Chade
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| République du Tchad جمهوريّة تشاد Jumhūriyyat Tshād República do Chade |
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| Lema: "Unité, Travail, Progrès" ("Unidade, Trabalho, Progresso") | |
| Hino nacional: "La Tchadienne" ("A Chadiana") | |
| Gentílico: chadiano(a), chadinense [1] | |
| Capital | N'Djamena |
| Cidade mais populosa | N'Djamena |
| Língua oficial | Francês, Árabe |
| Governo | República presidencialista |
| - Presidente | Idriss Déby |
| - Primeiro-ministro | Youssouf Saleh Abbas |
| Independência | da França |
| - Data | 11 de agosto de 1960 |
| Área | |
| - Total | 1.284.000 km² (20º) |
| - Água (%) | 1,9 |
| Fronteira | Líbia (norte), Sudão (leste), República Centro-Africana (sul), Camarões (sudoeste), Nigéria e Níger (oeste) |
| População | |
| - Estimativa de 2008 | 10.111.337 hab. (80º) |
| - Densidade | 7 hab./km² (191º) |
| PIB (base PPC) | Estimativa de 2007 |
| - Total | US$: 15.950 bilhões (126º) |
| - Per capita | US$: 1.675 (147º) |
| Indicadores sociais | |
| - IDH (2006) | 0,389 (170º) – baixo |
| - Esper. de vida | 50,6 anos (175º) |
| - Mort. infantil | 119.2/mil nasc. (6º) |
| - Alfabetização | 25.7% (terceiro pior-175º) |
| Moeda | Franco CFA (XAF) |
| Fuso horário | (UTC+1) |
| Clima | Árido e semiárido |
| Org. internacionais | ONU, UA, Francofonia |
| Cód. ISO | TCD |
| Cód. Internet | .td |
| Cód. telef. | +235 |
O Chade, também chamado de Tchade ou Tchad (em árabe تشاد, transl. Tshād; em francês: Tchad) é um país sem acesso ao mar, localizado no centro-norte da África. Faz fronteira com a Líbia a norte, com o Sudão a leste, com a República Centro-Africana a sul, com Camarões e Nigéria a sudoeste e com o Níger a oeste. Devido a sua distância do mar e seu clima predominantemente desértico, o país é por vezes referido como o "coração morto da África". O Chade é dividido em três regiões geográficas: a zona desértica no norte, um zona de Sahel no centro e uma área de savana mais fértil no sul. O lago Chade, que deu nome à nação, é uma das regiões mais úmidas do continente africano. O monte mais alto do Chade é o Emi Koussi, no Saara, e a maior cidade é a capital, N'Djamena. O país abriga mais de duzentos grupos étnicos e lingüísticos. O francês e o árabe são as línguas oficiais e o islã é a religião mais praticada.
A população vive dominantemente da agricultura e pecuária de subsistência, mas produzem-se também, em quantidades relativamente limitadas, o algodão, o amendoim e o tabaco, para exportação. Recemente foram descobertas reservas de petróleo, cuja exploração, a partir de 2000, começou a ter impactos profundos sobre a economia e a política do país.
Das quatro repúblicas africanas que um dia formaram a antiga África Equatorial Francesa, a do Chade continua a ser a mais pobre, e ao mesmo tempo a mais populosa.
Índice |
[editar] História
As pinturas rupestres encontradas indicam que o Chade ou Tchad já era povoado no Neolítico e na Idade do Ferro. Os primeiros vestígios de vida humana encontrados no Tchad, do neolítico, pertencem a cavernícolas negróides que habitavam as regiões de Borku, Ennedi e Tibesti. O progressivo ressecamento do mar interior tchadiano, porém, provocou o despovoamento dessa área.
A posição do lago Tchad na convergência de estradas vindas de Trípoli, de Khartum e do Sudão ocidental, contribuiu para as migrações de outros povos desde o início da era cristã. No século VIII, fundou-se o reino de Kanem no oeste do atual Chade, mas seus soberanos foram vencidos pelos saôs e bulalas e se refugiaram no Bornu. A partir do século XI, os árabes dominaram a região e começaram a islamizar os Estados do Kanem e Bornu, mas estenderam sua influência a todas as regiões em volta do lago no século XVI, além de contribuírem para a intensificação do tráfico de escravos durante vários séculos.
Entre o século XVIII e XIX, grande parte do Chade estava sob controle dos conquistadores negros árabes Rabeh e Zubayr. No século XIX, diversos viajantes europeus, entre os quais se destacou Eduard Vogel, iniciaram a colonização com apoio dos sultões locais, que sofriam constantes ameaças dos negreiros. O pretexto do combate ao tráfico negreiro facilitou a submissão da região à França.
Após o incidente de Fashoda (1898), um acordo franco-britânico, em 22 de abril de 1900, incorporou o Tchad à zona de colonização francesa, apesar de o controle total só ter sido obtido em 1912. Em 1922, o Chade passou a fazer parte da África Equatorial Francesa, sob a administração do comissário Émile Gentil. Os franceses introduziram a influência ocidental nas estruturas tribais tradicionais, de início pela via militar e depois pela econômica e comercial.
Em 1940, foi a primeira colônia a se declarar pela França Livre. Em 1958, tornou-se em República autônomo dentro da Comunidade Francesa e uma república completamente independente em 1960, tendo como Presidente da República o líder do Partido Progressista Tchadiano, François Tombalbaye, também conhecido como N'Garta Tombalbaye. Desde então o país luta para manter a unidade entre os povos muçulmanos de língua arábica do norte, e os bantos, mais desenvolvidos economicamente, do sul e do oeste.
Em 1962 foi adotada uma Constituição pela qual se proibia a atividade política de oposição ao governo. Nesse mesmo ano, o país associou-se à Comunidade Econômica Européia. O presidente Tombalbaye confrontou-se com dois movimentos clandestinos de oposição, o de Abba Siddick, conhecido como Frolinac (Frente de Libertação Nacional), e o de Hissène Habré. Tombalbaye foi deposto e assassinado em 1975.
Félix Malloum, o novo Presidente, também teve que enfrentar movimentos de oposição, assim como as pretensões territoriais da Líbia, que ocupou uma faixa do território tchadiano em 1977. Malloum foi derrubado em 1979. Assumiu então o cargo de primeiro-ministro Hissène Habré, que obrigou Malloum a exilar-se. Em 1980, foi invadido pela Líbia, que propunha a união dos dois países. A guerra civil durou até 1987, quando a França e os EUA intervieram, o que levou à retirada da Líbia. Goukouni Ouedei tornou-se presidente de um "governo de unidade nacional". Daí em diante, a luta pelo poder centrou-se entre Ouedei e Habré, este à frente das Forças Armadas do Norte (FAN). Entre 1982 e 1995, o Chade viveu uma época de terror. A luta pelo poder esteve na origem de sucessivos massacres, fazendo milhares de mortos e de refugiados.
Em 1990, Idriss Deby foi instalado no poder mediante um golpe de Estado apoiado pela Líbia. Decidiu-se estabelecer o processo democrático, mas a Assembléia Constituinte de maio de 1992 foi adiada e houve tensões na capital, Ndjamena, sem soluções para os problemas econômicos e sociais. Uma Carta Constitucional promulgada em 1992 criou um Conselho Ministerial e um Conselho Consultivo da República, assim como aboliu o Conselho de Estado criado após o golpe. Em outubro de 1993, uma tentativa de golpe de Estado foi sufocada e seu líder foi morto.
Ante o acirramento dos conflitos políticos, uma conferência nacional foi instalada em 1993 para dar continuidade ao processo de democratização do país. Em 1995, a ação dos sindicatos e das associações de defesa dos direitos do Homem conseguiu devolver a paz ao país.
No entanto, em 2007, o Chade retornou a uma guerra civíl e o palácio presidencial, foi tomado de assalto por rebeldes armadas, que penetraram também nas zonas nobres da capital, provocando o caos na cidade e inúmeros estragos. Entretanto, o embaixador do Chade na Etiópia de então, afirmou que a cidade estaria sob controle e que o presidente, Idriss Deby, está seguro no seu palácio.[2]
Desde 15 de Março de 2008 um contingente pertencente à Força Aérea Portuguesa encontra-se presente em destacamento no país para dar apoio logístico à crise do Darfur incluídas na força europeia EUFOR. Esse destacamento é constituído por um avião C-130 da Esquadra 501 com respectiva tripulação e equipe de manutenção e pessoal de apoio logístico e médico totalizando 30 militares.
[editar] Política
Um ramo executivo forte, liderado pelo Presidente Deby, do Movimento de Salvação patriótica, domina o sistema político do Chade. Déby foi eleito constitucionalmente em 1996 e em 2001, mas observadores internacionais detectaram irregularidades no processo eleitoral. Déby é presidente desde 1990, mas só em 1996 foi aprovada uma constituição. O presidente do Chade tem o número de mandatos limitado a dois (o que não conta com o período anterior à entrada em vigor da constituição), mas uma mudança na constituição reverteu essa medida.
O presidente é eleito por sufrágio universal dos cidadãos com mais de 18 anos. O presidente tem o poder de nomear o primeiro-ministro e o Conselho de Estado (ou governo) e exerce considerável influência sobre as nomeações dos juízes, generais, dirigentes provinciais e dirigentes das empresas para-estatais do Chade. O ramo legislativo do Chade consiste de uma Assembleia Nacional unicameral. O seu ramo judicial consiste de um Supremo Tribunal, um Tribunal de Apelo, tribunais criminais e tribunais de magistratura.
[editar] Subdivisões
O Chade está dividido desde 17 de outubro de 2002 em dezoito regiões. Cada região está dividida em departamentos, exceto a cidade de N'Djamena, que está dividida em arrondissements.
| N° | Região | Capital | Departamentos |
|---|---|---|---|
| 1 | Batha | Ati | Batha East, Batha West, Fitri |
| 2 | Chari-Baguirmi | Massenya | Baguirmi, Chari, Loug Chari |
| 3 | Hadjer-Lamis | Massakory | Dababa, Dagana, Haraze Al Biar |
| 4 | Wadi Fira | Biltine | Biltine, Dar Tama, Kobé |
| 5 | Borkou-Ennedi-Tibesti | Faya-Largeau | Borkou, Ennedi East, Ennedi West, Tibesti |
| 6 | Guéra | Mongo | Barh Signaka, Guéra |
| 7 | Kanem | Mao | Barh El Gazel, Kanem |
| 8 | Lac | Bol | Mamdi, Wayi |
| 9 | Logone Occidental | Moundou | Dodjé, Lac Wey, Ngourkosso |
| 10 | Logone Oriental | Doba | La Nya Pendé, La Pendé, Monts de Lam, Lanya (1) |
| 11 | Mandoul | Koumra | Barh Sara, Mandoul Occidental, Mandoul Oriental |
| 12 | Mayo-Kebbi Est | Bongor | Mayo-Boneye, Kabbia, Mont d'Illi (1), Mayo Lemie (1) |
| 13 | Mayo-Kebbi Ouest | Pala | Lac Léré, Mayo-Dallah |
| 14 | Moyen-Chari | Sarh | Barh Köh, Grande Sido, Lac Iro |
| 15 | Ouaddaï | Abéché | Assoungha, Djourf Al Ahmar, Ouara, Sila |
| 16 | Salamat | Am Timan | Aboudeïa, Barh Azoum, Haraze Mangueigne |
| 17 | Tandjilé | Laï | Tandjilé East, Tandjilé West |
| 18 | Ndjamena | Ndjamena | 10 arrondissements |
(1) departamentos criados em 2004.
[editar] Geografia
O Chade é um país interior do norte da África central, com uma superfície de 1 284 000 km². Situa-se a sul da Líbia, e tem 5 968 km de fronteiras com os Camarões, a República Centro-Africana, o Níger, a Nigéria e o Sudão.
O Chade tem quatro zonas climáticas: planícies amplas e áridas no centro do país, deserto no norte, montanhas secas no noroeste e terras baixas tropicais no sul. Só cerca de 3% do país é terra arável, e nenhuma desta terra tem cultivo permanente. O Chade está sujeito a secas periódicas, a pragas de gafanhotos e aos ventos quentes, secos e poeirentos do harmattan, que ocorrem no norte do país. O lago Chade, partilhado pelo Chade e pelos Camarões, foi em tempos o segundo maior lago de África, mas durante as últimas décadas o seu tamanho diminuiu dramaticamente e está hoje reduzido a menos de 10% da sua anterior extensão.
[editar] Economia
A economia depende consideravelmente da agricultura de subistência: pelo menos 80% da população do Chade a continuam praticando. O algodão, o gado e o petróleo (que passou a ser explorado em 2003 nos três campos próximos a Doba) são os principais produtos de exportação do país.
O Chade necessita de ajuda e de capital estrangeiros para a maioria dos projetos de investimentos públicos e privados. Um consórcio de empresas norte-americanas está investindo US$ 3,7 bilhões no país para explorar o petróleo. É um dos países mais pobres de África, a sua economia é muito dependente da França e dos Estados Unidos.
[editar] Demografia
Estudos de 2005 estimam que o Chade tenha uma população a rondar os 10.146.000 habitantes: 25,8% vivem em áreas urbanas e 74,8% em rurais. A população do país é jovem. Estima-se que 47,3% tenha menos de 15 anos. A taxa de natalidade é de cerca de 42,35 nascimentos por 1.000 pessoas, a taxa de mortalidade é de 16,69. A esperança média de vida é de 47,2 anos.
A população do Chade está distribuída de forma desigual. A densidade populacional é de 0,1/km² (extremamente baixa) na região do Saharan Borkou-Ennedi-Tibesti mas de 52,4/km² na região do Logone Ocidental. Na capital, ainda é mais elevada. Cerca de metade da população deste estado vive no quinto de território mais a sul, tornando-o na região mais densamente povoada. A vida urbana restringe-se virtualmente à capital, cuja população está maioritariamente envolvida no comércio. As outras principais cidades são Sarh, Moundou, Abéché e Doba, as quais são menos urbanizadas mas estão a crescer, podendo no futuro juntar-se à capital como factores decisivos no crescimento económico. Desde 2003, 230.000 refugiados sudaneses têm-se deslocado para o este do Chade para fugir do devastado Darfur. Com os 172.000 chadianos deslocados pela guerra civil no este, este facto tem gerado tenções crescentes entre as comunidades da região.
A poligamia é comum, com 39% de mulheres a viver nesse tipo de união. Tal é apoiado por lei, a qual permite automaticamente a poligamia a não ser que as esposas especifiquem que tal será inaceitável após o casamento. Apesar da violência contra mulheres ser proibida, a violência doméstica é comum. A mutilação genital feminina é proibida, mas a prática está espalhada e profundamente enraízada na tradição.
45% das chadianas sujeitam-se ao procedimento, pertencendo as taxas mais elevadas entre as árabes, hadjarais e ouaddianas (90% ou mais). Percentagens menos elevadas foram registadas entre as saras (38%) e as toubous (2%). As mulheres não têm oportunidades iguais na educação e formação, tornando-se difícil para elas competir para os relativamente poucos empregos em sectores formais. Apesar das leis de propriedade e herança baseadas no código francês não discriminarem as mulheres, líderes locais adjudicam maioritariamente nos casos de herana em favor de homens, de acordo com a prática tradicional.
O Chade tem mais de 200 grupos etnicos distintos, o que cria estruturas sociais diversas. A administração colonial e os sucessivos governos nacionais têm tentado impôr uma sociedade nacional, mas para a maioria dos chadianos a sociedade local ou regional mantém-se como a mais importante influência fora da família mais chegada. Os povos do Chade poder ser no entanto classificados de acordo com a região geográfica onde vivem. No sul vivem povos sedentários, tais como os saras, o maior grupo etnico do país, cuja unidade social essencial é a linhagem (ou descendência). No Sahel, povos sedentários vivem lado a lado com povos nómadas, tais como os árabes, o segundo maior grupo étnico do país. O norte é habitado por nómadas, principalmente toubous. As línguas oficiais de negócios no país são o francês e o árabe, portém, mais são falados pelo país mais de 100 idiomas e dialectos. Devido ao importante papel desempenhado por comerciantes árabes itinerantes e mercadores estabelecidos em comunidades locais, o árabe chadiano tornou-se na lingua franca.
[editar] Cultura
Chade é uma nação muito diversa culturalmente. Dentre as manifestações desta diversidade é muito grande o número de línguas faladas. Embora as línguas oficiais no Chade são apenas árabe e francês, também existem mais de 120 línguas e dialetos indígenas Chade, tais como um dialeto do árabe conhecido como Chade árabe.
Referências
[editar] Ligações externas
- Governamentais
- (em francês) Página Oficial do Governo
- (em francês) Página Oficial da Presidência
- Embaixada do Chade—Washington DC
- Chefe de Estado e Membros do Gabinete
- Outras
- Chad no The World Factbook
- Chad from UCB Libraries GovPubs
- Chade no Open Directory Project
- Guia de viagens sobre Chade no Wikitravel.
[editar] Ver também

