Desigualdade econômica

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As diferenças na igualdade de renda nacional em todo o mundo, medidas pelo coeficiente de Gini nacional.

Desigualdade econômica (português brasileiro) ou económica (português europeu) (chamada imprecisamente de desigualdade social[1] , que ela acaba por provocar) é um problema que afeta atualmente a maioria dos países, mas principalmente os países menos desenvolvidos. Isso se dá principalmente pela distribuição desigual de renda de um país, mas também existem outros fatores, como a má formação educacional e o investimento ineficiente de um país em áreas sociais.[2]

Conforme alguns estudiosos, a desigualdade ficou mais evidente a partir do capitalismo, pois a transição do feudalismo para o capitalismo no século XVI expulsou muitos camponeses de suas terras, que ofereciam os meios para sustentar sua família e por isso, precisaram de ajuda e caridade alheia.[3]

Visões sobre a desigualdade[editar | editar código-fonte]

Rousseau[editar | editar código-fonte]

Jean-Jacques Rousseau

Rousseau acreditava que existiam dois tipos de desigualdade: a primeira, a desigualdade física ou natural, que é estabelecida pela força física, pela idade, saúde e até mesmo a qualidade do espírito; e a segunda, moral e política, que dependia de uma espécie de convenção e que era autorizada e consentida pela maioria dos homens.[4]

No livro Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, ele se preocupa em mostrar a desigualdade moral e política, pois, para ele, é desnecessário se preocupar com a origem da desigualdade natural e física, pois a resposta é essa: é natural, e o que vem da natureza já está justificado.[4] Também fala que a desigualdade não pode ser estudada tendo como ponto de partida o momento então da humanidade. Também diz que para estudar a desigualdade moral e política, deve-se "ir até a essência do homem para julgar a sua condição atual" e deve-se fazer, sem atribuir ao homem primitivo, atributos do homem civilizado.Sem esse cuidado, a busca pela origem da desigualdade estaria distorcida.[4]

Liberais[editar | editar código-fonte]

Os liberais acreditam que a desigualdade econômica é principalmente resultado de pouca liberdade econômica[5] . Alguns defendem que a desigualdade em si não é o problema, e sim a existência da miséria. É preferido um país com maior desigualdade entre as classes sociais mas com baixíssima miséria, do que um país menos desigual com alto índice de miseráveis. A desigualdade econômica é um fato natural do mercado e das diferenças entre as pessoas e o curso de suas vidas. Sendo, para os liberais, a igualdade absoluta uma utopia, algo impraticável e até mesmo indesejável.

Ludwig von Mises, economista defensor do livre mercado, alega que o egoísmo e a desigualdade levam ao desenvolvimento. Conforme ele, essa desigualdade foi de enorme importância na História e por causa dessa desigualdade que foi produzida a denominada "civilização ocidental moderna", que só poderia existir em um lugar onde o ideal de igualdade de renda fosse muito fraco. A eliminação da desigualdade, para Mises, destruiria qualquer economia de mercado.[6]

Marxistas[editar | editar código-fonte]

Karl Marx

Karl Marx acreditava que o ser humano (o trabalhador) era explorado pelo detentor da riqueza (o capitalista) que utiliza o seu trabalho sem o justo pagamento (o salário) transformando-o em um miserável (o pobre). A relação entre trabalhador (subalterno) e o capitalista (dominante) é a matriz das classes sociais. A miséria é utilizada em uma condição de manutenção das classes dominantes. Acreditava também que a desigualdade é causada pela divisão de classes, dentre aqueles que detêm os meios de produção, chamados de burgueses, e aqueles que contam apenas com sua força de trabalho para garantir sua sobrevivência, chamados de proletários[3] .

Marxistas alegam que a desigualdade social é inevitavelmente produzida pelo capitalismo e não poderá ser alterada sem uma modificação no sistema capitalista. Alegam que os burgueses têm interesse em manter a desigualdade econômica, além de ser muito útil para que os assalariados possam se esforçar cada vez mais, principalmente em países desenvolvidos, fazendo com que trabalhem em um trabalho mais desagradável e pesado, para que possam alcançar um nível de consumo parecido com as classes altas, o que para os marxistas, é uma ilusão.[7]

Conforme Karl Marx, o socialismo seria uma forma de fazer uma luta contra as desigualdades. Acreditava que o socialismo apenas estaria em um país por meio de uma revolução proletária e que seria a fase de transição do capitalismo para o comunismo[8] , onde o comunismo que seria uma sociedade sem classes sociais em que as riquezas seriam divididas ao povo e que todos iriam contribuir com a sua força de trabalho.[9]

Anarquistas[editar | editar código-fonte]

O Anarquismo defende o fim de qualquer autoridade política, econômica e religiosa, ou seja, defende uma sociedade baseada na liberdade total, mas responsável.[10] [11] [12] Também defende a igualdade entre todas as pessoas e o fim da propriedade privada, sendo assim uma forma de sair da exploração capitalista.[13]

Os principais teóricos que influenciaram o anarquismo foram William Godwin, que publicou em 1973 o seu livro Indagação relativa à justiça política, Pierre-Joseph Proudhon, que em 1840 publicou o livro Que é a propriedade? e Max Stirner, que publicou o livro O indivíduo e sua propriedade.[10]

Consequências da desigualdade[editar | editar código-fonte]

Geralmente, existem diversas consequências da desigualdade social e econômica. A marginalização de parte da sociedade, o retardamento no progresso da economia do país, a pobreza, a favelização e o crescimento da criminalidade e da violência são algumas das consequências.[2] [14]

Desigualdade social no Brasil[editar | editar código-fonte]

A desigualdade social vem muito acentuada no Brasil, que é o oitavo país com o maior índice de desigualdade social e econômica no mundo, segundo dados da ONU de 2005.[1]

Um bom exemplo que pode ser dado da desigualdade do Brasil é o estado da miséria, a extrema condição de renda, os salários baixos, a fome, o desemprego, a violência, a marginalidade, etc.[15]

Em relação à posição econômica entre negros e brancos, pôde-se constatar que 60% dos pobres no Brasil são constituídos por negros e dentre as pessoas consideradas como indigentes, 70% são negros.[2]

De um modo geral, de acordo com os dados da pesquisa, 50% das pessoas negras ou pardas são pobres, enquanto que apenas 25% dos brancos apresentam a mesma condição social.[2]

Devido à prosperidade econômica e às políticas de combate à desigualdade social promovidas pelo Governo do Brasil nos últimos anos, a desigualdade social no Brasil vem caindo, chegando em 2012 a níveis de 1960, embora o Brasil ainda esteja entre as nações mais desiguais do mundo. A Fundação FGV estima que a desigualdade no Brasil atinja 0,51407 em 2014.[16]

História da desigualdade no Brasil[editar | editar código-fonte]

Até 1930, a economia do Brasil era voltada para a produção agrária, que coexistia com o esquema agro-exportado, sendo o Brasil um exportador de matéria-prima.[15]

Na década de 1930, vieram as indústrias. As indústrias criaram condições para a acumulação capitalista, que era evidenciado pelo papel estatal quanto à interferência da economia (onde o governo passou a criar condições para a industrialização) e também pela implantação de indústrias, voltadas a produção de máquinas, equipamentos, etc...[15]

A política econômica não se voltava para a criação, mas pelo desenvolvimento de setores de produção, que economizaram mão-de-obra. O resultado disso foi o desemprego que ocorreu.[15]

Classe social[editar | editar código-fonte]

A classe social é medida no Brasil, seguindo o estabelecido pelo Critério Brasil. Esse critério define as classes sociais de acordo com o poder de compra e de consumo de alguns itens, como geladeira, TV em cores, rádio, banheiro, automóvel, empregada mensalista, aspirador de pó, máquina de lavar, videocassete/DVD e freezer independente.[17]

A desigualdade social do Brasil apresenta-se na classe social, onde a maior parte da população(43%) é classe C ou classe média.[18] Isso ocorreu graças à forte aceleração econômica que aconteceu a partir de 2006. Essa aceleração que ocorreu fez com que vinte milhões de pessoas passassem para a classe C.[19]

A classe social da população brasileira em %(por cento).
Classe social  % da população do Brasil[18]
A1 1%
A2 4%
B 24%
C 43%
D 25%
E 3%

Desigualdade segundo o Coeficiente de Gini[editar | editar código-fonte]

O Coeficiente de Gini do Brasil de 1976 a 2012 /indicadorview

O Coeficiente de Gini mede o grau da desigualdade de cada um dos países. No Brasil, o coeficiente de Gini mostrou a desigualdade social, a piora no últimos 50 anos[18] e as recentes melhorias.

Ano Coeficiente de Gini[18]
1960 0,5367
1976 0,6227
1985 0,5976
1990 0,6138
1995 0,6005
1999 0,5939
2005 0,5694
2009 0,5427

Fonte dos dados: http://www.brasil.gov.br/sobre/economia/indicadores/disoc_rdcg/indicadorview

Desigualdade social em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, a desigualdade é uma das maiores, comparado a outros países da União Europeia.[20] [21]

Classe social[editar | editar código-fonte]

Classe social  % da população[22]
Alta e Média-alta 15,4%
Média 27,5%
Média Baixa 29,8%
Baixa 27,3%

Desigualdade segundo coeficiente de Gini[editar | editar código-fonte]

Ano Coeficiente de Gini[23]
1994 0,349
2000 0,338
2005 0,351

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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Referências

  1. a b Brasil Escola. Desigualdade social. Página visitada em 16 de fevereiro de 2011.
  2. a b c d Superar a desigualdade no Brasil: Perspectivas do futuro. Página visitada em 16 de fevereiro de 2011.
  3. a b Márcia Correia. Pobreza e desigualdade têm múltiplas causas. Página visitada em 16 de fevereiro de 2011.
  4. a b c Maicol Martins de López Coelho. As desigualdades e Rousseau 26 de janeiro de 2009. Página visitada em 16 de fevereiro de 2011.
  5. Rodrigo Constantino. A Desigualdade Social.
  6. A desigualdade e o egoísmo estimulam o desenvolvimento. Página visitada em 22 de março de 2013.
  7. Richard Peet. [http://www.pm.al.gov.br/bpa/publicacoes/desigualdade.pdf DESIGUALDADE E POBREZA: UMA TEORIA GEOGRÁFICO-MARXISTA]. Página visitada em 22 de março de 2013.
  8. Karl Marx, Friedrich Engels. O Manifesto Comunista. [S.l.: s.n.], 1848.
  9. Rainer Sousa. Brasil Escola: Comunismo. Página visitada em 16 de fevereiro de 2011.
  10. a b Renato Cancian. Anarquismo:Origens da ideologia anarquista. Página visitada em 18 de fevereiro de 2011.
  11. Rainer Souza. Brasil Escola: Anarquismo. Página visitada em 18 de fevereiro de 2011.
  12. Sua pesquisa:Anarquismo. Página visitada em 18 de fevereiro de 2011.
  13. O que é o Anarquismo. Página visitada em 18 de fevereiro de 2011.
  14. Alunos Online: Desigualdade social. Página visitada em 20 de fevereiro de 2011.
  15. a b c d Desigualdades sociais e as classes. Página visitada em 19 de fevereiro de 2011.
  16. Brasil atinge menor nível de desigualdade social desde 1960. Página visitada em 21 de julho de 2012.
  17. Leandro Callegari Coelho, Ludmar Rodrigues Coelho. As classes sociais e a desigualdade no Brasil Logística Descomplicada. Página visitada em 11 de maio de 2011.
  18. a b c d Leandro. A ascensão da Classe C – classes sociais no Brasil 12 de outubro de 2010. Página visitada em 18 de fevereiro de 2011.
  19. Ludmar Rodrigues Coelho. O Brasil, suas classes sociais e a implicação na economia Logística Descomplicada. Página visitada em 07 de maio de 2011.
  20. Desigualdade social, pobreza e exclusão. Página visitada em 20 de fevereiro de 2011.
  21. Jeniffer Lopes. Portugal é dos países europeus com mais desigualdade social 02 de dezembro de 2010. Página visitada em 20 de fevereiro de 2011.
  22. Classe Social Alta e Média Alta em Portugal. Página visitada em 20 de fevereiro de 2011.
  23. Carlos Farinha Rodrigues. Desigualdade económica em Portugal. Página visitada em 20 de fevereiro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]