabalho sistemático sobre o materialismo, nem qualquer escola organizada de seguidores como as outras escolas filosóficas possuem. Mas quase todos os trabalhos das outras escolas mencionam, para refutação, os pontos de vista materialistas. Nosso conhecimento do materialismo indiano baseia-se sobretudo nesses trabalhos. Cquote2.svg
Chatterjee e Datta[71]

Outras filosofias indianas geralmente consideradas como ateístas incluem samkhya clássica e mimāṃsā. A rejeição de um Deus criador pessoal também é observada no jainismo e no budismo na Índia.[72]

Antiguidade clássica[editar | editar código-fonte]

Na Apologia de Platão, Sócrates (imagem) foi acusado por Meleto de não acreditar nos deuses.

O ateísmo ocidental tem suas raízes na filosofia grega pré-socrática, mas não emerge como uma visão do mundo distinta até o final do Iluminismo.[73] O filósofo grego do século V a.C. Diágoras é conhecido como o "primeiro ateu"[74] e é citado como tal por Cícero no seu De Natura Deorum.[75] Crítias via a religião como uma invenção humana usada para assustar as pessoas e fazê-las seguir a ordem moral.[76] Atomistas como Demócrito tentaram explicar o mundo de uma forma puramente materialista, sem referência ao espiritual ou místico. Entre outros filósofos pré-socráticos, que provavelmente tinham pontos de vista ateístas, incluem-se Pródico e Protágoras. No século III a.C. os filósofos gregos Teodoro, o Ateu[75] [77] e Estratão de Lampsaco[78] também não acreditavam que deuses existiam.

Sócrates (c. 471-399 a.C.) foi acusado de impiedade (ver Dilema de Eutífron) baseado no fato de ele ter inspirado o questionamento dos deuses do Estado.[79] Embora ele tenha contestado a acusação de que era um "ateu completo",[80] dizendo que não podia ser um ateu, visto que acreditava em espíritos,[81] acabaria por ser condenado à morte. Sócrates também reza a vários deuses no Fedro[82] de Platão e diz "Por Zeus" no diálogo A República.[83]

Evêmero (c. 330-260 aC) publicou sua visão de que os deuses eram apenas os governantes, conquistadores e fundadores do passado deificados, e que os seus cultos e religiões eram, em essência, a continuação dos reinos que desapareceram e das estruturas políticas anteriores.[84] Embora não fosse estritamente um ateu, Evêmero mais tarde foi criticado por ter "espalhado o ateísmo por toda a terra habitada ao obliterar os deuses."[85]

O atomista e materialista Epicuro (c. 341-270 aC) disputou muitas doutrinas religiosas, incluindo a existência de vida após a morte ou uma divindade pessoal; ele considerava a alma puramente material e mortal. Embora o epicurismo não tenha descartado a existência de deuses, ele acreditava que, se existissem, eles estavam despreocupados com a humanidade.[86]

O poeta romano Lucrécio (c. 99-55 aC), concordou que, se houvesse deuses, estavam despreocupados com a humanidade e eram incapazes de afetar o mundo natural. Por esta razão, ele acreditava que a humanidade não devia ter medo do sobrenatural. Ele expõe seus pontos de vista epicuristas sobre o cosmos, átomos, alma, mortalidade e religião em De rerum natura (em português: "Sobre a natureza das coisas"),[87] que popularizou a filosofia de Epicuro em Roma.[88]

O filósofo romano Sexto Empírico defendia que se deve suspender o julgamento sobre praticamente todas as crenças - uma forma de ceticismo conhecida como pirronismo - que nada era inerentemente mau e que a ataraxia ("paz de espírito") é atingível se nos refrearmos de julgar. O volume relativamente grande de obras suas que sobreviveram, teve uma influência duradoura sobre filósofos posteriores.[89]

O significado do termo "ateu" mudou ao longo da antiguidade clássica. Os primeiros cristãos eram rotulados como ateus pelos não-cristãos por causa da sua descrença nos deuses pagãos.[90] Durante o Império Romano, os cristãos foram executados por sua rejeição aos deuses romanos em geral e ao culto imperial em particular. Quando o cristianismo se tornou a religião estatal de Roma sob o governo de Teodósio I em 381, a heresia tornou-se um delito punível.[91]

Início da Idade Média ao Renascimento[editar | editar código-fonte]

A adoção de pontos de vista ateístas era rara na Europa durante a Alta Idade Média e Idade Média (ver Inquisição medieval); metafísica, religião e teologia eram os interesses dominantes.[92] Houve, no entanto, movimentos deste período que promoveram concepções heterodoxas do Deus cristão, incluindo pontos de vista diferentes sobre a natureza, a transcendência e a cognoscibilidade de Deus. Indivíduos e grupos, tais como João Escoto Erígena, David de Dinant, Amalarico de Bena e os Irmãos do Livre Espírito mantinham pontos de vista cristãos, mas com tendências panteístas. Nicolau de Cusa sustentava uma forma de fideísmo que chamou de docta ignorantia ("ignorância aprendida"), afirmando que Deus está além da categorização humana e que o nosso conhecimento de Deus é limitado à conjectura. Guilherme de Ockham inspirou tendências antimetafísicas com a sua limitação nominalista do conhecimento humano para objetos singulares e afirmou que a essência divina não poderia ser intuitivamente ou racionalmente apreendida pelo intelecto humano. Seguidores de Ockham, como João de Mirecourt e Nicolau de Autrecourt, expandiram esta visão. A divisão resultante entre a e a razão influenciou teólogos posteriores, como John Wycliffe, Jan Hus e Martinho Lutero.[92]

A Renascença foi muito importante na expansão do escopo da investigação cética e do livre-pensamento. Indivíduos como Leonardo da Vinci procuraram a experimentação como meio de explicação, e opuseram-se aos argumentos de autoridade religiosa. Outros críticos da religião e da Igreja durante este tempo incluíram Nicolau Maquiavel, Bonaventure des Périers e François Rabelais.[89]

Início do período moderno[editar | editar código-fonte]

A Essência do Cristianismo (1841), de Ludwig Feuerbach, seria de grande influência para filósofos como Engels, Marx, David Strauss, Nietzsche e Max Stirner. Ele considerava que Deus é uma invenção humana e que as atividades religiosas são usadas para a realização de desejos. Por isso, ele é considerado o pai fundador da moderna antropologia da religião.

As eras do Renascimento e da Reforma testemunharam um ressurgimento do fervor religioso, como evidenciado pela proliferação de novas ordens religiosas, confrarias e devoções populares no mundo católico e o aparecimento de seitas protestantes cada vez mais austeras, como os calvinistas. Esta era de rivalidade interconfessional permitiu uma abrangência ainda maior de especulação teológica e filosófica, muita da qual viria a ser usada para promover uma visão de mundo religiosamente cética.

A crítica do cristianismo tornou-se cada vez mais frequente nos séculos XVII e XVIII, especialmente na França e na Inglaterra, onde parece ter existido um mal-estar religioso, de acordo com fontes contemporâneas. Alguns pensadores protestantes, como Thomas Hobbes, defendiam uma filosofia materialista e um ceticismo em relação às ocorrências sobrenaturais, enquanto que o filósofo judeu holandês Baruch Spinoza rejeitava a providência divina em favor de um naturalismo panenteísta. No final do século XVII, o deísmo passou a ser abertamente defendido por intelectuais como John Toland, que cunhou o termo "panteísta". Apesar de ridicularizarem o cristianismo, muitos deístas desprezavam o ateísmo. O primeiro ateu que se sabe ter jogado fora o manto do deísmo, negando de modo contundente a existência de deuses, foi Jean Meslier, um padre francês que viveu no início do século XVIII.[93] Ele foi seguido por outros pensadores abertamente ateus, como o Barão d'Holbach e Jacques-André Naigeon.[94] O filósofo David Hume desenvolveu uma epistemologia cética fundamentada no empirismo, enfraquecendo a base metafísica da teologia natural.

A Revolução Francesa tirou o ateísmo e o deísmo anticlerical dos salões e colocou-os na esfera pública. Um dos principais objetivos da Revolução Francesa foi uma reestruturação e subordinação do clero em relação ao Estado através da Constituição Civil do Clero. As tentativas para aplicá-la levaram à violência anticlerical e à expulsão de muitos clérigos da França. Os eventos políticos caóticos da Paris revolucionária, acabaram por permitir aos jacobinos mais radicais tomar o poder em 1793, inaugurando o Reino do Terror. Os jacobinos eram deístas e introduziram o Culto do Ser Supremo como uma religião estatal da França. Alguns ateus próximos de Jacques Hébert procuraram estabelecer um culto da razão, uma forma de pseudo-religião ateia com uma deusa personificando a razão. Ambos os movimentos, em parte, contribuíram para as tentativas forçadas de descristianizar a França. O Culto da Razão terminou depois de três anos, quando a sua liderança, incluindo Jacques Hébert, foi guilhotinada pelos jacobinos. As perseguições anticlericais terminaram com a Reação Termidoriana.

A era napoleônica institucionalizou a secularização da sociedade francesa e exportou a revolução para o norte da Itália, na esperança de criar repúblicas flexíveis. No século XIX, os ateus contribuíram para várias revoluções políticas e sociais, facilitando os levantes de 1848, o Risorgimento na Itália e o crescimento de um movimento socialista internacional.

Na segunda metade do século XIX, o ateísmo ganhou proeminência sob a influência de filósofos racionalistas e livre-pensadores. Muitos proeminentes filósofos alemães da época negaram a existência de divindades e eram críticos da religião, incluindo Ludwig Feuerbach, Arthur Schopenhauer, Max Stirner, Karl Marx e Friedrich Nietzsche.[95]

Século XX[editar | editar código-fonte]

O ateísmo no século XX, particularmente na forma de ateísmo prático, avançou em muitas sociedades. O pensamento ateu encontrou reconhecimento em uma ampla variedade de outras filosofias mais amplas, como o existencialismo, o objetivismo, o humanismo secular, o niilismo, o positivismo lógico, o anarquismo, o marxismo, o feminismo[96] e o movimento científico e racionalista geral.

O positivismo lógico e o cientificismo pavimentaram o caminho para o neopositivismo, a filosofia analítica, o estruturalismo e o naturalismo. O neopositivismo e a filosofia analítica descartaram o racionalismo clássico e a metafísica em favor do empirismo estrito e do nominalismo epistemológico. Proponentes como Bertrand Russell, rejeitaram enfaticamente a crença em Deus. Em seus primeiros trabalhos, Ludwig Wittgenstein tentou separar a linguagem metafísica e sobrenatural do discurso racional. A. J. Ayer afirmou a inverificabilidade e a falta de sentido das afirmações religiosas, citando a sua adesão às ciências empíricas. Relacionado com esta ideia, o estruturalismo aplicado de Lévi-Strauss ligou a origem da linguagem religiosa ao subconsciente humano ao negar o seu significado transcendental. John Niemeyer Findlay e J. J. C. Smart argumentaram que a existência de Deus não é logicamente necessária. Naturalistas e monistas materialistas, tais como John Dewey, consideravam o mundo natural como a base de tudo, negando a existência de Deus ou a imortalidade.[38] [97]

Demolição da Catedral de Cristo Salvador de Moscou, em 1931. A União Soviética era, desde sua fundação, um Estado ateu.

O século XX também assistiu ao avanço político do ateísmo, estimulado pela interpretação das obras de Marx e Engels. Após a Revolução Russa de 1917, houve mais liberdade religiosa para as minorias religiosas, o que durou alguns anos. Embora a Constituição Soviética de 1936 garantisse a liberdade para realizar cultos, o Estado soviético, sob a política de Estado ateu de Stalin, não considerava a religião um assunto privado; o governo soviético ilegalizou o ensino religioso e promoveu campanhas para convencer as pessoas a abandonar a religião.[98] [99] [100] [101] [102] Diversos outros estados comunistas também se opuseram à religião e promoveram o ateísmo estatal,[103] incluindo os antigos governos socialistas da Albânia,[104] [105] [106] e, atualmente, da China,[107] [108] Coreia do Norte[108] [109] e Cuba.[108] [110]

Outros líderes como Periyar E. V. Ramasamy, um proeminente líder ateu da Índia, lutaram contra o hinduísmo e os brâmanes por eles discriminarem e dividirem as pessoas em nome de castas e religião.[111] Tal foi sublinhado em 1956, quando ele erigiu uma estátua representando um deus hindu em uma representação humilde e fez declarações antiteístas.[112]

Em 1966, a revista Time perguntava: "Deus está morto?",[113] em resposta ao movimento teológico Morte de Deus, citando a estimativa de que quase metade de todas as pessoas no mundo viviam sob um poder anti-religioso e milhões mais na África, Ásia e América do Sul pareciam não ter conhecimento sobre o Deus único.[114]

Em 1967, o governo albanês de Enver Hoxha anunciou o fechamento de todas as instituições religiosas no país, declarando a Albânia o primeiro estado oficialmente ateu,[115] embora a prática religiosa na Albânia tenha sido restaurada em 1991. Estes regimes acentuaram as associações negativas do ateísmo, especialmente onde o sentimento anticomunista era forte, como nos Estados Unidos, apesar do fato de que ateus proeminentes serem anticomunistas.[116]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Richard Dawkins em 2008, um dos mais influentes ateus da atualidade.

Desde a queda do Muro de Berlim, o número de regimes ativamente anti-religiosos tem diminuído consideravelmente. Em 2006, Timothy Shah do Fórum Pew constatou "uma tendência mundial em todos os grandes grupos religiosos, na qual movimentos baseados em Deus e na fé, em geral, estão experimentando confiança e influência crescentes face aos movimentos e ideologias seculares".[117] No entanto, Gregory S. Paul e Phil Zuckerman consideram isso um mito e sugerem que a situação real é muito mais complexa e matizada.[118]

A motivação religiosa dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e as tentativas parcialmente bem-sucedidas do Discovery Institute para mudar o currículo de ciências das escolas estadunidenses para incluir ideias criacionistas, juntamente com o apoio dessas ideias pelo ex-presidente George W. Bush em 2005, desencadearam uma onda de publicações de conhecidos autores ateus como Sam Harris, Daniel C. Dennett, Richard Dawkins, Victor J. Stenger e Christopher Hitchens, cujas obras foram best-sellers nos Estados Unidos e em todo o mundo.[119]

Um levantamento de 2010 descobriu que aqueles que se identificam como ateus ou agnósticos estão, em média, mais bem informados sobre religião do que os seguidores das religiões principais. Descrentes tiveram melhores pontuações respondendo a questões sobre os princípios centrais das fés protestante e católica. Apenas fiéis mórmons e judeus tiveram tão boas pontuações sobre religião quanto os ateus e agnósticos.[120]

O Ateísmo 3.0 é um movimento dentro do ateísmo que não acredita na existência de Deus, mas que diz que a religião tem sido benéfica para os indivíduos e para a sociedade, e que eliminá-la é menos importante do que outras coisas que precisam ser feitas.[121] [122]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Porcentagem de pessoas em vários países europeus que disseram: "Eu não acredito que haja algum tipo de espírito, Deus ou força vital." (2005)[123]

É difícil quantificar o número de ateus no mundo. Institutos de pesquisas de crença religiosa podem definir o "ateísmo" de várias maneiras diferentes ou fazer diferentes distinções entre ateísmo, convicções não-religiosas e crenças religiosas e espirituais não-teístas.[124] Por exemplo, um ateu hindu iria declarar-se como hindu, apesar de também ser, ao mesmo tempo, ateu.[125] Um estudo de 2005, publicado na Encyclopædia Britannica, revelou que os não-religiosos representam cerca de 11,9% da população mundial e os ateus cerca de 2,3%. Este número não inclui aqueles que seguem religiões ateias, como alguns budistas.[15]

Uma enquete realizada entre novembro e dezembro de 2006, publicada no Financial Times, mostrou as taxas de população ateia nos Estados Unidos e em cinco países europeus. As menores taxas de ateísmo estão nos Estados Unidos com apenas 4%; as taxas de ateísmo nos países europeus pesquisados foram consideravelmente mais altas: Itália (7%), Espanha (11%), Reino Unido (17%), Alemanha (20%) e França (32%).[16] [126] Os números europeus são semelhantes aos de uma pesquisa oficial da União Europeia (UE), que relatou que 18% da população da UE não acredita em um deus.[127] Outros estudos têm mostrado uma porcentagem estimada de ateus, agnósticos e outros não-crentes em um deus pessoal de apenas um dígito em países como Polônia, Romênia, Chipre e outros países europeus,[128] e de até 85% na Suécia, 80% na Dinamarca, 72% na Noruega e 60% na Finlândia.[14] Segundo o Australian Bureau of Statistics, 19% dos australianos declararam-se como "sem religião", uma categoria que inclui os ateus.[126] Entre 64% e 65% dos japoneses são ateus, agnósticos, ou não acreditam em um deus.[14]

Cquote1.svg Somente na Europa, nos últimos 100 anos, o ateísmo cresceu de aproximadamente 1,7 milhão para cerca de 130 milhões de pessoas. Cquote2.svg
Centro de Treinamento Cristão European Apologetics Network, de Londres[129]

Na América Latina os índices de ateísmo variam de 1 a 3%, exceto em Cuba (7%), México (7%), Argentina (8%) e Uruguai (12%).[130] No Uruguai, entre 30 e 50% da população assume não ter religião.[130]

Mapa indicando a porcentagem de ateus e agnósticos no mundo (2007).

Um estudo internacional relatou correlações positivas entre os níveis de educação e os índices de descrença em uma divindade,[131] enquanto uma pesquisa da União Europeia encontrou uma correlação positiva entre o abandono escolar precoce e a crença em um deus.[127] Uma carta publicada na revista Nature em 1998, relatou uma pesquisa sugerindo que a crença em um deus pessoal ou na vida após a morte alcançou o nível mais baixo de todos os tempos entre os membros da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, sendo que apenas 7,0% dos membros disseram acreditar em um deus pessoal, em forte contraste com os mais de 85% da população geral dos Estados Unidos que acredita em um deus.[132] Em contrapartida, um artigo publicado pela Universidade de Chicago que discutiu o referido estudo, afirmou que 76% dos médicos estadunidenses acreditam em Deus, mais do que os 7% dos cientistas acima, mas ainda inferior aos 85% da população em geral.[133] No mesmo ano, Frank Sulloway, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Michael Shermer, da Universidade do Estado da Califórnia, conduziram um estudo que encontrou em sua amostra de pesquisa de "credenciados" adultos dos Estados Unidos (12% doutorados e 62% eram graduados universitários) 64% que acreditavam em Deus e houve uma correlação indicando que a convicção religiosa diminuiu com o aumento do nível de escolaridade.[134] Uma correlação inversa entre religiosidade e inteligência foi encontrada por 39 estudos realizados entre 1927 e 2002, de acordo com um artigo na Mensa International Magazine.[135] Estes resultados concordam em geral com uma metanálise realizada em 1958 pelo professor Michael Argyle, da Universidade de Oxford. Ele analisou sete estudos que investigaram a correlação entre a atitude em relação à religião e o nível de inteligência entre os estudantes do ensino médio e universitários dos Estados Unidos. Apesar de uma clara correlação negativa ter sido encontrada, a análise não identificou existência de causalidade, mas observou que fatores como histórico familiar autoritário e classe social também poderiam desempenhar algum papel.[136]

Brasil[editar | editar código-fonte]

De acordo com dados do Censo brasileiro de 2010 do IBGE, 8,0% da população brasileira declarou-se "sem religião" (15,3 milhões), dentre as quais cerca de 615 mil declararam-se ateias.[137] No Censo de 2000, estes correspondiam a[138] 7,4% (cerca de 12,5 milhões) da população.[139] Em 1991 essa porcentagem era de 4,7%.[139]

Uma pesquisa realizada pela empresa Ipsos a pedido da agência de notícias Reuters revelou que 3% dos brasileiros entrevistados não acreditam em deuses ou seres supremos.[140]

No Brasil, o estado da Bahia é o terceiro com maior número de pessoas sem religião; o primeiro é o Rio de Janeiro.[141] A capital bahiana, Salvador, tem a maior porcentagem nacional de pessoas sem religião entre as capitais, 18% da população.[141] No país todo, são mais numerosos entre os homens e entre os habitantes com menos de 55 anos.[141] A cidade com o maior número de ateus é Nova Ibiá, com 59,85% dos habitantes, de acordo com o censo de 2000 do IBGE.[142] O segundo lugar fica com Pitimbu, na Paraíba, com 42, 44%.[142]

Ateísmo, religião e moralidade[editar | editar código-fonte]

Associação com visões de mundo e comportamentos sociais[editar | editar código-fonte]

O sociólogo Phil Zuckerman analisou pesquisas anteriores em ciências sociais sobre laicidade e não-crença e concluiu que o bem-estar social está positivamente correlacionado com a irreligião. As suas descobertas relacionadas especificamente com o ateísmo incluem:[131] [143]

Ateísmo e religião[editar | editar código-fonte]

Devido à inexistência de um deus criador, o budismo é comumente descrito como religião não-teísta.

Assume-se frequentemente que pessoas que se auto-identificam como ateus são irreligiosas, mas algumas seitas dentro das principais religiões, rejeitam a existência de uma divindade criadora e pessoal.[144] Nos últimos anos, certas denominações religiosas têm acumulado uma série de seguidores abertamente ateus, tais como o judaísmo humanístico e ateísta[145] [146] e ateus cristãos.[147] [148] [149]

O sentido mais estrito do ateísmo positivo não implica quaisquer crenças específicas fora da descrença em qualquer divindade, como tal, os ateus podem ter qualquer número de crenças espirituais. Pela mesma razão, os ateus podem ter uma grande variedade de crenças éticas, que vão desde o universalismo moral do humanismo, que defende que um código moral deve ser aplicado consistentemente a todos os seres humanos, ao niilismo moral, que sustenta que a moralidade não tem sentido.[150]

Mandamento divino vs. ética[editar | editar código-fonte]

Embora seja um truísmo filosófico, encapsulado no Dilema de Eutífron de Platão, que o papel dos deuses na diferenciação entre certo e errado ou é desnecessário ou arbitrário, o argumento de que a moralidade tem que ser derivada de Deus e que não pode existir sem um criador sábio tem sido uma característica persistente de debate político, ainda que não tanto do filosófico.[151] [152] [153] Preceitos morais, como "o assassinato é errado" são vistos como leis divinas, requerendo um legislador ou juiz divino. No entanto, muitos ateus argumentam que o tratamento legalista da moralidade envolve uma falsa analogia e que a moralidade não depende de um legislador da mesma forma que as leis.[154] Outros ateus, como Friedrich Nietzsche, discordaram desta opinião e declararam que a moralidade "tem verdade apenas se Deus é a verdade, portanto fica em pé ou cai de acordo com a fé em Deus."[155] [156] [157]

Existem sistemas normativos éticos que não necessitam que os princípios e regras sejam fornecidos por uma divindade. Alguns incluem ética da virtude, contrato social, ética kantiana, utilitarismo e o objetivismo. Sam Harris propôs que a prescrição moral (criar regras éticas) não é apenas uma questão a ser explorada pela filosofia, mas que podemos praticar significativamente uma ciência da moralidade. Um tal sistema científico deve, no entanto, responder ao criticismo consubstanciado na falácia naturalista.[158]

Os filósofos Susan Neiman[159] e Julian Baggini[160] (entre outros) afirmam que o comportamento ético apenas devido ao mandato divino não é o comportamento ético verdadeiro, mas apenas a obediência cega. Baggini argumenta que o ateísmo é uma base superior para a ética, afirmando que uma base moral externa aos imperativos religiosos é necessária para avaliar a moralidade dos próprios imperativos - para ser capaz de discernir, por exemplo, que "furtarás" é imoral, mesmo que a sua religião o instrua a fazer isso - e que os ateus, portanto, têm a vantagem de estarem mais inclinados a fazer tais avaliações.[161] O político e filósofo contemporâneo britânico Martin Cohen ofereceu o exemplo historicamente mais revelador de injunções bíblicas em favor da tortura e escravidão como evidência de que as injunções religiosas seguem os costumes políticos e sociais, e não vice-versa, mas também observou que a mesma tendência parece ser verdadeira para filósofos supostamente imparciais e objetivos.[162] Cohen explana esse argumento com mais detalhes na Filosofia Política de Platão a Mao, no caso do Alcorão que ele vê como tendo tido um papel geralmente infeliz na preservação dos códigos sociais do início do século VII por meio de mudanças na sociedade secular.[163]

Perigos das religiões[editar | editar código-fonte]

Alguns ateus proeminentes, tais como Bertrand Russell, Christopher Hitchens, Sam Harris e Richard Dawkins, têm criticado as religiões, citando aspectos nocivos das práticas e doutrinas religiosas.[164] Os ateus têm-se envolvido muitas vezes em debates com defensores da religião, e os debates por vezes tratam a questão de saber se as religiões oferecem um benefício líquido para os indivíduos e para a sociedade.

Um argumento de que as religiões podem ser prejudiciais, feito por ateus como Sam Harris, é que a dependência das religiões ocidentais da autoridade de Deus presta-se ao autoritarismo e ao dogmatismo.[165] Os ateus também citaram dados mostrando que há uma correlação entre fundamentalismo religioso e religião extrínseca (quando a religião é praticada porque serve a interesses ocultos)[166] e autoritarismo, dogmatismo e preconceito.[167] Estes argumentos, combinados com eventos históricos que são argumentos para demonstrar os perigos da religião, como as Cruzadas, Inquisição, caça às bruxas e os ataques terroristas, têm sido usados em resposta às reivindicações dos efeitos benéficos da crença na religião.[168] Os crentes contra-argumentam que alguns regimes que defendem o ateísmo, como foi a Rússia soviética, também foram culpados de assassinatos em massa,[169] [170] apesar destes atos não conterem relação alguma com a ausência de religião do regime.

Discriminação e preconceito[editar | editar código-fonte]

O ateísmo sempre foi uma doutrina perseguida, clandestina e discriminada.[171] Durante a cristianização do Império Romano, o ateísmo foi considerado crime terrível e praticamente deixou de existir na história das ideias europeias.[172] Até o século XIX, devido ao poder político-eclesiástico, o indivíduo que assumisse oposição aos ensinamentos da Igreja seria recriminado pela sociedade e pelo governo com acusações de desonestidade, rebeldia, incredulidade e libertinagem.[173]

Uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup em 1999 comprova que 95% dos estadunidenses votaria em uma mulher para presidente, 92% votaria em um judeu ou negro, 79% em um homossexual mas apenas 49% votaria em um ateu.[139] A revista Newsweek estima uma porcentagem ainda menor: 37%[174] Uma pesquisa de 2007 encomendada pela CNT/Sensus revela que 84% dos brasileiros votariam em um negro para Presidente da República, 57% em uma mulher, 32% em um homossexual mas apenas 13% votaria em um ateu.[175] Uma pesquisa de agosto de 2010 realizada pelo Núcleo de Opinião Pública em uma iniciativa da Fundação Perseu Abramo (FPA) e SESC revelou que 66% das mulheres brasileiras jamais votariam em um ateu e 11% dificilmente votaria, enquanto 61% dos homens brasileiros nunca votaria e 13% dificilmente votaria.[176] Uma pesquisa realizada no dia 13 de dezembro de 2012 pelo Datafolha indica que 86% dos brasileiros acreditam que a crença em Deus torna as pessoas melhores, enquanto que apenas 13% acreditam que implicação não é obrigatória.[177]

Visibilidade[editar | editar código-fonte]

Conforme a Associação Americana de Livreiros, em 2005 as obras da categoria "céticos e ateus" registraram o maior crescimento da história até então e o segundo maior entre os demais gêneros.[178] A revista mensal com a quinta maior tiragem dos Estados Unidos, entre as especializadas, é uma publicada pela Sociedade dos Céticos.[178] Na Fox News, o programa Bullshit! dissemina o ateísmo e a dupla de mágicos Penn Jillette e Raymond Joseph Teller desmascara truques místicos.[178]

Ateus famosos[editar | editar código-fonte]

Associações lusófonas[editar | editar código-fonte]

Outras associações[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Um pequeno artigo do Religioustolerance.org chamado Definitions of the term "Atheism" sugere que não há consenso sobre a definição do termo. Simon Blackburn resume a situação no Dicionário Oxford de Filosofia: "Ateísmo é a falta de crença em um deus, ou a crença de que não há nenhum". A maioria dos dicionários (veja a consulta OneLook por "ateísmo") primeira lista uma das definições mais estreitas. * Runes, Dagobert D.(editor). Dictionary of Philosophy (em inglês). New Jersey: Littlefield, Adams & Co. Philosophical Library, 1942 edition. ISBN 0-06-463461-2 Página visitada em 26 de janeiro de 2011. Vergilius Ferm
  2. Definitions: Atheism (em inglês). Department of Religious Studies, University of Alabama. Página visitada em 26 de janeiro de 2011.
  3. a b Oxford English Dictionary (em inglês). 2 ed. [S.l.: s.n.], 1989.
  4. Merriam-Webster Online Dictionary (em inglês). Página visitada em 26 de janeiro de 2011. "a crença na existência de um deus ou deuses"
  5. Nielsen, Kai (2010). "Atheism". Encyclopædia Britannica. Consultado em 26/01/2011. 
  6. Edwards, Paul (2005). "Atheism". The Encyclopedia of Philosophy (2nd) Vol. 1. Ed. Donald M. Borchert. MacMillan Reference USA (Gale). ISBN 0028657802 (página 175 na edição de 1967)
  7. Armstrong, Karen. A History of God (em inglês). [S.l.]: London: Vintage, 1999. ISBN 0-09-927367-5
  8. Honderich, Ted (Ed.) (1995). "Humanism". The Oxford Companion to Philosophy. Oxford University Press. p 376. ISBN 0-19-866132-0.
  9. Fales, Evan. "Naturalism and Physicalism", in Martin 2007, pp. 122–131.
  10. Baggini 2003, pp. 3–4.
  11. Cline, Austin (2005). Buddhism and Atheism (em inglês). about.com. Página visitada em 26 de janeiro de 2011.
  12. Kedar, Nath Tiwari. Comparative Religion (em inglês). [S.l.]: Motilal Banarsidass, 1997. p. 50. ISBN 81-208-0293-4
  13. Chakravarti, Sitansu. Hinduism, a way of life (em inglês). [S.l.]: Motilal Banarsidass Publ., 1991. p. 71. ISBN 978-81-208-0899-7
  14. a b c Zuckerman, Phil. In: Martin, Michael T. The Cambridge companion to atheism (em inglês). Cambridge, England: Cambridge University Press, 2007. p. 56. ISBN 0-521-84270-0
  15. a b Worldwide Adherents of All Religions by Six Continental Areas, Mid-2005 (em inglês). Encyclopædia Britannica (2005). Página visitada em 15 de abril de 2007.
    • 2,3% dos ateus: Pessoas que professam o ateísmo, ceticismo, descrença, ou irreligião, incluindo os militantemente anti-religiosos (oposição a todas as religiões).
    • 11,9% não-religiosos: Pessoas que professam nenhuma religião, não-crentes, agnósticos, livres-pensadores, desinteressados, ou secularistas desreligionizados indiferente a todas as religiões, mas não tão militantes.
  16. a b Religious Views and Beliefs Vary Greatly by Country, According to the Latest Financial Times/Harris Poll (em inglês). Financial Times/Harris Interactive (20 de dezembro de 2006). Página visitada em 17 de janeiro de 2007.
  17. Drachmann, A. B.. Atheism in Pagan Antiquity. [S.l.]: Chicago: Ares Publishers, 1977 ("uma reimpressão inalterada da edição de 1922"). ISBN 0-89005-201-8 ("Ateísmo" e "ateus" são palavras formadas a partir das raízes gregas e com terminações derivadas do grego. No entanto elas não são gregas, a sua formação não está em consonância com o uso grego. Em grego escreve-se atheos e atheotes. Exatamente da mesma maneira como ímpio, atheos foi usado como uma expressão de censura grave e condenação moral; este uso é antigo e o mais antigo que pode ser rastreado. Só mais tarde é que vamos encontrá-lo empregado para designar um determinado credo filosófico.)
  18. Armstrong, Karen. A History of God. [S.l.]: London: Vintage, 1999. ISBN 0-09-927367-5
  19. Em parte devido à sua ampla utilização na sociedade ocidental monoteísta, o ateísmo é geralmente descrito como "a descrença em Deus", ao invés de um modo mais geral como "a descrença em divindades". Em escritos modernos raramente é explicitada uma clara distinção entre estas duas definições, mas alguns usos arcaicos de ateísmo abrangiam apenas a descrença em um Deus singular, não em divindades politeístas. É nesta base que o termo obsoleto adevismo foi cunhado no final do século XIX, para descrever a ausência de crença em divindades plurais. Britannica. (1911). "Atheonism". Encyclopædia Britannica.
  20. a b Martin, Michael. The Cambridge Companion to Atheism. Cambridge University Press. 2006. ISBN 0-521-84270-0.
  21. Cline, Austin. What Is the Definition of Atheism?. about.com. Página visitada em 21 de outubro de 2006.
  22. Flew, Antony. God, Freedom, and Immortality: A Critical Analysis. [S.l.]: Buffalo, NY: Prometheus, 1984. ISBN 0-87975-127-4
  23. Atheism (em inglês). Encyclopedia Britannica (1911). Página visitada em 7 de junho de 2007.
  24. a b Britannica. (1992). "Atheism as rejection of religious beliefs". Encyclopædia Britannica 1. 0852294735.
  25. d'Holbach, P. H. T.. Good Sense (em inglês). [S.l.: s.n.], 1772. Página visitada em 27 de outubro de 2006.
  26. Smith 1979, p. 14.
  27. Nagel, Ernest. Basic Beliefs: The Religious Philosophies of Mankind (em inglês). [S.l.]: Sheridan House, 1959.
    reprinted in Critiques of God, edited by Peter A. Angeles, Prometheus Books, 1997.
  28. a b Flew, Antony. The Presumption of Atheism, and other Philosophical Essays on God, Freedom, and Immortality (em inglês). New York: Barnes and Noble, 1976.
  29. a b Martin, Michael. The Cambridge Companion to Atheism. Cambridge University Press. 2006. ISBN 0-521-84270-0.
  30. Cline, Austin (2006). Strong Atheism vs. Weak Atheism: What's the Difference? (em inglês). about.com. Página visitada em 21 de outubro de 2006.
  31. Maritain, Jacques. (July 1949). "On the Meaning of Contemporary Atheism". The Review of Politics 11 (3): 267–280 pp.. DOI:10.1017/S0034670500044168.
  32. Rao, Goparaju. Positive Atheism (em inglês). Vijayawada, India: Atheist Centre, Patamata, Vijayawada, India, 1972.
  33. Walker, Cliff. The Philosophy of Positive Atheism (em inglês). Página visitada em 19 de novembro de 2008.
  34. Kenny, Anthony. What I believe (em inglês). [S.l.]: Continuum, 2006. ISBN 0-8264-8971-0
  35. "Many atheists I know would be certain of a high place in heaven", Irish Times. Página visitada em 19/08/2009.
  36. Baggini 2003, pp. 30–34. "Quem seriamente afirma que deveríamos dizer 'Eu não creio nem descreio que o Papa é um robô', ou 'Sobre se comer ou não este pedaço de chocolate me transformará num elefante eu sou completamente agnóstico'. Na ausência de quaisquer boas razões para crer nestas afirmações bizarras, justamente não acreditamos nelas, não suspendemos apenas o seu julgamento."
  37. Baggini 2003, pp. 30–34.
  38. a b Smart, J.C.C. (9 de março de 2004). Atheism and Agnosticism (em inglês). Stanford Encyclopedia of Philosophy. Página visitada em 12 de abril de 2007.
  39. Dawkins, Richard. The God Delusion (em inglês). [S.l.]: Houghton Mifflin Co, 2006. p. 50. ISBN 0-618-68000-4
  40. Cudworth, Ralph. The True Intellectual System of the Universe: the first part, wherein all the reason and philosophy of atheism is confuted and its impossibility demonstrated (em inglês). [S.l.: s.n.], 1678.
  41. Ver, por exemplo, Atheists call for church head to retract slur (em inglês) (3 de abril de 1996). Página visitada em 2 de julho de 2008.
  42. Lowder, Jeffery Jay (1997). Atheism and Society (em inglês). Página visitada em 10 de janeiro de 2007.
  43. Harris 2006, p. 51.
  44. Paul Henri Thiry, Baron d'Holbach, System of Nature; or, the Laws of the Moral and Physical World (London, 1797), Vol. 1, p. 25
  45. a b c Zdybicka 2005, p. 20.
  46. Schafersman, Steven D. (February 1997). Naturalism is an Essential Part of Science and Critical Inquiry (em inglês). Conference on Naturalism, Theism and the Scientific Enterprise. Department of Philosophy, The University of Texas. Página visitada em 7 de abril de 2011. Acessado em maio de 2007
  47. Zdybicka 2005, p. 21.
  48. Drange, Theodore M. (1998). "Atheism, Agnosticism, Noncognitivism". Internet Infidels, Secular Web Library. Retrieved on 2007-APR-07.
  49. Ayer, A. J. (1946). Language, Truth and Logic. Dover. pp. 115–116. In a footnote, Ayer attributes this view to "Professor H. H. Price".
  50. Zdybicka, Zofia J.. Universal Encyclopedia of Philosophy (em inglês). [S.l.]: Polish Thomas Aquinas Association, 2005. vol. 1. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  51. David Hume. Dialogues Concerning Natural Religion (em inglês). [S.l.]: Project Gutenberg (e-text). Página visitada em 8 de abril de 2011.
  52. Various authors. "Logical Arguments for Atheism". Internet Infidels, The Secular Web Library. Acessado em 9 de abril de 2007.
  53. Drange, Theodore M. (1996). "The Arguments From Evil and Nonbelief". Internet Infidels, Secular Web Library. Acessado em 18/04/2007.
  54. V.A. Gunasekara, The Buddhist Attitude to God.. Cópia arquivada em 2 de janeiro de 2008. No Bhuridatta Jataka, "O Buda diz que os três atributos mais comumente dados a Deus, onipotência, onisciência e benevolência para com a humanidade não podem ser todos mutuamente compatíveis com o fato existencial de dukkha."
  55. Feuerbach, Ludwig (1841) The Essence of Christianity
  56. Walpola Rahula, What the Buddha Taught. Grove Press, 1974. Pages 51–52.
  57. Bakunin, Michael (1916). God and the State (em inglês). New York: Mother Earth Publishing Association. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  58. Gleeson, David (10 de agosto de 2006). Common Misconceptions About Atheists and Atheism (em inglês). American Chronicle. Página visitada em 7 de abril de 2011.
  59. Smith 1979, p. 275. "Perhaps the most common criticism of atheism is the claim that it leads inevitably to moral bankruptcy."
  60. Pascal, Blaise (1669). Pensées, II: "The Misery of Man Without God".
  61. a b Sartre, Jean-Paul (2004), "An existentialist ethics", in Gensler, Harry J.; Spurgin, Earl W.; Swindal, James C., Ethics: Contemporary Readings, London: Routledge, p. 127, ISBN 0-415-25680-1 
  62. Sartre, Jean-Paul (2001), "Existentialism and Humanism", in Priest, Stephen, Jean-Paul Sartre: Basic Writings, London: Routledge, p. 45, ISBN 0-415-21367-3 
  63. Sartre, Jean-Paul (2001), "Existentialism and Humanism", in Priest, Stephen, Jean-Paul Sartre: Basic Writings, London: Routledge, p. 32, ISBN 0-415-21367-3 
  64. Goldthorpe, Rhiannon (1992), "Understanding the committed writer", The Cambridge Companion to Sartre, Cambridge, UK: Cambridge University Press, p. 172 
  65. Priest, Stephen (2001), "Sartre in the world", in Priest, Stephen, Jean-Paul Sartre: Basic Writings, London: Routledge, p. 13, ISBN 0-415-21367-3 
  66. Barnes, Hazel (1957) [1943], "Translator's Introduction", (Sartre, Jean-Paul) Being and Nothingness: An Essay on Phenomenological Ontology, New York: Philosophical Library, p. xxvii 
  67. Golding, Arthur. Mornay's Woorke concerning the Trewnesse of the Christian Religion, written in French; Against Atheists, Epicures, Paynims, Iewes, Mahumetists, and other infidels. [S.l.]: London, 1587.
  68. Dasgupta, Surendranath. A history of Indian philosophy, Volume 1 (em inglês). [S.l.]: Motilal Banarsidass Publ., 1992. p. 258. ISBN 978-81-208-0412-8 Página visitada em 9 de abril de 2011.
  69. Tripathi. Psycho-Religious Studies of Man, Mind and Nature (em inglês). [S.l.]: Global Vision Publishing House, 2001. p. 81. ISBN 978-81-87746-04-1 Página visitada em 9 de abril de 2011.
  70. Sarvepalli Radhakrishnan and Charles A. Moore. A Sourcebook in Indian Philosophy. (Princeton University Press: 1957, Twelfth Princeton Paperback printing 1989) pp. 227–249. ISBN 0-691-01958-4.
  71. Satischandra Chatterjee and Dhirendramohan Datta. An Introduction to Indian Philosophy. Reimpressão da oitava edição. (University of Calcutta: 1984). p. 55.
  72. Joshi, L.R.. (1966). "A New Interpretation of Indian Atheism" 16: 189–206 pp.. 3/4. DOI:10.2307/1397540.
  73. Baggini 2003, pp. 73–74. "Atheism had its origins in Ancient Greece but did not emerge as an overt and avowed belief system until late in the Enlightenment."
  74. Solmsen, Friedrich (1942). Plato's Theology. Cornell University Press. p 25.
  75. a b ...nullos esse omnino Diagoras et Theodorus Cyrenaicus... Cicero, Marcus Tullius: De natura deorum. Comments and English text by Richard D. McKirahan. Thomas Library, Bryn Mawr College, 1997, page 3. ISBN 0-929524-89-6
  76. Religion, study of (em inglês). Encyclopædia Britannica (2007). Página visitada em 2 de abril de 2007.
  77. Diogenes Laërtius, The Lives and Opinions of Eminent Philosophers, ii
  78. Cicero, Lucullus, 121. in Reale, G., A History of Ancient Philosophy. SUNY Press. (1985).
  79. Atheism (em inglês). The Columbia Encyclopedia, Sixth Edition. Columbia University Press (2005). Página visitada em 9 de abril de 2011. Cópia arquivada em 4 de novembro de 2006.
  80. Brickhouse, Thomas C.. Routledge Philosophy Guidebook to Plato and the Trial of Socrates (em inglês). [S.l.]: Routledge, 2004. p. 112. ISBN 0-415-15681-5 Em particular, ele argumenta que a sugestão de que ele é um completo ateu contradiz a outra parte da acusação, a de que havia introduzido "novas divindades".
  81. Apology (em inglês). Classics.mit.edu. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  82. The Dialogues of Plato, vol. 1 (em inglês). Oll.libertyfund.org. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  83. The Republic (em inglês). Classics.mit.edu. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  84. Fragmentos da obra de Evêmero na tradução latina de Quinto Ênio foram preservados em escritos patrísticos (p.e. por Lactâncio e Eusébio de Cesareia), todos com base em fragmentos anteriores em Diodoro 5,41–46 & 6.1. Testemunhos, especialmente no contexto do criticismo polêmico, são encontrados p.e. em Calímaco, Hino a Zeus 8.
  85. Plutarco, Moralia—Isis ann Osiris 23
  86. BBC. Ethics and Religion—Atheism (em inglês). bbc.co.uk. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  87. Ateísmo no Projeto Gutenberg Book I, "Substance is Eternal". Translated by W.E. Leonard. 1997. Acessado em 12 de abril de 2007.
  88. Júlio César (100–44 a.C.), que se inclinava consideravelmente para o epicurismo, rejeitava também a ideia de uma vida após a morte, o que conduziu ao seu apelo contra a pena de morte durante o julgamento de Catilina, durante o qual falou contra o estoicista Catão. (cf. Salústio, The War With Catiline, Caesar's speech: 51.29 & Cato's reply: 52.13).
  89. a b Stein, Gordon (Ed.) (1980). "The History of Freethought and Atheism". An Anthology of Atheism and Rationalism. New York: Prometheus. Acessado em 3 de abril de 2007.
  90. Wikisource-logo.svg "Atheism" in the 1913 Catholic Encyclopedia.
  91. Maycock, A. L. and Ronald Knox (2003). Inquisition from Its Establishment to the Great Schism: An Introductory Study. ISBN 0-7661-7290-2.
  92. a b Zdybicka 2005, p. 4
  93. Michel Onfray on Jean Meslier (em inglês). William Paterson University. Página visitada em 7 de abril de 2011.
  94. d'Holbach, P. H. T.. The System of Nature (em inglês). [S.l.: s.n.], 1770. vol. 2. Página visitada em 7 de abril de 2011.
  95. Ray, Matthew Alun. Subjectivity and Irreligion: Atheism and Agnosticism in Kant, Schopenhauer, and Nietzsche (em inglês). [S.l.]: Ashgate Publishing, Ltd., 2003. ISBN 978-0-7546-3456-0 Página visitada em 9 de abril de 2011.
  96. Overall, Christine. Feminism and Atheism (em inglês). [S.l.: s.n.], 2007. ISBN 978-0-521-84270-9 Página visitada em 9 de abril de 2011. em Martin 2007, pp. 233–246
  97. Zdybicka 2005, p. 16
  98. Gerhard Simon. Church, State, and Opposition in the U.S.S.R. (em inglês). [S.l.]: University of California Press.
  99. Dimitry Pospielovsky. The Orthodox Church in the History of Russia (em inglês). [S.l.]: St Vladimir's Seminary Press.
  100. Simon Richmond. Russia & Belarus (em inglês). [S.l.]: BBC Worldwide.
  101. Politics, ethics and challenges to democracy in 'new independent states' (em inglês). [S.l.]: Berghahn Books. Página visitada em 5 de março de 2011.
  102. Russian postmodernism: new perspectives on post-Soviet culture (em inglês). [S.l.]: Berghahn Books. Página visitada em 5 de março de 2011.
  103. Baggini, Julian. (Verão de 2003). "The Perils of Atheism" 118 (2). New Humanist. Extraído do livro Atheism: A Very Short Introduction (2003), Oxford University Press
  104. William B. Simons, Rijksuniversiteit te Leiden. The Constitutions of the Communist World (em inglês). [S.l.]: Springer. Página visitada em 5 de março de 2011.
  105. Robert Elsie. A Dictionary of Albanian Religion, Mythology, and Folk culture (em inglês). [S.l.]: New York University Press. Página visitada em 5 de março de 2011.
  106. Richard Felix Staar. Communist Regimes in Eastern Europe (em inglês). [S.l.]: The Hoover Institution on War, Revolution and Peace, Stanford University. Página visitada em 5 de março de 2011.
  107. China in the 21st century (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. Página visitada em 5 de março de 2011.
  108. a b c The State of Religion Atlas (em inglês). [S.l.]: Simon & Schuster. Página visitada em 5 de março de 2011.
  109. World and Its Peoples: Eastern and Southern Asia (em inglês). [S.l.]: Marshall Cavendish. Página visitada em 5 de março de 2011.
  110. Freeing God's Children: The Unlikely Alliance for Global Human Rights (em inglês). [S.l.]: Rowman & Littlefield. Página visitada em 5 de março de 2011.
  111. Michael, S. M.. In: S. M. Michael (ed.). Untouchable: Dalits in Modern India (em inglês). [S.l.]: Lynne Rienner Publishers, 1999. 31–33 pp. ISBN 1-55587-697-8
  112. "Aquele que criou deus era um louco, aquele que espalha o seu nome é um patife, e aquele que o adora é um bárbaro." Hiorth, Finngeir (1996). "Atheism in South India". International Humanist and Ethical Union, International Humanist News. Acessado em 30/05/2007
  113. Time Magazine (em inglês). Time (8 de abril de 1966). Página visitada em 17 de abril de 2007.
  114. Toward a Hidden God (em inglês). Time Magazine (8 de abril de 1966). Página visitada em 17 de abril de 2007.
  115. (1976) "Religion and Atheism in the U.S.S.R. and Eastern Europe, Review". The Slavic and East European Journal 20 (2): 204–206 pp..
  116. Rafford, R.L.. (1987). "Atheophobia—an introduction". Religious Humanism 21 (1): 32–37 pp..
  117. Timothy Samuel Shah Explains 'Why God is Winning' (em inglês). The Pew Forum on Religion and Public Life (18 de julho de 2006). Página visitada em 7 de abril de 2011.
  118. Paul, Gregory; Phil Zuckerman (2007). "Why the Gods Are Not Winning". Edge 209.
  119. Vermont Law Review Vol. 33:225 2008, Finding Shared Values in a Diverse Society: Lessons From the Intelligent Design Controversy by Alan E. Garfield (página 231).
  120. Landsberg, Mitchell. "Atheists, agnostics most knowledgeable about religion, survey says", 28 de setembro de 2010. Página visitada em 08/04/2011.
  121. Atheism 3.0 (em inglês) (15 de outubro de 2009). Página visitada em 8 de abril de 2011. "The "new" new atheists – call it Atheism 3.0 – say there's still no God, but maybe belief isn't all that bad."
  122. Sheiman, Bruce. The Great Debate Stalemate (em inglês). Página visitada em 8 de abril de 2011. "Estou fazendo uma afirmação ampla sobre o papel afirmativo da religião no mundo contemporâneo ... A fé é uma das forças mais poderosas no desenvolvimento humano e um ímpeto forte para a transformação pessoal e o progresso coletivo. Há inúmeros exemplos de pessoas levantando-se da miséria pessoal por meio da fé ... O que não está em discussão é que a religião é adaptativa, construtiva e saudável - e, assim, faz uma diferença positiva na vida das pessoas."
  123. ReportDGResearchSocialValuesEN2.PDF (PDF) (em inglês). Página visitada em 24 de fevereiro de 2011.
  124. Major Religions of the World Ranked by Number of Adherents, Section on accuracy of non-Religious Demographic Data (em inglês). Página visitada em 28 de março de 2008.
  125. Huxley, Andrew. Religion, law and tradition: comparative studies in religious law (em inglês). [S.l.]: Routledge, 2002. p. 120. ISBN 978-0-7007-1689-0
  126. a b Characteristics of the Population (em inglês). Australian Bureau of Statistics (2006). Página visitada em 23 de janeiro de 2011.
  127. a b Social values, Science and Technology (em inglês). [S.l.]: Directorate General Research, European Union, 2005. 7–11 pp.
  128. Zuckerman, Phil. In: Martin, Michael T. The Cambridge companion to atheism (em inglês). Cambridge, England: Cambridge University Press, 2007. p. 51. ISBN 0-521-84270-0
  129. Oziel Alves; Revista Enfoque (Setembro de 2007). Deus não existe! (em português). Página visitada em 20 de março de 2011. "Segundo o Centro de Treinamento Cristão European Apologetics Network, de Londres, “somente na Europa, nos últimos 100 anos, o ateísmo cresceu de aproximadamente 1,7 milhão para cerca de 130 milhões de pessoas”."
  130. a b Oziel Alves; Revista Enfoque (Setembro de 2007). Deus não existe! (em português). Página visitada em 20 de março de 2011. "Na América Latina, região formada por 20 países tipicamente de Terceiro Mundo, ou em desenvolvimento – incluindo o Brasil –, os índices de ateísmo permanecem baixos, variando de 1% a 3%, exceto em Cuba, México (7%), Argentina (8%) e Uruguai, com cerca de 12% de sua população ateísta e, entre 30% e 50%, assumidamente sem religião."
  131. a b (2009) "Atheism, Secularity, and Well-Being: How the Findings of Social Science Counter Negative Stereotypes and Assumptions". Sociology Compass 3 (6): 949–971 pp.. DOI:10.1111/j.1751-9020.2009.00247.x.
  132. Larson, Edward J.; Larry Witham. (1998). "Correspondence: Leading scientists still reject God". Nature 394 (6691): 313–4 pp.. DOI:10.1038/28478. PMID 9690462. Available at StephenJayGould.org, Stephen Jay Gould archive. Acessado em 17/12/2006
  133. Survey on physicians’ religious beliefs shows majority faithful (em inglês). Universidade de Chicago. Página visitada em 18 de outubro de 2007.
  134. Shermer, Michael. How We Believe: Science, Skepticism, and the Search for God (em inglês). New York: William H Freeman, 1999. pp76–79 pp. ISBN 0-7167-3561-X
  135. De acordo com Dawkins (2006), p. 103. Dawkins cita Bell, Paul. "Será que você acredita?" Mensa Revista, UK Edition, fevereiro 2002, pp 12-13. Analisando 43 estudos realizados desde 1927, Bell descobriu que apenas quatro não exibiam tal conexão e ele concluiu que "quanto maior a inteligência ou o nível de escolaridade, menos provável é ser-se religioso ou um crente de qualquer tipo."
  136. Argyle, Michael. Religious Behaviour (em inglês). London: Routledge and Kegan Paul, 1958. 93–96 pp. ISBN 0-415-17589-5
  137. População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de religião - Brasil -2010 (em português). IBGE. Página visitada em 12 de novembro de 2012.
  138. IBGE, População residente, por sexo e situação do domicílio, segundo a religião, Censo Demográfico 2000. Acessado em 13 de dezembro de 2007
  139. a b c Axt, Barbara; Super Interessante (Agosto de 2007). O aitolá dos ateus (em português). Página visitada em 19 de março de 2011. "[...] ele cita uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup em 1999. Segundo o levantamento, 95% dos americanos votariam em uma mulher para presidente, 92% em um negro ou judeu e 79% em um homossexual. Mas apenas 49% colocariam um ateu na Casa Branca."
  140. BBC Brasil (25 de abril de 2011). Brasil é 3º país onde mais se crê em Deus, mostra pesquisa (em português). UOL notícias. Página visitada em 30 de abril de 2011. "A pesquisa, feita pelo empresa de pesquisa de mercado Ipsos para a agência de notícias Reuters [...] No Brasil, apenas 3% dos entrevistados declararam que não acreditam em Deus, ou deuses ou seres supremos."
  141. a b c André Petry; Veja (26 de dezembro de 2007). Como a fé resiste à descrença (em inglês). Página visitada em 19 de março de 2011. "Entre os brasileiros sem religião, a maior curiosidade está na Bahia de Todos os Santos, terra onde frei Henrique de Coimbra rezou a mítica primeira missa, em 26 de abril de 1500. A Bahia, que abriga Nova Ibiá e seu esquadrão de sem-religião, é o terceiro estado com o maior contingente de brasileiros sem filiação religiosa. E Salvador, entre as capitais, é a campeã nacional: 18% dos soteropolitanos não têm religião. Considerando-se o país todo, os sem-religião são mais numerosos entre os homens e entre os brasileiros com menos de 55 anos. [...] O Rio de Janeiro, por exemplo, é o estado menos católico do país e, simultaneamente, tem o maior pelotão de sem-religião."
  142. a b André Petry; Veja (26 de dezembro de 2007). Como a fé resiste à descrença (em português). Página visitada em 19 de março de 2011. "Desde que se espalhou a notícia extraída do censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, Nova Ibiá, vilarejo de 7 000 habitantes no interior da Bahia, ganhou um estigma e uma obsessão. Como os números do censo mostravam que 59,85% dos seus habitantes diziam não ter religião alguma, Nova Ibiá passou a conviver com o estigma de ser a cidade mais ateia do Brasil. Em nenhuma outra, em ponto algum do país, tanta gente dizia não ter filiação religiosa. A segunda cidade com a maior tropa de sem-religião era Pitimbu, no interior da Paraíba, mas com números mais modestos – 42,44%."
  143. Societies without God are more benevolent, The Guardian, 2 de setembro de 2010
  144. Winston, Robert (Ed.). Human (em inglês). [S.l.]: New York: DK Publishing, Inc, 2004. p. 299. ISBN 0-7566-1901-7
  145. Humanistic Judaism (em inglês). BBC (20 de julho de 2006). Página visitada em 9 de abril de 2011.
  146. Levin, S.. (May 1995). "Jewish Atheism". New Humanist 110 (2): 13–15 pp..
  147. Christian Atheism (em inglês). BBC (17 de maio de 2006). Página visitada em 9 de abril de 2011.
  148. Altizer, Thomas J. J.. The Gospel of Christian Atheism (em inglês). [S.l.]: London: Collins, 1967. 102–103 pp. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  149. Lyas, Colin. (January 1970). "On the Coherence of Christian Atheism". Philosophy: the Journal of the Royal Institute of Philosophy 45 (171): 1–19 pp.. DOI:10.1017/S0031819100009578.
  150. Smith 1979, pp. 21–22
  151. Smith 1979, p. 275. "Entre os muitos mitos associados com a religião, nenhum é mais disseminado - ou mais desastroso nos seus efeitos - do que o mito de que os valores morais não podem ser divorciados da crença num deus."
  152. Em Os Irmaõs Karamazov de Dostoievski (Livro 11: Irmão Ivan Fyodorovich, Capítulo 4) encontra-se o famoso argumento de que Se não existe Deus, todas as coisas são permitidas.: "'Mas o que será então dos homens?' perguntei-lhe, 'sem Deus e vida imortal? Todas as coisas são legais então, podem eles fazer o que querem?'"
  153. Para Kant, a pressuposição de Deus, alma, e liberdade era uma preocupação prática, pois a "Moralidade", por si mesma, constitui um sistema, mas a felicidade não, a menos que seja distribuída na proporção exata da moralidade. Tal, porém, é possível num mundo inintelegível apenas sob um autor e senhor sábio. A razão compele-nos a admitir tal senhor, juntamente com a vida em um tal mundo, que temos de considerar como vida futura, senão todas as leis morais devem ser consideradas como sonhos ociosos...." (Critique of Pure Reason, A811).
  154. Baggini 2003, p. 38
  155. Human Rights, Virtue, and the Common Good (em inglês). [S.l.]: Rowman & Littlefield. Página visitada em 9 de abril de 201.
  156. The Blackwell Companion to Natural Theology (em inglês). [S.l.]: Wiley-Blackwell. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  157. Victorian Subjects. [S.l.]: Duke University Press.
  158. Moore, G. E.. Principia Ethica (em inglês). [S.l.: s.n.], 1903. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  159. Susan Neiman. Beyond Belief Session 6 [Conference]. Salk Institute, La Jolla, CA: The Science Network.
  160. Baggini 2003, p. 40
  161. Baggini 2003, p. 43
  162. 101 Ethical Dilemmas, 2nd edition, by Cohen, M., Routledge 2007, pp184-5. (Cohen nota particularmente que Platão e Aristóteles argumentaram a favor da escravatura.)
  163. Political Philosophy from Plato to Mao, de Cohen, M, Segunda edição, 2008
  164. *Harris, Sam, The end of faith: religion, terror, and the future of reason, W. W. Norton & Company, 2005
    • Harris, Sam, Letter to a Christian Nation, Random House, Inc., 2008
    • Dawkins, Richard, The God Delusion, Houghton Mifflin Harcourt, 2008
    • Hitchens, Christopher, God Is Not Great: How Religion Poisons Everything, Random House, Inc., 2007
    • Russell, Bertrand, Why I am not a Christian, and other essays on religion and related subjects, Simon and Schuster, 1957
  165. Harris, Sam (2006a). The Myth of Secular Moral Chaos (em inglês). Free Inquiry. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  166. Moreira-almeida, A.; Lotufo Neto, F.; Koenig, H.G.. (2006). "Religiousness and mental health: a review". Revista Brasileira de Psiquiatria 28 (3): 242–250 pp.. DOI:10.1590/S1516-44462006005000006. PMID 16924349.
  167. Veja por exemplo: (June 1977) "Intrinsic Religion and Authoritarianism: A Differentiated Relationship". Journal for the Scientific Study of Religion 16 (2): 179–182 pp.. Ver também: (1992) "Authoritarianism, Religious Fundamentalism, Quest, and Prejudice". International Journal for the Psychology of Religion 2 (2): 113–133 pp.. DOI:10.1207/s15327582ijpr0202_5.
  168. Harris, Sam (2005). An Atheist Manifesto (em inglês). Truthdig. Página visitada em 9 de abril de 2011. "In a world riven by ignorance, only the atheist refuses to deny the obvious: Religious faith promotes human violence to an astonishing degree."
  169. John S. Feinberg, Paul D. Feinberg. Ethics for a Brave New World (em inglês). [S.l.]: Stand To Reason. Página visitada em 18 de outubro de 2007.
  170. Dinesh D'Souza. Answering Atheist’s Arguments (em inglês). Catholic Education Resource Center. Página visitada em 9 de abril de 2011.
  171. Henrique Carneiro; PSTU (8 de maio de 2007). Por que somos ateus? (em português). Página visitada em 19 de março de 2011. "Os sacerdotes foram os primeiros agentes do aparelho coercitivo do Estado. Duvidar dos deuses, portanto, sempre foi, na história das civilizações, um crime contra o Estado. Por isso, o ateísmo sempre foi uma doutrina clandestina, perseguida, denunciada, estigmatizada, e seus porta-vozes são, por milênios, praticamente inexistentes na história do pensamento. [...] lembremo-nos sempre que o debate do ateísmo sempre se fez de forma clandestina e, portanto, cifrada, sem uma exposição pública total de ideias cujo preço a se pagar por sustentá-las podia ser a morte ou até mesmo pior do que a morte, a tortura e a humilhação."
  172. Henrique Carneiro; PSTU (8 de maio de 2007). Por que somos ateus? (em português). Página visitada em 19 de março de 2011. "Com o advento da cristianização do Império Romano, pela primeira vez, uma religião monoteísta tornava-se dominante numa vasta área territorial. Para impor seu domínio declarou guerra implacável contra todos os outros deuses pagãos. Mais forte ainda, no entanto, foi a repressão às ideias negadoras da existência de deus. O ateísmo foi considerado um crime terrível e praticamente desapareceu da história das ideias na Europa."
  173. Alves, Oziel; Revista Enfoque (Setembro de 2007). Deus não existe! (em português). Página visitada em 20 de março de 2011. "Até meados do século XIX, toda a humanidade acreditava na existência de um "deus", [...] O poder político-eclesiástico não admitia contradições em relação aos textos bíblicos e ser cristão era praticamente uma imposição. O indivíduo que quisesse assumir publicamente oposição aos ensinamentos da Igreja, de antemão sabia: seria recriminado pelo governo e pela sociedade com acusações de incredulidade, rebeldia, libertinagem e desonestidade. Para manter a boa imagem, era preferível não admitir tal posicionamento."
  174. Alexandre Mansur e Luciana Vicária com Mariana Sanches (13 de novembro de 2006). As questões dos ateus 3- Como seria o mundo sem religião? (em português). Época. Página visitada em 20 de março de 2011. "Segundo a revista Newsweek, só 37% dos americanos afirmam que votariam em um ateu para presidente."
  175. André Petry; Veja (26 de dezembro de 2007). Como a fé resiste à descrença (em inglês). Página visitada em 19 de março de 2011. "Uma pesquisa encomendada por VEJA, realizada pela CNT/Sensus, mostra que 84% dos brasileiros votariam em um negro para presidente da República, 57% dariam o voto a uma mulher, 32% aceitariam votar em um homossexual, mas – perdendo de capote – apenas 13% votariam em um candidato ateu (veja quadro). Pior que isso só o capeta."
  176. Fundação Perseu Abramo (agosto de 2010). MULHERES BRASILEIRAS E GÊNERO NOS ESPAÇOS PÚBLICO E PRIVADO (em português) pp. 279. Página visitada em 27 de março de 2011.
  177. Tendência conservadora é forte no país, diz Datafolha (em português). Folha de S. Paulo - Poder (25 de dezembro de 2012). Página visitada em 28 de dezembro de 2012.
  178. a b c Alexandre Mansur e Luciana Vicária com Mariana Sanches (13 de novembro de 2006). As questões dos ateus 3- Como seria o mundo sem religião? (em português). Época. Página visitada em 20 de março de 2011. "Foi nos Estados Unidos que o grupo de militantes ateus ficou mais ruidoso. O fenômeno cultural já pode ser observado nas bancas de jornal e nas livrarias. De acordo com a Associação Americana dos Livreiros, em 2005 as obras que se enquadram na categoria "céticos e ateus" registraram o maior crescimento da História e o segundo maior entre os gêneros catalogados. A Sociedade dos Céticos edita uma revista mensal com a quinta maior tiragem entre as publicações especializadas do país. Na televisão, a dupla de mágicos Penn Jillette e Raymond Joseph Teller desmascara truques místicos e agora prega o ateísmo no programa Bullshit, no canal Fox News (exibido no Brasil pelo canal pago FX)."

Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • Arvon, Henri. O Ateísmo (em português). [S.l.]: Europa-América, 1974.
  • Cancian, André Dispore. Ateísmo e Liberdade (em português). São José do Rio Preto: Edição 5, 2005.
  • Eurostat poll on the social and religious beliefs of Europeans (PDF). Disponível em Eurostat poll.
  • Souza, Draiton Gonzaga de. O ateísmo antropológico de Ludwig Feuerbach (em português). Porto Alegre: EDIPUCRS, 1994.
  • Thrower, James. Breve história do ateísmo ocidental (em português). São Paulo: Edições 70, 1982.
  • Gabriel, João. ASBER, organização de ateus que buscam justiça democrática (em português). Rio de Janeiro: [s.n.], 2006.
  • Baggini, Julian. Atheism: A Very Short Introduction (em inglês). Oxford: Oxford University Press, 2003. ISBN 0-19-280424-3
  • The Cambridge Companion to Atheism (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press, 2007. ISBN 0-521-60367-6 Página visitada em 9 de abril de 2011.
  • Smith, George H.. Atheism: The Case Against God (em inglês). Buffalo, Nova Iorque: Prometheus, 1979. ISBN 0-87975-124-X
  • Zdybicka, Zofia J.. Universal Encyclopedia of Philosophy (em inglês). [S.l.]: Polish Thomas Aquinas Association, 2005. vol. 1. Página visitada em 9 de abril de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikcionário Definições no Wikcionário
Wikiquote Citações no Wikiquote
Commons Imagens e media no Commons
Wikiversidade Cursos na Wikiversidade