Quénia
O Quénia (português europeu) ou Quênia (português brasileiro) (em suaíli e inglês Kenya) é um país da África Oriental, limitado a norte pelo Sudão do Sul e pela Etiópia, a leste pela Somália e pelo oceano Índico, a sul pela Tanzânia e a oeste pelo Uganda. Ganhou seu nome do Monte Quênia (nevado), seu ponto geográfico mais elevado. A capital é Nairobi.
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[editar] História
Na Conferência de Berlim de 1885, onde se delimitaram as áreas de influência das potências européias, o Quênia foi entregue ao Reino Unido, que o confiou em regime de monopólio à Companhia Imperial da África Oriental Britânica. Em 1887 a companhia comercial assegurou o arrendamento da faixa costeira, cedida pelo sultão de Zanzibar.
Nas duas décadas que precederam a Segunda Guerra Mundial, os europeus monopolizaram as melhores terras cultiváveis, e teve início um confronto político entre britânicos e indianos, que se consideravam insuficientemente representados nos órgãos de governo da colônia. A Associação Central dos Kikuyu, fundada em 1921, também passou a exigir sua participação no poder. Em 1944, foi formada uma organização nacionalista, a União Africana do Quênia (KAU), que pregava a redistribuição da terra e tinha como líder Jomo Kenyatta. Em 1952, uma sociedade secreta kikuiu, ou Mau Mau, levantou-se contra o domínio colonial na denominada revolta dos Mau-Mau, que deu origem a uma longa guerra, que se prolongou até 1960. A KAU foi proscrita e Kenyatta, líder da rebelião, preso. A eleição de 1961 levou os dois partidos africanos, a União Nacional Africana do Quênia (KANU) e a União Democrática Africana do Quênia, a aliarem-se no governo.
Em dezembro de 1963, o Quênia tornou-se estado independente, membro da Commonwealth, e constituiu-se em república no ano seguinte, sob a presidência do carismático Kenyatta (KANU), o qual foi reeleito em 1969 e 1974.
[editar] Geografia
O Quénia está situado na África oriental, tendo fronteiras a leste com a Somália, a norte com a Etiópia e com o Sudão do Sul, a oeste com Uganda, a sudoeste com a Tanzânia e a sudeste é banhado pelo Oceano Índico.
A parte ocidental faz parte do sistema de depressões do Vale do Rift, que deu origem aos grandes lagos africanos, e essa zona do país é banhada por dois dos maiores: o lago Vitória e o lago Turkana. As falhas do rift são rodeadas por montanhas, algumas das quais de origem vulcânica, que atingem o ponto mais alto no centro do país, no Monte Quénia, com 5199 m. A leste e a sul, o relevo suaviza-se, em especial junto à fronteira da Somália, onde se estende uma extensão significativa de planície.
[editar] Demografia
Valores estimados para julho de 2006 pelo The World Factbook da CIA:
- População: 34 707 817 habitantes
- Estrutura etária:
- 0-14 anos: 42,6%
- 15-64 anos: 55,1%
- 65 anos ou mais: 2,3%
- Idade mediana: 18,2 anos
- Taxa de crescimento populacional: 2,57%
- Taxa de natalidade: 39,72 nasc. por mil hab.
- Taxa de fecundidade Total (TFT): 4,91 filhos por mulher
- Taxa de mortalidade: 14,02 óbitos por mil hab.
- Taxa de mortalidade infantil: 59,26 óbitos por mil hab.
[editar] Religião
A população do Quénia é maioritariamente seguidora do Cristianismo sendo esta crença partilhada por 78% dos quenianos, (45% de protestantes e 33% de católicos romanos), 10% da população declara-se como muçulmana, outros 10% seguem crenças indígenas/tribais e 2% têm outras religiões.
[editar] Política
A política do Quénia foi caracterizada, desde a independência, em 1963 por um regime presidencialista altamente centralizado, apesar da Constituição democrática multipartidária ser nominalmente respeitada. Na realidade, a KANU (sigla do nome em língua inglesa da União Nacional Africana do Quénia) foi o partido maioritário e, em 1982, a Assembleia Nacional emendou a Constituição, tornando o país monopartidário. Este estado de coisas durou até 1991, quando a Assembleia revogou aquela disposição, mas nas eleições de 1992 e 1997, o presidente Daniel Arap Moi e a KANU mantiveram, respectivamente as posições presidencial e de maioria no Parlamento.
Em 2002, Mwai Kibaki tornou-se no primeiro candidato presidencial da oposição a vencer uma eleição no país desde a independência. A sua coligação manteve-se coesa graças às promessas de reformas constitucionais e às garantias de Kibaki de que iria nomear representantes de todos os grupos étnicos principais do Quénia para lugares importantes. A sua negligência em cumprir estas promessas depois das eleições causaram vários focos de tensão.
O Movimento Laranja, ou Orange Democratic Movement Party of Kenya, liderado por Raila Odinga, concorreu às eleições de Dezembro de 2007, tendo ganho a maior bancada do Parlamento, mas não vendo o seu lugar na presidência confirmado pelas autoridades do escrutínio. Apesar das eleições terem sido consideradas fraudulentas por muitos observadores e os resultados mostrarem uma divisão étnica do voto, Kibaki negou as alegações de fraude e, a 8 de Janeiro de 2008, nomeou o seu novo gabinete. Odinga, convocou manifestações que lavaram a um banho de sangue, com mais de 1000 mortos e 250 mil deslocados.
Depois duma longa campanha de mediação presidida pelo antigo Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan (na qual também participou Graça Machel) e duma visita-relâmpago do actual, Ban Ki-Moon, Kibaki e Odinga concordaram em assinar, a 28 de Fevereiro de 2008, um acordo denominado “National Accord and Reconciliation Act” ("Acordo sobre a Nação e a Reconciliação"), que inclui a formação dum governo de coligação e a nomeação de Odinga como Primeiro-Ministro, com poderes executivos. Com as respectivas emendas na Constituição, o Quénia poderá assim tornar-se em mais uma democracia parlamentar.
[editar] Subdivisões
O Quénia divide-se em 7 províncias (mkoa) e uma área*:
[editar] Economia
Os principais produtos agrícolas quenianos são chá, café, milho, trigo, laranja, banana, abacaxi, abacate, girassol, soja, sisal, algodão, coco, cana de açúcar, batata, tomate, cebola, arroz, feijão, mandioca e caju. A pecuária tem como predominante à cultura de bovinos, suínos e caprinos, além de piscicultura e avicultura (incluindo galinhas, perus, patos, gansos e pavões).
Os minerais extraídos são a pedra calcária, trona (carbonato de sódio), ouro, sal e flúor. A indústria queniana produz plásticos, refino de petróleo, artefatos de madeira, tecidos, cigarros, couro, cimento, metalurgia e comida enlatada.
O turismo também rende bons lucros, principalmente em na costa(litoral) e na savana queniana. A exportação é forte em chá e café, enquanto que as importações incluem maquinaria, alimentos, equipamentos de transporte e petróleo (e seus derivados).
[editar] Cultura
No Quênia, quando algum feriado calha no domingo, ele é também comemorado feriado na segunda-feira seguinte.
| Data | Feriado | Observação |
| 1 de Janeiro | Confraternização Universal | |
| móvel | Sexta-Feira Santa | |
| móvel | Páscoa | |
| móvel | Segunda-feira de Páscoa | |
| 1 de Maio | Dia do Trabalho | |
| 1 de Junho | Madaraka Day | Comemoração da proclamação da independência do país |
| 10 de Outubro | Was Moi | |
| 20 de Outubro | Dia de Jomo Kenyatta | Comemoração ao considerado pai fundador do Estado Queniano |
| 4 de Novembro | Dia da vitória do candidato Barack Obama (descendente de queniano) a presidência dos Estados Unidos da América |
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| 12 de Dezembro | Dia da República Queniana | |
| 25 de Dezembro | Natal | |
| 26 de Dezembro | Boxing Day |
[editar] Ver também
Referências
- ↑ Portal da Língua Portuguesa, Dicionário de Gentílicos e Topónimos do Quénia
- ↑ CIA World Factbook, Lista de Países por Coeficiente de Gini (em inglês)
- ↑ Ranking do IDH 2010. PNUD. Página visitada em 4 de novembro de 2010.
- ↑ Central Intelligence Agency (2009). Kenya. The World Factbook. Página visitada em 23 January 2010.