Afonso III de Portugal
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| Ordem: | 5.º Monarca de Portugal |
| Cognome(s): | O Bolonhês |
| Início do Reinado: | 1248 Regente desde 24 de Julho de 1245 |
| Término do Reinado: | 16 de Fevereiro de 1279 |
| Aclamação: | |
| Predecessor: | D. Sancho II |
| Sucessor: | D. Dinis |
| Pai: | D. Afonso II, |
| Mãe: | D. Urraca de Castela |
| Data de Nascimento: | 5 de Maio de 1210 |
| Local de Nascimento: | Coimbra |
| Data de Falecimento: | 16 de Fevereiro de 1279 |
| Local de Falecimento: | Lisboa |
| Local de Enterro: | Mosteiro de Santa Maria, Alcobaça |
| Consorte(s): | D. Matilde, condessa de Bolonha D. Beatriz, Infanta de Castela |
| Príncipe Herdeiro: | Infante D.Dinis (filho) |
| Dinastia: | Borgonha (Afonsina) |
D. Afonso III (Coimbra, 5 de Maio de 1210 – id., 16 de Fevereiro de 1279), cognominado O Bolonhês por ter sido casado com a condessa Matilde II de Bolonha, foi o quinto Rei de Portugal. Afonso III era o segundo filho do rei Afonso II e de sua mulher Urraca de Castela, e sucedeu a seu irmão Sancho II em 1248.
Índice |
[editar] Guerra civil e deposição de D. Sancho II
Como segundo filho, Afonso não era suposto herdar o trono destinado a Sancho e por isso fez a vida em França, onde casou com Matilde II de Bolonha em 1235, tornando-se assim conde jure uxoris de Bolonha. Todavia, em 1246, os conflitos entre Sancho II e a Igreja tornaram-se insustentáveis e o Papa Inocêncio IV ordenou a substituição do rei pelo conde de Bolonha. Afonso não ignorou a ordem papal e dirigiu-se a Portugal, onde se fez coroar rei em 1248 após o exílio e morte de Sancho II em Toledo.
Até à morte de D. Sancho e a sua consequente coroação, D. Afonso apenas usou os títulos de Visitador, Curador e Defensor do Reino.
Para aceder ao trono, Afonso abdicou de Bolonha e repudiou Matilde para casar com Beatriz de Castela. Decidido a não cometer os mesmos erros do irmão, o novo rei prestou especial atenção à classe média de mercadores e pequenos proprietários, ouvindo suas queixas.
Em 1254, na cidade de Leiria convocou a primeira reunião das Cortes, a assembleia geral do reino, com representantes de todos os espectros da sociedade. Afonso preparou legislação que restringia a possibilidade das classes altas cometerem abusos sobre a população menos favorecida e concedeu inúmeros privilégios à Igreja. Recordado como excelente administrador, Afonso III organizou a administração pública, fundou várias vilas e concedeu o privilégio de cidade através do edicto de várias cartas de foral.
[editar] Reconquista
Com o trono seguro e a situação interna pacificada, Afonso voltou sua atenção para os propósitos da Reconquista do Sul da Península Ibérica às comunidades muçulmanas. Durante o seu reinado, Faro foi tomada com sucesso em 1249 e o Algarve incorporado no reino de Portugal.
Após esta campanha de sucesso, Afonso teve de enfrentar um conflito diplomático com Castela, que considerava que o Algarve lhe pertencia. Seguiu-se um período de guerra entre os dois países, até que, em 1267, foi assinado um tratado em Badajoz que determina a fronteira no Guadiana desde a confluência do Caia até à foz, a fronteira luso-castelhana.
[editar] Segundas núpcias
Em 1253, o rei desposou D. Beatriz, conhecida por D. Brites por distorção do povo, filha de D. Afonso X de Castela, O Sábio. Desde logo isto constituiu polémica pois D. Afonso era já casado com Matilde II de Bolonha.
O Papa Alexandre IV respondeu a uma queixa de D. Matilde, ordenando ao rei D. Afonso que abandone D. Beatriz em respeito ao seu matrimónio com D. Matilde. O rei não obedeceu, mas procurou ganhar tempo neste assunto delicado, e o problema ficou resolvido com a morte de D. Matilde em 1258. O infante, D. Dinis, nascido durante a situação irregular dos pais, foi então legitimado em 1263.
O casamento funcionou como uma aliança que pôs termo à luta entre Portugal e Castela pelo Reino do Algarve. Também resultou em mais riqueza para Portugal quando D. Beatriz, já após a morte do rei, recebe do seu pai, Afonso X, uma bela região a Este do Rio Guadiana, onde se incluíam as vilas de Moura, Serpa, Noudar, Mourão e Niebla. Tamanha dádiva deveu-se ao apoio que D. Brites lhe prestou durante o seu exílio na cidade de Sevilha.
[editar] Excomunhão do rei e do reino
No final da sua vida, viu-se envolvido em conflitos com a Igreja, tendo sido excomungado em 1268 pelo arcebispo de Braga e pelos bispos de Coimbra e Porto, à semelhança dos reis que o precederam. O clero havia aprovado um libelo contendo quarenta e três queixas contra o monarca, entre as quais se achavam o impedimento aos bispos de cobrarem os dízimos, utilização dos fundos destinados à construção dos templos, obrigação dos clérigos a trabalhar nas obras das muralhas das vilas, prisão e execução de clérigos sem autorização dos bispos, ameaças de morte ao arcebispo e aos bispos e, ainda, a nomeação de judeus para cargos de grande importância.
O rei, que era muito querido pelos portugueses por decisões como a da abolição da anúduva (imposto do trabalho braçal gratuito, que obrigava as gentes a trabalhar na construção e reparação de castelos e palácios, muros, fossos e outras obras militares), recebeu apoio das cortes de Santarém em Janeiro de 1274, onde foi nomeada uma comissão para fazer um inquérito às acusações que os bispos faziam ao rei. A comissão, composta maioritariamente por adeptos do rei, absolveu-o. O Papa Gregório X, porém, não aceitou a resolução tomada nas cortes de Santarém e mandou que se excomungasse o rei e fosse lançado interdito sobre o reino em 1277.
À sua morte, em 1279, D. Afonso III jurou obediência à Igreja e a restituição de tudo o que lhe tinha tirado. Face a esta atitude do rei, o abade de Alcobaça levantou-lhe a excomunhão e o rei foi sepultado no Mosteiro de Alcobaça.
[editar] Descendência
- Primeira esposa, Matilde II de Bolonha:
- Roberto de Portugal (1239)
- um outro varão, de nome incógnito (1240)
- Segunda mulher, infanta Beatriz de Castela (1242-1303)
- Branca de Portugal (1259-1321), abadessa dos Conventos do Lorvão e de Huelgas (Burgos)
- Fernando de Portugal (1260-1262)
- Dinis de Portugal (1261-1325)
- Afonso de Portugal (1263-1312), senhor de Portalegre, casou com a infanta Violante Manoel de Castela
- Sancha de Portugal (1264-1279)
- Maria de Portugal (1264-1284), religiosa no Mosteiro de Santa Cruz
- Constança de Portugal (1266-1271)
- Vicente de Portugal (1268-1271)
- Filhos naturais
- Havidos de Madragana, depois chamada Mor Afonso, filha do último alcaide do período mouro de Faro, o moçárabe Aloandro Ben Bakr:
- Martim Afonso Chichorro (1250-1313)
- Urraca Afonso de Portugal (c. 1260-depois de 1290)
- Havidos de Maria Peres de Enxara:
- De outras senhoras:
- Fernando Afonso, cavaleiro hospitalário
- Gil Afonso (1250-1346), cavaleiro hospitalário
- Rodrigo Afonso (1258-1272), prior de Santarém
- Leonor Afonso (1250), senhora de Pedrógão e Neiva
- Leonor Afonso (m. 1259), freira em Santarém
- Urraca Afonso (1250-1281), freira no Lorvão
- Henrique Afonso
- Havidos de Madragana, depois chamada Mor Afonso, filha do último alcaide do período mouro de Faro, o moçárabe Aloandro Ben Bakr:
[editar] Ligações externas
- Chronica do muito alto e muito esclarecido principe D. Afonso III, quinto rey de Portugal, Rui de Pina (1440-1522), Lisboa Occidental, 1728, na Biblioteca Nacional Digital (em português)
- Chronica d'El-Rei D. Affonso III, Rui de Pina (1440-1522), Lisboa: Escriptorio, 1907, na Biblioteca Nacional Digital (em português)
[editar] Ver também
| Precedido por Sancho II (como rei) |
Regente de Portugal 1245 - 1248 |
Sucedido por --- |
| Precedido por Sancho II |
Rei de Portugal 1248 - 1249 |
Sucedido por Dinis I |
| Precedido por Sancho I (1191) |
Rei de Portugal e do Algarve 1249 - 1279 |
Sucedido por Dinis I |
| Precedido por Matilde II de Bolonha com Filipe Hurepel |
Conde de Bolonha (com Matilde II de Bolonha) 1235 - 1253 |
Sucedido por Matilde II de Bolonha |

