Anarquismo

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Anarquismo (do grego ἀναρχος, transl. anarkhos, que significa "sem governantes",[1] [2] ou "sem poder"[3] a partir do prefixo ἀν-, an-, "sem" + ἄρχή, arkhê, "soberania, reino, magistratura"[4] + o sufixo -ισμός, -ismós, da raiz verbal -ιζειν, -izein) é uma filosofia política que engloba teorias, métodos e ações que objetivam a eliminação total de todas as formas de governo compulsório e de Estado.[5] De um modo geral, anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceita [6] e, assim, preconizam os tipos de organizações libertárias baseadas na livre associação.

Anarquia significa ausência de coerção e não a ausência de ordem.[7] A noção equivocada de que anarquia é sinônimo de caos se popularizou entre o fim do século XIX e o início do século XX, através dos meios de comunicação e de propaganda patronais, mantidos por instituições políticas e religiosas. Nesse período, em razão do grau elevado de organização dos segmentos operários, de fundo libertário, surgiram inúmeras campanhas antianarquistas.[8] Outro equívoco banal é se considerar anarquia como sendo a ausência de laços de solidariedade (indiferença) entre os homens, quando, em realidade, um dos laços mais valorizados pelos anarquistas é o auxílio mútuo. À ausência de ordem - ideia externa aos princípios anarquistas -, dá-se o nome de "anomia".[9]

Há diversas escolas de pensamento e tradições de anarquismo, as quais não são mutuamente exclusivas.[10] Cada vertente do anarquismo tem uma linha de compreensão, análise, ação e edificação política específica, embora todas vinculadas pelos ideais base do anarquismo. Correntes do anarquismo tem sido divididas em anarquismo social e anarquismo individualista, ou em classificações semelhantes..[11] [12]

A maioria dos anarquistas são apartidários; se opõe ao Estado e a qualquer regime ditatorial, apoiando a autodefesa ou a não violência (anarcopacifismo)[13] [14] ; outros, contudo, apoiam o uso de outros meios, como a revolução violenta. Outro conceito, a propaganda pelo ato, apesar de ter tido um início violento, hoje em dia incorporou diversos tipos de ações não violentas.[15]

Histórico dos movimentos anarquistas

William Godwin, "o primeiro a formular as concepções políticas e econômicas do anarquismo, mesmo que ele não tenha dado nome às ideias desenvolvidas em seu trabalho"[16]

Alguns consideram que temas anarquistas podem ser encontrados em trabalhos dos filósofos taoísta Lao Zi[16] e Chuang-Tzu. O último tem sido traduzido, "Há uma coisa como deixar a humanidade sozinha; nunca houve tal coisa como governar a humanidade [com sucesso]," e "Um pequeno ladrão é colocado na cadeia. Um grande bandido torna-se o governante de uma nação".[17] Diógenes de Sínope e os cínicos, e o seu contemporâneo Zenão de Cítio, o fundador do estoicismo, também introduziram tópicos similares.[16] [18]

O anarquismo moderno, contudo veio do pensamento secular ou religioso do Iluminismo, particularmente de argumentos de Jean-Jacques Rousseau para a centralidade moral da liberdade.[19]

William Godwin desenvolveu a primeira expressão do pensamento anarquista moderno.[20] Godwin foi, de acordo com Peter Kropotkin, "o primeiro a formular as concepções políticas e econômicas do anarquismo, mesmo que ele não tenha dado nome às ideias desenvolvidas em seu trabalho",[16] enquanto Godwin ligava suas ideias anarquistas a Edmund Burke.[21] Benjamin Tucker creditava a Josiah Warren, um estado-unidense que promovia a ausência do estado e comunidades voluntárias onde todos os bens e serviços são privados, como sendo "o primeiro homem a expor e formular a doutrina agora conhecida como anarquismo."[22] O primeiro a descrever-se como um anarquista foi Pierre-Joseph Proudhon,[23] um filósofo francês e político, que levou alguns a chamá-lo de fundador da teoria anarquista moderna.[24]

O anarquismo desempenhou papéis significativos nos grandes conflitos da primeira metade do século XX. Durante a Revolução Russa de 1917, Nestor Makhno tenta implantar o anarquismo na Ucrânia, com apoio de várias comunidades camponesas, mas que acabam derrotadas pelo Estado bolchevique de Lênin.

Quinze anos depois, anarquistas organizados em torno de uma confederação anarcossindicalista impedem que um golpe militar fascista seja bem sucedido na Catalunha (Espanha), e são os primeiros a organizar milícias para impedir o avanço destes na consequente Guerra Civil Espanhola. Durante o curso dessa guerra civil, os anarquistas controlaram um grande território que compreendia a Catalunha e Aragão, onde se incluía a região mais industrializada de Espanha, sendo que a maior parte da economia passou a ser autogestionada (autogerida).

Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento anarquista deixou de ser um movimento de massas, e perdeu a influência que tinha no movimento operário dos vários países europeus. Entretanto, continuaria a influenciar revoltas populares que se seguiram na segunda metade do século XX, como o Maio de 68 na França, o movimento anti-Poll tax no Reino Unido e os protestos contra a reunião da OMC em Seattle, nos Estados Unidos.

Anarquismo no Brasil

Talvez uma das primeiras experiências anarquistas do mundo tenha ocorrido nas margens da Baía de Babitonga, na cidade histórica de São Francisco do Sul. Em 1842 o Dr. Benoit Jules Mure, inspirado na teorias de Fourier, instala o Falanstério do Saí ou Colônia Industrial do Saí, reunindo os colonos vindos de França no Rio de Janeiro em 1841. Houve dissidências e um grupo dissidente, à frente do qual estava Michel Derrion, constituiu outra colônia a algumas léguas do Saí, num lugar chamado Palmital: a Colônia do Palmital.

Mure conseguiu apoio do Coronel Oliveira Camacho e do presidente da Província de Santa Catarina, Antero José Ferreira de Brito. Este apoio foi-lhe fundamental para posteriormente conseguir a ajuda financeira do governo do Império do Brasil para seu projeto.

O anarquismo no Brasil ganhou força com a grande imigração de trabalhadores europeus entre fins do século XIX e início do século XX. Em 1889 Giovani Rossi tentou fundar em Palmeira, no interior do Paraná, uma comunidade baseada no trabalho, na vida e na negação do reconhecimento civil e religioso do matrimônio, (o que não significa, necessariamente, "amor livre"), denominada Colônia Cecília. A experiência teve curta duração.

No início do século XX, o anarquismo e o anarcossindicalismo eram tendências majoritárias entre o operariado, culminando com as grandes greves operárias de 1917, em São Paulo, e 1918-1919, no Rio de Janeiro. Durante o mesmo período, escolas modernas foram abertas em várias cidades brasileiras, muitas delas a partir da iniciativa de agremiações operárias de inclinação anarquista.

Alguns acreditam que a decadência do movimento anarquista se deveu ao fortalecimento das correntes do socialismo autoritário, ou estatal, i.e., marxista-leninista, com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922 participada inclusivamente, por ex-integrantes do movimento anarquista que, influenciados pelo sucesso da revolução Russa, decidem fundar um partido segundo os moldes do partido bolchevique russo.

Porém, esta posição, sustentada por muitos historiadores, vem sendo contestada desde a década de 1970 por Edgar Rodrigues (anarquista português naturalizado no Brasil, pesquisador autodidata da história do movimento anarquista no Brasil e em Portugal), e pelos recentes estudos de Alexandre Samis que indicam que a influência anarquista no movimento operário cresceu mais durante este período do que no já fundado (PCB) e só a repressão do governo de Artur Bernardes, viria diminuir a influência das ideias anarquistas no seio do movimento grevista. Artur Bernardes foi responsável por campos de concentração e centros de tortura, nos quais morreram inúmeros libertários, sendo que o pior de tais campos foi o de Clevelândia, localizado no Oiapoque. Edgar Rodrigues apresenta em várias de suas obras as investidas de membros do PCB que, procurando transformar os sindicatos livres em sindicatos partidários e conquistar devotos às ideias leninistas, polemizavam em sindicatos e jornais, chegando a realizar atentados contra anarquistas que se destacavam no movimento operário brasileiro, durante a década de 1920.

Provavelmente devido aos problemas de comunicação resultantes da tecnologia da época, os anarquistas só terão compreendido a revolução russa de forma mais clara, a partir das notícias de célebres anarquistas, como a estadunidense Emma Goldman, que denunciara as atrocidades cometidas na Rússia em nome da ditadura do proletariado. Seria a partir deste momento histórico que se definiria a posição tática do anarquismo perante os socialistas autoritários no Brasil, separando a confusão ideológica que reinava em torno da revolução russa, identificada pelos anarquistas inicialmente como uma revolução libertária. Esta ideia seria depois desmistificada pelos anarquistas, que acreditam no socialismo sem ditadura, defendendo a liberdade e a abolição do Estado.

Durante o Regime Militar (1964-1985), as principais expressões anarquistas no Brasil foram o Centro de Estudos Professor José Oiticica, no Rio de Janeiro, o Centro de Cultura Social de São Paulo e o Jornal O Protesto no Rio Grande do Sul. Todos foram fechados no final da década de 1960, mas seus militantes continuaram se encontrando clandestinamente, publicando livros e se correspondendo com libertários de outros países. Na década de 1970 surge na Bahia o jornal O Inimigo do Rei, impulsionando a formação de novos grupos anarquistas, através das editorias autogestionárias, em várias partes do Brasil. No Rio Grande do Sul, nos anos oitenta, cria-se na cidade de Caxias do Sul, o Centro de Estudos em Pesquisa Social - CEPS, voltado para o trabalho social. No ano de 1986, na cidade de Florianópolis, é realizada a Primeira Jornada Libertaria com o lançamento das bases para a reorganização da Confederação Operária Brasileira - COB/AIT e a organização dos anarquistas.

Pode ser encontrado na Internet um livro de Edgard Leuenroth "Anarquismo roteiro da libertação social" publicado na década de 60 pela editora mundo livre feita pelo CEPJO.

Anarquismo em Portugal

No final do século XIX dá-se o desenvolvimento de grupos anarquistas ligadas às ideias de J. Proudhon, cuja obra política mais conhecida defendia a constituição de uniões locais (mutualistas) de pequenos produtores independentes. Estes revolucionários portugueses não procuravam romper com a ordem vigente, mas limitavam-se a denunciar a "escravidão moderna" que ocorria nas fábricas, fruto da Revolução Industrial, assim como a promover as associações de apoio mútuo que tinham em vista minorar os problemas económicos e sociais dos trabalhadores[25] .

Após a visita ao país do geografo-anarquista Elisée Reclus, em 1886 fundaram-se os primeiros grupos anarquistas editando o primeiro jornal de propaganda (A revolução Social, em 1887) e publicada a primeira tradução de Kropotkine (A Anarquia na Evolução Socialista, 1887)[26] .

Em 1871, Antero de Quental e outros portugueses reúnem-se em Lisboa com delegados da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) para apresentar essas ideias revolucionárias[27] .

Estes grupos contribuíram para o derrube da monarquia em 1910. Com a Primeira República dá-se uma grande expansão e é fundada em 1919 a Confederação Geral do Trabalho, de tendência sindicalista revolucionária e anarco-sindicalista.

Consequentemente, com a instauração da Ditadura Militar em 1926, e com a ditadura de Salazar que se lhe seguiu, proíbe-se a actividade dos grupos anarquistas. Em 1933 a censura prévia é legalmente instituída. Os vários jornais anarquistas, incluindo “A batalha”, passam a ser clandestinos e a ser alvos de perseguições.

Em 1939 dá-se o atentado, com o apoio dos activistas anárquicos, no qual se tentou assassinar Salazar[28] .

Com o 25 de abril de 1974 há um novo ressurgimento do movimento libertário, embora com uma expressão reduzida.

Principais conceitos anarquistas

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Princípio da não-doutrinação

Proudhon e seus filhos, por Gustave Courbet, 1865

Este conceito anarquista, embora não constitua a didática primária à compreensão libertária, é digno de uma abordagem rápida.

Os anarquistas acreditam no desenvolvimento heterodoxo do pensamento e do ideal libertário como um todo, não idolatrando nem privilegiando qualquer escritor ou teórico desta vertente de estudos.

Cquote1.svg Toda a posição do anarquismo é completamente diferente de qualquer outro movimento socialista autoritário. Ela tolera variações e rejeita a ideia de gurus políticos ou religiosos. Não existe um profeta fundador a quem todos devam seguir. Os anarquistas respeitam seus mestres, mas não os reverenciam, e o que distingue qualquer boa compilação que pretenda representar o pensamento anarquista é a liberdade doutrinária com que os autores desenvolveram ideias próprias de forma original e desinibida. Cquote2.svg

Anarquismo não é doutrina, não é religião, portanto não reverencia nenhuma espécie de livros ou obras culturais, nem linhas metodológicas rígidas, o que o definiria infantilmente enquanto ciência constituída. As obras concernentes ao anarquismo são, no máximo, fontes de experiências delimitadas histórica e conjunturalmente, passíveis de infinitas adaptações e interpretações pessoais.

Em síntese, o anarquismo é convencionado entre os libertários como sendo a emergência de um sentimento puro, sob o qual cada adepto deve desenvolver dentro de si mesmo o seu próprio instrumental intelectual para legitimá-lo e, mais do que isso, potencializá-lo abstracional e concretamente.

A revolução social

Na ótica anarquista, a revolução social consistiria na quebra drástica, rápida e efetiva do Estado e de todas as estruturas, materiais e não-materiais, que o regiam ou a ele sustentavam. Este princípio é primordial na diferenciação da vertente de pensamentos libertária em relação a qualquer outra corrente ideária. É a diferença básica entre o socialismo libertário e o socialismo autoritário.

Sob a ótica do marxismo, seria necessária a instrumentalização do Estado para a prossecução planejada, detalhada e gradativa da revolução, sendo instituída a ditadura do proletariado para o controle operário dos meios de produção até à eclosão do comunismo. Sob o ideário anarquista, a revolução deve ser imediata, para não permitir que os elementos revolucionários possam ser corrompidos pela realidade estatal. De acordo com os libertários, a ditadura do proletariado nada mais é do que uma ditadura "de fato", continuando a exercer coerção, opressão e violência sobre a sociedade. Por isso, segundo os libertários, a revolução social deve ascender o mais rápido possível à sociedade anarquista, ao comunismo puro, para, através dos princípios da defesa da revolução, não permitir a ressurreição do Estado.

Por fim, por intermédio do processo de destruição completa do Estado, sobre todas as suas formas, torna-se plenamente tangível a liberdade, podendo o sujeito renovar de forma efetiva os seus princípios e preceitos humanistas.

Humanismo

Nos meios anarquistas, de forma geral, rejeita-se a hipótese de que o governo ou o Estado sejam necessários ou mesmo inevitáveis para a sociedade humana. Os grupos humanos seriam naturalmente capazes de se auto-organizarem de forma igualitária e não-hierárquica, mediante os progressos originados pela educação libertária. A presença de hierarquias baseadas na força, ao invés de contribuírem para a organização social, antes a corrompem, por inibirem essa capacidade inata de auto-organização e por dar origem à desigualdade.

Desta forma, a partir da conscientização, aceitação e internalização da sua essência humana, ideia suprimida anteriormente pelo Estado, segundo os anarquistas, emerge naturalmente na sociedade humana o anseio pela ascensão da ideia-base de qualquer forma de vida real: a Liberdade.

Liberdade

A Liberdade é a base incontestável de qualquer pensamento, formulação ou ação anarquista, representando o elo sublime que conjuga de forma plena todos os anarquistas. Assim, entre os anarquistas, a Liberdade deixa apenas o plano abstracional (do pensamento) para ganhar uma funcionalidade prática, sendo o símbolo e a dinâmica do desenvolvimento humano real. Em outras palavras, o princípio básico para qualquer pensamento, ação ou sociedade ser definida como anarquista é que esteja imersa, tanto abstracionalmente (ideologicamente), quanto pragmaticamente (no âmbito das ações), no conceito de Liberdade. Liberdade física, de gênero, de pensamento, de ação, de expressão, de usufruto consciente dos recursos humanos, sociais e naturais, de negociação e interação, de apoio mútuo, de relacionamento e vinculação sentimental, de fé e espiritualidade, de produção intelectual e material e de realização coletiva e pessoal.

Para a encarnação da Liberdade, no entanto, é necessária a erradicação completa de qualquer forma de autoridade.

Antiautoritarismo

O Antiautoritarismo consiste na repulsa e no combate total a qualquer tipo de hierarquia imposta ou a qualquer domínio de uma pessoa sobre a(s) outra(s), defendendo uma organização social baseada na igualdade e no valor supremo da liberdade. Tem como principais, mas não únicos, objetivos a supressão do Estado, da acumulação de riqueza própria do capitalismo (exceto os Anarco-capitalistas) e das hierarquias religiosas. O Anarquismo difere do Marxismo por rejeitar o uso instrumental do Estado para alcançar seus objetivos e por prever uma Revolução Social de caráter direto e incisivo, ao contrário da progressão sócio-política gradual - socialismo - rumo à derrubada do Estado - comunismo - proposta por Karl Marx.

De acordo com a corrente de pensamentos libertária, a supressão da autoridade é condicionada pela ação direta de cada indivíduo livre, prescindindo-se completamente de qualquer intermediário entre o seu objetivo, enquanto defensor da Liberdade, e a sua vontade. O anarquista entende que "enquanto houver autoridade, não haverá liberdade".

Ação direta

Os anarquistas afirmam que não se deve delegar a solução de problemas a terceiros, mas antes, atuar diretamente contra o problema em questão, ou, de forma mais resumida, "A luta não se delega aos heróis". Sendo assim, rejeitam meios indiretos de resolução de problemas sociais, como a mediação por políticos e/ou pelo Estado, em favor de meios mais diretos como o mutirão, a assembleia (ação direta que não envolve conflito físico), a greve, o boicote, a desobediência civil (ação direta que pode envolver conflito físico), e, em situações excepcionais a sabotagem e outros meios coercitivos (ação direta com potencial violento).

No entanto, a Ação Direta, por si só, não garante a manutenção e a perpetuação das condições humanas básicas, tanto em termos estruturais, quanto no aspecto intelectual, necessitando de uma extensão operacional extensa e organizada a fim de fazer, da força humana global, uma só energia coletiva. Decerto, somente a solidariedade e o mutualismo máximos podem promover essa harmonia social.

Apoio mútuo

Os anarquistas acreditam que todas as sociedades, quer sejam humanas ou animais, existem graças à vantagem que o princípio da solidariedade garante a cada indivíduo que as compõem. Este conceito foi exaustivamente exposto por Piotr Kropotkin, em sua famosa obra "Mutualismo: Um Fator de Evolução". Da mesma forma, acreditam que a solidariedade é a principal defesa dos indivíduos contra o poder coercitivo do Estado e do Capital.

Mas, para que a solidariedade se torne uma virtude "de fato" é necessária a erradicação de qualquer fator de segregação ou discriminação humanas. Com esse objetivo, o internacionalismo se firma enquanto o princípio proeminente da integração sociolibertária.

Internacionalismo

Para os anarquistas, todo tipo de divisão da sociedade - em todos os aspectos - que não possua uma funcionalidade plena no campo humano deve ser completamente descartada, seja pelos antagonismos infundados que ela gera, seja pela burocracia contraproducente que ela encarna na organização social, esterilizando-a. Logo, a ideia de "pátria" é negada pelos anarquistas.

Os libertários acreditam que as virtudes - bem como o exercer pleno delas - não devem possuir "fronteiras". Assim, acreditam que a natureza humana é a mesma em qualquer lugar do mundo, exigindo, independentemente do universo material ou cultural onde o ente humano esteja inserido , uma gama infinita de necessidades e cuidados. Em outras palavras: se a fragilidade do homem não tem fronteiras, por que estabelecer empecilhos ao seu auxílio?

Vale lembrar que o conceito libertário de internacionalismo se difere completamente do conceito que conhecemos - portanto, capitalista - de globalização. Globalização é a ampliação a nível mundial da difusão de produtos - ideológicos, culturais e materiais - de determinados segmentos capitalistas, visando à potencialização máxima da capacidade mercadológica dos agentes operantes - na maioria das vezes, as empresas e as grandes corporações -, sendo, para isso, desconsideradas parcial ou completamente todas as conseqüências humanas do processo, já que é a doutrina do "lucro máximo" que rege essas operações. Por outro lado, o internacionalismo, por se alijar completamente de todo o ideário capitalista, não possui nenhuma tenção lucrativa, capitalista, e não é permeado por estruturas privilegiadas de produção - como as indústrias capitalistas -, sendo regido pela solidariedade e mutualismo máximos.

Didaticamente, o internacionalismo pode ser definido como sendo a difusão global de "serviços" humanos, e a globalização como a difusão global de "hegemonias" mercadológicas.

Socialismo Libertário: uma ótica socialista e anarquista

Os anarquistas auto-denominados socialistas libertários vêem qualquer governo como a manutenção do domínio de uma classe social sobre outra. Compartilham da crítica socialista ao sistema capitalista em que o Estado mantém a desigualdade social através da força, ao garantir a poucos a propriedade privada sobre os meios de produção, mas estendem a crítica aos socialistas que advogam a permanência de um Estado pós-revolucionário para garantia e organização da "nova sociedade". Tal Estado, ainda que proletário, somente faria permanecer antigas estruturas de dominação de uma parcela da população sobre a outra, agora sob nova orientação ideológica.

Esta ótica defende um sistema socialista em que os meios de produção sejam socializados e garantidos a todos os que nela trabalham. Neste sistema, não haveria necessidade de autoridades ou governos uma vez que a administração da vida social, objetivando a garantia plena da liberdade, só poderia ser exercida por aqueles que a compõem e a tornam efetiva, seja na agricultura, na indústria, no comércio, na educação e outras esferas da sociedade.

A sociedade seria gerida por associações democráticas, formadas por todos, e agrupando-se livremente, ou seja, com entrada e saída livre, em cooperativas e estas em federações.

A tradição socialista libertária teve a sua origem entre os séculos XVIII e XIX. Talvez o primeiro anarquista (embora não tenha usado o termo em nenhum momento) tenha sido William Godwin, inglês, que escreveu vários panfletos defendendo uma educação sem a participação do Estado, observando que este tornava as pessoas menos propensas a ver a liberdade que lhes era retirada. O primeiro a se auto-intitular anarquista e a defender claramente uma visão socialista libertária, foi Joseph Proudhon.[23] Mikhail Bakunin também foi um defensor do socialismo libertário, polemizando com Karl Marx e Friedrich Engels na primeira Associação Internacional de Trabalhadores (AIT). Mais tarde, apareceram importantes figuras do anarquismo, como Élisée Reclus, Piotr Kropotkin, Errico Malatesta e Emma Goldman, cujas ideias foram muito populares na primeira metade do século XX.

A sociedade anarquista

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Educação avançada: a base da coexistência harmoniosa

A questão persecutória por excelência entre os anarquistas no decorrer da história é: como seria possível uma Sociedade Anarquista se cada ser humano pensa de uma forma diferente[carece de fontes?]? Não seria permeada por inúmeros conflitos, guerras, antagonismos?

A resposta a essa questão, defendida pela maior parte dos anarquistas[carece de fontes?], é a de que apenas o desenvolvimento virtuoso da educação (Pedagogia Libertária) – permeada pela autodidática, interesse natural, relativismo cultural e antidogmatismo – proveria as pessoas do desenvolvimento humano efetivo. Assim, embora os conflitos façam parte da Sociedade Anarquista – e a desenvolvam estruturalmente por essa relação dialética –, eles seriam transferidos do plano físico – como é o caso das guerras atuais – para o plano do diálogo – como prima a democracia direta –, sendo negociados de forma pacífica, consciente, racional e, acima de tudo, humana, já que o interesse, o calculismo, não estaria mais regendo as instâncias conflitivas. Em outras palavras, independentemente do resultado do embate, ninguém sairia em posição privilegiada[carece de fontes?].

Piotr Alexeevich kropotkin (1842 – 1921) defende que a Liberdade, em seu estado puro, em conjunto com a fraternidade, serviria como um verdadeiro "remédio" às pessoas, sanando os seus problemas mais nefastos, conseqüentemente, prescindindo-se de qualquer espécie de punição ou coerção. Esta ideia se aplica, num espectro mais amplo, até às questões relacionadas à existência de estruturas manicomiais, responsáveis, na sociedade capitalista, pelas torturas e maus-tratos aos estigmatizados pelo sistema como "doentes mentais".

Princípio da flexibilidade e naturalidade organizacionais

Os anarquistas, por intermédio da aceitação e compreensão da progressão materialmente dialética da história, em sua maioria, não acreditam que o estabelecimento de estruturas organizacionais rígidas possam promover um desenvolvimento humano efetivo. Assim, acreditam que a inflexibilidade organizacional - típica do sistema capitalista - termina por interferir deleteriamente, quando não suprimir, as faculdades individuais de cada ser humano. Por isso, os anarquistas acreditam que são as dificuldades e problemáticas humanas, materiais e sociais que devem prescrever o modelo temporário de organização, e não as inferências provenientes de abstrações técnicas. Em outras palavras, é a realidade concreta que deve definir as bases da organização da sociedade anarquista, em contrapartida com as situações imaginárias criadas pelos "técnicos", as quais, na maioria das vezes, tendem a ser manipuladas a favor de interesses parciais.

Com o objetivo de se potencializar de forma plena a coesão estrutural - material - necessária à Sociedade Anarquista, a fim de se promover a satisfação das necessidades humanitárias, houve a emergência do conceito de Federalismo Libertário.

Federalismo Libertário

Sendo uma ampliação funcional do princípio da "Ação Direta", o federalismo libertário é o meio de organização proposto pela maior parte das vertentes anárquicas[carece de fontes?], desenvolvido, no âmbito anarquista, pela primeira pessoa a se intitular “anarquista”: Pierre-Joseph Proudhon (1809 - 1865). Esse conceito consiste na subdivisão organizacional temporária ou permanente da sociedade libertária – em federações, comunas, confederações, associações, cooperativas, grupos e qualquer outra forma de conjugação da força operacional humana – para a maior eficiência das interações humanas, sociais. Por intermédio do federalismo, de cunho libertário, seria possível uma intervenção rápida e direta do homem frente às problemáticas emergentes na sociedade anarquista. Nesse aspecto, Piotr Alexeevich Kropotkin (18421921) aludia didaticamente às federações como sendo "botes salva-vidas": ágeis no auxílio e versáteis frente às condições ou necessidades adversas[carece de fontes?].

Evidencia-se que o conceito de federalismo, no campo libertário, transcende o conceito atual de federalismo que conhecemos, deixando de representar apenas as associações de grande escala para adentrar no âmbito pessoal, abrangendo, inclusive, as relações interpessoais. Desta forma, o federalismo libertário se firma enquanto a máxima coesão entre o homem e a satisfação proficiente de suas necessidades[carece de fontes?].

O federalismo libertário se difere do federalismo estatal - como o que vigora no Brasil - por não ser concebido em meio a nenhuma relação de submissão e por ser regido, em sua completude, pelas necessidades humanas. Seriam sempre as problemáticas que definiriam e prescreveriam a organização, e não os interesses, sejam eles coletivos ou pessoais.

Com efeito, vários anarquistas já propuseram modelos mais elaborados de organização, de plataformas organizacionais, mas, como é a conjuntura e a naturalidade que devem definir a organização numa sociedade anarquista, elas são consideradas inferências, projetos divergentes, porém, todos unificados pelo conceito uno do federalismo libertário. Em outras palavras, o federalismo libertário é tido enquanto o germe de qualquer organização anarquista.

Responsabilidades: individual e coletiva

Na sociedade anarquista, a questão da responsabilidade é persecutória em qualquer pensamento acerca das relações entre os seus integrantes. Didaticamente, ela é dividida entre responsabilidade individual e responsabilidade coletiva - ambas totalmente coesas na prática.

Pela primeira, compreende-se a consciência individual encarnada em qualquer ação empreendida pelo indivíduo, de forma pessoal, subjetiva - embora com vistas ao benefício do coletivo. Assim, o anarquista possui seus deveres e obrigações em relação a toda a sociedade, agindo sempre de forma a progredi-la por completo.

Pela segunda, é convencionada a consciência coletiva emergente a partir de qualquer ação exercida por determinada seção operacional - grupo, associação, federação, etc. Uma determinada seção é responsável - em sua integridade - pelas suas ações desenvolvidas, estando suscetível aos seus resultados e, conseqüentemente, às possíveis reformulações ou reorientações.

Movimento social

O anarquismo como movimento social tem regularmente sofrido variações na sua popularidade. O seu período clássico, demarcado por estudiosos como sendo de 1860 a 1939, é associado com os movimentos do proletariado do século XIX e a era da Guerra Civil Espanhola com lutas contra o fascismo.[30]

A Primeira Internacional

O Anarquista coletivista Mikhail Bakunin opôs-se ao objetivo marxista da ditadura do proletariado em favor de uma rebelião universal e aliou-se aos federalistas na Primeira Internacional antes da sua expulsão pelos marxistas.[23]

Na Europa, uma severa reação seguiu a revolução de 1848, durante a qual dez países tinham experimentado convulsões sociais breves ou longas assim como grupos defendendo elevações nacionalistas. Depois de a maioria dessas tentativas sistematicamente acabar em fracasso, elementos conservadores tiraram vantagem de grupos divididos de socialistas, anarquistas, liberais e nacionalistas, para impedir mais revoltas.[31] Em 1864, a Associação Internacional dos Trabalhadores (algumas vezes chamada de "Primeira Internacional") uniu diversas correntes revolucionárias, como seguidores franceses de Proudhon,[32] , blanquistas, filadélfios, sindicalistas ingleses, socialistas e sociais democratas.

Devido às suas ligações com movimentos ativos de trabalhadores, a Internacional tornou-se uma organização significativa. Karl Marx tornou-se uma figura importante na Internacional e membro do seu conselho geral. Seguidores de Proudhon, os mutualistas, opunham-se ao socialismo estatal de Marx, advogando o abstencionismo político e o arrendamento de pequenas propriedades.[33] [34]

Em 1868, seguindo a sua mal-sucedida participação na Liga da Paz e Liberdade, o revolucionário russo Mikhail Bakunin e as suas associações anarquistas coletivistas juntaram-se à Primeira Internacional (que tinha decidido não se envolver com a Liga da Paz e Liberdade).[35] Eles aliaram-se com as seções socialistas federalistas da Internacional,[36] que advogavam o fim do estado através da revolução e a coletivização da propriedade.

Primeiramente, os coletivistas trabalharam com os marxistas para empurrar a Primeira Internacional para uma direção mais socialista revolucionária. Subsequentemente, a Internacional tornou-se polarizada dentro de dois campos, com Marx e Bakunin como suas lideranças respectivamente.[37] Bakunin caracterizou as ideias de Marx como centralistas e previu que, se o partido marxista fosse ao poder, os seus líderes iriam simplesmente tomar o lugar da classe dominante contra a qual tinham lutado.[38] [39]

Em 1872, o conflito atingiu seu clímax com uma separação final entre dois grupos no Congresso de Haia, no qual Bakunin e James Guillaume foram expulsos da Internacional e as suas sedes transferiram-se para Nova Iorque. Em resposta, as partes federalistas formaram a sua própria Internacional no Congresso de St. Imier, adotando um programa anarquista revolucionário.[40]

Trabalho organizado

As partes antiautoritárias da Primeira Internacional foram as precursoras dos anarcossindicalistas, procurando "substituir o privilégio e a autoridade do Estado" com "livre e espontânea organização do trabalho".[41] Em 1886, a Federação de Sindicatos Organizados dos Estados Unidos e do Canadá decidiram por unanimidade que 1 de maio de 1886 seria a data em que a jornada de oito horas se tornaria padrão.[42]

Em resposta, sindicatos pelos EUA prepararam uma greve geral para apoiar o evento.[42] Em 3 de maio, em Chicago, uma briga iniciou-se quando fura-greves tentaram cruzar a linha dos piquetes, e dois trabalhadores morreram quando a polícia abriu fogo contra a multidão.[43] No dia seguinte, 4 de maio, os anarquistas organizaram um comício na Haymarket Square de Chicago.[44] Uma bomba foi jogada por um desconhecido perto da conclusão do comício, matando um oficial.[45] No pânico subsequente, a polícia abriu fogo contra a multidão e foi respondida.[46] Sete policiais e ao menos quatro trabalhadores foram mortos.[47] Oito anarquistas direta e indiretamente relacionados aos organizadores do comício foram presos e acusados do assassinato dos policiais. Eles tornaram-se celebridades políticas internacionais entre a esquerda. Quatro deles foram executados e um quinto cometeu suicídio antes da sua execução. O incidente tornou-se conhecido como a Revolta de Haymarket, e foi um revés para o movimento e para a luta pela jornada de oito horas. Em 1890, uma segunda tentativa, desta vez internacional em extensão, para mobilização pela jornada de oito horas, foi feita. O evento também tinha o objetivo secundário de lembrar trabalhadores assassinados na Revolta de Haymarket.[48] Apesar de ter sido inicialmente concebida como um evento isolado, no ano seguinte a celebração do Dia do Trabalhador tinha se tornado como um feriado do trabalhador internacionalmente estabelecido.[42]

Em 1907, o Congresso Internacional Anarquista de Amsterdã reuniu delegados de quatorze países diferentes, entre os quais importantes figuras do movimento anarquista, como Errico Malatesta, Pierre Monatte, Luigi Fabbri, Benoît Broutchoux, Emma Goldman, Rudolf Rocker, e Christiaan Cornelissen. Vários temas foram tratados durante o Congresso, em particular concernando a mobilização do movimento anarquista, publicações de educação popular, a greve geral ou o antimilitarismo. Um debate central concernou a relação entre o anarquismo e o sindicalismo. Malatesta e Monatte discordaram particularmente sobre o assunto, já que o segundo pensava que o sindicalismo era revolucionário e criaria condições para uma revolução social, enquanto Malatesta não considerava o sindicalismo por si só suficiente.[49] Ele pensava que o movimento sindical era reformista e até mesmo conservador, citando como essencialmente burgueses e antitrabalhadores os dirigentes sindicais. Malatesta alertou que o objetivo dos sindicalistas eram perpetuar o sindicalismo, enquanto os anarquistas deviam sempre ter a anarquia como o seu fim e, consequentemente, abster-se de se comprometer com qualquer método particular de alcançá-la.[50]

A Federação Espanhola dos Trabalhadores em 1881 era o primeiro grande movimento anarcossindicalista; as federações sindicais eram de especial importância na Espanha. A mais bem-sucedida era a Confederación Nacional del Trabajo (Conferação Nacional do Trabalho: CNT), fundada em 1910. Antes dos anos 1940, a CNT era a maior força na política do proletariado espanhol, atraindo 1,58 milhão de membros em certo ponto e tendo um papel significativo na Guerra Civil Espanhola.[51] A CNT era afiliada à Associação Internacional dos Trabalhadores, uma federação de sindicatos anarcossindicalistas fundada em 1922, com delegados representando dois milhões de trabalhadores de quinze países da Europa e da América Latina. O maior movimento anarquista organizado hoje está na Espanha, na forma da Confederación General del Trabajo (CGT) e da CNT. Os membros da CNT eram estimados em cerca de 100.000 em 2003.[52] Outros movimentos sindicalistas ativos são a Workers Solidarity Alliance (Aliança Solidária dos Trabalhadores, dos EUA) e a Solidarity Federation (Federação Solidária, do Reino Unido). O sindicato industrial revolucionário Industrial Workers of the World (Trabalhadores Industriais do Mundo), com 2 mil membros pagantes, e a International Workers Association (Associação Internacional dos Trabalhadores), uma sucessora anarcossindicalista do Primeira Internacional, também continuam ativas.

Propaganda pelo ato

Pôster de propaganda mostrando um anjo protegendo pessoas contra um ativista bolchevista com uma bomba e uma faca nas mãos: a propaganda pelo ato foi amplamente vista negativamente

Alguns anarquistas, como Johann Most, defenderam a divulgação de atos violentos de retaliação contra contrarrevolucionários porque "nós proclamamos não apenas ação em e para si mesma, mas também ação como propaganda."[53] Por volta dos anos 1880, a frase "propaganda pelo ato" tinha começado e ser utilizada tanto dentro quanto fora do movimento anarquista para se referir a bombardeios individuais, regicídios e tiranicídios. Entretanto, em 1887, figuras importantes no movimento anarquista distanciaram-se de tais atos individuais. Peter Kropotkin assim escreveu naquele ano em Le Révolté que "uma estrutura baseada em séculos de história não pode ser destruída com alguns quilos de dinamite".[54] Uma variedade de anarquistas advogou o abandono desse tipo de táticas em favor de uma ação coletiva revolucionária, por exemplo através do movimento sindical. O anarcossindicalista Fernand Pelloutier argumentou em 1895 pelo envolvimento de renomados anarquistas no movimento trabalhista, baseando-se em que o anarquista não poderia ir bem sem "o dinamitador individual."[55]

A repressão do Estado (incluindo as lois scélérates francesas de 1894) para movimentos anarquistas e trabalhistas seguindo os poucos bem-sucedidos bombardeios e assassinatos poderiam ter contribuído para o abandono desse tipo de táticas, apesar de, reciprocamente, a repressão do estado, em primeiro lugar, ter possivelmente contribuído para esses atos isolados. A separação do movimento socialista em muitos grupos e, seguindo a supressão da Comuna de Paris em 1871, a execução e exílio de muitos communards para colônias penais, favoreceram expressões e atos políticos individuais.[56]

Revolução Russa

Os anarquistas Emma Goldman e Alexander Berkman opuseram-se à consolidação bolchevique de poder seguinte à Revolução Russa.

Anarquistas participaram junto aos bolcheviques tanto na Revolução de Fevereiro quanto na Revolução de Outubro, e estavam inicialmente entusiasmados com a revolução bolchevique.[57] Entretanto, os bolcheviques tornaram-se contrários a anarquistas e outros opositores de esquerda em pouco tempo, um conflito que culminou na Revolta de Kronstadt, reprimida pelo novo governo. Os anarquistas na Rússia central foram aprisionados ou juntaram-se aos bolcheviques vitoriosos; os anarquistas de Petrogrado e Moscou fugiram para a Ucrânia.[58] Lá, no Território Livre, eles lutaram na guerra civil contra o Exército Branco (um grupo apoiado pelos países do oeste e por monarquistas e outros opositores da Revolução de Outubro) e então contra os bolcheviques como parte do Exército Insurgente Makhnovista liderado por Nestor Makhno, o qual estabeleceu uma sociedade anarquista na região por alguns meses.

Os anarquistas expulsos dos Estados Unidos Emma Goldman e Alexander Berkman estavam entre os que faziam agitações em resposta à política bolchevique e à repressão da Revolta de Kronstadt, antes de deixarem a Rússia. Ambos escreveram diários das suas experiências na Rússia, criticando o grande controle que os bolcheviques exerciam. Para eles, as previsões de Bakunin sobre as consequências do domínio marxista de que os dirigentes do novo estado "socialista" marxista se tornariam uma nova elite tinham se provado todas muito verdadeiras.[38] [59]

A vitória dos bolcheviques na Revolução de Outubro e o resultado da Guerra Civil Russa provocaram sérios prejuízos para movimentos anarquistas internacionalmente. Muitos trabalhadores e ativistas viam o sucesso bolchevique como um exemplo; partidos comunistas cresceram às custas do anarquismo e de outros movimentos socialistas. Na França e nos Estados Unidos, por exemplo, membros dos maiores movimentos sindicais da CGT e do IWW deixaram as organizações e se juntaram à Internacional Comunista.[60]

Em Paris, o grupo de Dielo Truda, formado por anarquistas russos exilados, que incluía Nestor Makhno, concluiu que os anarquistas precisavam desenvolveu novas formas de mobilização em resposta às estruturas do bolchevismo. O seu manifesto de 1926, chamado Plataforma Organizacional da União Geral dos Anarquistas (Projeto),[61] foi apoiado. Grupos plataformistas ativos hoje em dia incluem o Workers Solidarity Movement (Movimento Solidário dos Trabalhadores) na Irlanda e a Federação do Nordeste de Anarquistas Comunistas da América do Norte. O sintetismo emergiu como uma alternativa organizacional ao plataformismo e tentava juntar anarquistas de diferentes tendências sob os princípios do anarquismo sem adjetivos.[62] Nos anos 1980, essa forma encontrou os seus principais proponentes em Voline e Sebastien Faure.[62] É o princípio essencial atrás das federações anarquistas agrupadas em torno da Internacional de Federações Anarquistas global contemporânea.[62]

A organização antifascista Maquis, que resistiu à dominação nazista e franquista na Europa.

Luta contra o fascismo

Nos anos 1920 e 1930, a ascensão do fascismo na Europa transformou o conflito do anarquismo com o estado. A Itália viu as primeiras lutas entre anarquistas e fascistas. Anarquistas italianos tiveram um papel chave na mobilização antifascista Arditi del Popolo, que era mais forte em áreas com tradições anarquistas, e alcançou algum sucesso em seu ativismo em repelir os camisas negras do bastião anarquista de Parma em agosto de 1922.[63] Na França, onde as ligas de extrema direita aproximaram-se da insurreição nos conflitos de fevereiro de 1934, os anarquistas dividiram-se por uma política de frente unida.[64]

Na Espanha, a CNT inicialmente recusou-se a juntar-se a uma aliança popular de frente eleitoral, e a abstenção dos apoiadores da CNT levou a direita à vitória nas eleições. Em 1936, porém, a CNT mudou a sua política e os votos dos anarquistas ajudaram a trazer a frente popular novamente ao poder. Meses depois, a antiga classe dominante respondeu com uma tentativa de golpe, causando a Guerra Civil Espanhola (1936–1939).[65] Em resposta à rebelião do exército, um movimento de inspirações anarquista de camponeses e trabalhadores, apoiado por milícias armadas, tomou o controle de Barcelona e grande áreas da zona rural espanhola, onde coletivizaram a terra.[66] Mas mesmo antes da vitória fascista em 1939, os anarquistas foram perdendo campo em uma dura luta com os stalinistas, que controlavam a distribuição de ajuda militar para a causa republicana da União Soviética. Tropas lideradas por stalinistas suprimiram as áreas coletivizadas e perseguiram tanto marxistas dissidentes quanto anarquistas.[67]

Anarquismo contemporâneo

A famosa okupa perto de Parc Güell, vista de Barcelona. A ocupação foi uma parte importante do emergente movimento anarquista renovado da contracultura dos anos 1960 e 1970.

Uma onde de interesse popular no anarquismo ocorreu durante os anos 1960 e 1970 [68] Em 1968, em Carrara, na Itália, a Internacional de Federações Anarquistas foi fundada durante uma conferência anarquista internacional na cidade por federações europeias já existentes da França, da Itália e a Federação Anarquista Ibérica, assim como a federação búlgara no exílio francês[69] [70] . No Reino Unido, a onda foi associada com o movimento punk rock, exemplificado por bandas como Crass e Sex Pistols.[71] A crise de habitação e emprego na maior parte da Europa Ocidental levou à formação de movimentos de comunas e de ocupações como o de Barcelona. Na Dinamarca, uma base militar fora de uso foi ocupada e a Cidade Livre de Christiania, um local autônomo no centro de Copenhagen, foi declarada.

Desde essa onda de popularidade do anarquismo na metade do século XX,[72] uma quantidade de novos movimentos e escolas de pensamento emergiram. Apesar de tendências feministas terem sempre sido uma parte do movimento anarquista na forma do anarcofeminismo, elas voltaram a vigorar com a segunda onda do feminismo nos anos 1960. O Movimento Afro-Americano de Direitos Civis e o movimento contra a guerra do Vietnã também contribuíram para a nova onda de anarquismo nos EUA. O anarquismo europeu do final do século XX teve muita da sua força vinda do movimento trabalhista, e ambos incorporaram o ativismo em prol dos direitos animais. O antropologista e o historiador anarquistas David Graeber e Andrej Grubacic têm posto uma ruptura entre gerações de anarquismo, com aqueles "que frequentemente ainda não se livraram dos hábitos sectários" do século XIX contrastados com os jovens ativistas que são "muito mais informados, por, entre outros elementos, ideias do conhecimento tradicional, feministas, ecológicas e contraculturais" e que, na virada do século XXI eram formados "em ampla maioria" por anarquistas.[73]

Perto da virada para o século XXI, o anarquismo cresceu em popularidade e como influência nos movimentos antiguerra, anticapitalistas e antiglobalização.[74] Anarquistas tornaram-se conhecidos pelo seu movimento em protestos contra os encontros da Organização Mundial do Comércio, do G-8 e o Fórum Econômico Mundial. Alguma facções anarquistas nesses protestos estão envolvidos em manifestações, destruição de propriedades e confrontos violentos com a polícia, os quais são seletivamente retratados pela grande mídia como tumultos violentos. Essas ações são aceleradas por grupos de curta duração, sem liderança e anônimos conhecidos como black blocs; outras táticas de mobilização pioneiramente utilizadas nesta época incluem uso de fantasias e reuniões em grupos pequenos e o uso de tecnologias descentralizadas como a internet.[74] Um dos marcos dessa época foram os confrontos ns Conferência da OMC em Seattle em 1999.[74]

Internacionais de federações anarquistas em atividade incluem a Internacional de Federações Anarquistas, a Associação Internacional dos Trabalhadores e a Solidariedade Internacional Libertária.

Vertentes do anarquismo

Retrato do filósofo Pierre-Joseph Proudhon (1809–1865) por Gustave Courbet. Proudhon foi o primeiro proponente do mutualismo, e influenciou posteriormente muitos pensadores anarquistas individualistas.

Ideias anarquistas têm apenas ocasionalmente inspirado movimentos de todos os tamanhos, e "a tradição é o principal dos pensadores individuais, mas eles têm produzido um importante corpo de teoria".[75] Escolas anarquistas de pensamento tinham sido geralmente agrupadas em duas principais tradições históricas, anarquismo individualista e anarquismo social, as quais têm algumas origens, valores e evolução diferentes.[76] [11] [77] A corrente individualista do anarquismo enfatiza as liberdades negativas, p. ex. a oposição ao estado ou controle social sobre o indivíduo, enquanto aqueles na vertente social enfatizam a liberdade positiva para alcançar o potencial do homem e argumenta que humanos têm necessidades que a sociedade deveria preencher totalmente, "reconhecendo igualdade de direitos".[78] No senso cronológico e teórico, há escolas anarquistas clássicas - aquelas criadas no século XIX - e a pós-clássicas - aquelas criadas desde a metade do século XX.

Por trás das correntes específicas de pensamento anarquista está o anarquismo filosófico, que une a estância teórica de que o Estado tem falta de legitimidade moral ao não aceitar o imperativo da revolução para eliminá-lo. Um componente especialmente do anarquismo individualista[79] [80] que o anarquismo filosófico pode aceitar é a existência de um estado mínimo como despropositado, e usualmente temporariamente, um "mal necessário", mas ele argumenta que os cidadãos não têm uma obrigação moral para obedecer o estado quando as suas leis entram em conflito com a autonomia individual.[81] Uma reação contra o sectarismo dentro do meio anarquista foi o "anarquismo sem adjetivos", uma convocação para tolerância primeiramente adotada por Fernando Tarrida del Mármol, em 1889, em resposta aos "debates amargos" da teoria anarquistas naquele tempo.[82] Ao abandonar os anarquismos hifenados (p. ex. anarquismo-coletivista, -comunista, -mutualista, e -individualista), era solicitada a ênfase nas crenças no antiautoritarismo comum a todas as escolas de pensamento anarquistas.[83]

Mutualismo

O Mutualismo começa com os movimentos de trabalhadores ingleses e franceses do século XIX, assumindo seu caráter anarquista com Pierre-Joseph Proudhon na França e outros nos EUA.[84] Proudhon propôs a ordem espontânea, onde a organização emerge sem uma autoridade central, uma "anarquia positiva onde a ordem surge quando todos fazem "o que desejam e apenas o que desejam"[85] e onde "transações de negócios sozinhas produzem a ordem social".[86]

O mutualismo anarquismo se preocupa com a reciprocidade, associação livre, contratos voluntários, federações e reforma de crédito e moeda. De acordo com William Batchelder Greene, cada trabalhador, no sistema mutualista, receberia "o justo e exatamente o pagamento pelo seu trabalho; serviços equivalentes em custo sendo trocáveis por serviços equivalentes em custo, sem lucro ou desconto".[87] O mutualismo tem sido caracterizado ideologicamente situado entre as formas individualistas e coletivistas do anarquismo.[88] Proudhon caracterizou primeiro o seu objetivo como "a terceira forma da sociedade, a síntese do comunismo e da propriedade."[89]

Anarquismo individualista

Anarquismo individualista refere-se a algumas tradições de pensamento dentro de movimento anarquista que enfatizam o indivíduo e a sua vontade sobre quaisquer tipos de determinantes externos, tais como grupos, sociedade, tradição e sistemas ideológicos.[90] [91] O anarquismo individualista não é uma única filosofia, referindo-se a um grupo de filosofias individualistas que algumas vezes são conflitantes.

O Filósofo do século XIX Max Stirner, usualmente considerado um dos primeiros importantes anarquistas individualistas (desenho de Friedrich Engels).

Em 1793, William Godwin, que tem frequentemente[92] sido citado como o primeiro anarquista, escreveu Justiça Política, que alguns consideram ser a primeira expressão do anarquismo.[20] [93] Godwin, um filósofo anarquista de uma base racionalista e utilitarista se opôs à ação revolucionária e viu um estado mínimo como um "mal necessário" presente que se tornaria cada vez mais irrelevante e sem poder pela propagação gradual de conhecimento.[20] [94] Godwin advogou um individualismo extremo, propondo que toda a cooperação no trabalho fosse eliminada na premissa de que isso seria o mais conducente ao bem geral.[95] [96]

Godwin era um utilitarista que acreditava que todos os indivíduos não são de valor igual, com alguns de nós "de mais valor e importância" do que outros, dependendo da nossa utilidade em trazer bem social. Portanto, ele não acredita em direitos igual, mas na vida da pessoa, e que deveria ser favorecida a que é mais contribuinte para o bem social.[96] Godwin se opôs ao governo porque ele o viu infringindo a direito individual de "julgamento privado" para determinar quais ações mais maximizam a utilidade, mas também fez uma crítica de toda autoridade sobre o julgamento do indivíduo. Esse aspecto da filosofia de Godwin, privado de motivações utilitárias, foi desenvolvido em uma forma mais extrema posteriormente por Stirner.[97]

A forma mais extrema do anarquismo individualista, chamada de "egoísmo",[98] ou anarquismo egoísta, teve como expoente um dos primeiros e mais bem conhecidos proponentes do anarquismo individualista, Max Stirner.[99] O único e sua propriedade de Stirner, publicado em 1844, é o texto fundador dessa filosofia.[99] De acordo com Stirner, a única limitação dos direitos do indivíduo é o seu poder para obter o que ele deseja,[100] sem considerar Deus, estado ou moralidade.[101] Para Stirner, direitos eram espectros na mente, e ele afirmava que a sociedade não existe, mas sim que "os indivíduos são a sua realidade".[102]

Stirner defendia a auto-afirmação e previa uniões de egoístas, associações não-sistemáticas continuamente renovadas pelo apoio de todos os partidos através de um ato de vontade,[103] que Stirner propôs como uma forma de organização no lugar do estado.[104] Anarquistas egoístas afirmam que o egoísmo irá alimentar uma união genuína e espontânea entre os indivíduos.[105] O "egoísmo" tem inspirado muitas interpretações da filosofia de Stirner. Ele foi redescoberto e promovido pelo filósofo e ativista GLBT John Henry Mackay. O anarquismo individualista inspirado por Stirner atraiu poucos seguidores da boemia europeia e intelectuais.

Anarquismo social

O Anarquismo social denomina um sistema de propriedade público dos meios de produção e controle democrático de todas as organizações, sem qualquer autoridade governamental ou coerção. É a maior escola de pensamento no anarquismo.[106] O anarquismo social rejeita a propriedade privada, vendo-a como a fonte da desigualdade social, e enfatiza a cooperação e a ajuda mútua.[107]

O teórico russo Peter Kropotkin (1842–1921), influente no desenvolvimento do anarcocomunismo.

Anarquismo coletivista, também chamado de "socialismo revolucionário" ou uma forma de tal,[108] [109] é uma forma revolucionário de anarquismo, comumente associada com Mikhail Bakunin e Johann Most.[110] [111] Anarquistas coletivistas se opõem a toda propriedade privada dos meios de produção, defendendo que a propriedade deve ser coletivizada. Isso era para ser alcançado através de uma revolução violenta, primeiramente começando com um grupo pequeno e coeso através de atos de violência, ou "propaganda pelo ato", o que inspiraria trabalhadores como um todo a se revoltar e coletivizar forçadamente os meios de produção.[110]

Entretanto, a coletivização não era para ser estendida para a distribuição das receitas, já que os trabalhadores seriam pagos de acordo com o tempo trabalhado, mais do que receber bens distribuídos de "acordo com a necessidade" como no anarcocomunismo. Essa posição foi criticado por anarcocomunistas como efetivamente "assegurando o sistema de salários".[112] O anarquismo coletivista surgiu contemporaneamente ao marxismo, mas se opôs à ditadura do proletariado marxista, apesar de aceitar o objetivo marxista de uma sociedade coletivista sem classes.[113] Ideias anarcocomunistas e anarquistas coletivistas não são mutuamente exclusivas; apesar de os anarquistas coletivista defenderem compensação pelo trabalho, alguns estenderam a possibilidade de uma transição pós-revolucionária para um sistema comunista de distribuição de acordo com a necessidade.[114]

O anarcocomunismo propõe que a forma mais livre de organização social seria uma sociedade composta por comunas autogeridas com o uso coletivo dos meios de produção, organizada democraticamente, e relacionada a outras comunas através de federação.[115] Enquanto alguns anarcocomunistas preferem a democracia direta, outros sentem que o seu caráter majoritário pode impedir a liberdade individual e então estes apoiam uma democracia consensual. No anarcocomunismo, assim como o dinheiro seria abolido, indivíduos não receberiam compensação direta pelo trabalho (através do compartilhamento dos lucros ou pagamentos), mas teriam livre acesso aos recursos e ao excedente da comuna.[116] [117] O anarcocomunismo nem sempre tem uma filosofia comunitária. Algumas formas de anarcocomunismo são egoístas e fortemente influenciadas por individualismo radical,[118] acreditando que o anarcocomunismo não requer inteiramente uma natureza comunitária.

No começo do século XX, o anarcossindicalismo surgiu como uma vertente distinta dentro do anarquismo.[119] Com grande foco no movimento trabalhista do que formas anteriores de anarquismo, o sindicalismo coloca sindicatos radicais como uma força potencial para uma mudança social revolucionária, substituindo o capitalismo e o estado por uma nova sociedade, democraticamente autogerida por trabalhadores. É frequentemente combinado com outras formas de anarquismo, e anarcossindicalistas frequentemente aceitam os sistemas econômicos anarcocomunistas ou anarquistas coletivistas.[120] Uma liderança inicial e pensador do anarcossindicalismo foi Rudolf Rocker, cujo panfleto de 1938 Anarcossindicalismo delineia uma visão da origem do movimento, objetivando a importância para o futuro do trabalho.[120] [121]

Correntes pós-clássicas

Lawrence Jarach (esquerda) e John Zerzan (direita), dois autores anarquistas contemporâneos proeminentes. Zerzan é conhecido como o principal teórico do anarcoprimitivismo, enquanto Jarach é um notável defensor da anarquia pós-esquerdismo.

O anarquismo continua a gerar muitos filósofos e movimentos, às vezes ecléticos, baseando-se em várias fontes, e sincréticos, combinando conceitos diferentes contrários para criar novas abordagens filosóficas. Desde a nova onda do anarquismo nos Estados Unidos, nos anos 1960,[72] novos movimentos e escolas têm emergido.[122] O anarcocapitalismo desenvolveu-se do libertarianismo radical anti-estado e do anarquismo individualista, baseando-se na Escola Austríaca de economia, em estudos de leis e economia e na teoria da escolha pública,[123] enquanto os florescentes movimentos feminista e ambientalista também produziram ramificações anarquistas.

O anarcafeminismo desenvolveu-se como uma síntese do feminismo radical e do anarquismo, que vê o patriarcado (dominação masculina sobre as mulheres) como uma manifestação fundamental de governos compulsórios. Ele foi inspirado por escritas do século XIX das primeiras anarquistas feministas como Lucy Parsons, Emma Goldman, Voltairine de Cleyre e Dora Marsden. Anarcafeministas, como outras feministas radicais, criticam e defendem a abolição dos conceitos tradicionais de família, educação e do papel social de gênero. O anarquismo verde (ou eco-anarquismo)[124] é uma escola de pensamento dentro do anarquismo que coloca ênfase em debates ambientais,[125] e cujas principais correntes contemporâneas são o anarcoprimitivismo e a ecologia social. O anarcopacifismo é uma tendência que rejeita o uso da violência na luta por mudança social.[13] [14] Ele se desenvolveu "principalmente nos Países Baixos, no Reino Unido e nos Estados Unidos, antes e durante a Segunda Guerra Mundial".[14]

A anarquismo pós-esquerdismo é uma tendência que procura distanciar-se da tradicional esquerda política e escapar da restrição de ideologias em geral. O pós-anarquismo é um movimento em direção à síntese da teoria anarquista clássica e do pensamento pós-estruturalista baseando-se em diversas ideias, incluindo o pós-modernismo, marxismo autonomista, anarquismo pós-esquerdismo, situacionismo e pós-colonialismo.

Uma outra recente forma de anarquismo crítico de movimentos anarquistas formais é o anarquismo insurreicionário,[126] que defende a organização informal e a resistência ativa ao estado; entre os seus proponentes estão Wolfi Landstreicher e Alfredo M. Bonanno.

Tópicos de interesse na teoria anarquista

Intercectando e sobrepondo várias escolas de pensamento, certos tópicos de interesse e disputas internas têm se provado perenes dentro da teoria anarquista.

Amor livre

O anarquista individualista francês Emile Armand (1872–1962), que expôs o valor do amor livre no meio social anarquista parisiense no começo do século XX

Uma importante corrente dentro do anarquismo é o amor livre.[127] O amor livre, algumas vezes visto como tendo raízes em Josiah Warren e em comunidades experimentais, advoga uma visão de liberdade sexual, expressão direta de um autodomínio individual. O amor livre particularmente enfatiza os direitos da mulher contra as leis sexualmente discriminatórias feitas contra as mulheres: por exemplo, leis de casamento e medidas de controle de nascimentos.[127] O mais importante jornal estado-unidense de amor livre foi Lucifrer the Lightbreaker (1883-1907), editado por Moses Harman e Lois Waisbrooker,[128] ; também havia The Word, de Ezra Heywood e Angela Heywood The Word (1872–1890, 1892–1893).[127] M. E. Lazarus foi também um importante anarquista individualista estado-unidense que promoveu o amor livre.[127]

No bairro nova-iorquino de Greenwich Village, feministas boêmias e socialistas advogavam pela autorrealização e prazer para as mulheres (e também para os homens) no aqui e agora. Eles encorajaram jogar com os papeis sexuais e com a sexualidade,[129] e a abertamente bissexual radical Edna St. Vincent Millay e a anarquista lésbica Margaret Anderson eram proeminentes no movimento. Grupos de discussão organizado por moradores do bairro eram frequentados por Emma Goldman, entre outros. Magnus Hirschfeld observou que, em 1923, Goldam "tem feito campanha forte e constantemente por direitos individuais, e especialmente para aqueles desprivados de seus direitos. Isso provocou a sua defesa do amor homossexual antes do público em geral."[130]

Na Europa, o principal propagandista do amor livre dentro do anarquismo individualismo foi Emile Armand.[131] Ele propôs o conceito de la camaraderie amoureuse para falar de amor livre como a possibilidade de encontros sexuais entre adultos que consentissem. Ele também era um proponente consistente do poliamor.[131]

Educação libertária

Francisco Ferrer, pedagogo anarquista catalão

Max Stirner escreveu em 1842 um longo ensaio sobre a educação chamado O Falso Princípio da nossa Educação. Nele, Stirner nomeia o seu princípio educacional como "personalista" , explicando que o auto-entendimento consiste em autocriação contínua. Educação, para ele, é criar "homens livres, caráteres soberanos", pelos quais ele quer dizer "caráteres eternos...que são portanto eternos porque eles formam-se a cada momento".[132]

1901, o pensador anarquista e maçom Francisco Ferrer estabeleceu escolas progressivas ou "modernas" em Barcelona, desafiando um sistema educacional controlado pela Igreja Católica.[133] O objetivo inicial da escola era educar a classe trabalhadora em um cenário racional, secular e não-coercitivo". Ferozmente anticlerical, Ferrer acreditava na "liberdade na educação", educação livre de autoridade da igreja ou do estado.[134] Murray Bookchin escreveu: "Esse período (década de 1890) foi o auge das escolas libertárias e de projetos pedagógicos em todas as áreas do país onde os anarquistas exerciam alguma escala de influência. Possivelmente, o mais bem conhecido esforço neste campo foi a Escola Moderna de Francisco Ferrer (Escuela Moderna), um projeto que exercia uma considerável influência na educação catalã e nas técnicas experimentais de ensinar em geral."[135] La Escuela Moderna e as ideias de Ferrer em geral foram a inspiração para uma série de Escolas Modernas nos Estados Unidos,[133] Cuba, América do Sul e Londres. A primeira dessas foi inaugurada em Nova Iorque em 1911. Ela também inspirou o jornal italiano Università popolare, fundado em 1901.

Uma outra tradição libertária é a de não-escolarização e a pedagogia libertária nas quais atividades lideradas por crianças substituem abordagens pedagógicas. Experiências na Alemanha levaram A. S. Neill a fundar o que se tornou a Summerhill School em 1921.[136] Summerhill é frequentemente citada como um exemplo do anarquismo em prática.[137] Entretanto, apesar de Summerhill e outras escolas serem radicalmente libertárias, elas diferiam dos princípios de Ferrer por não advogar uma abordagem manifestadamente política em relação à luta de classes.[138] Além de organizar escolas de acordo com princípios libertários, anarquistas também continuaram a questionar o conceito de aprendizagem por si. O termo desescolarização foi popularizado por Ivan Illich, que argumentava que a escola como uma instituição é disfuncional para a aprendizagem autodeterminada e serve, ao contrário, para a criação de uma sociedade de consumo.[139]

Debates e questões internas

O uso da violência é alvo de grandes controvérsias no anarquismo.

O anarquismo é uma filosofia que incorpora muitas atitudes, tendências e escolas de pensamento diversas; assim, desacordos sobre questões de valores, ideologia e táticas são comuns. A compatibilidade com o capitalismo,[140] nacionalismo e religião é vastamente discutida. Similarmente, o anarquismo conta com complexas relações com o marxismo, comunismo e capitalismo.

Fenômenos como a civilização, a tecnologia (p. ex. dentro do anarcoprimitivismo e do anarquismo insurreicionário) e o processo democrático podem ser fortemente criticados dentro de algumas tendências anarquistas e simultaneamente elogiados em outras.

Em um nível tático, enquanto a propaganda pelo ato era uma tática utilizada por anarquistas no século XIX (p. ex. o movimento niilista), anarquistas contemporâneos usam métodos alternativos de ação direta como a não-violência, contra-economia e criptografia anti-estado para trazer uma sociedade anarquista. Sobre o alcance de uma sociedade anarquista, alguns anarquistas advogam uma global, enquanto outros apenas locais.[141] A diversidade no anarquismo tem levado a usos muito diferentes de termos idênticos entre diferentes tradições anarquistas, o que tem levado a muitos interesses na definição da teoria anarquista.

Anarquistas mais conhecidos

Noam Chomsky (1928–)

Internacionalmente conhecidos

(Lista organizada alfabeticamente)

Anarquistas brasileiros

(Lista organizada alfabeticamente)

Anarquistas portugueses

(Lista organizada alfabeticamente)

Referências

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    "Em março de 1871, a Comuna tomou o poder na cidade abandonada e ficou nele por dois meses. Então Versailles escolheu o momento para atacar e, em uma semana horripilante, executou asperamente 20.000 communars ou supostos simpatizantes, um número maior que aqueles mortos na recente guerra ou durante o 'Terror' de Robespierre de 1793-94. Mais de 7.500 foram presos ou deportados a países como a Nova Caledônia. Milhares de outros fugiram para Bélgica, Inglaterra, Itália, Espanha e Estados Unidos. Em 1872, leis severas foram aprovadas e regulavam a possibilidade de a esquerda mobilizar-se. Não até 1880 houve uma anistia geral a Communards exiliados e aprisionados. Entretanto, a Terceira República encontrou-se forte o suficiente para renovar e reforçar a expansão imperialista de Louis Napoleão – na Indochina, África e Oceania. Muitos dos principais intelectuais e artistas franceses tinham participado da Comuna (Courbet era o seu semi-ministro da cultura, Rimbaud e Pissarro eram propagandistas ativos) ou simpatizantes a ela. A repressão feroz de 1871 e as suas consequências foram provavelemente o fator chave em alienar as pessoas da Terceira República e agitar a sua simpatia para as suas vítimas em casa e no estrangeiro."(em Benedict Anderson. "In the World-Shadow of Bismarck and Nobel", New Left Review, July -August 2004.)

    De acordo com alguns analistas, na Alemanha pós-guerra, a proibição do Partido Comunista (KDP) e assim da sua extrema esquerda institucional puderam também, da mesma maneira, ter um papel na criação da Fração do Exército Vermelho.
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