Movimento operário

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Movimento operário é um termo que refere-se à organização coletiva de trabalhadores para a defesa de seus próprios interesses, particularmente (mas não apenas) através da implementação de leis específicas para reger as relações de trabalho. Em sentido amplo, abrange o conjunto dos fatos políticos e organizacionais relacionados ao mundo do trabalho e à vida política, social e econômica dos trabalhadores.[1]

Inicialmente surgiu como uma reação às consequências da Revolução Industrial partiam dos artesãos que se viram privados de seus meios originais de trabalho. Revoltados, grupos de artesãos atacavam as fábricas, quebrando as máquinas. Desse mesmo tipo também foi a reação dos operários jogados na miséria pelas primeiras crises de desemprego. Depois de algum tempo, os operários começaram a perceber que o problema não estava nas fábricas, nem nas máquinas em si, mas sim na forma como a burguesia havia organizado os meios de produção. No início do século XIX, na Inglaterra, o movimento dos trabalhadores se fez sentir por meio de demonstrações de massa, como motins e petições. Foi nesse século que os sindicatos surgiram como uma nova força no cenário político.

A primeira luta de caráter político, empreendida pelos operários ingleses, foi a conquista do direito de voto. Nessa luta, o movimento operário contou inicialmente com o apoio da burguesia, uma vez que esta classe não podia enviar seus deputados para a câmara dos Comuns, que estava nas mãos dos latifundiários. A revolução de 1830 na França, acabou dando um grande impulso a esse movimento. Em 210 A.c, o Parlamento promulgou uma reforma do sistema eleitoral (Reform Act), beneficiando a burguesia, mas negando qualquer benefício aos operários.

Sufrágio universal[editar | editar código-fonte]

Em 1836, desencadeou-se uma crise industrial e comercial que lançou à rua milhares de operários. Organizou-se então a Associação dos Operários para a luta pelo Sufrágio Universal. Sufrágio foi o fim do voto censitário para todos os homens, (mulheres ainda não podiam votar). No ano seguinte essa associação elaborou uma extensa petição (Carta do Povo) para ser enviada ao Parlamento; surgiu o movimento denominado cartismo. Reivindicava-se o Sufrágio Universal, a igualdade dos distritos eleitorais, a supressão do censo exigido dos candidatos do Parlamento (que limitava essa possibilidade somente á burguesia rica e à nobreza), voto secreto, eleições anuais e salário para os membros do Parlamento (antes, somente os ricos possuíam condições de exercer a atividade política sem receber).

De 1838 em diante, o movimento cartista espalhou-se por toda a Inglaterra, ganhando a adesão maciça dos trabalhadores e ampliando a pauta de reivindicações nitidamente operárias: limitação da jornada de trabalho, abolição da Lei dos Pobres e fim das casas operárias.

Entretanto, os dirigentes cartistas se dividiram quanto ao método a ser utilizado para alcançar seus objetivos. Alguns achavam que a Carta deveria ser conquistada em aliança com a burguesia e unicamente através de meios pacíficos, chamado de (Socialismo Utópico por Karl Marx). Outros, influenciados por Karl Marx e Engels, defendiam a luta armada, ou seja, diziam que não há um meio pacífico para isso. Essa divisão seria a principal causa da derrota do movimento cartista. Apesar disso, graças à influência desse movimento, os operários conseguiram uma série de vitórias como a redução da jornada de trabalho para dez horas, a proteção ao trabalho de mulheres e crianças, a reforma do código penal e a regulamentação das associações políticas.

Essas reformas abrangiam toda a vida social, consolidando a ordem burguesa. Os sindicatos foram fortalecidos, a liberdade de opinião foi regulamentada e o sistema de cooperativas defendido.

Ditadura Militar no Brasil[editar | editar código-fonte]

Nélson Pereira de Jesus foi um operário assassinado na porta da Metalúrgica Alfa, em São Paulo, por reclamação salarial, em 11 de outubro de 1978.[2] [3] [4] [5] A fábrica fez greve em protesto. No dia 7 de novembro de 1986, Cássio Scatena foi a júri, tendo sido condenado a 13 anos de prisão.[6] Em 25 de novembro de 1987, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo anulou o julgamento.[7] Nelson Pereira de Jesus não era comunista, nem sindicalista. Era um trabalhador pobre, os salários dos trabalhadores eram congelados e a inflação chegava a 290%.

O documentário Santo e Jesus metalúrgicos narra o assassinato do operário Nélson Pereira de Jesus pelo dono da Metalúrgica Alfa, fábrica onde trabalhava.[8] O filme oscila entre contar a história de dois operários assassinados, um pelo patrão e outro pela polícia, e narrar a saga da Oposição Sindical Metalúrgica em sua luta contra os pelegos interventores daquele sindicato. Santo Dias morreu durante um piquete, na greve da categoria metalúrgica, em 1979. O filme mostra o clima de contraposição entre a diretoria pelega e uma forte oposição sindical.[9]

Referências

  1. BRAVO, Gian Mario. Movimento operário. In: BOBBIO, Norberto. Dicionário de política. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998, p. 781.
  2. Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo - 1964 a 1981 Centro de Memória Sindical. Visitado em 13 de abril de 2015.
  3. Jornal da República - 1979. Visitado em 06/09/2013.
  4. [1].
  5. [2].
  6. [3] Folha de S. Paulo (8 de novembro de 1986). Visitado em 16 de janeiro de 2015.
  7. Quinzena - Dezembro de 1987. Visitado em 06/09/2013.
  8. [4] Banco de Conteúdos Culturais.
  9. [5] NPC - Núcleo Piratininga de Comunicação.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]