Geocentrismo
A teoria do universo geocêntrico ou geocentrismo é o modelo cosmológico mais antigo. Na Antiguidade era raro quem discordasse dessa visão. Entre os filósofos que defendiam esta teoria, o mais conhecido era Aristóteles. Foi o matemático e astrônomo grego Claudius Ptolomeu (78-161 d.C.) quem, na sua obra "Almagesto",1 deu a forma final a esta teoria,2 que se baseia na hipótese de que a Terra estaria parada no centro do Universo com os corpos celestes, inclusive o Sol, girando ao seu redor.3 Essa visão predominou no pensamento humano até o resgate, feito pelo astrônomo e matemático polonês Nicolau Copérnico (1473-1543),2 da teoria heliocêntrica, criada pelo astrônomo grego Aristarco de Samos (310-230 a.C.).
O geocentrismo não deve ser confundido com a teoria da Terra plana: é um mito a noção de que na Idade Média os estudiosos achavam que a Terra era achatada.
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Origem filosófica do geocentrismo [editar]
Os filósofos gregos haviam percebido que, embora o mundo fosse formado por objetos dos mais distintos, havia algo de comum na matéria que os compunha. Dessa forma, por exemplo, uma árvore e uma tábua, se fossem divididas diversas vezes até se obter uma parte diminuta, resultaria em uma mesma matéria. O mesmo ocorria, por exemplo entre espada e corrente.4 Desta forma, começa a surgir a teoria atômica, que afirmava que tudo o que havia na natureza, se dividido na menor parte possível, chegaria a uma matéria primordial da qual tudo o que existia era feito. Tal matéria recebia o nome de "indivisível" ou átomo (do grego a = não, tomo = divisão).
Começou então uma espécie de corrida filosófica para descobrir que material era esse tal átomo. A discussão chegou a propôr algumas soluções. Por exemplo a água, pois da água se faz ar (vapor de água) se faz blocos sólidos (gelo), etc. Mas da água seria impossível criar, por exemplo fogo.5 Outra corrente propunha que o átomo ou elementos primordial fosse o ar, pois ele poderia ser condensado formando água (não diferiam vapor de água de ar) e poderia ser "transformado" em fogo (uma vez que se tirassem o ar do fogo ele apagaria, desconheciam, obviamente o princípio comburente do oxigênio, que seria descoberto mais de mil anos depois).
O fato é que um filósofo grego de nome Empedocles de Agrinito propôs uma solução diferente, onde havia quatro elementos primordiais, e não somente um. Esses quatro elementos seriam: Terra, Água, Fogo e Ar.6 Eles nunca se misturavam com o seu oposto (terra - ar) (fogo - água) mas poderiam misturar-se entre si, como água e terra formava argila, que formaria tijolos, etc. Ou água e ar formavam "nuvem" que formava os raios, etc.
Esse sistema acaba sendo ampliado por outros filósofos como Euclides, que propõe que os 4 elementos tenderiam, pela natureza a se agrupar em esferas. Desta forma a esfera mais pesada ficaria no centro, uma esfera de terra. Após essa uma esfera de água a envolvendo, uma esfera de ar envolvendo essa e por fim uma esfera de fogo envolvendo as demais.
A esfera de terra no centro é o nosso planeta (de onde sabiam que a terra era redonda), a esfera de água os oceanos e mares, a esfera de ar a nossa atmosfera, e por fim a esfera de fogo teria se transformado em um grande bloco de fogo de um lado, o sol, e um bloco pequeno com vários pontos de fogo do outro: A lua e as estrelas. Esse círculo de fogo (estrelas e sol) girariam em torno dos outros círculos, a Terra.
Havia apenas sete pequenos problemas nesse sistema, e eles é que permitiram que o sistema geocêntrico fosse descreditado. Sete estrelas não giravam na mesma velocidade das demais, e por isso foram chamadas de "andarilhos" ou planetas. O estudo mais aprofundado desses planetas demonstrou que na verdade o geocentrismo havia sido um engano perpetuado por mais de 2000 anos.
Os sete planetas (astros errantes), na ordem de distância à Terra, eram: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Eles tinham, na tradição grega, nomes associados aos principais deuses. O primeiro nome, em português, deriva do nome romano em latim, o segundo é o nome em grego:
- Terra - Gaia - Titânide primordial da Terra
- Lua - Selene - Irmã gêmea do deus Hélios, o Sol. É também associada à deusa Ártemis.
- Mercúrio - Hermes - Mensageiro dos Deuses (é o com movimento mais rápido no céu)
- Vênus - Afrodite - Deusa do Amor e da Beleza (é o mais luminoso, portanto o mais bonito no céu)
- Marte - Ares - Deus da Guerra e da Tragédia (é o mais vermelho)
- Júpiter - Zeus - Soberano dos deuses. Pai de Ares, Hermes e Afrodite.
- Saturno - Chronos - Deus do tempo e pai de Zeus (é o com movimento mais lento)
Repare-se que não havia nenhuma menção a Urano e Netuno. Esses não podem ser vistos a olho nu, e só foram descobertos depois da invenção do telescópio . Por uma questão de tradição, eles seguiram o padrão de nomenclatura: Urano é a representação do próprio céu, e Netuno (Posidão) é o Deus dos Mares (assim batizado pela sua coloração azul). O mesmo se pode dizer de Plutão (Hades), Deus do Mundo Inferior.
Ver também [editar]
Referências
- ↑ Dolling, Lisa M., Gianelli, Arthur F.; Statile Glenn N., «6: The Heliocentric Theory», Princeton University Press, The tests of time: readings in the development of physical theory, 716, 2003. ISBN 0691090858. Página visitada em 15/05/2009.
- ↑ a b Portugal, Paulo. Geocentrismo e heliocentrismo. Centro de Competência Entre Mar e Serra. Página visitada em 15/05/2009.
- ↑ Heckert, Paul A. (30/04/2008). history.suite101.com/article.cfm/ptolemaic_geocentric_astronomy Ptolemaic Geocentric Astronomy (em inglês). Suite101.com. Página visitada em 15/05/2009.
- ↑ Fraser, Craig G. – The Cosmos: A Historical Perspective (2006) – p.14
- ↑ Hetherington, Norriss S. – Planetary Motions: A Historical Perspective (2006) – p.28
- ↑ Souza, Ronaldo E. de. A Evolução Histórica ds Cosmologia. Departamento de Astronomia da USP. Página visitada em 15/05/2009.
Bibliografia [editar]
- Michael J. Crowe. Theories of the World from Antiquity to the Copernican Revolution (em inglês). Mineola, NY: Dover Publications, Inc, 1990. ISBN 0-486-26173-5 Página visitada em 28 de outubro de 2012.
- John Louis Emil Dreyer. A History of Astronomy from Thales to Kepler (em inglês). Nova Iorque, NY: Dover Publications, 1953. Página visitada em 28 de outubro de 2012.
- Christopher M. Linton. From Eudoxus to Einstein—A History of Mathematical Astronomy (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press, 2004. ISBN 978-0-521-82750-8 Página visitada em 28 de outubro de 2012.
Ligações externas [editar]