Ramadão

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O Ramadão (português europeu) ou Ramadã (português brasileiro), também grafado Ramadan (em árabe رَمَضَان) é o nono mês do calendário islâmico. É o mês durante o qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual (suam, صَوْم), o quarto dos cinco pilares do Islão (arkan al-Islam)[1] .

A palavra Ramadão encontra-se relacionada com a palavra árabe ramida, “ser ardente”, possivelmente pelo facto do Islão ter celebrado este jejum pela primeira vez no período mais quente do ano. É um tempo de renovação da , da prática mais intensa da caridade, e vivência profunda da fraternidade e dos valores da vida familiar. Neste período pede-se ao crente maior proximidade dos valores sagrados, leitura mais assídua do Alcorão, freqüência à mesquita, correção pessoal e autodomínio[1] .

É o único mês mencionado pelo nome, por Deus, no Alcorão:

Cquote1.svg O mês do Ramadão foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e evidência de orientação e discernimento. Cquote2.svg
Alcorão, 2:185[2]

Período[editar | editar código-fonte]

É o nono mês do calendário islâmico. Uma vez que o calendário islâmico é lunar, o Ramadão não é celebrado todos os anos na mesma data, podendo passar por todos os meses e estações do ano, conforme a progressão dos anos, porém sua duração é entre 29 e 30 dias.

O mês inicia-se com a aparição da lua no final do mês de sha'ban (oitavo mês no calendário lunar muçulmano).

Obrigatoriedade[editar | editar código-fonte]

O jejum é obrigatório a todos os muçulmanos que chegam à puberdade. A primeira vez em que um jovem é autorizado a jejuar pelos pais constitui um momento importante na sua vida e uma marca simbólica de entrada na vida adulta[1] , tendo em vista o que diz no Alcorão: "... e aquele dentre vós que presenciou a Lua Nova deste mês (Ramadan), deverá jejuar, e aquele que se encontrar enfermo ou em viagem, jejuará depois o mesmo número de dias...". Alcorão Sagrado (Surat Al-Baqara - C.2, Versículo 185).

Dispensabilidade do jejum[editar | editar código-fonte]

Há várias justificativas válidas para não jejuar: enfermidade, gravidez, lactante, menstruação, o idoso ou uma potencia incurável. Se o jejuante comer, beber, ou tiver relação sexual durante o período do jejum, este será anulado. Caso este venha a quebrar inadequadamente seu jejum é obrigatório ao crente jejuar durante 60 dias seguidos[1] .

Aplicação[editar | editar código-fonte]

O jejum é observado durante todo o mês, da alvorada ao pôr-do-sol, o jejum também aplica-se às relações sexuais. O crente deve não só abster-se dessas práticas como também não pensar nelas e manter-se concentrado em suas orações e recordações de Deus, sendo neste mês a frequência mais assídua à mesquita. Além das cinco orações diárias (salá), durante esse mês sagrado recita-se uma oração especial chamada Taraweeh (oração noturna)[1] .

O jejuador deve abster-se de tudo que vai contra a moral, pois o jejum é visto como uma grande prática de disciplina e da doutrina, tanto espiritual como moral. A ação não se limita somente à abstinência de comer ou beber, mas também de todas as coisas más, maus pensamentos ou maus atos. O jejuador deve ser indulgente se for insultado ou agredido por alguém, deve evitar todas as obscenidades, ser generoso, bem mais do que os outros meses e aumentar a leitura do Alcorão.

Refeições[editar | editar código-fonte]

Su-Hoor[editar | editar código-fonte]

Bem antes da alvorada, durante a madrugada, há uma pequena refeição (su-hoor) que substitui o café da manhã (pequeno-almoço) habitual, feita com alimentos e bebidas, com a intenção de realizar o jejum que estará por vir, porque o Su-Hoor é uma benção enviado por Deus, segundo o Alcorão. [1] .

Iftar no Khan El Kkalili, Cairo, após o pôr-do-Sol

Iftar[editar | editar código-fonte]

Ao término de cada dia, com o início do crepúsculo é obrigação do muçulmano quebrar o jejum imediatamente, mesmo antes da oração, suplicando a Deus Criador, segundo relato de Maomé as seguintes palavras: "Se foi a sede, hidrataram-se as veias, e se alcançou a recompensa, com a permissão de Deus". O iftar (árabe: إفطار) é o momento para reunir os membros da família e os seus amigos numa celebração de fé e de alegria. Após esta refeição, é prática social sair com a família para visitar amigos e familiares e reunirem-se para a prática da oração[1] .

Atualmente, com a ampliação do diálogo inter-religioso, algumas pessoas de outras religiões são convidadas a partilhar este momento de convívio e é cada vez mais frequente que cristãos ofereçam e celebrem um iftar para os seus amigos muçulmanos, bem como muçulmanos ofereçam a cristãos.

Celebrações[editar | editar código-fonte]

Laylat al Kadr[editar | editar código-fonte]

Laylat al Kadr ("noite do decreto") é celebrado na noite do dia 26 para o 27 do Ramadão, data em que se comemora a noite em que Profeta Maomé recebeu a primeira revelação do Alcorão. Muitos muçulmanos passam esta noite a rezar, acreditando que os pedidos feitos durante estas horas serão atendidos por Deus. Considerada a noite mais importante para o Islão.[3]

Eid al Fitr[editar | editar código-fonte]

EId al Fitr (Árabe: عيد الفطر) - ("o banquete do término do jejum"), ocorre quando a lua nova é avistada no céu, isto quer dizer que o mês de Shawwal inicia-se, dando fim ao mês de Ramadan. No primeiro dia do mês deste novo mês, ocorrem feriados de 3 dias consecutivos. Está prescrito a distribuição de alimentos para os pobres, banquetes são servidos, presentes são trocados, roupas novas são vestidas e os agradecimentos a Deus são efetuados, congregando amigos e familiares. Em muitas cidades islâmicas grandes celebrações são realizadas para celebrar o EId al Fitr[4] .[5]

Texto do Alcorão[editar | editar código-fonte]

2 - Al Bacara (A Vaca)[2]

183.Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temais a Deus.
184.Jejuareis determinados dias; porém, quem de vós não cumprir jejum, por achar-se enfermo ou em viagem, jejuará, depois, o mesmo número de dias. Mas quem, só à custa de muito sacrifício, consegue cumpri-lo, vier a quebrá-lo, redimir-se-á, alimentando um necessitado; porém, quem se empenhar em fazer além do que for obrigatório, será melhor. Mas, se jejuardes, será preferível para vós, se quereis sabê-lo.
185.O mês do Ramadão foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e vidência de orientação e Discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar o novilúnio deste mês deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará, depois, o mesmo número de dias. Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade, mas cumpri o número (de dias), e glorificai a Deus por ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g O Jejum no Mês do Ramadan
  2. a b Alcorão
  3. Bem Vindos ao Mês Sagrado de Ramadan
  4. Encyclopedia of Islam and the Muslim World. Edited by Martin, Richard C. Macmillan Reference, 2004. vol. 1
  5. Zakaah al-Fitr

Ligação externa[editar | editar código-fonte]