Demografia de Cabo Verde

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Duas crianças cabo-verdianas jogando carambola.

Os cabo-verdianos são descendentes de antigos escravos africanos e de brancos vindos principalmente de Portugal, sendo a população cabo-verdiana maioritariamente mestiça. A emigração faz parte da realidade do arquipélago, mais de metade da população cabo-verdiana vive fora do país.

Segundo estimativas de investigadores do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), 57% dos genes dos cabo-verdianos são de origem africana e 43% têm origem europeia, o que faz do arquipélago uma das populações que representam mais miscigenação na Terra.[1]

Dados demográficos[editar | editar código-fonte]

A população residente, resultante de uma mestiçagem entre colonos europeus e escravos africanos que se fundiram num só povo, o crioulo, representa, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde, cerca de 480.000 habitantes em 2006 numa proporção de 48% homens / 52% mulheres. Concentrando-se essencialmente nos meios urbanos (55% da população), Santiago é a ilha mais populosa, com mais de 50% dos habitantes, seguindo-se São Vicente (15%) e Santo Antão (11%). Esta população está instalada numa área de 4.033 km², o que resulta numa densidade populacional média de 119 Hab./km².

Pirâmide etária (ano de 2005);
números em milhares.

Marcadamente jovem na sua estrutura etária, com 40% dos efectivos entre os 0-14 anos (estimativa 2005) e apenas 6% acima dos 65 anos, a média de idades da população cabo-verdiana ronda os 24 anos.

A esperança média de vida, que em 1975 rondava os 63 anos, atinge, em 2003, os 71 anos (67 para homens; 75 para as mulheres). A taxa de mortalidade infantil, que em 1975 rondava os 1100/00 nascimentos vivos, representava, em 2004, um valor de 200/00 (440/00 em 1990; 260/00 em 2000), valor inferior às taxas de outros países de categoria de rendimento semelhante.

A taxa de crescimento da população, dependente dos fluxos migratórios, situou-se, no decénio 1990–2000 (data do último censo populacional), em cerca de 2,4%, valor que se manteve constante até 2005. De aí em diante prevê-se que a mesma estabilize em torno dos 1,9%. Os agregados familiares, em 2006, eram constituídos, em média, por 4,9 membros (5 no meio rural e 4,5 no meio urbano).

Evolução da População (est.)
Evolução demográfica de Cabo Verde,
dados da FAO (ano de 2005);
número de habitantes em milhares.
Barlavento: 2000 2005 2010
Boa Vista 4.209 5.398 6.800
Sal 14.816 17.631 35.000
S.to Antão 47.170 47.484 47.602
S. Nicolau 13.661 13.310 12.816
S. Vicente 67.163 74.136 82.127
Sotavento:      
Brava 6.804 6.462 6.016
Fogo 37.421 37.861 38.187
Maio 6.754 7.506 8.370
Santiago 236.627 266.161 300.262

Emigração[editar | editar código-fonte]

Devido à escassez de recursos naturais e à pobreza económica da terra cabo-verdiana (solos pobres, seca...) desde cedo a emigração se converteu na única saída para o povo destas ilhas, de tal forma que a população cabo-verdiana emigrada de 1.ª geração deverá rondar os 500.000, número equivalente à população residente. Considerando os indivíduos nascidos nos destinos de emigração poderemos contar com um número próximo dos 800.000 indivíduos.

O fenómeno migratório caboverdeano envolve um número significativo de núcleos espalhados por 3 continentes: África, Europa e América do Norte. Se do ponto de vista absoluto o conjunto das populações de origem caboverdeana no exterior é relativamente reduzido, quando comparado com outras grandes diásporas mundiais, a sua dimensão relativa (superior à população residente no próprio país) e o seu grau de dispersão tornam-na um caso interessante.

Contudo, também no âmbito das estratégias de consolidação política e económica do império colonial português os caboverdeanos assumiram um papel relevante. Na Guiné foram utilizados como mão-de-obra criando condições para a posterior instalação de colonos. Em São Tomé e Príncipe (e Angola nos anos 40-50) constituíram parte significativa da mão-de-obra que desde o terceiro quartel do século XIX permitiu a instalação das plantações, sobretudo de café. Finalmente o maior nível de escolarização dos caboverdeanos tornou-os uma componente fundamental dos funcionários que integravam o sistema de serviços públicos e administração colonial portuguesa nos actuais PALOP.

Se a emigração cabo-verdiana para os países de África assume um carácter forçado, já para os Estados Unidos, iniciada em fins do século XVII, relaciona-se com a passagem dos baleeiros americanos pelos portos do arquipélago fixando-se em actividades industriais e agrícolas, em cidades como New Bedford.

As restrições impostas à emigração para os EUA levaram à pesquisa de novos destinos com destaque para a Europa Ocidental onde os elevados níveis de crescimento do pós-guerra justificavam o recrutamento de mão-de-obra exterior. Portugal serviu de plataforma giratória para outros países como Holanda (Roterdão) e mais tarde França, Luxemburgo, Itália e Suíça. A Espanha tornou-se também, no início dos anos 70 um destino para os cabo-verdianos ao fixarem-se na zona mineira de Léon, Madrid e Galiza.

Estima-se que entre 1963-1973 mais de 100.000 caboverdeanos tenham deixado o seu País.

Principais Destinos da Emigração

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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