Globalismo

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Globalismo
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O Globalismo pode ter pelo menos dois significados diferentes e opostos. Um significado é a atitude política ou da colocação dos interesses de todo o mundo acima das individuais nações.[1] Outra é ver o mundo inteiro como uma esfera própria de um projeto de nação para influência política.[2]

O cientista político americano Joseph Nye , co-fundador da teoria das relações internacionais do neoliberalismo, defende que o globalismo se refere a qualquer descrição e explicação de um mundo que se caracteriza por redes de conexões que se estendem por distâncias multi-continental, enquanto a globalização refere-se ao aumento ou diminuição do grau do globalismo.[3]

Segundo Octavio Ianni em seu Livro A era do globalismo:

Os Blocos Globalistas, segundo Olavo de Carvalho[editar | editar código-fonte]

Olavo de Carvalho em um de seus debates com Aleksandr Dugin[5] descreve o que considera os Três Principais Blocos Globalistas que são: o [...] “russo-chinês”, “ocidental” (às vezes chamado erroneamente “anglo-americano”) e “islâmico”.[...]

1 - Russo Chinês - Só no caso russo-chinês o projeto globalista corresponde simetricamente aos interesses nacionais e os agentes principais são os respectivos Estados e governos. Isso acontece pela simples razão de que o regime comunista, vigorando ali por décadas, dissolveu ou eliminou todos os demais agentes possíveis. A elite globalista da Rússia e da China é os governos desses dois países.

2 - Ocidental - Já a elite globalista do Ocidente não representa nenhum interesse nacional e não se identifica com nenhum Estado ou governo em particular, embora domine muitos deles. Ao contrário: quando seus interesses colidem com os das suas nações de origem (e isso acontece necessariamente), ela não hesita em voltar-se contra a própria pátria, subjugá-la e, se preciso, destruí-la.

3 - Islâmico - Os globalistas islâmicos atendem, em princípio, a interesses gerais de todos os Estados muçulmanos, unidos no grande projeto do Califado Universal. Divergências produzidas por choques de interesses nacionais (como por exemplo entre o Irã e a Arábia Saudita) não têm sido suficientes para abrir feridas insanáveis na unidade do projeto islâmico de longo prazo. A Irmandade Muçulmana, condutora maior do processo, é uma organização transnacional: ela governa alguns países, em outros está na oposição, mas sua influência é onipresente no mundo islâmico.[...]

[...]A heterogeneidade e assimetria dos três blocos reflete-se na imagem que fazem uns dos outros, tal como transparece nos seus discursos de propaganda – um sistema de erros do qual se depreende a forte sugestão de que os destinos do mundo estão nas mãos de loucos delirantes:

1. A perspectiva russo-chinesa (hoje ampliada sob a forma do eurasianismo, que será um dos tópicos deste debate) descreve o bloco ocidental como (a) uma expansão mundial do poder nacional americano; (b) a expressão materializada da ideologia liberal da “sociedade aberta” tal como propugnada eminentemente por Sir Karl Popper; (c) a encarnação viva da mentalidade materialista, cientificista e racionalista do Iluminismo e, portanto, a inimiga por excelência de toda espiritualidade tradicional.

2. O globalismo ocidental declara não ter outros inimigos senão “o terrorismo”, que ele não identifica de maneira alguma com o bloco islâmico, mas descreve como resíduo de crenças bárbaras em vias de extinção, e “o fundamentalismo”, noção em que se misturam indistintamente os porta-vozes ideológicos do terrorismo islâmico e a “direita cristã”, como se esta fosse aliada daquele e não uma de suas principais vítimas (de modo que o medo do terrorismo islâmico é usado como pretexto para justificar o boicote oficial à religião cristã na Europa e nos EUA!). A Rússia e a China não são apresentadas jamais como possíveis agressoras, mas como aliadas do Ocidente, a China na pior das hipóteses como concorrente comercial. Em suma: a ideologia do globalismo ocidental fala como se já personificasse um consenso universal estabelecido, só hostilizado por grupos marginais e religiosos um tanto insanos.

3. O bloco islâmico descreve o seu inimigo ocidental em termos que só revelam sua disposição de odiá-lo per fas et per nefas, já que ora o apresenta como herdeiro dos antigos cruzados, ora como personificação do materialismo e do hedonismo modernos. A generosa colaboração da Rússia e da China com os grupos terroristas é decerto a razão pela qual esses dois países são como que inexistentes no discurso ideológico islâmico. Contornam-se com isso incompatibilidades teóricas insanáveis. Alguns teóricos do Califado alegam que o socialismo, uma vez vitorioso no mundo, precisará de uma alma, e o Islam lhe dará uma.[...][6]

Principais seguimentos na análise sobre globalismo[editar | editar código-fonte]

Immanuel Wallerstein durante seminário na Universidade Europeia de São Petesburgo em 24 de maio de 2008.

As analises sobre o Sistema Globalista se dividem em três vertentes principais, que são:

Teoria radical[editar | editar código-fonte]

A teoria radical acredita que as corporações multinacionais e bancos internacionais, que para os pluralistas são atores globalizantes, são na verdade e por excelência agentes da burguesia internacional responsável por manter os países menos desenvolvidos na condição de subordinação à economia global capitalista.

Teoria da dependência[editar | editar código-fonte]

Teóricos da dependência consideram não apenas fatores externos, mas também as limitações internas ao desenvolvimento, que parecem, na verdade, reforçar os instrumentos externos de dominação.

Teoria sistêmica[editar | editar código-fonte]

Estudam-se as relações internacionais entre um núcleo e uma periferia no contexto do sistema capitalista mundial.

O maior representante da teoria, Immanuel Wallerstain (considerado um arauto do movimento antiglobalização, à imagem de Noam Chomsky ou Pierre Bourdieu), defende que para entender o desenvolvimento global dos processos econômicos, políticos e sociais é necessário acompanhar o desenvolvimento do sistema capitalista em si.

Concordâncias[editar | editar código-fonte]

Encenação da batalha de Naseby, ala dos Royalists.

Globalistas e Pluralistas[editar | editar código-fonte]

Ambos dão ênfase a questões sócio-econômicas e de bem-estar social. Estão mais afinados com eventos, instituições e atores operando tanto entre, quanto dentro dos estados. Contudo, os globalistas não são otimistas em relação à mudança pacífica baseada apenas na cooperação. Por isso, propõe-se uma passagem revolucionária da ordem mundial atual (de divisão internacional do trabalho e imperialismo reciclado) para uma nova ordem mundial.

Globalistas e Realistas[editar | editar código-fonte]

Os globalistas reconhecem a anarquia do sistema internacional, assim como os realistas. Contudo, se para os realistas é necessário estabelecer a ordem no sistema internacional através do equilíbrio de poder ou do exercício de poder hegemônico, (estabilidade ou guerra), para os globalistas é a própria economia capitalista de mercado que ordena o relacionamento dos atores do sistema internacional.

Críticas à teoria[editar | editar código-fonte]

A questão da causalidade[editar | editar código-fonte]

Alguns críticos questionam a relação de causa e consequência entre a dependência e o subdesenvolvimento: se é a dependência a responsável pelo retrocesso econômico e social ou se são os retrocessos econômicos e sociais que criam os laços de dependência.

As limitações da teoria[editar | editar código-fonte]

Muitos críticos acusam o paradigma globalista de ser insuficientemente empírico e de basear sua análise em apenas algumas construções teóricas gerais tais como "dependência" e "sistema capitalista mundial".

Fase inicial: Globalismo e Catolicismo[editar | editar código-fonte]

Entende-se que uma das primeiras tentativas de implantar uma Nova Ordem Mundial (Ou seja, uma nova ordem econômica, politica, etc) foi realizada pelo Império Romano.

Ainda que não tenha sido o mais vasto império que existiu, título que pertence ao Império Mongol, o Império Romano é considerado o maior em termos de gestão e qualidade do território, de organização sócio-política e de importância da marca deixada na história da humanidade. Em todos os territórios do império, os romanos construíram estradas, cidades, pontes, aquedutos, fortificações, exportando assim o seu modelo de civilização em um processo tão profundo que por séculos após o fim do império estes povos continuaram a definir-se romanos.

Naquela época o Império Romano via os Cristãos como pessoas que pretendiam derrubar o império. Por esse motivo incentivavam a perseguição aos Cristãos.

No entanto, chegou um momento em que o Império resolveu mudar de estratégia e montar uma Religião Estatal baseada nos princípios Cristãos. Assim nasceu o Catolicismo Romano[carece de fontes?] (ver: Constantinismo e Reviravolta de Constantino ).

Assim o Império parou de perseguir os cristãos e começou impor o Cristianismo como algo obrigatório.

O cristianismo primitivo nada tinha dos ritos e conceitos atuais.[carece de fontes?] Sendo que estes conceitos foram incorporados pelo Concílio de Nicéia. O Novo Testamento foi todo elaborado sob encomenda para atender os anseios dos vários povos conquistados pelos romanos. O filosofo Sêneca, que era tutor de Nero, ajudou a reformular os evangelhos.[carece de fontes?] Vários evangelhos foram retirados e, atualmente, são conhecidos como Evangelhos ou Livros Apócrifos.

Logo o Catolicismo Romano se ramificou pela maior parte da Europa, onde Roma já havia conquistado. E aqueles que não aceitavam o novo governo eram punidos com a morte, dando origem ao sistema Feudalista e a Santa Inquisição. Livros foram queimados, intelectuais foram mortos, e até mesmo outros cristãos que não aceitavam o que estava sendo feito pelo Catolicismo Romano sofriam perseguição.

Cristãos sendo usados como tochas humanas, na perseguição sob Nero, por Henryk Siemiradzki, Museu Nacional, Cracóvia,Museu Nacional, Cracóvia, Polônia, 1876.
A última prece dos mártires cristãos, de Jean-Léon Gérôme (1883).
Uma mulher cristã é martirizada sob Nero numa recriação do mito de Dirce (pintado por Henryk Siemiradzki, 1897, Museu Nacional de Varsóvia.

Fase atual: Comunismo, Capitalismo e Globalismo[editar | editar código-fonte]

A característica mais notável da globalização é a presença de marcas mundiais.

O sistema Globalista surge principalmente da relação de guerra e paz entre Comunismo e Capitalismo. Isto pelo ponto de vista ideológico. Ou seja, enquanto conjunto de ideias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas.

Desta forma, os Globalistas se aproveitam dos dois sistemas para dominar o mercado em todas as áreas possíveis. Fazem isso utilizando o Capitalismo onde não da pra usar o comunismo e usando o Comunismo onde não da para usar o capitalismo.

A relação entre os Estados Unidos e o Globalismo[editar | editar código-fonte]

Na época da Guerra Fria, o globalismo (que passou a ser mais identificado nas últimas décadas pelos termos “globalização” e “Nova Ordem Mundial”) foi interpretado como significando apenas “expansão do imperialismo americano”.

Nos anos 1990, falava-se muito também de “transnacionalização das empresas” e “expansão dos meios de comunicação”. Na verdade, o globalismo incluía tudo isso, mas com um adendo: sua intenção "não era aumentar o poder dos EUA", mas usar esse seu poder hegemônico midiático, político e cultural para difundir os ideais do globalismo.

Segundo especialistas no assunto, como o jornalista canadense Daniel Estulin (autor do livro A verdadeira história do Clube de Bilderberg):[7]

Por isso seria conveniente investir em uma Nova Ordem Mundial onde o poder decisório será entregue não a um país que um dia verá o fim de sua hegemonia, mas a organismos internacionais que mediarão daqui para frente as diferenças entre os países e que serão geridos por uma elite de cabeças pensantes patrocinadas pelos defensores do ideal globalista.

Dessa forma, a queda da hegemonia americana não afetaria economicamente os negócios bilionários dos globalistas.

Por este motivo os maiores críticos dos globalistas nos EUA, a ala conservadora norte-americana, consideram-no “um movimento antiamericano.”

Antiglobalização[editar | editar código-fonte]

O termo antiglobalização designa os que se opõem aos aspectos capitalista-liberais da globalização.

É um movimento que reivindica o fim de acordos comerciais e do livre trânsito de capital. Opõem-se ainda os antiglobalistas à formação de blocos comerciais como o NAFTA e a ALCA.

Manifestam também, preocupação com danos ao meio ambiente e aos direitos humanos, entre outros fatores que julgam serem produto da globalização capitalista.[9] [10]

Para o Dr. Daniele Conversi, a “globalização cultural,” na sua forma atual, pode ser entendida como a importação, em via de mão única, de itens culturais estandardizados e ícones de um único país, os Estados Unidos, numa “americanização” altamente superficial, incoerente, fracional e deficiente, em que os outros povos "como macacos, imitam algo que eles nem mesmo entendem".[11]

Livros Sobre Globalismo[editar | editar código-fonte]

Em português:[editar | editar código-fonte]

Em inglês:[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. globalism Dictionary.com. Visitado em 17 de abril de 2011.
  2. Globalism Merrian Webmaster. Visitado em 17 de abril de 2011.
  3. Joseph Nye. Globalism Versus Globalization. [S.l.: s.n.].
  4. Prefácio de A era do globalismo - Octavio Ianni
  5. Debates de Olavo de Carvalho e Alexandre Dugin
  6. Texto completo de Olavo de Carvalho sobre os Três Blocos Globalistas
  7. A Verdadeira Historia do Clube de Bilderberg - Daniel Estulin - Editora Planeta
  8. Entrevista de Daniel Estulin para o site UOL
  9. SUNDARAM, Jomo K. e BAUDOT, Jacques. Flat World, Big Gaps: Economic Liberalization, Globalization, Poverty and Inequality. Londres: Zed Books, 2007. ISBN 184277834X
  10. Globalização não reduz desigualdade e pobreza no mundo, diz ONU. Agência Efe. In: Mundo, Folha online, 10/02/2007 às 08h50
  11. CONVERSI, Daniele. Americanization and the planetary spread of ethnic conflict: The globalization trap. in Planet Agora, dezembro 2003 - janeiro 2004

Ligações externas[editar | editar código-fonte]