Anticapitalismo

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Símbolo anticapitalista

O anticapitalismo descreve uma ampla variedade de movimentos, ideologias, atitudes de oposição e correntes de pensamento e ação que opõem-se ao capitalismo, normalmente entendido como o sistema baseado na propriedade privada, na livre concorrência de mercado e no trabalho assalariado. Num sentido estrito, os anticapitalistas são aqueles que desejam substituir completamente o capitalismo por outro sistema econômico; entretanto, há também ideologias que podem ser caracterizadas como parcialmente anticapitalista, pois visam a abolir apenas alguns aspectos do capitalismo e não todo o sistema, como é o caso do socialismo liberal.

Mais recentemente, o termo anticapitalista foi também utilizado para designar o esforço de convergência das diversas vertentes do movimento social: o movimento ambientalista, o movimento feminista, o movimento operário etc. Este sentido se difundiu principalmente no final dos anos 1990 com o movimento de resistência global que buscava reunir esses movimentos que haviam se desenvolvido mais ou menos separadamente a partir dos anos 1960. A utilização do termo anticapitalista neste sentido era um pouco polêmica porque, por um lado, buscava apenas mostrar que os diversos problemas que os movimentos enfrentavam faziam sistema, ou seja, que o desrespeito ao meio ambiente, o sexismo, a hierarquia e a exploração do trabalho estavam arranjados num só sistema - no entanto, não havia consenso entre os movimentos de que o que dava sistematicidade a esses problemas era o capitalismo entendido como sistema econômico. Por isso, nem todos os movimentos acreditavam que o termo anticapitalista era o mais adequado para indicar a convergência.

Movimentos, ideologias e tendências anticapitalistas[editar | editar código-fonte]

Um cartaz anticapitalista publicado pela IWW em 1911
  • O Socialismo propõe o controle coletivo da economia, o que pode estar associado a controles democráticos ou o controle totalitário sobre o Estado (há filosofias democráticas e autoritárias que se denominam "socialistas).
    • O Marxismo propõe a propriedade coletiva dos meios de produção para uma futura eliminação total dos vestígios do capitalismo. No marxismo o Estado atinge seu ponto máximo de existência e controla todos os níveis da vida econômica e social, o comunismo. Como não existem outras classes sem ser o proletariado, muitos se confundem, acreditando que o Estado deixa de existir, porém o que deixa de existir é o Estado enquanto campo de lutas da burguesia, passando a ser um Estado proletário e total[1] .[2]
    • A Socialdemocracia é uma ideologia parcialmente anticapitalista que surgiu de `alas reformadoras do movimento socialista. Os socialdemocratas pretendem mitigar o que creem ser os efeitos mais negativos do capitalismo mediante uma economia mista e o estado do bem-estar social.
  • O Anarquismo propõe a abolição total do Estado e considera o capitalismo como uma dominação social ilegítima, baseado em relações involuntárias e hierarquias coercitivas. Algumas formas de anarquismo opõem-se integralmente ao capitalismo, todavia, visto que o capitalismo reduz a ação do Estado e a interferência governamental, há tendência minoritária dentro do anarquismo, conhecidas como anarco-capitalismo e anarco-individualista, que incorporam o capitalismo em sua filosofia.[3]
  • O Fascismo e o Nazismo, segundo alguns teóricos, como Ludwig von Mises, são instrinsicamente contrários aos princípios do liberalismo econômico, pois impedem o conceito do laissez-faire e propõem a sobreposição do Estado aos interesses individuais - o totalitarismo.[4] (Totalitarismo fascista) - Os fascistas aceitavam a propriedade privada, mas advogavam seu controle por parte do estado para assegurar que o "benefício da comunidade" precedesse o benefício individual.[5] Liberais, como Ludwig von Mises, argumentam que o fascismo, uma derivação do totalitarismo, era um regime político de extrema esquerda - um socialismo nacional de extrema esquerda marcado por sua postura antiliberal. Segundo Mises, o fascismo manteve apenas uma ilusão de respeito à propriedade privada, visto que os indivíduos não podiam dispor de seus bens porque o governo freqüentemente emanava novas leis e regulamentos (em benefícios de aliados governamentais) o que não é compatível com o funcionamento do livre-mercado.[6] [7] Mas, por outro lado, o nazi-fascismo é o oposto aos ideais teóricos de igualitarismo do socialismo e comunismo, desse modo sendo considerado por outros autores uma ditadura de extrema direita controlada pelo estado.[8] [9] [10] [11] [12] [13] [14] [15] [16] [17] [18] [19]
  • Algumas religiões criticam alguns aspectos do capitalismo:
    • O Islã proíbe empréstimos de dinheiro com cobrança de juros, que é um importante aspecto do capitalismo. Outra questão é a crença desta religião no dogma de que a Alá pertencem todas as coisas, o qual se contrapõe ao fundamento capitalista da propriedade privada.
    • O Cristianismo também proíbe a usura, mas as sociedades ocidentais modernas abandonaram a ideia devido ao princípio de separação entre a Igreja e o Estado que resultou na secularização da sociedade e forjou o sistema capitalista fundamentado na propriedade privada e na prática da usura.

Referências

  1. Lefebvre, H. Le Marxisme, Presse universitaires de France, collection Que sais-je?, 1948.
  2. Marx, K; Engels, F. Manifesto do Partido Comunista. Editorial "Avante!", Lisboa, Portugal, 1997.
  3. Anarcho-capitalism. The Encyclopedia of Libertarianism p. 13, escrito por Ronald Hamowy, SAGE
  4. Calvin B. Hoover, The Paths of Economic Change: Contrasting Tendencies in the Modern World, The American Economic Review, Vol. 25, No. 1, Supplement, Papers and Proceedings of the Forty-seventh Annual Meeting of the American Economic Association. (Mar., 1935), pp. 13-20.
  5. EPSTEIN, Richard Allen - Principles for a Free Society: Reconciling Individual Liberty With the Common Good, De Capo Press 2002, p. 168
  6. von Mises, Ludwig - Socialism 1951.
  7. VON MISES, Ludwig - A mentalidade antiliberal. Rio de Janeiro: J. Olympio Editor, 1988
  8. Roger Eatwell (2011). Fascism: A History.
  9. Zeev Sternhell, Mario Sznajder, Maia Ashéri (1995). From Cultural Rebellion to Political Revolution.
  10. Richards Griffins. Fascism.
  11. Stanley G. Payne. Fascism.
  12. Stanley G. Payne. A History of Fascism.
  13. Robert O. Paxton (2011). The Anatomy of Fascism.
  14. Peter Davies, Derek Lynch. The Routledge Companion to Fascism and the Far Right.
  15. Brian Jenkins. France in the era of fascism: essays on the French authoritarian right.
  16. Martin Blinkhorn (2000). Fascism and the right in Europe, 1919-1945.
  17. Eatwell, Roger (2003). "A Spectral-Syncretic Approach to Fascism", The Fascism Reader, Routledge.
  18. Oxford Dictionary. Fascism.
  19. Joan Antón Melló (2008). The core ideas and axioms of Classical Fascism (1919-1945). Universitat de Barcelona.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Livro Negro do Capitalismo