Ordem de Santiago

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ordem de Santiago
Cross Santiago.svg
Santa Sé
Emblem of the Papacy SE.svg
Status: Extinta como ordem eclesiástica. Ativa como ordem honorífica
Chefe: Grão-Mestre Cavaco Silva (Portugal) e Felipe VI (Espanha)
Instituição: Espanha, 15 de Março de 1319
Fundador: Afonso VIII de Castela
Lema: Ordo Militiae Sant`Iago da Espada
Classes:
D. Álvaro de Luna vestindo a capa da Ordem e com a cruz de Santiago ao peito, no retábulo de Sancho de Zamora na capela de Santiago na Catedral de Toledo. Foi Grão Mestre da Ordem entre 1445 e 1453.

A Ordem Militar de Santiago é uma ordem religiosa-militar de origem castelhano-leonesa, atualmente Ibérica instituída por Afonso VIII de Castela e aprovada pelo Papa Alexandre III, mediante una bula outorgada em 5 de Julho de 1175. Tornando-a assim uma ordem supranacional, directamente responsável perante o chefe máximo da Cristandade. Apesar disso, os primórdios da ordem são confusos, já que, antes de ser instituída formalmente por Afonso VIII, já o seu sobrinho-neto Fernando II de Leão lhes havia concedido a guarda da cidade de Cáceres, na Estremadura (a qual, no entanto, tiveram que abandonar por haver sido conquistada pelos muçulmanos).

Os Cavaleiros de Santiago, chamados Santiaguistas ou Espatários (por ser o seu símbolo uma espada em forma crucífera – ou uma cruz de forma espatária, dependendo do ponto de vista), fizeram votos de pobreza e de obediência, mas, seguindo a regra de Santo Agostinho ao invés da de Cister, os seus membros não eram obrigados ao voto de castidade, e podiam como tal contrair matrimónio (alguns dos seus fundadores eram casados). No entanto, a bula papal recomendava (não obrigava) o celibato, e os estatutos da fundação da Ordem afirmavam, seguindo um princípio das cartas paulinas: "Em castidade conjugal, vivendo sem pecado, assemelham-se aos primeiros padres apostólicos, porque é melhor casar do que viver consumindo-se pelas paixões".

Afonso VIII cedeu-lhes Uclés (em 1174), que se tornou a principal sede da ordem – donde, a designação usada nos primeiros tempos para a Ordem como Ordem de Uclés – e mais tarde Moya, Mira Osa, Montiel e Alfambra.

Os Espatários participaram na reconquista de Teruel e Castellón e combateram na batalha de Navas de Tolosa (1212). Os monarcas, primeiro de Leão, depois de Castela, concederam-lhe inúmeros privilégios, para além de lhe darem a posse de extensas regiões, com o intuito de as repovoar, na Andaluzia e em Múrcia.

Durante o século XV, a ordem transferiu o seu campo de actuação para a Serra Morena, e os seus mestres tomaram como residência a povoação de Llerena (Badajoz), proporcionando um grande crescimento na região.

Com o passar do tempo e o fim da Reconquista, a Ordem de Santiago viu-se implicada nas lutas internas de Castela. Ao mesmo tempo, devido aos seus inúmeros bens, teve que, por várias vezes, sustentar as pretensões da Coroa. Por outro lado, sendo o cargo de Grão-Mestre de tamanha importância, eram frequentes as lutas entre grandes famílias para alcançar essa dignidade.

Devido a todos estes problemas, após a morte do Grão-Mestre Alonso de Cárdenas em 1493, os Reis Católicos pediram à Santa Sé que providenciasse uma forma de acabar com os problemas na administração da ordem, reservando para si mesmos o mestrado da ordem – medida que era ao mesmo tempo uma necessidade e uma recompensa pelos serviços prestados pelos reis de Castela e Aragão ao serviço da fé católica (em 1492 fora conquistado o último reduto muçulmano da Península IbéricaGranada). Assim, por uma bula de 1493, o papa concedeu aquela dignidade aos Reis Católicos.

Após a morte de Fernando, o Católico, tornou-se grão-mestre da Ordem Carlos I de Espanha; volvidos sete anos, em 1523, o Papa Adriano VI uniu para sempre à coroa de Espanha os grão-mestrados das Ordens de Santiago, Calatrava e Alcântara, tornando-se este um mero título hereditário dos reis de Espanha. Até então, o Grão-Mestre de Santiago era eleito pelo Conselho dos Treze, assim chamado por estarem presentes treze cavaleiros designados de entre os governadores e comendadores provinciais da Ordem.

A Ordem em Portugal[editar | editar código-fonte]

Cruz da Ordem de Santiago.

Em Portugal, a ordem começou também a actuar logo desde os seus primórdios, ainda em reinado de Afonso Henriques, mas só teve maior visibilidade a partir do reinado de Afonso II, e sobretudo, Sancho II. Detiveram como sedes o castelo de Palmela e, depois, o de Alcácer do Sal, que se tornou sede da província espatária portuguesa.

Foi mestre comendatário da Ordem em Alcácer o grande Paio Peres Correia, que acabaria por chegar a Grão-Mestre da Ordem, em Uclés, mas não sem antes ter dado um valoroso contributo para a reconquista de Portugal – as suas forças, muitas das vezes lideradas por ele pessoalmente, conquistaram, entre 1234 e 1242, grande parte do Baixo Alentejo e do Algarve (Mértola, Beja, Aljustrel, Almodôvar, Tavira, Castro Marim, Cacela ou Silves); foi também com o auxílio desta Ordem que Afonso III consumou a conquista do Algarve, em 1249, tomando os derradeiros redutos muçulmanos de Faro, Loulé, Albufeira e Aljezur.

Como recompensa, a Ordem foi agraciada, em territórios portugueses, com várias dessas terras do Alentejo e do Algarve, com a missão de as povoar e defender. A isso não é alheio, ainda hoje, o facto de muitas delas terem por orago Santiago Maior, e de nas suas armas figurar a cruz espatária.

Chamada, mais tarde, Ordem de Santiago da Espada, constituiu-se em ordem honorífica em Portugal, da qual o chefe do Estado português se constitui o Grão-Mestre.

Grão-Mestres da Ordem de Santiago[editar | editar código-fonte]

Variante da cruz de Santiago, em tons de púrpura.

Espanha[editar | editar código-fonte]

  1. Pedro Fernández de Castro "potestad" (1170-1184)
  2. Fernando Díaz (1184-1186)
  3. Sancho Fernández de Lemus (1186-1195). Falecido na batalha de Alarcos.
  4. Gonzalo Rodríguez (1195-1203)
  5. Gonzalo Ordóñez (1203-1204)
  6. Suero Rodríguez (1204-1205)
  7. Sancho Rodríguez (1205-1206)
  8. Fernando González de Marañón (1206-1210)
  9. Pedro Arias (1210-1212). Falecido na batalha das Navas de Tolosa.
  10. García González de Arauzo (1212-1217)
  11. Martín Peláez Barragán (1217-1221)
  12. García González de Candamio (1221-1224)
  13. Fernán Pérez Chacín (1224-1225)
  14. Pedro Alfonso de León (1225-1226). Supõe-se ser filho ilegítimo de Afonso IX de Leão.
  15. Pedro González (1226-1237)
  16. Rodrigo Íñiguez (ou Yáñez) (1237-1242)
  17. Paio Peres Correia (1242-1275)
  18. Gonzalo Ruiz Girón (1275-1280). Faleceu como consequência das feridas recebidas no desastre de Moclín.
  19. Pedro Núñez (1280-1286)
  20. Gonzalo Martel (1286)
  21. Pedro Fernández Mata (1286-1293)
  22. Juan Osórez (1293-1311)
  23. Diego Muñiz (1311-1318)
  24. García Fernández (1318-1327)
  25. Vasco Rodríguez de Coronado (1327-1338)
  26. Vasco López (1338)
  27. Alonso Meléndez de Guzmán (1338-1342)
  28. Fadrique Alfonso de Castilla (1342-1358)
  29. Garci (ou García) Álvarez de Toledo (1359-1366)
  30. Gonzalo Mejía (1366-1371)
  31. Fernando Osórez (1371-1383)
  32. Pedro Fernández Cabeza de Vaca (1383-1384). Morto no cerco de Lisboa.
  33. Rodrigo González Mejía (1384). A sua eleição não foi canónica. Morreu no cerco de Lisboa.
  34. Pedro Muñiz de Godoy (1384-1385). Morto na batalha de Valverde.
  35. García Fernández de Villagarcía (1385-1387)
  36. Lorenzo Suárez de Figueroa (1387-1409)
  37. Enrique de Aragón (1409-1445)
  38. Álvaro de Luna (1445-1453)
  39. João II de Castela (1453) Administrador
  40. Henrique IV de Castela (1453-1462) Administrador
  41. Beltrán de la Cueva (1462-1463)
  42. Afonso de Castela (1463-1467)
  43. Juan Pacheco (1467-1474)
  44. Alonso de Cárdenas (1474-1476 en Leão) (primeira vez)
  45. Rodrigo Manrique (1474-1476 en Castela)
  46. Fernando o Católico (1476-1477) Administrador
  47. Alonso de Cárdenas (1477-1493) (segunda vez)
  48. Reis Católicos (1493-...) Administradores. Incorporação definitiva na Coroa de Espanha sob o reinado de Carlos I.

Portugal[editar | editar código-fonte]

O traje de um cavaleiro de Ordem de Santiago.
  1. D. ... (?-?)
  2. D. ... (?-?)
  3. D. ... (?-?)
  4. D. ... (?-?)
  5. D. ... (?-?)
  6. D. ... (?-?)
  7. D. Gil Fernandes de Carvalho, Senhor do Morgado de Carvalho (?-?)
  8. D. Fernando Afonso de Albuquerque, Alcaide-Mor da Guarda (?-1387)
  9. D. Mem Rodrigues de Vasconcelos (1387-?)
  10. D. João, Infante de Portugal, 1.º Senhor de Reguengos, Colares e Belas, 3.º Condestável de Portugal (1418-1442)
  11. D. Diogo, Infante de Portugal, 2.º Senhor de Reguengos, Colares e Belas, 4.º Condestável de Portugal (1442-1443)
  12. D. ... (1443-?)
  13. D. João, 3.º Duque de Viseu, 3.º Senhor da Covilhã, 2.º Duque de Beja e 2.º Senhor de Moura (?-1472)
  14. D. ... (1472-1491)
  15. D. Jorge de Lancastre, 2.º Duque de Coimbra (1491-1551)

Desde 1551, com a incorporação do mestrado da Ordem na Coroa Portuguesa que o cargo de Mestre é desempenhado pelo chefe de Estado Português.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre História da península Ibérica é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.