Desigualdade social

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A desigualdade social refere-se a processos relacionais na sociedade que têm o efeito de limitar ou prejudicar o status de um determinado grupo, classe ou círculo social. As áreas de desigualdade social incluem o acesso aos direitos de voto, a liberdade de expressão e de reunião, a extensão dos direitos de propriedade e de acesso à educação, saúde, habitação de qualidade, viajar, ter transporte, férias e outros bens e serviços sociais. Além de que também pode ser visto na qualidade da vida familiar e da vizinhança, ocupação, satisfação no trabalho e acesso ao crédito. Se estas divisões econômicas endurecem, elas podem levar a desigualdade social.[1]

Formas de Desigualdade Social[editar | editar código-fonte]

Desigualdade de gênero[editar | editar código-fonte]

Segundo Raygadas,[2] um dos fatores centrais na construção das desigualdades tem sido a discriminação de gêneros. A discriminação sexual é estruturada nas distinções sociais e culturais entre homens e mulheres que convertem as diferenças sexuais biológicas em hierarquias de poder, status e renda. Também pode ser definido como a divisão de tarefas, postos de trabalho e profissões com base no feminino e masculino, essa prática, que era comum na sociedade começou a ser questionada apenas recentemente.[3] As consequências dessa desigualdade é que as mulheres ganham menos que os homens, ou homens a menos do que as mulheres (fazendo o mesmo trabalho, com o mesmo grau de ensino e mesmos horários). A sociedade salarial não é uma sociedade de igualdade, há uma grande diferença entre o rendimento gerado pelo homem em comparação à mulher e até mesmo o acesso aos bens sociais, por exemplo, acesso à educação e cultura.[4] A ênfase na desigualdade de gênero nasce do aprofundamento da divisão em papéis atribuídos a homens e mulheres, particularmente nas esferas econômica, política e educacional. As mulheres estão sub-representadas em atividades políticas e tomada de decisão na maioria dos estados.[5]

Desigualdade racial[editar | editar código-fonte]

A desigualdade racial é o resultado de distinções sociais hierárquicas entre grupos étnicos dentro de uma sociedade e, muitas vezes estabelecida com base em características como a cor da pele e outras características físicas ou origem e cultura de um indivíduo. O tratamento desigual e de oportunidades entre os grupos raciais é geralmente o resultado de alguns grupos étnicos, considerados superior a outros. Esta desigualdade pode se manifestar por meio de práticas de contratação discriminatórias em locais de trabalho, em alguns casos, os empregadores têm demonstrado preferir a contratação de funcionários em potencial com base na percepção étnica dado o nome de um candidato - mesmo que todos tenham currículos apresentando qualificações idênticas.[6] Parte desses tipos de práticas discriminatórias resultam de estereótipos, que é quando as pessoas fazem suposições sobre as tendências e características de determinados grupos sociais, muitas vezes incluindo grupos étnicos, normalmente enraizadas em suposições sobre a biologia, capacidades cognitivas, ou mesmo falhas morais inerentes.[7] Estas atribuições negativas são então divulgados através da sociedade através de diferentes meios, incluindo a televisão, jornais e internet, os quais desempenham papel na promoção de preconceitos de raça e assim marginalizando grupos de pessoas. Isto, juntamente com a xenofobia e outras formas de discriminação continuam a ocorrer nas sociedades com o aumento da globalização.[8]

Desigualdade de casta[editar | editar código-fonte]

O sistema de castas é um tipo de desigualdade que existe principalmente na Índia, bem como Nepal, Bangladesh, Paquistão, Japão e Coreia.[9] A casta pode ser dependente de uma ocupação (função) ou com base na origem ou nascimento (hereditáriedade).[10] <[11] Muitas vezes há uma série de restrições atribuídas às pessoas de castas mais baixas, tais como restrições à partilha de comida e bebida com membros de outras castas, restrições de ir a determinados lugares, a execução de endogamia, bem como a utilização de vestimentas e hábitos alimentares definidos.[12] Estas restrições podem ser aplicadas através de violência física ou exploração.[13] As castas mais baixas são mais propensas a viver em bairros degradados e têm empregos de baixo status e renda.[14]

Desigualdade etária[editar | editar código-fonte]

Discriminação etária é definido como o tratamento injusto de pessoas no que diz respeito a promoções, recrutamento, recursos ou privilégios por causa de sua idade. É também conhecido como preconceito de idade os estereótipos e a discriminação contra indivíduos ou grupos com base em sua idade. É ainda um conjunto de crenças, atitudes, normas e valores utilizados para justificar preconceito baseado na idade, discriminação e subordinação.[15] Uma forma de preconceito de idade é "adultismo", que é a discriminação contra crianças e pessoas com idade legal inferior a idade adulta.[16]

Desigualdade de classes[editar | editar código-fonte]

A medida da desigualdade entre as classes sociais depende da definição utilizada. Para Karl Marx, existia duas grandes classes sociais, com desigualdades significativas: a classe trabalhadora (o proletariado) e os capitalistas (a burguesia). Esta simples divisão representa os interesses sociais opostos de seus membros, o ganho de capital para os capitalistas e a sobrevivência para os trabalhadores, criando as desigualdades e o conflito social a quem Marx associa a opressão e a exploração. Max Weber, por outro lado, usa as classes sociais como uma ferramenta de estratificação com base na riqueza e status. Para ele, a classe social está fortemente associada a prestígios e privilégios. Ela pode explicar a reprodução social, a tendência das classes de permanecer estável ao longo de gerações mantendo as desigualdades igualmente. Tais desigualdades incluem as diferenças de renda, de riqueza, de acesso à educação, níveis de pensão, status social e rede de segurança sócio-econômica.[17] Em geral, a classe social pode ser definida como uma grande categoria de pessoas classificadas similarmente localizadas em uma hierarquia e distinguidas de outras grandes categorias na hierarquia por características como ocupação, escolaridade, renda e riqueza.[18] Um comum entendimento das classes sociais hoje inclui a classe alta, a classe média e a classe baixa. Os membros de diferentes classes tem variado acesso a recursos de capital, o que afeta sua colocação no sistema de estratificação social.[19]

Desigualdade na saúde[editar | editar código-fonte]

As desigualdades na saúde podem ser definidas como as diferenças no estado de saúde ou na distribuição dos determinantes da saúde entre diferentes grupos populacionais.[20] As desigualdades na saúde são, em muitos casos relacionadas com o acesso aos cuidados de saúde. Em nações industrializadas, as desigualdades na saúde são mais prevalentes em países que não implementaram um sistema de saúde universal, por exemplo nos Estados Unidos; porque o sistema de saúde norte-americano é fortemente privatizado, o acesso aos cuidados de saúde é dependente de um capital econômico, os cuidados de saúde não é um direito, é um produto que pode ser comprado através de empresas de seguros privados (ou que às vezes é fornecido através de um empregador). A forma como os cuidados de saúde está organizado em os EUA contribui para as desigualdades em saúde com base em gênero, status socioeconômico e raça/etnia.[21]

Referências

  1. (1981) "Social Inequality and Predatory Criminal Victimization: An Exposition and Test of a Formal Theory". American Sociological Review 46 (5). DOI:10.2307/2094935. ISSN 00031224.
  2. Reygadas, l. (2004): Las redes de la desigualdad: un enfoque multidimensional, Política y Cultura
  3. Las nuevas fronteras de la desigualdad: hombres y mujeres en el mercado de trabajo. Icaria Editorial; 2000. ISBN 978-84-7426-465-4. p. 419.
  4. Desigualdad y globalización: cinco conferencias. Ediciones Manantial; ISBN 978-987-500-060-5. p. 17.
  5. About us Un.org (2003-12-31). Página visitada em 2013-07-17.
  6. Rooth, Dan-Olof. (April 2007). "Implicit Discrimination in Hiring: Real World Evidence". IZA Discussion Paper.
  7. Dubow, Saul. Scientific Racism in Modern South Africa. [S.l.]: Cambridge University Press, 1995. p. 121. ISBN 0-521-47907-x
  8. The World Conference against racism, racial discrimination, xenophobia and related intolerance.
  9. Is Caste Race?.
  10. The Caste System in brief.
  11. R. C. Meena; R C. Indian Rural Economy. Shree Niwas Publications; ISBN 978-81-88730-75-9. p. 50 – 51.
  12. Caste System in India.
  13. Global Caste Discrimination.
  14. Kumar, Rajnish, Satendra Kumar & Arup Mitras. 2009. Social and Economic Inequalities: Contemporary Significance of Caste in India. Economic and Political Weekly, 44 (50): 55-63.
  15. Kirkpatrick, George R.; Katsiaficas, George N.; Kirkpatrick, Robert George; Mary Lou Emery (1987). Introduction to critical sociology. Ardent Media. p. 261. ISBN 978-0-8290-1595-9. Retrieved 28 January 2011.
  16. Lauter And Howe (1971) Conspiracy of the Young. Meridian Press.
  17. Stiglitz, Joseph. 2012. The Price of Inequality. New York, NY: Norton.
  18. Dennis Gilbert. The American Class Structure in an Age of Growing Inequality. SAGE Publications; 13 May 2010. ISBN 978-1-4129-7965-8.
  19. Christopher Bates Doob. Social Inequality and Social Stratification in US Society. Pearson Education, Limited;. ISBN 978-0-205-79241-2.
  20. United Nations Health Impact Assessment: Glossary of Terms Used. Página visitada em 10 de abril de 2013.
  21. Wright, Eric R.; Perry, Brea L.. (2010). "Medical Sociology and Health Services Research: Past Accomplishments and Future Policy Challenges". Journal of Health and Social Behaviour: 107–119.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Piketty, Thomas. Capital in the Twenty-First Century (em Português). Inglês ed. França: [s.n.], 2014. 452 pp. 1 vol. vol. 1. 978-0-674-43000-6 Página visitada em 2 de julho de 2013.