Guerra Civil do Burundi

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Guerra Civil do Burundi
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Data 21 de outubro de 1993 - Agosto de 2005]]
Guerrilhas do PALIPEHUTU: 1985-2008
Local Burundi
Desfecho Acordos de paz
Desmobilização das milicias
Eleição de Pierre Nkurunziza
Combatentes
Governo
Flag of Burundi.svg UPRONA
Burundi FDNB
Rebeldes
CNDD (FDD)
(FDD dividida desde 2001)1
  • FDD Ndayikengurukiye
  • FDD Nkurunziza

PALIPEHUTU (FNL)
FROLINA (FAP)2
ULINA (FALINA)3
Milícias menores de hutus e tutsis

Principais líderes
Burundi Sylvie Kinigi
Burundi Pierre Buyoya
Leonard Nyangoma (NCDD)

Cossan Kabura (PALIPEHUTU)

Forças
c. 20.000 soldados (1995)4
40.000 soldados (1998)5
40.000 soldados (2002)6
5.500 policias (2002)6
20.000 policias (2004)7
10.000 paramilitares (2004)7
30.000 soldados (2005)8
13.000 policias (2005)8
FDD:
3.000-10.000 (1998)5
10.000-16.000 (2000)5
15.000 (2001)1
15.0009 -16.000 (2002)6
10.000-12.000 Nkurunziza (2002)1
5.000 Ndayikengurukiye (2002)1
8.100 (2005)8
FNL:
2.000 (1998)5
1.500-3.000 (2001)7
2.000-3.000 (2002)6
200.00010 -340.00011 mortos e 500.000 deslocados.10
Redução das forças armadas a 25.000 efetivos.7
77.900 combatentes desmobilizados entre 2004 e 2008: 41.000 das FDNB, 15.500 dos rebeldes e 21.400 Gardiens de la Paix (políciais) e paramilitares.7

O Guerra Civil do Burundi foi um conflito armado com duração de 1993 a 2005. A guerra civil foi o resultado divisões étnicas de longa data entre os hutus e as tribos tutsis no Burundi. O conflito começou após as primeiras eleições multipartidárias no país desde a independência da Bélgica em 1962 e é formalmente dado como finalizado com a tomada de posse de Pierre Nkurunziza, em agosto de 2005. O número de mortos estimado é de 300.000 mortos.

Em 1962, o país se tornou independente, com uma monarquia que tentava manter um equilíbrio de poder entre Hutus e Tutsis, mas após o ocorrido em Ruanda, os tutsis passaram a monopolizar o poder político e militar, derrubando o rei em 1966 e sucedendo golpes de estado e ditaduras militares entre 1972 e 1973, o governo tutsi comete genocídio contra os hutus, matando de 80 a 210 mil pessoas,12 expulsando mais 85 mil 13 (outros 10.000 tutsis foram mortos na época pelos confrontos).14 Em 1988, rebeldes hutus do PALIPEHUTU massacraram 5000 tutsis no norte e entre 1993 e 1994 outos 25.000 sofreram o mesmo destino,13 grupo rebelde começou seus ataques em 1985.

As primeiras eleições nacionais multipartidárias no Burundi foram realizadas em 27 de junho de 1993. Melchior Ndadaye, da Frente para a Democracia no Burundi (FRODEBU) venceu a eleição presidencial e se tornou o primeiro hutu a ser presidente desse país. Os hutus são o grupo étnico majoritário, com 85% da população, mas o governo tinha estado tradicionalmente nas mãos dos Tutsis e seu partido político, a União Nacional para o Progresso (UPRONA). Ndadaye foi morto em um golpe de Estado que os soldados tutsis deram o 21 de outubro de 1993.

A violência entre grupos étnicos seguiu ao golpe quase imediatamente, enquanto os hutus atacaram os tutsis responsabilizando-os pelo golpe e a morte de Ndadaye, os militares tutsis mataram milhares de hutus, numa tentativa de manter o poder. Durante grande parte do conflito, o Conselho Nacional para a Defesa da Democracia-Forças para a Defesa da Democracia (CNDD-FDD) foi o principal grupo rebelde hutu que operou no país, os rebeldes ganharam o controle de grandes áreas do noroeste do Burundi, conseguindo atacar em julho de 2003 a capital, Bujumbura, sem sucesso. A guerra se espalhou para países vizinhos, especialmente na República Democrática do Congo, que sofria sua própria guerra civil.

Em 2005, os principais grupos rebeldes começaram a desmobilizar e converterem-se em partidos políticos, apesar de alguns setores só aceitarem os acordos de paz em 2008.

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências