Reino do Algarve

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Reino do Algarve
Reino do Algarve
Al-Garb Al-Andalus

Reino

Al-Ándalus caligrafía árabe.png
1242 – 1910 Flag of Portugal.svg
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Hino nacional
Hymno da Carta (1834-1910)


Continente Europa
Capital Silves (Portugal)
depois Faro
Língua oficial Português (e o árabe)
Religião Catolicismo (e o Islão)
Governo Califado (até 1249);
Monarquia absoluta (1249-1820 / 1828-1834);
Monarquia Constitucional (1820-1828 / 1834-1910)
Rei de Portugal e do Algarve
 • 1249 - 1279 D. Afonso III
 • 1908 - 1910 D. Manuel II
Legislatura Cortes (Portugal — 1826-1828 / 1834-1836 / 1842-1910)
 - Câmara Alta Câmara dos Pares
 - Câmara Baixa Câmara dos Deputados
História
 • 1242 Fundação
 • 1249 Conquista de Silves (Portugal)
 • 1406 Criação da comarca do Algarve: o Algarve aparece, pela primeira vez, como divisão administrativa[1] )
 • 16 de dezembro de 1815 Fundação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
 • 24 de Agosto de 1820 Revolução Liberal
 • 23 de Setembro de 1822 Aprovação da Constituição do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
 • 29 de abril de 1826 Implantação do Reino de Portugal e dos Algarves com a outorga da Carta Constitucional de 1826
 • 1836 Criação do Distrito de Faro
 • 5 de Outubro de 1910 Implantação da República Portuguesa
Área
 • 1900[2] 5 019 km2
População
 • 1900[2] est. 257 378 
     Dens. pop. 51,3/km²
Arco do Repouso nas Muralhas de Faro, onde terá repousado (de acordo com uma lenda) D. Afonso III no "fim" da Reconquista.

O Reino do Algarve, foi um antigo reino que existiu na região do Algarve, em Portugal.

História[editar | editar código-fonte]

O Algarve (do árabe "al-Gharb al-Ândaluz", al-Gharb, «o Ocidente»; do "al-Andaluz"), foi considerado, durante séculos, e até à proclamação da República Portuguesa em 5 de Outubro de 1910, como o segundo reino da Coroa Portuguesa — um reino de direito separado de Portugal, ainda que de facto não dispusesse de instituições, foros ou privilégios próprios, nem sequer autonomia — na prática, era apenas um título honorífico sobre uma região/comarca que em nada se diferenciava do resto de Portugal.[3]

Note-se, porém, que nunca nenhum rei português foi coroado ou saudado como sendo apenas "Rei do Algarve" — no momento da sagração, era aclamado como "Rei de Portugal e do Algarve" (até 1471), e mais tarde como "Rei de Portugal e dos Algarves" (a partir de 1471).

Primeira conquista[editar | editar código-fonte]

O título de "Rei do Algarve" foi pela primeira vez utilizado por Sancho I de Portugal, aquando da primeira conquista de Silves (Portugal), em 1189. Silves era apenas uma cidade do Califado Almóada, posto que nesta altura todo o Andaluz se achava unificado sob o seu domínio. Assim, D. Sancho usou alternadamente nos seus diplomas as fórmulas "Rei de Portugal e de Silves", ou "Rei de Portugal e do Algarve"; excepcionalmente, conjugou os três títulos no de "Rei de Portugal, de Silves e do Algarve".

O único motivo que pode justificar esta nova intitulação régia prende-se com a tradição peninsular, de agregar ao título do monarca o das conquistas efectuadas (assim, por exemplo, os Reis de Leão e Castela eram também "Reis de Toledo, de Sevilha, etc.")

Com a reconquista muçulmana de Silves, em 1191, o rei cessou de usar este título.

Reconquista[editar | editar código-fonte]

O Califado Almóada viria a desagregar-se na Hispânia em 1234, dissolvendo-se em vários pequenos emirados, as taifas. O Sul de Portugal ainda em mãos muçulmanas ficou anexado à taifa de Niebla, na moderna Espanha; o seu emir, Musa ibn Mohammad ibn Nassir ibn Mahfuz, proclamou-se pouco tempo mais tarde "Rei do Algarve" (amir al-Gharb), posto que o seu Estado compreendia, de facto, a região mais ocidental do Andaluz muçulmano.

Ao mesmo tempo, as conquistas portuguesas e castelhanas para o Sul prosseguiam. Em reinado de D. Sancho II conquistaram-se as derradeiras praças alentejanas e ainda a maior parte do Algarve moderno, na margem direita do rio Guadiana; à data da sua deposição e posterior abdicação, restavam do Algarve muçulmano apenas pequenos enclaves em Aljezur, Faro, Loulé e Albufeira, os quais, devido à descontinuidade territorial e à distância que os separava de Niebla, se tornaram independentes do seu domínio.

Assim sendo, de facto, Sancho II de Portugal afigurar-se-ia como o segundo rei português a poder usar o título de rei do Algarve, na esteira de seu avô — o que provavelmente só não fez devido às suas outras preocupações internas, designadamente a guerra civil que o opôs ao seu irmão, o conde de Bolonha e infante Afonso.

Com efeito, foi este que, subido ao trono em 1248, se encarregou da conquista dos derradeiros enclaves mouriscos no Algarve, assumindo em 1249 o título de "Rei de Portugal e do Algarve", que não mais deixaria de ser utilizado pelos seus sucessores até ao fim da monarquia em Portugal.

O rei de Niebla e emir do Algarve, para obstar às conquistas perpetradas pelos Portugueses nos seus territórios, fez-se vassalo de Afonso X de Castela (o qual passou por isso também a usar o título de Rei do Algarve entre as suas múltiplas conquistas), cedendo-lhe o domínio do Algarve português. Assim, muito provavelmente, a intitulação de Afonso III de Portugal serviria como reacção a esta tomada de posição pelo vizinho castelhano, destinando-se a fortalecer os direitos do monarca português sobre a região em causa (pois que, como já foi dito, à intitulação e ao estatuto de reino não correspondia nem foros nem privilégios nem autonomia própria).

A questão acabou por ser dirimida entre os soberanos de Castela e de Portugal, pelo tratado de Badajoz de 1267; o rei Afonso X desistia das suas pretensões sobre o antigo Gharb al-Ândalus, fazendo do seu neto D. Dinis o herdeiro do trono do Algarve, o que ditava a sua incorporação a prazo na coroa portuguesa. Reservava, porém, a utilização do título por si e pelos seus descendentes, dado ter adquirido em 1262 os restos do reino de Niebla/ Algarve, situados já além do Odiana – os demais reis de Castela, e depois da Espanha, até à subida ao trono da rainha Isabel II (1833), continuaram a usá-lo entre os seus diversos títulos.

Além-mar[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, o nome do reino algarvio (e o título régio, por consequência), sofreram algumas pequenas mudanças oficiais com as conquistas norte-africanas, cujo território era considerado o prolongamento natural do reino do Algarve. Assim, João I de Portugal acrescentou à sua intitulação de "Rei de Portugal e do Algarve", o nome de "Senhor de Ceuta"; seu neto Afonso V, por sua vez, chamou-se sucessivamente "Senhor de Ceuta e de Alcácer-Ceguer em África" (após 1458), e em 1471, com a conquista de Arzila, Tânger e Larache, reuniu as praças norte-africanas no título de "Algarve d’além-mar em África", ficando o Algarve europeu a ser o "Algarve d’aquém-mar".

Assim, foi só em 1471 que o "Reino do Algarve" deu lugar ao "Reino dos Algarves", devido à elevação dos senhorios norte-africanos da coroa portuguesa à condição de reino. Os reis de Portugal adoptaram por conseguinte o título que viriam a usar até à queda da Monarquia: "Reis de Portugal e dos Algarves d’aquém e d’além-mar em África" — isto mesmo depois do abandono da última praça marroquina em mãos portuguesas (Mazagão, em 1769).

Conflitos novecentistas[editar | editar código-fonte]

Caricatura representando D. Pedro IV e D. Miguel I a brigar pela coroa portuguesa, por Honoré Daumier, 1833.

No Século XIX, os graves confrontos entre Liberais e Absolutistas, causaram lutas fraticidas. A invasão dos liberais Portugueses deu-se pela costa Algarvia, tendo sido Cacela o sitio escolhido. Após o fim da guerra civil e feita a convenção de Évora Monte, José Joaquim de Sousa Reis (o Remexido), capitão miguelista tentou entregar as armas à nova autoridade liberal, foi perseguido assim como a família. Fugiu para a serra com centenas de outros perseguidos, revoltado depois de terem queimado a sua casa e terem assassinado seu filho de apenas 10 anos, iniciou um extraordinário movimento de guerrilha, intensificando-se nos anos entre 1834 e 1838. Em 26 de Novembro de 1836, D. Miguel no exílio, nomeia Remexido como "Governador do Reino do Algarve" e "Comandante em Chefe Interino de Todas as Tropas Realistas, Regulares e Irregulares do Exército de Operações do Sul", capturado e apesar do indulto da rainha, fuzilaram-no em Faro, no dia 2 de Agosto de 1838.

Lista de reis do Algarve[editar | editar código-fonte]

Niebla / Algarve[editar | editar código-fonte]

Portugal[editar | editar código-fonte]

Castela / Espanha[editar | editar código-fonte]

Brasões de Armas municipais do Algarve[editar | editar código-fonte]

Em recordação do antigo estatuto de reino, a maior parte dos actuais brasões municipais (e, igualmente, de algumas freguesias) do Algarve têm como elementos principais a cabeça do rei mouro e do rei cristão que ornamentavam o antigo (e putativo) brasão de armas do reino do Algarve. A par da representação do açor nos brasões dos Açores e de uma estrela nos municípios da Serra da Estrela, esta é uma das poucas regiões naturais do país que faz uso de um símbolo heráldico distintivo, ao qual apenas os municípios de Faro, Lagos e Olhão escapam.

Referências

  1. História do Ordenamento de 27 a.c. até hoje, Somos Portugueses
  2. 1900 - 1 de Dezembro (IV Recenseamento Geral da População) Instituto Nacional de Estatística
  3. Nos Censos do tempo da Monarquia há apenas a referência a «Portugal» (1864 e 1878) ou ao «Reino de Portugal» (1890 e 1900), sem qualquer referência à existência ou ao estatuto especial de qualquer Reino do Algarve, que surge simplesmente como mais um distrito de Portugal (distrito de Faro).

Ver também[editar | editar código-fonte]