Jejum

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Jejum é uma palavra usada de formas variadas quando alguém opta por diminuir sua dieta alimentícia o mais próximo do zero, idealmente atingindo o zero, por um período de tempo, geralmente pré-determinado. Existem diversos motivos que levam uma pessoa a fazer jejum, como a greve de fome política, jogos de desafio, vaidade para com o corpo. Os principais motivos, contudo, são religiosos ou medicinais.

Motivo médico[editar | editar código-fonte]

As cirurgias eletivas requerem um mínimo de 8 horas de jejum pré-operatório absoluto, idealmente 12 horas. A importância deste jejum é que durante o ato anestésico o paciente pode vomitar, indo o conteúdo do vômito diretamente para os brônquios, obstruindo a passagem do ar e ocasionando a morte. Além disso, cirurgias realizadas sobre o aparelho digestivo são dificultadas pela presença de alimentos.

Em cirurgias de urgência, como quando o paciente é baleado após um jantar, a técnica anestésica requer vários artifícios para evitar que o paciente aspire o conteúdo gástrico. Durante a cirurgia podem ser retirados diversos tipos de alimentos da cavidade abdominal.

O jejum pode ser necessário também após as cirurgias, por um tempo variável. Nestes casos pode ser necessária a nutrição enteral ou nutrição parenteral para suprir as necessidades do doente.

Motivos Religiosos[editar | editar código-fonte]

Cada religião tem um modo diferente de abordar a prática do jejum.

Católicos[editar | editar código-fonte]

A Igreja Católica distingue entre jejum e abstinência. O jejum é a abstinência total ou parcial de comida e bebida (com excepção da água) enquanto que a abstinência é abster-se de alguma coisa que seja mais pesada ou mais cobiçada.

Durante toda a Quaresma é proposta aos Católicos o jejum, a oração e/ou a abstinência a fim de que estes possam experienciar os quarenta dias que Jesus jejuou no deserto. Durante esse período é proposto que se abstenham de comer ou fazer algo e que o dinheiro que sobre dessa abstinência seja entregue a boas causas. Nas Sextas-feiras da Quaresma pode ser proposta, por exemplo, a abstinência de carne, por esta ser um alimento mais pesado e tradicionalmente mais caro.

Na Sexta-Feira Santa e na Quarta-Feira de Cinzas são os dias em que a Igreja estimula o jejum.

O jejum não é proposto a pessoas em condições especiais de vulnerabilidade: crianças, enfermos, viajantes, pessoas idosas ou muito fracas, e mulheres grávidas.

Os Pastorinhos de Fátima faziam frequentemente jejum pela expiação dos pecados do mundo.

Evangélicos[editar | editar código-fonte]

Os Evangélicos não tem datas específicas para jejuar. Jejum é baseado no sentido bíblico literal, que é uma forma de 'matar a carne'. Quando você 'mata a carne', você está fortalecendo o seu espírito, vencendo motivações egoístas e assim, estar mais sensível a presença de Deus. O jejum pode ser a abstinência não só de alimentos e líquidos, mas de qualquer coisa ou hábito que tenha se tornado 'indispensável', como forma de entrega e dependência real de Deus. O jejum eficaz é acompanhado de leitura bíblica e oração. Ele também varia de acordo com a idade, condição de saúde, necessidade de esforço entre outros. O modo de se jejuar no meio evangélico é acompanhado de oração e leitura/meditação na Bíblia. Jejuando, a pessoa fica mais forte espiritualmente e mais resistente ao inimigo e às tentações carnais. É comum que não demonstre para outras pessoas seu jejum, pois isto se trata de um ato particular entre o homem e Deus. O jejum tem a finalidade de deixar o ser humano mais íntimo de Deus. Isaías cap. 58, Mateus cap. 6:16-18.

Muçulmanos[editar | editar código-fonte]

O jejum é observado durante todo o mês do Ramadão, da alvorada ao pôr-do-sol, eles não comem e não bebem nada, nem mesmo água, o jejum também aplica-se às relações sexuais. O crente deve não só abster-se dessas práticas como também não pensar nelas e manter-se concentrado em suas orações e recordações de Deus, sendo neste mês a freqüência mais assídua à mesquita. Além das cinco orações diárias (salá), durante esse mês sagrado recita-se uma oração especial chamada Taraweeh (oração noturna).

O jejuador deve abster-se de tudo que vai contra a moral, pois o jejum é visto como uma grande prática de disciplina e da doutrina, tanto espiritual como moral. A ação não se limita somente à abstinência de comer ou beber, mas também de todas as coisas más, maus pensamentos ou maus atos. O jejuador deve ser indulgente se for insultado ou agredido por alguém, deve evitar todas as obscenidades, ser generoso, bem mais do que os outros meses e aumentar a leitura do Alcorão.

Gandhi[editar | editar código-fonte]

Mahatma Gandhi teria feito jejum dezessete vezes, sempre em solidariedade às pessoas que passavam fome ou para protestar contra a violência, lutando para libertar seu povo de forma não-violenta.

Judeus[editar | editar código-fonte]

Os judeus fazem jejum no Dia do Perdão (Yom Kippur). Do pôr-do-sol de um dia ao pôr-do-sol do outro dia, eles não comem e não bebem nada, nem mesmo água.

Budismo (Buddha Dharma)[editar | editar código-fonte]

Os Budistas vêem o ato do jejum como uma reflexão quando aos necessidade de consumir. Normalmente possuem uma forma de se alimentar com respeito ao seu alimento, com consciência do que foi morto e quem trabalhou para que a comida chegasse até você (por tal, normalmente mantem o hábito de agradecer em oração há todos estes), além de comerem o mínimo necessário para sua sobrevivência em respeito ao seu alimento (normalmente apenas uma porção igual ao seu punho fechado por dia). Por tal, o jejum muitas vezes é um ato de sacrifício pessoal em respeito ao seu alimento e uma forma de refletir a importância dos seus alimento e seus vícios.

Santos dos Últimos Dias[editar | editar código-fonte]

Os santos dos últimos dias (também conhecidos como mórmons) são encorajados a praticar o jejum completo (abstinência total de alimentos e líquidos) durante um período que inclua duas refeições (aproximadamente 24 horas), em todo primeiro sábado/domingo* de cada mês. (*Iniciando no almoço ou jantar do sábado e concluindo na mesma refeição no domingo.) O jejum também pode ser praticado durante outros dias do mês, conforme a vontade do praticante, sendo a prática do mesmo no primeiro domingo reforçada por uma reunião especial, onde os santos dos últimos dias têm a liberdade de relatarem suas experiências pessoais e prestarem testemunho de suas crenças. Durante o jejum, os praticantes mórmons se dedicam mais especificamente à leitura e estudo das escrituras e à oração. A quantia que seria gasta no preparo dessas duas refeições é doada para um fundo específico da Igreja, que o utiliza para tratar dos necessitados. Os santos dos últimos dias consideram o jejum como um meio de desenvolver auto-controle, buscar bênçãos divinas e refinar o espírito.

Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia[editar | editar código-fonte]

Os membros da Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia (também conhecidos como crente-espiritual) praticam o jejum completo (abstinência total de alimentos e líquidos) durante períodos determinados, normalmente aos sábados, iniciando ao amanhecer, e concluindo ao meio dia, ou ainda às 18:00 horas), em todos os momentos que necessite fazer uma oferta per si, ou ainda em benefício de um irmão, parente, ou amigo. Durante o jejum, os praticantes se dedicam mais especificamente à leitura e estudo das escrituras, à oração, e ao cultivo de cânticos (hinos).Os crentes da doutrina consideram o jejum como um meio de buscar bênçãos divinas, do desenvolvimento de dons, de encontrar entendimento espiritual, e refinar o espírito.

Fé Bahá'í[editar | editar código-fonte]

O Jejum Bahá'í, consiste em que no último mês do Calendário bahá'í, que compreende o período de 2 a 21 de março, os bahá'ís abstêem-se de alimentos e bebidas do nascer ao pôr-do-sol.O jejum não é obrigatório para crianças, enfermos, viajantes, pessoas idosas ou muito fracas, gestantes ou os que possuem trabalhos pesados. Embora essa abstinência seja realizada fisicamente, a ideia dessa prática é de origem espiritual, representa a purificação do corpo através do desprendimento a desejos mundanos ou egoístas.

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