Escola Moderna

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A Escola Moderna foi um movimento de pedagogia libertária ocorrido durante a primeira metade do século XX, e que adotou a filosofia de ensino de Francisco Ferrer y Guardia. Para dar impulso a este movimento reformador, foi criada em 1906 a Liga Internacional para a Instrução Racional da Infância, cujos princípios estatutários estabeleciam:

  1. A educação da infância deve fundamentar-se sobre uma base científica e racional; em conseqüência, é preciso separar dela toda noção mística ou sobrenatural;
  2. A instrução é parte desta educação. A instrução deve compreender também, junto à formação da inteligência, o desenvolvimento do caráter, a cultura da vontade, a preparação de um ser moral e físico bem equilibrado, cujas faculdades estejam associadas e elevadas ao seu máximo de potência;
  3. A educação moral, muito menos teória do que prática, deve resultar principalmente do exemplo e apoiar-se sobre a grande lei natural da solidariedade;
  4. É necessário, sobretudo no ensino da primeira infância, que os programas e os métodos estejam adaptados o mais possível à psicologia da criança, o que quase não acontece em parte alguma, nem no ensino público nem no privado.

As Escolas Modernas comumente compreendiam também cursos noturnos para a educação de adultos. Por ser anticlerical e fomentar a solidariedade e a educação livre de autoridade coerciva, os anarquistas foram grandes adeptos deste movimento. Os sindicatos e associações operárias nos quais tinham influência contribuíram ativamente para a fundação de várias Escolas Modernas e cursos para adultos baseados em sua filosofia pedagógica.

Índice

[editar] Escolas Modernas fundadas no Brasil

Outras escolas que empregaram métodos semelhantes aos da Escola Moderna, no Brasil:

  • Escola Eliseu Réclus, de Porto Alegre
  • Escola da União Operária de Franca, fundada em 1912 por Teófilo Pereira
  • Escola noturna da Liga Operária de Sorocaba, fundada em 1912
  • Escola Operária 1° de Maio, localizada em Vila Isabel e depois em Olaria, Rio de Janeiro
  • Universidade Popular de Cultura Racional e Científica, fundada em 1915, anexa à Escola Nova de São Paulo, e que oferecia cursos preparatórios para professores
  • Escola Joaquim Vicente, fundada em 1920, em São Paulo
  • Escola Profissional, fundada em 1920 por iniciativa da União em Fábricas de Tecidos, no Rio de Janeiro
  • Escolas para Operárias do Centro Feminino Jovens Idealistas (duas), fundadas em 1920 à Rua Borges de Figueiredo, 37, e à Rua Joli, 125
  • Escola da Liga da Construção Civil, fundada em 1920, em Niterói
  • Grupo Escolar Carlos Dias, "órgão do Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes dos Trabalhadores em Geral", em Salvador

[editar] Fim do movimento no Brasil

No início dos anos 1920, a fundação do Partido Comunista Brasileiro e a repressão do movimento operário pelo governo de Artur Bernardes atingiu em cheio a base de sustentação das Escolas Modernas, que dependiam primariamente de organizações e militantes anarquistas. Na mesma época (1919), em meio a uma campanha de difamação, as autorizações de funcionamento das Escolas Modernas de São Paulo foram cassadas. Assim a imprensa católica da época (A Gazeta do Povo) descreveu as Escolas Modernas:

Citação
«todo mundo já sabe que em São Paulo trata-se de fundar uns institutos para a corrupção do operário, nos moldes da Escola Moderna de Barcelona, o ninho de anarquismo de onde saíram os piores bandidos prontos a impôr suas idéias, custasse embora o que custou. Ora, uma tal casa de perversão do povo vai constituir um perigo máximo para São Paulo. E é preciso acrescentar que não somos só nós os católicos que ficaremos expostos à sanha dos irresponsáveis que saíssem da Escola Moderna.»


[editar] Referências

Edgar Rodrigues (1992). O Anarquismo: na Escola, no Teatro, na Poesia. Rio de Janeiro: Achiamé.

[editar] Ver também