Setúbal

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Nota: Para outros significados de Setúbal, ver Setúbal (desambiguação).

Setúbal
Brasão de Setúbal Bandeira de Setúbal
Brasão Bandeira

Estátua do poeta Bocage, Setúbal

Localização de Setúbal
Gentílico Setubalense, Sadino, Tubalense (poético)
Área 170,57 km²
População 122.554 [1] hab. (2006)
Densidade populacional 750,4 hab./km²
N.º de freguesias 8
Fundação do município
(ou foral)
1249
Região Lisboa
Sub-região Península de Setúbal
Distrito Setúbal
Antiga província Estremadura
Orago São Francisco Xavier
Feriado municipal 15 de Setembro
Código postal 2900, 2910, 2914 ou 2925
Endereço dos
Paços do Concelho
Paços do Concelho, Praça du Bocage, 2900-276 Setúbal
Sítio oficial http://www.mun-setubal.pt/
Endereço de
correio electrónico
gapc@mun-setubal.pt
Municípios de Portugal

Setúbal é uma cidade portuguesa, capital do distrito de Setúbal, na região de Lisboa e sub-região da Península de Setúbal, com cerca de 89 303 habitantes[2]. Eclesiasticamente, é desde 1975, cabeça de diocese.

A cidade está situada 32 km a sudeste de Lisboa, na margem norte da foz do rio Sado, e é ladeada a Oeste pela serra da Arrábida. A área urbanizada é de aproximadamente 10 km².

Setúbal é sede de um município de 170,57 km² de área e 122 554 habitantes (2006) [1], subdividido em 8 freguesias. O município é limitado a Norte e Leste pelo município de Palmela, a Oeste por Sesimbra e, a Sul, o estuário do Sado liga-o aos municípios de Alcácer do Sal e Grândola. A litoral encontra-se o Oceano Atlântico.

Índice

[editar] História

[editar] O topónimo

Desconhece-se a origem do topónimo 'Setúbal'. O topónimo já existe em 'Cetóbriga' (Cetoba ou Cetobra + designação celta briga para povoação). A exemplo de outras cidades ibéricas e do sul da Europa, o topónimo 'Setúbal' pode estar relacionado com o topónimo do rio que banha a povoação, referido pelo geógrafo árabe Edrisi (Muhammad Al-Idrisi), como denominar-se Xetubre (sendo esta a tese do Prof. José Hermano Saraiva). Seja como for, o topónimo ‘Setúbal’ e a cidade perdem-se no rasto dos tempos.

[editar] Do Neolítico à Reconquista cristã

Setúbal nasceu do rio e do mar. Os registos de ocupação humana no território do concelho remontam à pré-história, tendo sido recolhidos, em vários locais, numerosos vestígios desde o Neolítico. Foi visitada por fenícios, gregos e cartagineses, que vinham à Ibéria em procura do sal e do estanho, nomeadamente a Alcácer do Sal, sendo então o rio navegável até esta povoação.

Aquando da ocupação romana, Setúbal experimentou um enorme desenvolvimento. Os romanos instalaram na povoação fábricas de salga de peixe e fornos para cerâmica que desenvolveram igualmente.

A queda do império romano, as invasões bárbaras, a constante pirataria de cabotagem causaram uma estagnação, senão mesmo desaparecimento da povoação entre os séculos VI e XII. Nomeadamente neste último século, não existem quaisquer registos da povoação, ‘entalada’ entre a Palmela cristã e a Alcácer do Sal árabe.

[editar] Da Reconquista cristã aos finais do séc. XVI

Alcácer do Sal foi conquistada pelos cristãos em 1217, tendo a povoação de Setúbal sido incorporada e passado a beneficiar da protecção da Ordem de Santiago, momento a partir do qual voltou a prosperar.

Em Março de 1249, Setúbal recebeu foral[3], concedido pela Ordem de Santiago, senhora desta região, e subscrito por D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, e por Gonçalo Peres, comendador de Mértola.

Durante os vários séculos de apagamento da povoação de Setúbal, Palmela e Alcácer do Sal cresceram em habitantes e importância militar, económica e geográfica, fazendo sucessivas incursões no termo de Setúbal, ocupando-o.

Na primeira metade do séc. XIV a povoação de Setúbal, com uma extensão territorial relativamente diminuta, teve de afirmar-se, lutando com os concelhos vizinhos de Palmela e de Alcácer do Sal, já então constituídos, iniciando-se uma contenda entre vizinhos que termina pelo acordo de demarcação de termo próprio em 1343 (reinado de D. Afonso IV), tendo sido construída uma rede de muralhas, que deixam de fora os arrabaldes do Troino e Palhais (bairos antigos).

No século que se seguiu, a realeza e a nobreza de então fixaram residência sazonal em Setúbal. A época dos descobrimentos e conquistas em África trouxe a Setúbal um grande desenvolvimento, tendo D. Afonso V e o seu exército, em 1458, partido do porto de Setúbal à conquista de Alcácer Ceguer. Ao longo do século XV, a vila desenvolveu diversas actividades económicas, ligadas sobretudo à indústria naval e ao comércio marítimo, tirando rendimentos elevados com os direitos cobrados pela entrada no porto.

É dos finais do século XV, princípios do sec. XVI, período de franco desenvolvimento nacional, que data a construção do Convento de Jesus e da sua Igreja, fundado por Dª. Justa Rodrigues Pereira para albergar a Ordem franciscana feminina de Santa Clara, sendo, muito provavelmente, obra arquitectónica do Mestre Diogo Boitaca, o mesmo que se ocupou do Mosteiro dos Jerónimos.

É igualmente no reinado de D. João II (que tinha Setúbal como cidade predilecta) que se inicia a construção da Praça do Sapal (hoje Praça de Bocage, ex-líbris da cidade), e a construção de um aqueduto, em 1487, que conduzia a água à vila, obras que foram posteriormente terminadas ou ampliadas por D. Manuel I. Este monarca reformou o foral da vila, em 1514, devido ao progresso e aumento demográfico que Setúbal tinha registado ao longo do último século.

O título de "notável villa" é concedido, em 1525, por D. João III. Foi este título que proporcionou a criação, em 1553, por carta do arcebispo de Lisboa, D. Fernando, de duas novas freguesias, a de São Sebastião e a da Anunciada, que se juntaram às já existentes de São Julião e de Santa Maria.

Em 1580, a vila tomou posição por D. António Prior do Crato, contra a eventual ocupação do trono português por Filipe II de Espanha. É então cercada por tropas espanholas do Duque de Alba, sendo esta localidade dois anos depois visitada por Filipe II, o qual deu ordem de construção do Forte de São Filipe (uma obra de Filippo Terzi).

[editar] Do séc. XVII à actualidade

No séc. XVII, Setúbal atinge o seu auge de prosperidade quando o sal assume um papel preponderante como moeda de troca e retribuição da ajuda militar ao apoio fornecido pelos estados europeus a Portugal durante e após as guerras da Restauração da Independência. Em resposta a este incremento, são construídas após 1640 as novas muralhas de Setúbal, que incluíram novas áreas como a do Troino e Palhais.

Esta prosperidade foi interrompida com o terramoto de 1755, a que se associaram a fúria do mar e do fogo. Foram grandemente afectadas as freguesias de São Julião e Anunciada.

Apenas no Século XIX, Setúbal conheceu o incremento que havia perdido. Em 1860 chegou o caminho-de-ferro, iniciaram-se também as obras de aterro sobre o rio e a construção da Avenida Luísa Todi. É neste século que tem início a laboração das primeiras fábricas de conservas de sardinha em azeite e, em paralelo, ganham fama as laranjas e o moscatel de Setúbal. Ainda em 19 de Abril de 1860 foi elevada a cidade por D. Pedro V.

Durante séc. XX, o florescimento de Setúbal reflecte-se na criação de novos espaços urbanísticos: crescimento da Avenida Luísa Todi, parte da Avenida dos Combatentes e criação dos Bairros Salgado, Monarquina, de São Nicolau, da Conceição, Carmona, do Liceu e Montalvão e no desenvolvimento das indústrias das conservas, dos adubos, dos cimentos, da pasta de papel, naval e metalomecânica pesada.

Setúbal foi elevada, em 1926, a sede de distrito e, em 1975, a sede de diocese.

[editar] População

População do município de Setúbal (1801 – 2006)
1801 1849 1900 1930 1960 1981 1991 2001 2004 2006
15.442 15.060 35.990 50.456 56.344 98.366 103.634 113.934 120.117 122.554

[editar] Freguesias

[editar] Património

Forte de São Filipe
Igreja de São Julião
Fábrica romana de salga
Fórum Municipal Luísa Todi

[editar] Património militar

[editar] Património religioso

[editar] Património arqueológico

  • Estação arqueológica do Creiro, na Arrábida
  • Estação arqueológica do Pedrão, na Serra de São Luís
  • Fábrica romana de Salga
  • Via romana do Viso

[editar] Outro património

[editar] Cultura

Terra onde nasceram alguns dos grandes nomes do campo artístico português: Luísa Todi (cantora lírica) e Bocage (poeta).

[editar] Museus

[editar] Instituições

  • Sociedade Musical Capricho Setubalense, fundada em 22 de Novembro de 1867.
  • AHBVS-Associação Humanitária Bombeiros Voluntários de Setúbal, fundada 19 Outubro 1883. [5]
  • AMBA - Associação de Moradores do Bairro da Anunciada, fundada em 13 de Março de 1980.
  • Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense.
  • Sociedade Filarmónica Providência.
  • Sociedade Musical de Brejos de Azeitão.
  • Centro de Estudo Bocageanos (CEB), fundado em 1999. [6]
  • Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão (LASA), fundada em 1955 [7]
  • Ateneu Setubalense, fundado a 19 de Maio de 1914
  • Circulo Cultural de Setúbal - Fundado em 1969
  • Grupo Autónomo Exprimental " Sobe e Desce " - Fundado em 1974

[editar] Meios de Comunicação

[editar] Jornais

[editar] Jornais electrónicos

[editar] Rádios locais

- Radiodifusão em FM:

  • Rádio Azul - 98.9 mhz
  • Rádio Voz de Setúbal - 100.6 mhz
  • Rádio Jornal de Setúbal - 88.6 mhz

[editar] Televisão Online

[editar] Gastronomia

Amêijoas à Bulhão Pato

Devido ao envolvimento histórico com o estuário do rio Sado e à proximidade dos portos de Setúbal e de Sesimbra ao oceano Atlântico, a gastronomia da região de Setúbal faz um forte aproveitamento de pratos à base de peixe e de produtos que se desenvolvem favoravelmente no clima da região. Aliás, foi a proximidade da sua fonte de peixe um importante motor económico, nomeadamente na indústria conserveira na cidade de Setúbal, mas que no entretanto definhou a partir de meados da década de 1970 até à sua total deslocalização para outros locais do país. Apesar da maior parte da gastronomia local assentar em pratos de peixe, a migração de população das regiões do Alentejo e Algarve trouxe alterações à gastronomia com a introdução de novos pratos de carnes e aves, e de açordas que se adaptaram a mariscos e peixes. Fazem ainda parte do repertório gastronómico da cidade bebidas espirituosas (vinho moscatel e licores), queijos, frutos e doçaria tradicional típica da região.

A cidade de Setúbal é reconhecida pela gastronomia baseada em pratos de peixe assado, cozido ou grelhado. É muito comum encontrar restaurantes da região que servem sardinhas assadas, normalmente servidas com acompanhamento de batata cozida e salada de alface temperada com azeite e vinagre. Também é possível encontrar pratos de peixe grelhado ou cozido, como por exemplo salmonete grelhado temperado com molho feito do fígado do peixe. Grande parte dos restaurantes desta zona têm como especialidade da casa Choco frito, que é choco, envolto em pão ralado e ovo que é depois frito e servido acompanhado com batatas fritas e salada sendo um dos pratos mais procurados pelos visitantes da cidade sadina.

Outros pratos à base de produtos do mar incluem: feijoadas e saladas à base de choco e polvo; pratos à base de marisco do rio Sado (santola, sapateira, navalheira); pratos à base de moluscos (amêijoas "à Bulhão Pato", ostras, lamejinhas, berbigão, navalhas, vieiras, caracóis do mar); caldeiradas de peixe ou de marisco, feitas agora com maior frequência em cataplanas (uma herança da cultura árabe); e também massas de cherne ou outros peixes.

A produção vinícola da região de Setúbal deu origem a produtos reconhecidos internacionalmente, com uma variedade de vinhos tintos e brancos de qualidade, obtidos a partir de uvas maturadas nas encostas da Serra da Arrábida. Entre estes produtos deve destacar-se o Moscatel de Setúbal, um renomeado vinho licoroso de origem demarcada centrada em Azeitão. O licor Arrabidine, menos conhecido do público, é produzido pelos frades que habitam o Convento de Nossa Senhora da Arrábida. Na produção deste licor, cuja confecção, iniciada no século XIX, está envolta em secretismo, sabe-se que são usados frutos silvestres colhidos durante o mês de Dezembro na Serra da Arrábida bem como outros ingredientes únicos da região. O licor Arrabidine é engarrafado e necessita de estagiar cerca de 15 anos antes de ser consumido.

Do repertório da doçaria tradicional da região de Setúbal fazem parte as queijadas, as tortas, e os "esses de Azeitão" — biscoitos com a forma da letra "S", feitos com farinha, açúcar, margarina, ovos e canela. De Setúbal destacam-se também os barquilhos de "casca" de laranja, confeccionados a partir de laranjas produzidas na região. Por fim, salienta-se a produção de queijos como uma das significativas actividades artesanais e económicas desta região da Costa Azul.

[editar] Lazer

Praia de Albarquel

[editar] Praias

Uma das fortes atracções que a cidade tem para oferecer a quem a visita, são as suas praias.

Setúbal possui um conjunto de praias bastante diferentes entre si, mas com uma característica em comum: estão todas inseridas no Parque Natural da Arrábida, com excepção de Tróia, do outro lado do Sado, o que as tornas únicas.

As praias que se destacam são:

  • Albarquel
  • Figueirinha
  • Galapos
  • Galapinhos
  • Coelhos
  • Monte Branco
  • Creiro
  • Portinho da Arrábida
  • Alpertuche
  • Praia da Saúde (que nascerá na actual zona dos estaleiros navais de Setúbal, após o desmantelamento dos mesmos)

De igual beleza, mas mais pequenas, a Praia da Maria Esguelha e a Praia da Rainha, ambas localizadas junto à Praia de Albarquel.

[editar] Parques e jardins

  • Jardim do Bonfim
  • Parque Verde da Algodeia
  • Parque Urbano de Albarquel
  • Parque de Vanicelos
  • Parque da Lanchoa
  • Jardim Camilo Castelo Branco
  • Jardim do Monte Belo
  • Parque da Bela Vista
  • Jardim General Luís Domingos

[editar] Heráldica

Brasão de Setúbal.

Os elementos heráldicos que compõem o brasão da cidade de Setúbal, em uso desde 1922, são o escudo, repartido de azul e ouro, e a coroa mural, de prata de cinco torres.

Sobre o campo azul espelha-se um castelo de prata, encimado por duas cruzes, a púrpura, da Ordem de Santiago, em campo de ouro. Entre as cruzes, também em púrpura, está uma vieira. O castelo está sobre ondas aguadas de verde e prata onde vogam duas barcas afrontadas, de mastreação singular e velame amarrado, ladeando a porta do castelo. Deslocando-se sobre o mar ondeado, três peixes de prata afrontados. Listel branco com a legenda “Cidade de Setúbal”, a negro. Todos os elementos composicionais descritos estão limitados a negro.

[editar] Agremiações culturais, desportivas e recreativas

Emblema do VFC.

[editar] Figuras ilustres/públicas nascidas em Setúbal

[editar] Organização política e administrativa

Paços do Concelho de Setúbal

Presidência da Câmara: Maria das Dores Meira - PCP

[editar] Vereadores

  • André Martins - PEV
  • Eusébio Candeias - PCP
  • Rui Higino - PCP
  • Fernando Negrão - Independente PSD
  • Paulo Valdez - PSD
  • Fernando Vidgal Alves - Independente PSD
  • Catarino Costa - PS
  • Ilídio Ferreira - PS

[editar] Instituições

  • AERSET (Associação Empresarial da Região de Setúbal) [15]
  • CEB (Centro de Estudos Bocageanos) [16]
  • LASA (Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão) [17]
  • LAHSB (Liga dos Amigos do Hospital de São Bernardo) [18]
  • Hospital Ortopédico de Sant'Iago (Outão) [19]
  • Hospital de Santiago [20]
  • Santa Casa da Misericórdia de Setúbal [21]
  • Santa Casa da Misericórdia de Azeitão [22]
  • Rotary Club - [23]
  • Associação Cultural Sebastião da Gama

[editar] Feriado Municipal

Manuel Maria Bocage

[editar] Relações Externas

Setúbal encontra-se irmanada com:

Setúbal tem protocolos internacionais de cooperação com:

[editar] Bibliografia

  • Braga, Paulo Drumond. Setúbal Medieval: Séculos XIII a XV. Setúbal: Câmara Municipal de Setúbal, 1998.
  • Quintas, Maria da Conceição. Setúbal: Economia, Sociedade e Cultura Operária. Lisboa: Livros Horizonte, 1998.
  • Aa. vv. Setúbal na História. Setúbal: Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, 1990.

[editar] Ver também

Referências

  1. 1,0 1,1 Instituto Nacional de Estatística dados de 2006.
  2. UMA POPULAÇÃO QUE SE URBANIZA, Uma avaliação recente - Cidades, 2004. Instituto Geográfico Português. Página visitada em 21 de Dezembro, {{{acessoano}}}.
  3. Cf. Portugaliae Monumenta Historica, Leges et Consuetudines, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1856, vol I, p. 634 (consultar o texto)

[editar] Ligações externas

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