Cartismo

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Um motim cartista em Londres.

O cartismo caracteriza-se como um movimento social inglês que se iniciou na década de 30 do século XIX.[1] Inicialmente fundou-se na luta pela inclusão política da classe operária,[2] representada pela associação Geral dos Operários de Londres (London Working Men's Association). Teve como principal base a carta escrita pelos radicais William Lovett e Feargus O'Connor intitulada Carta do Povo, e enviada ao Parlamento Inglês.

Naquele documento percebem-se as seguintes exigências:

  • Sufrágio universal masculino (o direito de todos os homens ao voto);
  • Voto secreto através da cédula;
  • Eleição anual;
  • Igualdade entre os direitos eleitorais;
  • Participação de representantes da classe operária no parlamento;
  • E que os parlamentos fossem remunerados.

Inicialmente as exigências não foram aceitas pelo Parlamento e um movimento rebelde teve início, através de comícios, abaixo-assinados e manifestações. Gradualmente as propostas da carta foram sendo incorporadas e o movimento foi se enfraquecendo até sua desintegração.

É preciso ter em mente, no entanto, que o programa democrático radical do Cartismo não foi aceito pelos governantes e, num certo sentido, pode-se dizer que ele foi politicamente derrotado.[3] Mas, apesar disso, os cartistas conseguiram mudanças efetivas, tais como a primeira lei de proteção ao trabalho infantil (1833), a lei de imprensa (1836), a reforma do Código Penal (1837), a regulamentação do trabalho feminino e infantil, a lei de supressão dos direitos sobre os cereais, a lei permitindo as associações políticas e a lei da jornada de trabalho de 10 horas.

No final da década de 1860 as reivindicações pleitadas pelo cartismo acabariam sendo incorporadas à legislação inglesa.

Em Portugal, o termo cartismo tem um significado diverso, designando a tendência mais conservadora do liberalismo que surgiu após a revolução de 1820, centrada em torno da Carta Constitucional de 1826.

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Cartista, designação dada em Portugal aos partidários da Carta Constitucional de 1826.
  • Luddismo

Referências

  1. Fairbairn, Brett. The Meaning of Rochdale – The Rochdale Pioneers and the Co-operatives Principles.
  2. Dorothy Thompson, The Chartists: popular politics in the Industrial Revolution (1984) p 1
  3. Newport Rising: the Chartists are coming.


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