Serra Leoa

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Republic of Sierra Leone
República de Serra Leoa
Bandeira da Serra Leoa
Brasão de armas da Serra Leoa
Bandeira Brasão de armas
Lema: "Unity - Freedom - Justice"
("Unidade - Liberdade - Justiça")
Hino nacional: "High We Exalt Thee, Realm of the Free" ("Solenemente te Exaltamos, Reino da Liberdade")
Gentílico: serra-leonês(esa),
serra-leonino(a)[1]

Localização  República da Serra Leoa

Capital Freetown
8° 31' N 13° 15' O
Cidade mais populosa Freetown
Língua oficial Inglês
Governo República presidencialista
 - Presidente Ernest Bai Koroma
 - Vice-presidente Alhaji Samuel Sam-Sumana
 - Presidente do Parlamento Abel Nathaniel Bankole Stronge
 - Presidente do Supremo Tribunal de Justiça Umu Hawa Tejan Jalloh
Independência do Reino Unido 
 - Data 27 de abril de 1961 
Área  
 - Total 71 740 km² (116.º)
 - Água (%) 0,2
 Fronteira Guiné e Libéria
População  
 - Estimativa de 2013 6 190 280 hab. (114.º)
 - Densidade 83 hab./km² (88.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$ : 4,882 bilhões (155.º)
 - Per capita US$ : 692 (172.º)
IDH (2013) 0,374 (183.º) – baixo[2]
Gini (1989) 62,9[3]
Moeda Leone (SLL)
Fuso horário (UTC+0)
 - Verão (DST) não observado (UTC+0)
Clima Tropical
Org. internacionais ONU, CEDEAO, ZPCAS, Comunidade das Nações
Cód. ISO SLE
Cód. Internet .sl
Cód. telef. +232

Mapa  República da Serra Leoa

Serra Leoa, oficialmente República da Serra Leoa, é um país da África Ocidental. É delimitada com a Guiné ao norte e nordeste, a Libéria a sudeste, e com o Oceano Atlântico ao sudoeste. Abrange uma área total de 71.740 km²[4] e sua população é estimada em 6 190 280 habitantes, de acordo com dados da CIA em 2013. O país possui um clima tropical, com um ambiente diversificado variando de savana para florestas tropicais.[4] É uma república constitucional que compreende quatro províncias.[4] A capital da república é Freetown, sede do governo, principal centro econômico e maior cidade do país, com aproximadamente 1,1 milhão de habitantes. Além de Freetown, outras cidades notáveis são Bo, segunda cidade mais populosa com população estimada em 233 684 habitantes, e Kenema, Koidu e Makeni. O país abriga a universidade mais antiga da África Ocidental, Fourah Bay College, fundada em 1827 e possui o terceiro maior porto natural do mundo.

Divide-se em quatro regiões geográficas: Província do Norte, Província Oriental, Província do Sul e a Área do Oeste; que são subdivididas em quatorze distritos. Sua economia está voltada principalmente para a mineração, especialmente diamantes. O país está entre os maiores produtores mundiais de titânio e bauxita, sendo também um grande produtor de ouro. Na região está um dos maiores depósitos mundiais de rutilo. Apesar desta riqueza natural, 70% de sua população vive na extrema pobreza, de acordo com dados de 2004.[5]

A religião muçulmana é a predominante no país,[6] [7] que é classificado como um dos mais tolerantes no mundo, no quesito religioso.[8] [9] [10] A população serra-leonesa compreende cerca de 16 grupos étnicos, cada um com sua própria língua e dialetos. Os dois maiores e mais influentes são os Temnes e os Mendes. Embora o idioma inglês seja o oficial do país e o principal usado na educação e na administração do governo, a linguagem Krio (derivado do inglês e de várias línguas africanas tribais) é a principal língua de comunicação entre os diferentes grupos étnicos de Serra Leoa, sendo falado por cerca de 90% dos habitantes do país.

Em 1462, a área do atual território de Serra Leoa foi visitado pelo explorador português Pedro de Sintra, que a nomeou Serra Leoa. [11] [12] O país tornou-se um importante centro do comércio transatlântico de escravos até 11 de março de 1792, quando Freetown foi fundada pela Companhia de Serra Leoa, como forma de servir como um lar para ex-escravos do Império Britânico. Em 1808, tornou-se uma Freetown britânica Crown Colony, e em 1896, o interior do país tornou-se um protectorado britânico. Entre 1991 e 2002, ocorreu a Guerra Civil de Serra Leoa, que devastou o país e resultou na morte de aproximadamente 50 000 pessoas. Grande parte da infraestrutura do país foi destruída, e mais de dois milhões de pessoas deslocadas em países vizinhos como refugiados; principalmente para a Guiné, que recebeu mais de 600 000 refugiados serra-leoneses.

História[editar | editar código-fonte]

História antiga[editar | editar código-fonte]

Achados arqueológicos mostram que Serra Leoa foi habitada continuamente por pelo menos 2.500 anos,[13] habitado por sucessivos movimentos vindos de outras partes da África.[14] O uso do ferro foi introduzido na atual região do país por volta do século IX, e a agricultura passou a ser praticada por tribos que habitavam a costa do país por volta do ano 1000.[15] A densa floresta tropical presente na localidade praticamente serviu de refúgio para os nativos da região, que não receberam muita influência dos impérios pré-coloniais africanos[16] e da influência islâmica encontrada no Império do Mali. A fé islâmica, no entanto, só tornou-se abrangente no século XVIII.[17]

A Serra Leoa foi uma das primeiras nações do oeste africano a ter contato com os europeus. Em 1462, o explorador português Pedro de Sintra mapeou as colinas onde agora situa-se o Porto Freetown, cuja formação na época eem ra forma da Montanha de Leão (também chamada de Serra do Leão), que originou o nome do país.[12] Comerciantes portugueses chegaram ao porto por volta de 1495, quando um forte que agiu como um posto de comércio foi construído.[18] Os portugueses juntaram-se aos holandeses e franceses e todos estes passaram a usar o território da Serra Leoa como um ponto estratégico do comércio de escravos. Em 1562, a Inglaterra juntou-se aos três países no tráfico de seres humanos, quando Sir John Hawkins enviou 300 pessoas escravizadas para as novas colônias na América.

Pré-colonização[editar | editar código-fonte]

Descoberta pelo navegador português Pedro de Sintra em 1460, Serra Leoa era, então, habitada pelos temnes. O nome de Serra Leoa deriva da semelhança que a serra, avistada desde o mar, adquiria com uma leoa vista de longe. Além disso, o trovejar na época das chuvas assemelhava-se ao rugido do animal. A primeira atividade econômica introduzida pelos portugueses foi mesmo o comércio de escravos, obtidos em negociação com aquele povo. Ainda hoje subsistem edifícios construídos pelos portugueses.

O próximo povo europeu a ocupar a região foi a Inglaterra, no século XVII, que, por ação da Companhia Comercial britânica, fundou a cidade de Freetown que serviu de refúgio para os escravos fugitivos das Américas, que foram amparados pelo não reconhecimento da escravidão na Inglaterra.

Antes da colônia, Serra Leoa encontrava-se nos limites do grande Império de Mali, que floresceu entre os séculos XIII e XV. O estado moderno de Serra Leoa foi fundado como uma alternativa para resolver o problema demográfico da entrada de centenas de escravos liberados, dando-lhes uma pátria. Os primeiros povoadores estabeleceram em Freetowm em 1787, e nos 60 anos seguintes foram seguidos por 70.000 ex-escravos de toda a África Ocidental e por outros milhares de nativos emigrados desde o interior.

Os não-nativos africanos, conhecidos como krios, foram colocados pela coroa britânica nos altos postos da administração, de modo que nos anos 50, Serra Leoa proclamava sua lealdade à Rainha, enquanto o resto das colônias tratava de buscar sua independência.

Em 1971, após sucessivos golpes de estado, Siaka Stevens, do Congresso de Todos os Povos (APC), rompeu com os últimos laços que ligavam Serra Leoa à Grã-Bretanha e em 1978, através de plebiscito, declarou-se estado uni-partidário, numa tentativa de acabar com os conflitos com a oposição. Sua presidência durou 17 anos, e, no meio de grave crise, foi seguido pelo general Joseph Saidu Momoh.

Crianças brincando próximo a uma escola destruída pela guerra civil.

Em julho de 1991, o presidente Momoh reformou a constituição de 1978 e garantiu os direitos humanos fundamentais, o pluripartidarismo e tentou consolidar os fundamentos democráticos. Apesar desses avanços, seu governo foi marcado pelo crescente abuso de poder e corrupção.

A corrupção dentro do governo e os problemas administrativos nas minas de diamantes foram as principais razões para o início da guerra civil. Com a deterioração da estrutura do estado e a opressão a oposição civil, Serra Leoa virou um local propício para o tráfico de armas, munição e drogas.

Alem da destruição interna, a brutalidade da guerra civil que ocorria na vizinha Libéria foi um fator que trouxe mais instabilidade a Serra Leoa. Charles Taylor, líder da Frente Nacional Patriota da Libéria ajudou Foday Sankoh, um ex-comandante do exército de Serra Leoa, a criar a RUF (Frente Unida Revolucionária).

O primeiro ataque da RUF ocorreu em 23 de março de 1991, no vilarejo de Kailahun, uma província ao leste, rica em diamantes. O governo de Serra Leoa, que passava por sérios problemas econômicos e de corrupção, foi incapaz de oferecer uma resistência significativa. Como um mês de guerra civil, a RUF controlava grande parte das províncias ricas em diamantes ao leste. Desde o início o recrutamento de meninos-soldados foi uma das estratégias dos rebeldes.

Em 29 de abril de 1992, um grupo de jovens oficiais liderados pelo capitão Valentine Strasser, aparentemente frustrados pela incapacidade do governo de combater os rebeldes, expulsaram o presidente do país e criaram um conselho nacional provisório de regulamentação. A população foi às ruas dar saldar a nova administração. Imediatamente, declarou-se estado de emergência, limitou-se a liberdade de imprensa e de discurso. As forças armadas e a polícia ganharam poderes ilimitados para deter pessoas.

O conselho se mostrou tão ineficiente quanto o governo de Momoh para combater o rebeldes. Cada vez mais a RUF avançava. Em 1995, a RUF controlava as províncias do leste e chegou aos arredores de Freetown. A fim de reverter essa situação, diversos mercenários foram contratados e os rebeldes foram forçados a se retirarem das proximidades da capital. Em Janeiro de 1996, depois de 4 anos no poder, Strasser foi substituído pelo deputado Julius Maada Bio, que convocou novas eleições e revogou o estado de emergência. A eleição foi vencida por Ahmad Tejan Kabbah, do Partido do Povo de Serra Leoa, que conseguiu a maioria dos assentos no parlamento.

Ainda em 1996, o Major-General Johnny Paul Koroma foi acusado de tentar derrubar Kabbah e foi preso. A prisão de Koroma deixou diversos oficiais de alta patente descontentes. Esses oficiais criaram o Conselho Revolucionário das Forças Armadas (AFRC), que em 25 de maio de 1997, derrubou o presidente, retirou Koroma da prisão e nomeou-o líder e comandante do Estado.

Koroma suspendeu a constituição, limitou as liberdades individuais fechou todas as rádios privadas e convidou a RUF para se juntar ao governo. Depois de 10 meses, o presidente (eleito democraticamente) Kabbah foi reconduzido ao seu cargo. Milhares de civis que foram acusados de colaborar com o governo da AFRC foram ilegalmente detidos. A corte marcial julgou e considerou culpados 24 soldados que pertenceram a AFRC. Todos foram executados, sem direito a apelação. No dia 6 de Janeiro de 1999, a AFRC tenta um novo golpe contra o governo, que resultou em perda de diversas vidas e destruição de propriedades em Freetown.

Rua de Freetown, capital e maior cidade do país.

Em Outubro, a Organização das Nações Unidas concordou em enviar força de paz para ajudar a restaurar a ordem e desarmar os rebeldes. Os primeiros 6.000 membros da força de paz chegaram em dezembro de 2000, posteriormente o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou o aumento de soldados da tropa de paz para 13.000. Em Maio, o exército da Nigéria deixou o país e as Forças de paz tentaram desarmar a RUF no leste de Serra Leoa. Nem todos os soldados da RUF se entregaram. Alguns fizeram 500 membros da força de paz como reféns.

Em 18 de janeiro de 2002, o presidente Kabbah declarou a guerra civil oficialmente encerrada. Estima-se que aproximadamente 50.000 pessoas foram mortas, existam mais de 500.000 refugiados em nações vizinhas e diversas pessoas tiveram seus braços ou pernas decepadas. No mesmo ano, a ONU e o governo de Serra Leoa instalaram uma corte de crime de guerra em Freetown. Novas eleições ocorreram em 2002, quando o presidente Kabbah foi reeleito com 70% dos votos e o seu partido conseguiu a maioria dos assentos no parlamento.

Esse conflito sangrento inspirou o recente filme Diamante de Sangue, com Leonardo di Caprio e o Livro Muito longe de Casa - Memória de um Menino Soldado, do sobrevivente Ishmael Beah. A situação atualmente se encontra estabilizada.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Serra Leoa vista de satélite.

Serra Leoa está localizada na costa oeste da África, situada principalmente entre as latitudes 7° e 10° N (a pequena área fica ao sul do 7°) e longitudes 10° e 14° W. O país faz fronteira com a Guiné ao norte e nordeste, a Libéria ao sul e sudeste, e o Oceano Atlântico a oeste.[19] A área total é de 71.740 km², sendo 71.620 km² de superfície terrestre e 120 km² de água.[20] O país tem quatro regiões geográficas distintas. No leste predomina o planalto, intercalado com altas montanhas, onde o Monte Bintumani - ponto mais elevado do país - atinge 1.948 metros.[20] A parte superior da bacia de drenagem do rio Moa está localizado no sul da região.[20]

O centro do país é uma região de planícies de baixa altitude, que contêm florestas, matas e campos agrícolas, que ocupa cerca de 43% da área terrestre da Serra Leoa.[19] A parte norte desta foi classificada pelo World Wildlife Fund, como parte da ecorregião guineense mosaico floresta-savana, enquanto o sul é dominado por planícies florestadas de chuva e terra.[19] Serra Leoa tem cerca de 400 quilômetros de limites com o Oceano Atlântico, dando-lhe recursos marinhos abundantes e um potencial turístico. A costa litorânea tem áreas de baixa altitude e pântano. A região que encobre a capital do país fica em uma península costeira, situada ao lado do Porto Nacional da Serra Leoa.[19]

O clima do país é o tropical, com duas estações definidas que determinam o ciclo agrícola: a estação chuvosa, de maio a novembro, e uma estação seca de dezembro a abril, quando ventos frescos e secos sopram do Deserto do Saara. A temperatura mínima média é de 16° C e a máxima média é de 36° C, sendo que a temperatura média fica em torno de 26° C.[21] [22]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Uma mulher da etnia Mende no Distrito de Kailahun.

A estimativa de 2009 da ONU da população de Serra Leoa é 6,4 milhões. Freetown, com uma população estimada em 1.070.200, é a capital, maior cidade e o centro econômico, comercial, educacional e cultural do país. Bo é a segunda cidade com uma população estimada de até 269 mil. Outras cidades com uma população estimada em mais de 100 mil são Kenema, Koidu e Makeni

Embora o Inglês seja a língua oficial falado nas escolas e pela mídia, Krio (língua derivada do Inglês e várias línguas Africano e nativas para o povo Serra Leoa Krio) é a língua mais falada em praticamente todas as partes do Serra Leoa. Krio é falada por 97% da população do país e une todos os diferentes grupos étnicos, especialmente nas suas relações comerciais e de interacção com os outros.

Segundo a World Refugee Survey, publicado pelo Comitê Estadunidense, refugiados e imigrantes na Serra Leoa tinham uma população de 8.700 habitantes. Cerca de 20.000 refugiados liberianos voluntariamente retornaram à Libéria, ao longo de 2007.

A expectativa de vida de Serra Leoa é de 41 anos. As cidades mais importantes são: Freetown (1,1 milhões de habitantes), Koidu-Sefadu (80.000), Bo (26 mil), Kenema (13 mil) e Makeni (12 mil).

Estatísticas populacionais[editar | editar código-fonte]

Ano Habitantes
1901 1.024.178
1911 1.400.132
1921 1.540.554
1931 1.768.480
1948 1.858.275
1963 2.180.355
1974 2.735.159
1985 3.515.812
2004 4.976.871
Fonte: Statistics Sierra Leone (SSL)[23]
  • Total: 4,9 milhões (2000), sendo mendes 34,6%, temnes 31,7%, limbas 8,4%, conos 5,2%, bulones 3,7%, peules 3,7%, corancos 3,5%, ialuncas 3,5%, quisis 2,3%, outros 3,4% (1983).
  • Densidade: 68,3 hab./km².
  • População urbana: 35% (1998).
  • População rural: 65% (1998).
  • Crescimento demográfico: 3% ao ano (1995-2000).
  • Fecundidade: 6,06 filhos por mulher (1995-2000).
  • Expectativa de vida M/F: 36/39 anos (1995-2000).
  • Mortalidade infantil: 170 por mil nascimentos (1995-2000).
  • Analfabetismo: 63,7% (2000).
  • IDH (0-1): 0,252 (1998).

Religião[editar | editar código-fonte]

Ao contrário de outros países africanos, os conflitos religiosos e étnicos em Serra Leoa são muito raros, devido a relação geralmente amigável entre as religiões na sociedade serra leonesa, que contribuiu para a liberdade religiosa.[24] A constituição do país garante a liberdade democrática na fé, em particular, o governo defende a disposição, e reage fortemente à natureza religiosa de abusos discriminatórios.[24]

Não há dados confiáveis sobre o número exato dos que praticam grandes religiões no país. No entanto, a maioria das fontes estimam que a população é de 60% de muçulmanos, 30% cristã, e 10% dos praticantes de religiões tradicionais indígenas e tribais. Não há informações sobre o número de ateus no país. Existem ainda muitas práticas sincretistas, com até 20% da população praticante, uma mistura de islamismo com as religiões tradicionais indígenas e o cristianismo.[24]

Historicamente, grande parte dos muçulmanos de Serra Leoa concentram-se nas áreas ao norte do país, e os cristãos, em grande parte, localizados ao sul. O casamento inter-religioso é comum. No entanto, a guerra civil de onze anos, que foi oficialmente declarada encerrada em janeiro de 2002, resultou em movimento por grandes segmentos da população.[25]

A crença no Cristianismo começou a ser difundida no século XVI, quando os primeiros missionários católicos chegaram à costa oeste da África.[25] Há ainda, uma considerável comunidade hinduísta. A maior comunidade hindu vive em Freetown.[25]

O Governo não possui requisitos para o reconhecimento, registro ou regulação de grupos religiosos e permite a instrução religiosa nas escolas públicas. Os estudantes podem optar por participar de classes de orientação muçulmana ou cristã.[24] O Conselho Inter-Religioso de Serra Leoa (IRC), composto por líderes cristãos e muçulmanos, desempenha um papel importante na sociedade civil e é responsável em promover o processo de tolerância religiosa no país.[24]

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Política[editar | editar código-fonte]

  • Forma de governo: República presidencialista.
  • Divisão administrativa: 4 regiões subdivididas em 12 distritos.
  • Principais partidos: do Povo de Serra Leoa (SLPP), Nacional Unido do Povo (UNPP), Democrata do Povo (PDP).
  • Legislativo: unicameral - Parlamento, com 80 membros eleitos por voto direto para mandato de 5 anos.
  • Constituição em vigor: 1991.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Províncias de Serra Leoa.

A Serra Leoa está dividida em 4 províncias:

(*) Área com status de província

As províncias da Serra Leoa estão divididas em distritos. Veja artigo sobre Distritos da Serra Leoa.

Economia[editar | editar código-fonte]

Serra Leoa é rica em minerais, como diamante, ferro, platina e bauxita. As atividades extrativistas são gerenciadas em grande parte pela sociedade estrangeira. As indústrias compreendem instalações para a transformação dos produtos agrícolas e florestais e de diamantes. Mesmo assim, Serra Leoa é o sétimo país mais pobre do mundo tendo o terceiro pior IDH (0,365) e, além disso, seu PIB é baixíssimo, e, para se manter, recebe uma pequena ajuda humanitária de outros países.[26]

Agricultura[editar | editar código-fonte]

Dois terços da população de Serra Leoa estão diretamente envolvidos na agricultura de subsistência.[27] A agricultura foi responsável por 58% do Produto Interno Bruto nacional em 2007.[28]

A agricultura é, ainda, o maior empregador de mão-de-obra no país, com cerca de 80% da população economicamente ativa exercendo atividades profissionais no setor.[29] O arroz é o alimento básico mais importante em Serra Leoa, sendo cultivado por 85% dos agricultores durante a estação chuvosa[30] e um consumo de 76 kg anualmente por pessoa.[31]

Estrutura social[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

Escola secundária na cidade de Pendembu.
Classe secundária na cidade de Koidu.

A educação em Serra Leoa é legalmente obrigatória para todas as crianças a partir dos três anos de idade, no nível primário, e de seis anos de idade no ensino secundário geral.[32] . Entretanto, a falta de escolas e professores no país tem resultado numa educação desigual.[33] O analfabetismo atinge aproximadamente dois terços da população adulta do país.[33] Durante a guerra civil que desolou o país, 1.270 escolas primárias foram destruídas, o que resultou em 67% de crianças em idade escolar vivendo fora das instituições de ensino.[33] Desde então, a educação tem atingido resultados consideráveis nos últimos anos, com a duplicação das matrículas nas escolas primárias entre 2001 e 2005, e a reconstrução de muitas escolas, desde o fim da guerra.[34] Os estudantes de escolas primárias possuem geralmente, idades entre 6 a 12 anos, e nas escolas secundárias, a idade escolar varia entre 13 a 18 anos. A educação primária é gratuita e obrigatória, sendo oferecida em escolas públicas.

Em Serra Leoa, há três universidades: Fourah Bay College, fundada em 1827 (a mais antiga universidade na África Ocidental)[35] , a Universidade de Makeni (estabelecida inicialmente em setembro de 2005, e o Instituto de Fátima, que recebeu o estatuto de universidade em agosto de 2009, e assumiu o nome de University Makeni, ou Unimak). Há ainda, a Universidade Njala, localizada no distrito de Bo, estabelecida como Estação Agrícola Experimental em 1910 e tornando-se uma universidade em 2005. faculdades de formação de professores e seminários religiosos são encontrados em muitas partes do país.

Saúde[editar | editar código-fonte]

Hospital Kailahun em 2004.

A saúde é de responsabilidade do poder público. Desde abril de 2010, o governo instituiu a Iniciativa Unidade Livre de Saúde, que se compromete a fornecer serviços gratuitos para mulheres grávidas e lactantes, além de crianças menores de 5 anos. Esta política tem sido apoiada pelo Reino Unido e é reconhecido como um movimento progressivo que outros países africanos poderão seguir.[36] A expectativa de vida ao nascer é estimada em 56,55 anos em 2012, fazendo do país a 196ª nação no quesito expectativa de vida.[37] As estimativas para a mortalidade infantil em Serra Leoa estão entre as mais altas do mundo: Para cada 1.000 nascidos vivos, cerca de 77 crianças não sobrevivem.[38] Assim, o país ocupa a 12ª posição entre as nações com maiores índices de mortalidade infantil, lista essa que é liderada pelo Afeganistão (121,63), Níger (109,98) e Mali (109,08).[38] Entre os países da África Ocidental, o país é o 6º com maior taxa de mortalidade infantil.[38]

Taxas de mortalidade materna também estão entre as mais altas do mundo, com 2.000 mortes por 100.000 nascidos vivos. O país sofre de surtos epidêmicos de doenças como febre amarela, cólera, febre de Lassa e meningite.[39] A prevalência de HIV/AIDS na população é de 1,6%, superior à média mundial de 1%, mas inferior à média de 6,1 % na África Subsaariana.[40]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Meios de comunicação[editar | editar código-fonte]

Os meios de comunicação na Serra Leoa começaram com a introdução da primeira prensa móvel da África no início do século XIX. Uma forte tradição jornalística desenvolveu-se com a criação de alguns jornais. Na década de 1860, o país tornou-se um centro do jornalismo da África, com profissionais que viajavam ao país de todos os lugares do continente. Ao fim do século XIX, a indústria entrou em declínio e quando o rádio foi introduzido na década de 1930, ele tornou-se o meio de comunicação principal do país. O Serviço de Transmissão de Serra Leoa (SLBS) foi criado pelo governo em 1934, tornando-se a primeira emissora de rádio em língua inglesa do oeste da África. Em 1963 o SLBS iniciou a transmissão para TV, alcançando todos os distritos do país em 1978.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Os Mendes, Temnes e outros grupos têm um sistema de sociedades secretas que encarregou-se através dos séculos de transmitir a cultura das diferentes tribos. Estas são inculcadas aos membros de cada grupo desde a infância. Por este secretismo a maioria das atividades culturais estão vedadas ao estranho.

A língua oficial da Serra Leoa é o inglês, mas a lingua franca de facto é a língua krio, materna para os Crioulos da Serra Leoa mas falada por 98% da população.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Portal da Língua Portuguesa, Dicionário de Gentílicos e Topónimos de Serra Leoa
  2. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Visitado em 3 de agosto de 2014.
  3. CIA World Factbook, Lista de Países por Coeficiente de Gini (em inglês)
  4. a b c UOL Educação. Geografia de Serra Leoa. Visitado em 30 de janeiro de 2014.
  5. Sierra Leone Population below poverty line (em português: Serra Leoa - População abaixo da linha de pobreza)
  6. Islam in Sierra Leone
  7. 71% of Sierra Leoneans are Muslims (em português: 71% dos habitantes de Serra Leoa são muçulmanos)
  8. Sierra Leone Rated High for Religious Tolerance (em português: Serra Leoa entre os mais tolerantes religiosamente no mundo)
  9. Massive foreign investment – As President Koroma Creates a Climate of Security and Stability (em português: Investimento maciço estrangeiro - Como o Presidente Koroma cria um clima de segurança e estabilidade)
  10. Celebrating Sierra Leone’s 50th Independence Anniversary (em português:Comemorando o aniversário de Independência de Serra Leoa)
  11. quarto, Adrian (1995). placenames do Mundo . Jefferson, NC: McFarland. pp 346-7. ISBN 0-7864-1814-1.
  12. a b Enciclopédia Kingfisher Geography. ISBN 1-85613-582-9. pg. 180
  13. Culture of Sierra Leone (em inglês)
  14. History of Sierra Leone (em português: História de Serra Leoa)
  15. Sierra Leone - History (em inglês)
  16. Utting (1931), pg. 33
  17. Utting (1931), pg. 8
  18. LeVert, Suzanne (2006). Culturas do mundo: Serra Leoa. pg. 22. ISBN 978-0-7614-2334-8.
  19. a b c d LeVert, Suzanne (2006). Cultures of the World: Sierra Leone. Marshall Cavendish. p. 7. ISBN 978-0-7614-2334-8.
  20. a b c Geography: Sierra Leone The World Factbook. Visitado em 30 de janeiro de 2014.
  21. Blinker, Linda (setembro de 2006). Country Environment Profile (CEP) Sierra Leone. Freetown, Sierra Leone: Consortium Parsons Brinckerhoff. Visitado em 30 de janeiro de 2014.
  22. LeVert, Suzanne (2006). Cultures of the World: Sierra Leone. Marshall Cavendish. pp. 8–9. ISBN 978-0-7614-2334-8.
  23. UNFPA. Analytical Report on Population Project for Sierra Leone Statistics Sierra Leone (SSL). Visitado em 30 de janeiro de 2014.
  24. a b c d e Departament of State (2003). Sierra Leone - International Religious Freedom Report. Visitado em 5 de fevereiro de 2011.
  25. a b c Britannica Online Encyclopedia (2008). Sierra Leone - religion. Visitado em 4 de fevereiro de 2011.
  26. http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=7410
  27. Settling for a future in Sierra Leone New Agriculture. Visitado em 8 de novembro de 2014.
  28. African Economic Outlook 2009 Country Notes: Volumes 1 and 2 African Development Bank, OECD (14 de janeiro de 2010). Visitado em 8 de novembro de 2014.
  29. König, Dirk (2008). Linking Agriculture to Tourism in Sierra Leone - a Preliminary Research GRIN Verlag. Visitado em 8 de novembro de 2014.
  30. Catling, David (1992). Rice in deep water Int. Rice Res. Institute. Visitado em 8 de novembro de 2014.
  31. Rice today, Volume 3:Rice facts International Rice Research (2004). Visitado em 8 de novembro de 2014.
  32. Wang, Lianqin (2007). Education in Sierra Leone: Present Challenges, Future Opportunities. World Bank Publications. pg. 2. ISBN 0-8213-6868-0
  33. a b c http://www.dol.gov/ilab/media/reports/iclp/tda2001/Sierra-leone.htm Serra Leoa - Bureau of International Labor Affairs (em inglês)
  34. Wang, Lianqin (2007). Education in Sierra Leone: Present Challenges, Future Opportunities. World Bank Publications. pg. 1 and 3. ISBN 0-8213-6868-0
  35. Serra Leoa, África - InfoEscola
  36. [http://www.kambia.org.uk/information_about/sierra_leone.htm Statistics for Sierra Leone in health, education, the position of women and income poverty are amongst the worst in the world. (em português: Estatísticas em saúde, educação, a posição da mulher e da pobreza de renda em Serra Leoa estão entre as piores do mundo.) - The Kambia Appeal]
  37. CIA Wordl Factbook
  38. a b c CIA - The Wordl Factbook
  39. [1]
  40. [2]
Bandeira da Serra Leoa Serra Leoa
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