Ordem de Santiago

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Emblema da Ordem de Santiago – a Cruz Espatária ou a Espada Crucífera.

A Ordem Militar de Santiago é uma ordem religiosa-militar castelhano-leonesa instituída por Afonso VIII de Castela e aprovada pelo Papa Alexandre III, mediante una bula outorgada em 5 de Julho de 1175. Tornando-a assim uma ordem supranacional, directamente responsável perante o chefe máximo da Cristandade. Apesar disso, os primórdios da ordem são confusos, já que, antes de ser instituída formalmente por Afonso VIII, já o seu sobrinho-neto Fernando II de Leão lhes havia concedido a guarda da cidade de Cáceres, na Estremadura (a qual, no entanto, tiveram que abandonar por haver sido conquistada pelos muçulmanos).

Os Cavaleiros de Santiago, chamados Santiaguistas ou Espatários (por ser o seu símbolo uma espada em forma crucífera – ou uma cruz de forma espatária, dependendo do ponto de vista), fizeram votos de pobreza e de obediência, mas, seguindo a regra de Santo Agostinho ao invés da de Cister, os seus membros não eram obrigados ao voto de castidade, e podiam como tal contrair matrimónio (alguns dos seus fundadores eram casados). No entanto, a bula papal recomendava (não obrigava) o celibato, e os estatutos da fundação da Ordem afirmavam, seguindo um princípio das cartas paulinas: "Em castidade conjugal, vivendo sem pecado, assemelham-se aos primeiros padres apostólicos, porque é melhor casar do que viver consumindo-se pelas paixões".

Santiago Maior como Santiago Matamouros, envolvido no manto da Ordem. Pintura da escola de Cuzco, século XVII.

Afonso VIII cedeu-lhes Uclés (em 1174), que se tornou a principal sede da ordem – donde, a designação usada nos primeiros tempos para a Ordem como Ordem de Uclés – e mais tarde Moya, Mira Osa, Montiel e Alfambra.

Os Espatários participaram na reconquista de Teruel e Castellón e combateram na batalha de Navas de Tolosa (1212). Os monarcas, primeiro de Leão, depois de Castela, concederam-lhe inúmeros privilégios, para além de lhe darem a posse de extensas regiões, com o intuito de as repovoar, na Andaluzia e em Múrcia.

Durante o século XV, a ordem transferiu o seu campo de actuação para a Serra Morena, e os seus mestres tomaram como residência a povoação de Llerena (Badajoz), proporcionando um grande crescimento na região.

Com o passar do tempo e o fim da Reconquista, a Ordem de Santiago viu-se implicada nas lutas internas de Castela. Ao mesmo tempo, devido aos seus inúmeros bens, teve que, por várias vezes, sustentar as pretensões da Coroa. Por outro lado, sendo o cargo de Grão-Mestre de tamanha importância, eram frequentes as lutas entre grandes famílias para alcançar essa dignidade.

Devido a todos estes problemas, após a morte do Grão-Mestre Alonso de Cárdenas em 1493, os Reis Católicos pediram à Santa Sé que providenciasse uma forma de acabar com os problemas na administração da ordem, reservando para si mesmos o mestrado da ordem – medida que era ao mesmo tempo uma necessidade e uma recompensa pelos serviços prestados pelos reis de Castela e Aragão ao serviço da fé católica (em 1492 fora conquistado o último reduto muçulmano da Península IbéricaGranada). Assim, por uma bula de 1493, o papa concedeu aquela dignidade aos Reis Católicos.

Após a morte de Fernando, o Católico, tornou-se grão-mestre da Ordem Carlos I de Espanha; volvidos sete anos, em 1523, o Papa Adriano VI uniu para sempre à coroa de Espanha os grão-mestrados das Ordens de Santiago, Calatrava e Alcântara, tornando-se este um mero título hereditário dos reis de Espanha. Até então, o Grão-Mestre de Santiago era eleito pelo Conselho dos Treze, assim chamado por estarem presentes treze cavaleiros designados de entre os governadores e comendadores provinciais da Ordem.

Índice

[editar] A Ordem em Portugal

Variante da cruz de Santiago, em tons de púrpura.

Em Portugal, a ordem começou também a actuar logo desde os seus primórdios, ainda em reinado de Afonso Henriques, mas só teve maior visibilidade a partir do reinado de Afonso II, e sobretudo, Sancho II. Detiveram como sedes o castelo de Palmela e, depois, o de Alcácer do Sal, que se tornou sede da província espatária portuguesa.

Foi mestre comendatário da Ordem em Alcácer o grande Paio Peres Correia, que acabaria por chegar a Grão-Mestre da Ordem, em Uclés, mas não sem antes ter dado um valoroso contributo para a reconquista de Portugal – as suas forças, muitas das vezes lideradas por ele pessoalmente, conquistaram, entre 1234 e 1242, grande parte do Baixo Alentejo e do Algarve (Mértola, Beja, Aljustrel, Almodôvar, Tavira, Castro Marim, Cacela ou Silves); foi também com o auxílio desta Ordem que Afonso III consumou a conquista do Algarve, em 1249, tomando os derradeiros redutos muçulmanos de Faro, Loulé, Albufeira e Aljezur.

Como recompensa, a Ordem foi agraciada, em territórios portugueses, com várias dessas terras do Alentejo e do Algarve, com a missão de as povoar e defender. A isso não é alheio, ainda hoje, o facto de muitas delas terem por orago Santiago Maior, e de nas suas armas figurar a cruz espatária.

Chamada, mais tarde, Ordem de Santiago da Espada, constituiu-se em ordem honorífica em Portugal, da qual o chefe do Estado português se constitui o Grão-Mestre.

[editar] Grão-Mestres da Ordem de Santiago

O traje de um cavaleiro de Ordem de Santiago.

[editar] Espanha

  1. Pedro Fernández de Castro "potestad" (1170-1184)
  2. Fernando Díaz (1184-1186)
  3. Sancho Fernández de Lemus (1186-1195). Falecido na batalha de Alarcos.
  4. Gonzalo Rodríguez (1195-1203)
  5. Gonzalo Ordóñez (1203-1204)
  6. Suero Rodríguez (1204-1205)
  7. Sancho Rodríguez (1205-1206)
  8. Fernando González de Marañón (1206-1210)
  9. Pedro Arias (1210-1212). Falecido na batalha das Navas de Tolosa.
  10. García González de Arauzo (1212-1217)
  11. Martín Peláez Barragán (1217-1221)
  12. García González de Candamio (1221-1224)
  13. Fernán Pérez Chacín (1224-1225)
  14. Pedro Alfonso de León (1225-1226). Supõe-se ser filho ilegítimo de Afonso IX de Leão.
  15. Pedro González (1226-1237)
  16. Rodrigo Íñiguez (ou Yáñez) (1237-1242)
  17. Paio Peres Correia (1242-1275)
  18. Gonzalo Ruiz Girón (1275-1280). Faleceu como consequência das feridas recebidas no desastre de Moclín.
  19. Pedro Núñez (1280-1286)
  20. Gonzalo Martel (1286)
  21. Pedro Fernández Mata (1286-1293)
  22. Juan Osórez (1293-1311)
  23. Diego Muñiz (1311-1318)
  24. García Fernández (1318-1327)
  25. Vasco Rodríguez de Coronado (1327-1338)
  26. Vasco López (1338)
  27. Alonso Meléndez de Guzmán (1338-1342)
  28. Fadrique Alfonso de Castilla (1342-1358)
  29. Garci (ou García) Álvarez de Toledo (1359-1366)
  30. Gonzalo Mejía (1366-1371)
  31. Fernando Osórez (1371-1383)
  32. Pedro Fernández Cabeza de Vaca (1383-1384). Morto no cerco de Lisboa.
  33. Rodrigo González Mejía (1384). A sua eleição não foi canónica. Morreu no cerco de Lisboa.
  34. Pedro Muñiz de Godoy (1384-1385). Morto na batalha de Valverde.
  35. García Fernández de Villagarcía (1385-1387)
  36. Lorenzo Suárez de Figueroa (1387-1409)
  37. Enrique de Aragón (1409-1445)
  38. Álvaro de Luna (1445-1453)
  39. João II de Castela (1453) Administrador
  40. Henrique IV de Castela (1453-1462) Administrador
  41. Beltrán de la Cueva (1462-1463)
  42. Afonso de Castela (1463-1467)
  43. Juan Pacheco (1467-1474)
  44. Alonso de Cárdenas (1474-1476 en Leão) (primeira vez)
  45. Rodrigo Manrique (1474-1476 en Castela)
  46. Fernando o Católico (1476-1477) Administrador
  47. Alonso de Cárdenas (1477-1493) (segunda vez)
  48. Reis Católicos (1493-...) Administradores. Incorporação definitiva na Coroa de Espanha sob o reinado de Carlos I.

[editar] Portugal

  1. Gil Fernandes de Carvalho, Senhor do Morgado de Carvalho
  2. Fernando Afonso de Albuquerque (-1387), também Alcaide-Mor da Guarda
  3. Mem Rodrigues de Vasconcelos
  4. 10. D. João, Infante de Portugal, também 3º Condestável de Portugal
  5. 11. D. Diogo, Infante de Portugal, também 4º Condestável de Portugal
  6. D. João, Duque de Viseu, também Duque de Beja
  7. D. Jorge de Lancastre, também 2º Duque de Coimbra

[editar] Ver também


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