Afonso X de Leão e Castela
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| Afonso X | ||
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| Rei de Leão e Castela | ||
| Retrato de Afonso X de Leão e Castela no Libro de retratos de los Reyes, 1594. |
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| Reinado | 30 de Maio de 1252 4 de Abril de 1284 |
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| Títulos | Rei de Castela, Toledo, Leão, Galiza, Sevilha, Córdoba, Múrcia, Jaén, Algarve e Algeciras; Imperador do Sacro Império |
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| Nascimento | 23 de Novembro de 1221 | |
| Toledo | ||
| Sepultamento | Monte Calvário, Jerusalém (coração) | |
| Antecessor | Fernando III de Leão e Castela | |
| Sucessor | Sancho IV de Castela | |
| Consorte | Maior Guillen de Guzman Violante de Aragão |
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| Filhos | Beatriz de Castela Martim Afonso Urraca Afonso de Castela Fernando Berengária de Castela Beatriz de Castela Fernando de La Cerda Leonor de Castela Sancho IV de Leão e Castela Constança de Castela Pedro João Isabel de Castela Violante de Castela Jaime de Castela |
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| Dinastia | Borgonha | |
| Pai | Fernando III de Leão e Castela | |
| Mãe | Beatriz da Suábia | |
Afonso X, o Sábio ou o Astrólogo (Toledo, 23 de Novembro de 1221 - Sevilha, 4 de Abril de 1284), foi rei de Castela e Leão de 1252 a 1284, e ainda imperador eleito do trono do Sacro Império Romano-Germânico (1257-1273), ainda que nunca tenha exercido o cargo de facto.
Índice |
[editar] Reinado
Afonso era o primogénito de Fernando III de Castela e de Isabel de Hohenstaufen, pela ascendência da qual derivaram as suas aspirações ao trono imperial germânico. Isabel (ou Beatriz da Suábia, como ficou conhecida em Castela) era filha de Irene Angelina de Constantinopla e de Filipe, duque da Suábia, rei da Germânia e rei dos Romanos, neta do imperador germânico Frederico Barbaruiva.
Ainda infante, participou na tomada de várias praças andaluzes, entre as quais Múrcia, Alicante e Cádis, na reconquista durante o reinado do seu pai, Fernando, o Santo. Porém, enquanto rei, teve que renunciar à posse do Reino do Algarve (pelo Tratado de Badajoz de 1267), bem como às suas aspirações sobre o reino de Navarra. Em 1260 conquistou e incendiou Rabat.
Tendo investido grande esforço e dinheiro na obtenção da coroa do Sacro Império Romano-Germânico, foi eleito imperador de jure, mas nunca exerceu o cargo de facto.
Na política interna, teve que fazer frente a rebeliões, das quais se destacam a dos mudéjares (mouros em territórios controlados pelos cristãos) em 1264 e o problema sucessório nos últimos anos do seu reinado. Casado desde 1246 com Violante de Aragão, filha de Jaime I, o Conquistador, o monarca teve no entanto dez filhos ilegítimos.
O seu primogénito legítimo, e herdeiro do trono, Fernando de La Cerda, morreu em 1275. Afonso X passou a defender os direitos sucessórios do seu neto primogénito de Fernando, Afonso de Lacerda, mas D. Sancho, seu segundo filho e irmão de Fernando, reclamou a sucessão para si, recebendo poderosos apoios à sua causa. Afonso X só conservou a fidelidade de Múrcia e Sevilha, cidade em que viveu durante os seus últimos meses, bastante isolado e secundado apenas por um pequeno número dos seus antigos colaboradores. Apesar de ter deserdado o seu filho Sancho por decreto a 8 de Novembro de 1282, este viria a ser coroado após a sua morte.
Durante o seu reinado, Afonso impulsionou a economia, destacando-se em 1273 a criação da Mesta, instituição de representação dos pastores e criadores de gado. Em Leão e Castela desta época, esta actividade tinha mais importância económica do que a agricultura. Fomentou a repopulação de terras conquistadas aos muçulmanos, nomeadamente no Reino de Múrcia e na Baixa Andaluzia. Fundou a Villa Real, que posteriormente passaria a ser Ciudad Real, em uma zona controlada pelas ordens militares. Mas essencialmente foi um legislador. Compôs (em castelhano) as obras legislativas Fuero real de Castilla e o código das Siete Partidas, para além da história da Espanha Primera Crónica General e da história universal Grande e General Estoria ou General Estoria.
O Sábio faleceu em Sevilha, a 4 de Abril de 1284, com 63 anos. O seu coração foi enterrado no Monte Calvário de Jerusalém.
[editar] Contribuições para a cultura
Rei sábio, Afonso X, como D. Dinis de Portugal seu neto, fomentou a actividade cultural a diversos níveis. Realizou a primeira reforma ortográfica do castelhano, idioma que adoptou como oficial em detrimento do latim. O objectivo seria desenvolver o vernáculo do seu reino, segundo o historiador Juan de Mariana.
A famosa escola de tradutores de Toledo juntou um grupo de estudiosos cristãos, judeus e muçulmanos. Foi principalmente nesta que se realizou o importantíssimo trabalho de traduzir para as línguas ocidentais os textos da antiguidade clássica, entretanto desenvolvidos pelos cientistas islâmicos. Estas obras foram as principais responsáveis pelo renascimento científico de toda a Europa medieval, que forneceria inclusivamente os conhecimentos necessários para o subsequente período dos descobrimentos. A verdadeira revolução cultural que impulsionou foi qualificada de renascimento do século XIII. Mas a obra que mais foi divulgada e traduzida no reinado deste intelectual foi a Bíblia.
No entanto, através de académicos judeus, também patrocinou uma tradução do Talmud. Mas depois da revolta liderada por D. Sancho, perseguiu a comunidade judaica de Toledo, aprisionando-os nas suas sinagogas e demolindo as suas casas.[1]
Afonso foi também mecenas generoso do movimento trovadoresco, e ele próprio um dos maiores trovadores e poetas de língua galaico-portuguesa (a língua mais usada na lírica ibérica do século XIII), tendo chegado até nós 44 cantigas suas, de amor e principalmente de escárnio e maldizer. A sua obra mais reconhecida é as Cantigas de Santa Maria, cancioneiro sacro sobre os prodígios da Virgem Santíssima, num total de 430 composições, musicadas.
Também colaborou no El Libro del Saber de Astronomia, obra baseada no sistema ptolomaico. Esta obra teve a participação de vários cientistas que o rei congregara, e aos quais proporcionava meios de estudo e investigação, tendo mesmo mandado instalar um observatório astronómico em Toledo. Compõs as tabelas afonsinas sobre as posições astronómicas dos planetas, baseadas nos cálculos de cientistas árabes. Como tributo à sua influência para o conhecimento da astronomia, o seu nome foi atribuído à cratera lunar Alfonsus.
Outras obras com o seu contributo são o Lapidario, um tratado sobre as propriedades das pedras em relação com a astronomia e o Libro de los juegos, sobre temas lúdicos (xadrez, dados e tabelas - uma família de jogos a que pertence o gamão), praticados pela nobreza da época.
[editar] Casamentos e descendência
Do seu casamento com Maior Guillen de Guzman, posteriormente anulado, nasceram:
- Beatriz de Castela (1242-1303), casada com o rei Afonso III de Portugal em 1254, e mãe do rei D. Dinis de Portugal.
- Martim Afonso, morto em Valladolid
- Urraca Afonso de Castela.
Em 1246, casou-se com em segundas núpcias com Violante, infanta de Aragão (1236-1301), filha da princesa Iolanda da Hungria e de Jaime I de Aragão. Deste casamento nasceram:
- Fernando, morreu jovem, enterrado no mosteiro de Las Huelgas em Burgos
- Berengária de Castela (1252 - Guadalajara, depois de 1284), foi noiva de Luís Capeto, filho e herdeiro de Luís IX de França, mas com a morte deste em 1260 entrou no convento de Las Huelgas, onde ainda vivia em 1284.
- Beatriz de Castela (1254-1280), casou-se com Guilherme VII, margrave de Montferrato
- Fernando de La Cerda (1255-1275), casou-se com Branca de França, filha de Luís IX de França, da qual nasceram Fernando e Afonso, os infantes de La Cerda
- Leonor de Castela (1257-1275)
- Sancho IV de Leão e Castela (1258-1295), casou-se com Maria de Molina e foi o sucessor de Afonso X
- Constança de Castela (1258 - 22 de Agosto de 1280), freira em Las Huelgas
- Pedro (1260-1283), senhor de Ledesma
- João (1262 - 25 de Junho de 1319), senhor de Valencia de Campos
- Isabel de Castela, morreu jovem
- Violante de Castela (1265-1296), casou-se com Diego Lopéz de Haro, senhor da Biscaia
- Jaime de Castela (1268 - 9 de Agosto de1294), senhor de Los Cameros
[editar] Referências e bibliografia
- ↑ Carroll, James Constantine's Sword: The Church and the Jews, Boston, Houghton-Mifflin, 2002, págs. 327-28
- Ballesteros-Beretta, Antonio. Alfonso X el Sabio, 1963
- Gingerich, Owen. "Alfonso X as a Patron of Astronomy." The Eye of Heaven: Ptolemy, Copernicus, Kepler. New York: American Institute of Physics, 1993.
[editar] Ligações externas
- (es) Obras de Afonso X o Sábio na Biblioteca Cervantes
- Cantigas de Santa Maria (em castelhano)
- Libro de los juegos (em castelhano), (ilustrações e informações) aqui (em inglês) e aqui (em inglês)
- (es) Libros del Saber de Astronomía, imagens do manuscrito de 1276 e dados bibliográficos
- Cátedra Alfonso X El Sabio
- Universidad Alfonso X el Sabio
| Precedido por: Fernando III |
Rei de Castela, Toledo, Leão, Galiza, Sevilha, Córdova, Múrcia e Jaén 1252 — 1284 |
Seguido por: Sancho IV |
| Rei do Algarve 1256 — 1284 |
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| Precedido por Conrado IV |
Imperador Germânico 1257 — 1273 (imperadores rivais: Guilherme II da Holanda e Ricardo da Cornualha) |
Sucedido por Rodolfo I |

