Conflito de Darfur

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Conflito de Dafur

Campo de refugiados de Darfur no Chade
Data 26 de Fevereiro de 2003 – presente
Local Darfur, Sudão
Desfecho Conflito em curso
Status
Intervenientes
Facções do Movimento Justiça e Igualdade
Exército de Liberação Sudanesa
Suporte por:
Chade
Eritreia[1][2][3][4]
Sudão
Principais líderes
Ibrahim Khalil
Ahmed Diraige
Omar al-Bashir
Minni Minnawi
Forças
NRF/JEM: N/A
UNAMID: 9,065
N/A
Vítimas
Campo de refugiados no sul de Darfur.

O conflito de Darfur (ou genocídio de Darfur) é um conflito armado em andamento na região de Darfur, no oeste do Sudão, que opõe principalmente os janjawid - milicianos recrutados entre os baggara, tribos nômades africanas de língua árabe e religião muçulmana - e os povos não-árabes da área. O governo sudanês, embora negue publicamente que apóia os janjawid, tem fornecido armas e assistência e tem participado de ataques conjuntos o grupo miliciano. O conflito iniciou-se, oficialmente, em fevereiro de 2003, com o ataque de grupos darfurianos rebeldes a postos do governo sudanês na região, mas suas origens remontam a décadas de abandono e descaso do governo de Cartum, eminentemente árabe, para com as populações que vivem neste território.

As mortes causadas pelo conflito são estimadas entre 50 000 (Organização Mundial da Saúde, setembro de 2004) e 450 000 (Dr. Eric Reeves[6], 28 de abril de 2006). A maioria das ONGs trabalha com a estimativa de 400 000 mortes. O número de pessoas obrigadas a deixar seus lares é estimado em 2 000 000. A mídia vem descrevendo o conflito como um caso de "limpeza étnica" e de "genocídio". O governo dos EUA também o considera genocídio, embora as Nações Unidas ainda não o tenham feito, pois a China, grande parceira comercial do governo sudanês, defende o país em todos os fóruns internacionais que abordam o tema. Algumas propostas de intervenção militar internacional realizadas na ONU não foram aprovadas por veto deste país.

Quando os combates se intensificaram em julho e agosto de 2006, no entanto, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução 1706, de 31 de agosto de 2006, que prevê o envio de uma nova força de manutenção da paz da ONU, composta de 20 000 homens, para trabalhar em conjunto com as tropas da União Africana presentes no local, que contam com cerca de 7000 soldados. O Sudão opôs-se à Resolução e, no dia seguinte, lançou uma grande ofensiva militar na região.

Diferentemente da Segunda Guerra Civil Sudanesa, que opôs o norte muçulmano ao sul cristão e animista, em Darfur não se trata de um conflito entre muçulmanos e não muçulmanos pois a maioria da população é muçulmana, inclusive os janjawid. Trata-se de um conflito étnico-cultural, que iniciou-se por motivos políticos, e ganhou contornos raciais ao longo dos últimos anos. Promovido por forças militares, hoje muitas vezes uma célula de poder independente, e impulsionado por interesses econômicos, como o fortalecimento das relações comerciais com outros países.

Índice

[editar] Antecedentes

Darfur tem cerca de 5,5 milhões de habitantes, numa região com baixo nível de desenvolvimento: apenas 15% das crianças do sexo masculino - e 10% do feminino - freqüentam a escola.

Três etnias são predominantes na região: os fur (que emprestam o nome à região), os masalit e os zaghawa, em geral negros muçulmanos ou seguidores de outras religiões da África Sub-Saariana.

O Sudão tem uma história de conflitos entre o sul e o norte do país, que resultaram na primeira (1955-1972) e na segunda (1983-2005) guerras civis sudanesas. A segunda confrontação causou cerca de dois milhões de mortos e mais de quatro milhões de refugiados, em ambos os casos principalmente no sul.

[editar] Causas

A combinação de décadas de secas, desertificação e superpopulação estão entre as causas do conflito de Darfur, onde os nômades árabes Baggara, em procura por água, levam seu rebanho para o sul, uma terra ocupada predominantemente por comunidades agrárias de negros africanos.[7]

Existem muitas casualidades, estimativas geralmente convergem entre centenas de milhares de pessoas. As Nações Unidas estimam que o conflito deixou em torno de 300.000 mortos da violência e doenças.[8] O Museu em Memória ao Holocausto dos Estados Unidos estima que 100.000 morrem todos os anos graças aos ataques do governo. A maioria das ONGs estimam de 200.000 para 500.000, o ultimo é uma estimativa da Coalizão Internacional por Justiça.[9] Aproximadamente 2.5 milhões de pessoas foram deslocadas até Outubro de 2006.[10]

O governo sudanês tem sido acusado de suprimir informações prendendo e matando testemunhas desde 2004, além de destruir evidencias para eliminar seu valor probativo.[11][12][13] O governo sudanês, por obstruir e prender jornalistas, tem sido capaz de esconder os acontecimentos.[14][15][16][17] Enquanto o governo dos Estados Unidos tem descrito o conflito como genocídio[18], as Nações Unidas continuamente não tem mostrado suporte para esta designação[19]. Em março de 2007, uma missão das Nações Unidas acusou o governo do Sudão de orquestrar e tomar parte de "graves violações" em Darfur, e clamou por uma ação internacional urgente para proteger os civis.

Após os conflitos terem cessado em Julho e Agosto, em 31 de Agosto de 2006, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a resolução 1706, que alocou mais 20.600 tropas de paz, chamadas de UNAMID (African Union - United Nations Hybrid Operation in Darfur), para suplantar ou suplementar as 7.000 tropas da União Africana, que sofrem de severos problemas de fundos e falta de equipamentos. O Sudão foi veementemente contra a resolução, e declarou que trataria as forças da Nações Unidas na região como invasores estrangeiros. No dia seguinte, o governo do Sudão lançou uma grande ofensiva na região.

Em 14 de julho de 2008, procuradores da Corte Penal Internacional processaram o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, por dez crimes de guerra, três processos por genocídio, cinco crimes contra a humanidade e dois homicídios. Os procuradores argumentaram que al-Bashir "planejou e implementou um plano para destruir em parte substancial" três grupos tribais de Darfur por conta de sua designação étnica.[20] Em março de 2009, o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra o presidente Omar Hassan al-Bashir, por crimes contra a humaninade e crimes de guerra em Darfur.

[editar] O conflito

Em 2003, dois grupos armados da região de Darfur rebelaram-se contra o governo central sudanês, pro-árabe. O Movimento de Justiça e Igualdade e o Exército de Liberação Sudanesa (SLA, na sigla em inglês) acusaram o governo de oprimir os não-árabes em favor dos árabes do país e de negligenciar a região de Darfur.

Em reação, o governo lançou uma campanha de bombardeios aéreos contra localidades darfurianas em apoio a ataques por terra efetuados por uma milícia árabe, os janjawid. Estes últimos são acusados de cometer grandes violações dos direitos humanos, como assassinatos em massa, saques, destruição de povoados e o estupro sistemático da população não-árabe de Darfur. Os janjawid também praticam o incêndio de vilarejos inteiros, forçando os sobreviventes a fugir para campos de refugiados localizados a Oeste de Darfur e no Chade; muitos dos campos darfurianos encontram-se cercados por forças janjawid. Até meados de 2006, entre 150 000 e 200 000 pessoas haviam sido mortas e pelo menos dois milhões haviam fugido, provocando uma grave crise humanitária na região.

Em setembro de 2004, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a Resolução no. 1564, que estabeleceu uma comissão de inquérito em Darfur para avaliar o conflito. Em janeiro de 2005, a ONU divulgou um relatório afirmando que embora tenha havido assassinatos em massa e estupros, aquela organização internacional não estava em condições de classificá-los como genocídio, devido a "uma aparente falta de intenção genocida" (tradução livre do inglês) e um forte lobby do governo chinês.

Em maio de 2006, o Exército de Liberação Sudanesa, principal grupo rebelde, concordou com uma proposta de acordo de paz com o governo. O acordo, preparado em Abuja, Nigéria, foi assinado com a facção do Movimento liderada por Minni Minnawi. No entanto, o acordo foi rechaçado tanto pelo Movimento Justiça e Igualdade como por uma facção rival do próprio Exército de Liberação Sudanesa, dirigida por Abdul Wahid Mohamed el Nur.

Os principais pontos do acordo eram o desarmamento das milícias janjawid e a incorporação dos efetivos dos grupos rebeldes ao exército sudanês. Apesar do acordo, os combates continuaram.

Muitos dos grupos militares atuando no Sudão passaram a exercer um poder autônomo, sem responder necessariamente aos grupos dos quais se originaram, o que gera uma falácia de poder e milícias que combatem para defender seus próprios interesses mais imediatos, e não políticas mais abrangentes, relativas ao território de Darfur como um todo.

[editar] Fotos

Referências

  1. Eritrea, Chad accused of aiding Sudan rebels
  2. Eritrean president hopes to unite Darfur rebels
  3. Eritrea's mediation in Darfur controversial
  4. Eritrea's Big Footprint in East Africa
  5. "Hundreds Killed in Attacks in Eastern Chad", Washingtonpost.com.
  6. Dr. Eric Reeves
  7. Looking to water to find peace in Darfur. Reuters AlertNet (2007-07-30). Página visitada em 2008-07-16.
  8. "Hundreds Killed in Attacks in Eastern Chad", Associated Press, 2007-04-11.
  9. Lacey, Marc. "Tallying Darfur Terror: Guesswork with a Cause", International Herald Tribune, 2005-05-11. Página visitada em 2008-04-07.
  10. "African Union Force Ineffective, Complain Refugees in Darfur", Washington Post, 2006-10-16.
  11. "The horrors of Darfur's ground zero", The Australian, 2007-05-28.
  12. "Darfur Destroyed – Summary", Human Rights Watch, June 2004.[ligação inativa]
  13. "Darfur Destroyed -Destroying Evidence?", Human Rights Watch, June 2004.[ligação inativa]
  14. "Country Of Origin Report: Sudan" (PDF), Research, Development and Statistics (RDS), Home Office, UK, 2006-10-27.
  15. "Tribune correspondent charged as spy in Sudan", LA Times, 2006-08-26.
  16. "World Press Freedom Review", International Press Institute.
  17. "Police put on a show of force, but are Darfur’s militia killers free to roam?", The Times, 2004-08-12.
  18. "Darfur: A ‘Plan B’ to Stop Genocide?", US Department of State, 2007-04-11.
  19. Report of the International Commission of Inquiry on Darfur to the United Nations Secretary-General (PDF), United Nations, 25 January 2005
  20. Walker, Peter (2008-07-14). Darfur genocide charges for Sudanese president Omar al-Bashir. Guardian. Página visitada em 2008-07-15.

[editar] Ligações externas

Ferramentas pessoais
Criar um livro