Wahhabismo

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O Wahhabismo (árabe: الوهابية) é um movimento religioso de muçulmanos que teve a sua criação na Arábia central em meados do século XVIII e originalmente criado por Muhammad bin Abd al Wahhab.

O ambiente político e cultural da Arábia Saudita contemporânea é influenciado por este movimento desde meados do século XVIII. Tem também forte influência no Koweit e no Qatar.

Índice

[editar] História

De acordo com os resgates religiosos feitos por Muhammad ibn Abd al Wahhab, um muçulmano deve fazer bayah (um juramento de fidelidade) ao governante muçulmano durante sua vida, para assegurar sua redenção depois da morte. E este governante deve jurar fidelidade ao seu povo enquanto o mesmo governar, segundo a shariah (jurisprudência) islâmica. Sendo assim, o objetivo deste movimento era de que o povo e o governante exercessem a shariah, assegurando que o povo conhecesse estas leis divinas.

Muhammad ibn Saud transformou seu reduto, Ad Diriyah, em um centro de estudos religiosos, sob a orientação de Muhammad ibn Abd al Wahhab, enviando após o assentamento deste centro, milhares de fiéis com conhecimento dos princípios fundamentais da religião por toda a península arábica, golfo pérsico, Síria e Mesopotâmia.

Mesmo após o sultão otomano daquela época ter esmagado a autoridade política wahhabbi e ter destruído Ad Diriyah, em 1818, os estudos e as novas práticas permaneceram firmemente plantadas nas províncias do sul de Najd e ao norte de Jabal Shammar[1].

Em 1902, a família de Al Saud chega ao poder de novamente, tornando-se os resgates feitos por Wahhabb a ideologia da península [2].

A mensagem básica de Muhammad ibn Abd al Wahhab foi o resgate dos princípios básicos do monoteísmo, baseados na Chahada (testemunho de fé) e na unicidade essencial de Allah (tawhid)[1], que foi nada mais do que os princípios fundamentais do monoteísmo contidos no Alcorão.

O foco de Muhammad ibn Abd al Wahhab na tawhid foi usada em contrapartida ao shirk (politeísmo)[3], definido como um ato de associar qualquer pessoa ou objeto a poderes que devem ser atribuídos somente a Allah.

Partindo destes princípios, certos festivais religiosos foram proibidos (inclusive a comemoração do aniversário do Profeta Muhammad), velórios xiítas e rituais sufis. No início do século XIX, os wahhabbis destruíram túmulos em cemitério de homens considerados santos por aqueles muçulmanos daquela época, em Medina, onde era um local de oferendas e preces para os supostos homens santos (adorados como divindades).

Seguindo a escola jurídica de Ahmad ibn Hanbal[4]., os wahhabbi só aceitam o Alcorão e da Sunnah do profeta Muhhamad como princípios e ideologia. Eles rejeitam a reinterpretação do Alcorão e da Sunnah, no que diz respeito a questões claramente decididas por algumas escolas. Ao rejeitar a validade da reinterpretação, a doutrina wahhabbi se contrapõe ao movimento muçulmano de reforma dos séculos XIX e XX, mais notadamente nos padrões ocidentais de governo e legislações. O rei Fahd ibn Abd al Aziz Al Saud constantemente tem chamado os renegados (xiitas, sufis, etc) para se reorientarem-se na ijtihad (estudo dos princípios islâmicos, advindos do Alcorão e Sunnah), para tratar das novas situações que desafiam a modernização do reino.

Muhammad ibn Abd al Wahhab dizia que havia três objetivos para o governo islâmico e sua sociedade: "crer em Allah, ordenar o bom comportamento e proibir o ilícito."[5]

Estes princípios foram realçados nos dois séculos seguintes perante a sociedade islâmica. Assim sendo, a opinião pública transformara-se num regulador do comportamento individual.

Com isto, foram criados os "mutawiin", os quais eram incentivadores morais da sociedade, estes, também serviram como missionários e como "ministros da religião", que pregavam nas mesquitas às sexta-feiras.

Além de obrigarem os homens à prática da oração pública, os mutawiin também eram responsáveis pelo fechamento das lojas nos horários das orações, pela busca das infrações da moralidade pública como drogas (incluindo o álcool), música, dança, cabelo longo para os homens ou cabeças descobertas para as mulheres, e pela forma de vestir.

No início do século XX, com o crescimento do movimento wahhabismo, este foi um fator decisivo para Abd al Aziz criar uma união entre as tribos e províncias da península arábica, sob a liderança de Al Saud, [1] que foi a base para a legitimização do estado da Arábia Saudita.

A divulgação e crescimento do Islam em grande parte foi a responsável pelo sucesso do movimento wahhabbi ao inspirar os ideais do movimento "Irmandade Muçulmana"(Ikhwan).

Em 1990, a liderança saudita não mais salientava sua identidade como herdeira do legado wahhabbi e nem os descendentes de Muhammad ibn Abd al Wahhab, continuaram a ocupar os mais elevados postos na burocracia religiosa (vide vida da família Al-Saud[6]). A influência wahhabbi na Arábia Saudita, no entanto, permaneceu materializada nas roupas, no comportamento público e na oração pública, as quais podem ser percebidas até hoje.

[editar] Qatar

A família Al-Thani, que governa o país desde 1878, emergiu graças ao Wahhabismo, tendo também sido ajudada pela presença do Império Otomano. Deu-se a instauração da Charia segundo interpretação wahhabista e o poder foi centralizado[7].

[editar] Referências

  1. 1,0 1,1 1,2 Britannica Wahhabi
  2. A história de Riad [1]
  3. Kitaab At-Tawhee[2]
  4. Hanbali [3]
  5. Wikipedia A história de Wahhab
  6. Wikipedia A história de Ibn Saud
  7. A. NIZAR HAMZEH Qatar: The Duality of the Legal System

[editar] Ver também

Livro: Três Princípios Básicos, escrito por Wahhab


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