Cantigas de escárnio e maldizer

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As cantigas de escárnio e maldizer constituem um gênero de poesia da Idade Média. Fazem parte do período literário chamado trovadorismo, que em Portugal encontrou expressão por volta de 400 a.C. Foram escritas, assim como todos os textos populares da época, em galego-português. A cantiga de escárnio e maldizer, sub-gênero da lírica galego-portuguesa, inclui sirventeses morais e políticos, sátiras literárias e maledicências pessoais, como tenzóns, prantos e paródias; em resumo, os textos que não se encaixam como cantiga de amigo e de amor. O trobadorismo galego-português aperfeiçoou uma canção satírica proveniente da Provença, que lhe davam o nome de sirventés, que, chegada à Galiza, acabou por influenciar os trovadores para que estes, apoiando-se, talvez, numa tradição satírica autóctone transmitida oralmente e anterior à convivência com as formas occitânicas, criassem uma nova maneira de trobar: a canção de escarnho e maldizer.

O corpus lírico galego-português conta com aproximadamente 430 textos pertencentes ao gênero. A principal característica dessas cantigas é a crítica ou sátira dirigida a uma pessoa real, que era alguém próximo ou do mesmo círculo social do trovador. Apresentam grande interesse histórico, pois são verdadeiros relatos dos costumes e vícios, principalmente da corte, mas também dos próprios jograis e trovadores.

Cantiga de escárnio e cantiga de maldizer[editar | editar código-fonte]

A anônima Arte de Trovar que abre um dos cancioneiros medievais (o Cancioneiro da Biblioteca Nacional), diferencia as cantigas de escárnio das de maldizer:

Cantigas d´escarneo são aquelas que os trobadores fazem querendo dizer mal d´alguém em elas, e dizem-lho per palavras cubertas que hajam dous entendimentos pera lhe-lo nom entenderem... ligeiramente; e estas palavras chamam os clérigos hequivocatio

Tematicamente, as mais de 450 cantigas de escárnio e maldizer que chegaram até nós abarcam um vastíssimo leque de motivos, personagens e acontecimentos, em áreas que vão dos comportamentos quotidianos (sexuais, morais) aos comportamentos políticos, devendo muitas delas ser entendidas como armas de combate entre os vários grupos e interesses sociais e políticos em presença. A sátira literária, nomeadamente a crítica às trovas alheias, é também uma área em destaque nestas cantigas. Enquanto as cantigas de escárnio apresentavam críticas sutis, as de maldizer eram vulgares, com o uso de palavrôes, e explícitas.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LANCIANI, Giulia e TAVANI, Giuseppe, As cantigas de escarnio, Edicións Xerais de Galicia, S.A, 1995, página 106
  • TAVANI, G., A poesía lírica galego-portuguesa, Galaxia, Vigo, 2ª ed. , 1988, página 188

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