Cabo Verde

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Cabo Verde
República de Cabo Verde
Bandeira de Cabo Verde
Brasão de Cabo Verde
Bandeira Brasão de Armas
Lema: Unidade, Trabalho, Progresso
Hino nacional: Cântico da Liberdade
Gentílico: cabo-verdiano[1]

Localização de Cabo Verde

Capital Praia
14° 55' N 23° 31' O
Cidade mais populosa Praia
Língua oficial português (oficial) e crioulo cabo-verdiano (não oficial)
Governo República semipresidencialista
 - Presidente Jorge Carlos Fonseca
 - Primeiro-ministro José Maria Neves
História  
 - Descoberta 1460 
 - Independência
00• de Portugal

5 de Julho de 1975 
 - Multipartidarismo 13 de Janeiro de 1990 
Área  
 - Total 4 033 km² (146.º)
 - Água (%) desprezível
População  
 - Estimativa de 2013 531 046[2] hab. (167.º)
 - Censo de 2000 436 821 hab. 
 - Urbana 303 512 hab. (91.º)
 - Densidade 118 hab./km² (65.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2013
 - Total US$ 2,109 mil milhões*[3]  (174.º)
 - Per capita US$ 3,946.171[3]  (126.º)
IDH (2012) 0,586 (132.º) – médio[4]
Moeda Escudo cabo-verdiano (indexado ao euro)[5] (CVE)
Fuso horário horário de Cabo Verde - CVT (UTC-1)
 - Verão (DST) Não tem
Clima Árido
Org. internacionais ONU, OMC, CPLP, UA, CEDEAO,
Cód. ISO CPV
Cód. Internet .cv
Cód. telef. +238
Website governamental http://www.governo.cv/

Mapa de Cabo Verde

Cabo Verde, oficialmente República de Cabo Verde, é um país insular africano e um arquipélago de origem vulcânica constituído por dez ilhas. Está localizado no Oceano Atlântico, 640 km a oeste de Dacar, no Senegal. Outros vizinhos são a Mauritânia, a Gâmbia e a Guiné-Bissau, todos na faixa costeira ocidental da África que vai do Cabo Branco às ilhas Bijagós. Curiosamente, o Cabo Verde que dá nome ao país não se situa nele, mas a centenas de quilómetros a leste, perto de Dacar, no Senegal.

Foi descoberto em 1460 por Diogo Gomes ao serviço da coroa portuguesa, que encontrou as ilhas desabitadas e aparentemente sem indícios de anterior presença humana. Foi colónia de Portugal desde o século XV até sua independência em 1975.

História[editar | editar código-fonte]

Igreja Nossa Senhora do Rosário, construída em 1495, a mais antiga igreja colonial do mundo, na Cidade Velha, na Ilha de Santiago

A história refere que a descoberta de Cabo Verde se deu no século XV, mais precisamente em 1460. A colonização portuguesa começou logo após a sua descoberta, sendo as primeiras ilhas a serem povoadas as de Santiago e Fogo. Para incentivar a colonização, a corte portuguesa estabeleceu uma carta de privilégio aos moradores de Santiago relativa ao comércio de escravos na Costa da Guiné. Em Ribeira Grande, na ilha de Santiago, estabeleceu-se a primeira feitoria, que serviu ponto de escala para os navios portugueses e para o tráfego e comércio de escravos, que começava a crescer por essa época. Mais tarde, com a abolição da escravatura, o país começou a dar sinais de fragilidade e entrou em decadência, revelando uma economia pobre e de subsistência.

No século XX, a partir da década de 50, começam a surgir os movimentos independentistas no continente africano. Cabo Verde vinculou-se à luta pela libertação da Guiné-Bissau.[6]

A posição estratégica das ilhas nas rotas que ligavam Portugal ao Brasil e ao resto da África contribuíram para o facto de essas serem utilizadas como entreposto comercial e de aprovisionamento. Abolido o tráfico de escravos em 1876, o interesse comercial do arquipélago para a metrópole portuguesa decresceu, só voltando a ter importância a partir da segunda metade do século XX. No entanto, a partir de então, já haviam sido criadas as condições para o Cabo Verde independente de hoje: europeus e africanos uniram-se numa simbiose, criando um povo de características próprias.

O processo de independência[editar | editar código-fonte]

As origens históricas nacionais da independência de Cabo Verde podem ser localizadas no final do século XIX e no início do século XX. Foi um processo gradual. Surgiu como uma tentativa de solução para as reivindicações da elite crioula de então, que protestava contra o desleixo e a negligência da metrópole portuguesa em relação ao que se passava em Cabo Verde.

Com o processo de formação nacional, muito cedo a máquina administrativa foi sendo assegurada pelos nascidos em Cabo Verde, ou pelos que já tinham grande identificação com a colónia, com excepção aos cargos elevados como governadores, chefes militares etc., ainda reservados aos representantes da soberania de Portugal. Esta "auto-suficiência" administrativa de Cabo Verde estava associada a uma escolarização relativamente desenvolvida e à existência de uma imprensa mais ou menos dinâmica introduzida por Portugal, que contribuíram para o surgimento de uma elite intelectual e burocrática. Esta começou, no século XX, a discutir cada vez mais a questão da independência, gerando um clima de atrito com os representantes da metrópole. Os leitores que acompanhavam a imprensa oficial entendiam que se devia lutar pela independência ou, pelo menos, por uma autonomia honrosa.

Na metrópole portuguesa, os habitantes de Cabo Verde eram, muitas vezes, considerados como mandriões, desleixados, indolentes, bêbados etc. Numa reacção a isso, Eugénio Tavares escreveu, em 1912: "O indígena de Cabo Verde é activo e trabalhador". Esta atitude manteve-se até a independência de Cabo Verde.

Em 1956, Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Luís Cabral, entre outros jovens patriotas das hoje Guiné-Bissau e Cabo Verde, fundaram o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, que surgiu no contexto do movimento libertador africano, que ganhou força depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Esses patriotas formaram uma unidade popular para lutar contra o que chamavam de "deplorável política ultramarina portuguesa, afirmando que as vítimas dessa política desejavam ver-se livres do domínio português".

A 19 de Dezembro de 1974, foi assinado um acordo entre o "Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde" e Portugal, instaurando-se um governo de transição em Cabo Verde, governo esse que preparou as eleições para uma Assembleia Nacional Popular. A 5 de Julho de 1975, proclamou-se a independência do país, considerado na altura por muitos como um país inviável, devido às suas próprias fragilidades, havendo vozes políticas em Portugal, como é o caso de Mário Soares, que eram contra a independência do arquipélago, afirmando que Cabo Verde deveria usufruir de autonomia administrativa tal como os outros arquipélagos portugueses (Açores e Madeira). Em 1991, o país conheceu uma viragem na vida política nacional, tendo realizado as primeiras eleições multipartidárias e instituindo uma democracia parlamentar.[7]

Política[editar | editar código-fonte]

Amílcar Cabral, num selo da Alemanha Oriental

Cabo Verde é uma república democrática representativa semipresidencialista, com regime multipartidário. O governo é baseado na constituição de 1980, que instituiu o regime de partido único, revista em 1990 para introduzir o multipartidarismo e em 1992 para ajustá-la na totalidade com os valores da democracia multipartidária. As eleições são presidenciais (para eleger o Presidente da República) e legislativas (para eleger os deputados nacionais), que são eleitos para mandatos de cinco anos. O presidente do partido com maioria na Assembleia Nacional (Parlamento) é empossado como primeiro-ministro. Em 2011, foram realizadas duas eleições: as legislativas, a 6 de Fevereiro, que deram a vitória ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde com maioria absoluta; e as presidenciais, em 7 de Agosto (primeira volta) e 21 de Agosto (segunda volta), que deram a vitória a Jorge Carlos Fonseca (apoiado pelo Movimento para a Democracia) sobre o candidato Manuel Inocêncio de Sousa (apoiado pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde), tornando a primeira vez na história do país em que o presidente da república e o governo são apoiados por partidos diferentes.

O Presidente da República, a Assembleia Nacional e o Conselho Superior da Magistratura Judiciária (esses também eleitos pela Assembleia Nacional) participam na eleição dos membros do Supremo Tribunal da Justiça.

Divisão administrativa[editar | editar código-fonte]

Paços do Concelho na Cidade da Praia.
Vista da cidade de Mindelo na baía do Porto Grande, com o Monte Cara (à esquerda) e Santo Antão (ao fundo, à direita)

A capital de Cabo Verde é a cidade da Praia na Ilha de Santiago que, juntamente com o Mindelo, na Ilha de São Vicente, são as duas cidades principais do País. Até 2005, Cabo Verde contava com dezessete concelhos. No primeiro semestre de 2005, foi aprovada pela Assembleia Nacional cabo-verdiana a constituição de cinco novos concelhos, resultando nos actuais 22 concelhos, distribuídos pelas 9 ilhas habitadas do arquipélago:

Ilha da Boa Vista
Ilha Brava
Ilha do Maio
Ilha do Sal
Ilha de São Nicolau
Ilha do Fogo
Ilha de Santo Antão
Ilha de Santiago
Ilha de São Vicente

Geografia[editar | editar código-fonte]

Vista de satélite do Arquipélago de Cabo Verde
Pico do Fogo, o ponto mais elevado do arquipélago, com 2 829 metros, na Ilha do Fogo
Vista da Ribeira de São Domingos,a partir de Água de Gato, na Ilha de Santiago
Deserto Viana, na Ilha da Boa Vista
Praia Grande, Calhau São Vicente
A actividade piscatória é uma das principais da economia cabo-verdiana

Cabo Verde é um arquipélago localizado ao largo da costa da África Ocidental. As ilhas vulcânicas que o compõem são pequenas e montanhosas. Existe um vulcão activo, na ilha do Fogo, que é igualmente o ponto mais elevado do arquipélago, com 2829 m. O país é constituído por 10 ilhas, das quais 9 habitadas, e vários ilhéus desabitados, divididos em dois grupos:

  • Ao norte, as ilhas de Barlavento. Relacionando de oeste para leste: Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia (desabitada), São Nicolau, Sal e Boa Vista. Pertencem ainda ao grupo de Barlavento os ilhéus desabitados de Branco e Raso, situados entre Santa Luzia e São Nicolau, o ilhéu dos Pássaros, em frente à cidade de Mindelo, na ilha de São Vicente e os ilhéus Rabo de Junco, na costa da ilha do Sal e os ilhéus de Sal Rei e do Baluarte, na costa da ilha de Boa Vista;
  • Ao sul, as ilhas de Sotavento. Enumerando de leste para oeste: Maio, Santiago, Fogo e Brava. O ilhéu de Santa Maria, em frente à cidade de Praia, na Ilha de Santiago; os ilhéus Grande, Rombo, Baixo, de Cima, do Rei, Luís Carneiro e o ilhéu Sapado, situados a cerca de 8 km da ilha Brava e o ilhéu da Areia, junto à costa dessa mesma ilha.

As maiores ilhas são a de Santiago a sudeste, onde se situa Praia, a capital do país, e a ilha de Santo Antão, no extremo noroeste. Praia é também o principal aglomerado populacional do arquipélago, seguida por Mindelo, na ilha de São Vicente.

Pontos extremos[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

O arquipélago de Cabo Verde está localizado na zona subsaheliana, com um clima árido ou semiárido. O oceano e os ventos alíseos moderam a temperatura. A média anual raramente é superior a 25 °C e não desce abaixo dos 20 °C. A temperatura da água do mar varia entre 21 °C em Fevereiro e 25 °C em Setembro.

As estações do ano são fundamentalmente duas: "as-águas" e "as-secas" ou "tempo das brisas".

A estação chuvosa, de Agosto a Outubro, é muito irregular e geralmente com fraca pluviosidade, em especial nas ilhas de São Vicente e Sal, onde tem havido vários anos seguidos sem chuva. As ilhas mais acidentadas, como Santo Antão, Santiago e Fogo, beneficiam de maior pluviosidade.

A estação mais seca, de Dezembro a Julho, é caracterizada por ventos constantes. A chamada "bruma seca", trazida pelo vento harmatão das areias do Saara, chega a provocar a interrupção dos serviços nos aeroportos.

Condições meteorológicas anuais
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Temperatura (°C) 24 24 25 25 25 26 27 29 29 29 27 25
Precipitação mm 5,3 3,8 1,3 0,0 0,0 0,0 0,8 14,1 33,6 6,5 2,5 1,6

Economia[editar | editar código-fonte]

Cabo verde é um estado arquipélago com uma economia subdesenvolvida e que sofre com uma carência de alternativa de recursos e com o crescimento populacional. Os principais meios económicos são a agricultura, a riqueza marinha do arquipélago, a prestação de serviços (que corresponde a 80 por cento do produto interno bruto) e, mais recentemente, o turismo (que tem ganhado crescente relevância).[8] As principais ilhas turísticas são a Ilha do Sal e a Ilha da Boa Vista.

A agricultura sofre com os constantes períodos de seca e carece de uma melhor infra-estrutura e modernização das técnicas agrícolas; os investimentos que atenderiam a essa necessidade adviriam de uma melhor educação dos cultivadores e da organização de um mercado de consumo dos produtos.[9] Os produtos desta agricultura de sequeiro, com base na associação tradicional do milho e dos feijoeiros anuais, destinam-se basicamente ao mercado interno cabo-verdiano (embora não satisfaçam a procura, sendo indispensável uma importação maciça de alimentos). Também têm se introduzido novas culturas de produtos e plantas como legumes, frutas e hortaliças para a distribuição interna do mercado. Os principais produtos exportados são o café, a banana e a cana-de-açúcar, que possuem mercados restritos e limitados.

No setor de pescas, vem sendo implantado uma modernização dos meios artesanais e métodos tradicionais para um melhor aproveitamento desses recursos. Isso vendo sendo feito através do apoio de organismos especializados, porém a rentabilidade da pesca exige uma industrialização do pescado e a organização dos mercados para que seja escoada a produção.

Nos dias atuais, o turismo tem se tornado uma importante fonte económica para o país, o que dificulta é a questão estrutural. Cabo Verde necessita de um desenvolvimento das estradas, portos e aeroportos, de meios de comunicação rápidos e frequentes, além da criação de uma forte rede hoteleira que atenda à necessidade dos turistas.

Portugal tem fortemente cooperado e ajudado Cabo Verde a nível económico e social, o que resultou na indexação de sua moeda, o escudo cabo-verdiano, ao euro, e no crescimento de sua economia interna. O ex-primeiro-ministro de Portugal e presidente da Comissão Europeia no segundo semestre de 2004, José Durão Barroso, prometeu integrar Cabo Verde à área de influência da União Europeia, através de maior cooperação com Portugal.

A economia cabo-verdiana desenvolveu-se significativamente desde o final da década de 2000. Nos dias atuais, esta transformação é sustentada por um vasto programa de infraestrutura por parte do governo em domínios vitais como os transportes terrestres, os transportes marítimos, os transportes aéreos, as comunicações, entre outros.[10]

O país tem muitos emigrantes espalhados pelo mundo (com especial foco para Estados Unidos e Portugal) que contribuem com remessas financeiras significativas para o seu país de origem.[11]

Demografia e estrutura social[editar | editar código-fonte]

Os cabo-verdianos são descendentes de antigos escravos africanos e dos seus senhores portugueses. Grande parte dos cabo-verdianos emigra para o estrangeiro, principalmente para os Estados Unidos, Portugal e Brasil, de modo que há mais cabo-verdianos a residir no estrangeiro que no próprio país.

É marcadamente jovem na sua estrutura etária, com quarenta por cento dos efectivos entre os 0 e 14 anos (estimativa 2005) e apenas 6 por cento acima dos 65 anos. A média de idades da população cabo-verdiana ronda os 24 anos.

A esperança média de vida, que, em 1975, rondava os 63 anos, atingiu, em 2003, os 71 anos (67 para homens; 75 para as mulheres). A taxa de mortalidade infantil, que, em 1975, rondava os 110 por milhar, representava, em 2004, um valor de 20 por milhar (44 por milhar em 1990; 26 por milhar em 2000), um valor inferior às taxas de outros países de categoria de rendimento semelhante.

A taxa de crescimento da população, dependente dos fluxos migratórios, situou-se, no decénio 1990-2000 (data do último censo populacional), em cerca de 2,4 por cento, valor que se manteve constante até 2005. De aí em diante, prevê-se que a mesma estabilize em torno do 1,9 por cento. Os agregados familiares, em 2006, eram constituídos, em média, por 4,9 membros (5 no meio rural e 4,5 no meio urbano).

Vila Nova Sintra, na Ilha Brava
Vista parcial da baía do Porto Grande, na ilha de São Vicente

Emigração cabo-verdiana[editar | editar código-fonte]

Os principais destinos da emigração cabo-verdiana são:

Estrutura social[editar | editar código-fonte]

Ao contrário dos países do continente africano, não há etnias em Cabo Verde. Em contrapartida, a trajectória histórica do país incluiu, desde o início, um processo de formação de classes sociais. Neste momento, pode constatar a ausência de uma "burguesia", mas a existência de vários tipos de "pequena burguesia", numericamente significativos. A grande maioria da população é, no entanto, constituído pelo campesinato e algum operariado.[12]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Cena de rua em Porto Novo, Ilha de Santo Antão.

Em todos os seus aspectos, a cultura de Cabo Verde caracteriza-se por uma miscigenação de elementos europeus e africanos. Não se trata de um somatório de duas culturas, convivendo lado a lado, mas sim, um terceiro produto, totalmente novo, resultante de um intercâmbio que começou há quinhentos anos.

O caso cabo-verdiano pode ser situado no contexto comum das nações africanas, no qual as elites, que questionaram a superioridade racial e cultural europeia e que, em alguns casos, empreenderam uma longa luta armada contra o imperialismo europeu e pela libertação nacional, utilizam hoje o domínio dos códigos ocidentais como principal instrumento de dominação interna.[13]

Língua[editar | editar código-fonte]

A língua oficial é o português, usada nas escolas, na administração pública, na imprensa e nas publicações. A língua nacional de Cabo Verde, a língua do povo, é o crioulo cabo-verdiano (o criol ou kriolu). Cabo Verde é formado por dez ilhas e cada uma tem um crioulo diferente. O crioulo está oficialmente em processo de normatização (criação duma norma) e discute-se a sua adopção como segunda língua oficial, ao lado do português.

Religião[editar | editar código-fonte]

Os cabo-verdianos são, na sua maioria, católicos (mais de 90 por cento). Outras denominações cristãs também estão implantadas em Cabo Verde, com destaque para os protestantes da Igreja do Nazareno e da Igreja Adventista do Sétimo Dia, assim como a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons), a Congregação Cristã em Cabo Verde, Assembleia de Deus, Testemunhas de Jeová e outros grupos pentecostais e adventista. Há pequenas minorias muçulmanas e da Fé Bahá'í. A Igreja Universal do Reino de Deus também tem seguidores em Cabo Verde. A liberdade de religião é garantida pela Constituição e respeitada pelo governo. Há boas relações entre as diversas confissões religiosas.

Música[editar | editar código-fonte]

Batucadeiras.

O povo cabo-verdiano é conhecido por sua musicalidade, bem expressa por manifestações populares como o Carnaval de Mindelo, cuja importância faz com que a cidade seja conhecida nos dias dos festejos momescos como "Brazilim" (ou "pequeno Brasil"). Na música, há diversos géneros musicais próprios, dos quais se destacam a morna, a kizomba, o funaná, a coladeira e o batuque. Cesária Évora foi a cantora cabo-verdiana mais conhecida no mundo, conhecida como a "diva dos pés descalços", pois gostava de se apresentar no palco assim. O sucesso internacional de Cesária Évora fez com que outros artistas cabo-verdianos, ou descendentes de cabo-verdianos nascidos em Portugal, ganhassem maior espaço no mercado musical.[carece de fontes?] Exemplos disso são as cantoras Sara Tavares e Lura.

Outro grande expoente da música tradicional de Cabo Verde foi Antonio Vicente Lopes, mais conhecido como Travadinha.


Feriados
Data Nome em português Observações
1 de Janeiro Ano Novo  
13 de Janeiro Dia da Democracia  
20 de Janeiro Dia dos Heróis Nacionais Aniversário da morte de Amílcar Cabral
variável Terça-feira de Carnaval Festa móvel
variável Quarta-feira de Cinzas Festa móvel
variável Sexta-feira Santa, Paixão de Cristo Festa móvel
1 de Maio Dia do Trabalhador  
19 de Maio Dia do Município da Praia Feriado somente na capital, Praia
1 de Junho Dia Internacional da Criança Antigo feriado, restabelecido em 2005
5 de Julho Dia da Independência  
15 de Agosto Dia da Padroeira Nacional (N.ª Sr.ª das Graças) Dia do Município dos Mosteiros
1 de Novembro Dia de Todos os Santos  
25 de Dezembro Natal  

Referências

  1. O Portal da Língua Portuguesa - Dicionário de Gentílicos e Topónimos e o Dicionário Houaiss registam também a forma 'cabo-verdense' como variante.
  2. [1]
  3. a b Cabo Verde. Fundo Monetário Internacional. Página visitada em 6 de Março de 2014.
  4. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 – Ascensão do Sul: progresso humano num mundo diversificado (14 de Março de 2013). Página visitada em 15 de Março de 2013.
  5. Decisão 98/744/CE do Conselho, de 21 de Dezembro de 1998, relativa aos aspectos cambiais relacionados com o escudo cabo-verdiano
  6. [2]
  7. LOPES, José Vicente. Cabo Verde, as Causas da Independência. Praia, 2005.
  8. Veja Brígida Rocha Brito e outros, Turismo em Meio Insular Africano: Potencialidades, constrangimentos e impactos, Lisboa: Gerpress, 2010
  9. Ver Carlos Teixeira Couto, Incerteza, adaptabilidade e inovação na sociedade rural da Ilha de Santiago de Cabo Verde, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010.
  10. Víctor Reis, Desenvolvimento em Cabo Verde: As opções estratégicas e o investimento directo estrangeiro, Lisboa:MIMO, 2011
  11. História concisa de Cabo Verde / coordenado e organizado por Maria Emília Madeira Santos, Maria Manuel Ferraz Torrão e Maria João Soares. Lisboa: Instituto de Investigação Científica Tropical, Praia (Cabo Verde): Instituto da Investigação e do Património Culturais, 2007. Pg.21-30
  12. Michel Lesourd, Etat et société aux îles du Cap Vert, Paris: Karthala, 1995
  13. APPIAH, Kwame Anthony (1997). Na casa de meu pai. Rio de Janeiro, Contraponto.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o
Portal de Cabo Verde
Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikcionário Definições no Wikcionário
Wikiquote Citações no Wikiquote
Commons Imagens e media no Commons
Wikinotícias Notícias no Wikinotícias

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikivoyage
O Wikivoyage possui o guia Cabo Verde
Bandeira de Cabo Verde Cabo Verde
Bandeira • Brasão • Hino • Cultura • Demografia • Economia • Geografia • História • Portal • Política • Subdivisões • Imagens