Universidade de São Paulo

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USP
Universidade de São Paulo
Brasao USP.gif
Lema Scientia Vinces (Vencerás pela Ciência)
Fundação 25 de janeiro de 1934 (80 anos)[1]
Tipo de instituição Pública, Estadual
Orçamento anual R$ 4 376 193 120,00 (Orçamento do Est. SP em 2012)[2]
Docentes 5 732[1]
Total de estudantes 88 261[1]
Graduação 56 998[1]
Pós-graduação 25 591[1]
Reitor(a) Marco Antonio Zago[3]
Vice-reitor(a) Vahan Agopyan[4]
Sede São Paulo (Cidade universitária Armando de Salles Oliveira)
Campi
Estado Brasão do estado de São Paulo.svg São Paulo
Afiliações ABRUEM,[5] CRUB e RENEX[6]
Página oficial www.usp.br
USPlogo.png
Instituições de ensino superior do Brasil Brasil

A Universidade de São Paulo (USP) é uma das três universidades públicas mantidas pelo governo do estado brasileiro de São Paulo, junto com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (UNESP). É a maior universidade pública brasileira e a universidade mais prestigiada do país,[7] [8] da Ibero-América[9] e uma das mais prestigiadas do mundo.[10] A USP é uma das maiores instituições de ensino superior na América Latina, com aproximadamente 88 000 alunos matriculados. Ela possui doze campi, quatro deles em São Paulo[11] (o campus principal é chamado Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, com uma área de 7 443 770 ). Há campi nas cidades de Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Santos, Ribeirão Preto e dois em São Carlos. A USP está envolvida no ensino, pesquisa e extensão universitária em todas as áreas do conhecimento.

Segundo o relatório mundial de 2012 (SIR World Report) da SCImago Institutions Rankings, a USP está classificada na décima primeira posição mundial entre as 3 290 instituições de ensino e pesquisa internacionais classificadas.[12] No ano de 2012, de acordo com o University Ranking by Academic Performance (URAP),[13] a USP continua sendo a melhor universidade iberoamericana e está colocada na vigésima oitava posição no mundo. Em 2011–2012, o World University Rankings, publicado pela revista britânica Times Higher Education (THE), classificou a USP como a melhor universidade da América Latina, da Ibero-América e como a 158ª melhor do mundo.[14] Em 2012, a THE também apontou a instituição como uma das 70 universidades com melhor reputação no planeta.[8] [15] [16] De acordo com a Classificação Acadêmica das Universidades Mundiais (ARWU — sigla em inglês) de 2011, a USP está classificada entre as posições 102ª e 150ª entre as 500 universidades analisadas no mundo.[17] Em 2012, a universidade foi classificada pelo ranking Webometrics Ranking of World Universities como a primeira da América Latina e a décima quinta do mundo em exposição na internet.[18] Em 2013, segundo a classificação internacional QS World University Rankings, 26 cursos da USP aparecem entre os melhores do mundo[19] e a THE classificou a instituição como a 11ª melhor universidade dos BRICS e de outros países em desenvolvimento.[20] [21]

Entre as universidades públicas brasileiras, é aquela com o maior número de vagas de graduação e de pós-graduação, sendo responsável também pela formação do maior número de mestres e doutores do mundo,[22] bem como responsável por metade de toda a produção científica do estado de São Paulo e mais de 25% da brasileira.[23] Como o Brasil é responsável por cerca de 2% da produção científica mundial, pode-se dizer que a USP é responsável por 0,5% das pesquisas científicas do mundo.[22] Além disso, entre as pós-graduações no Brasil com conceitos 6 e 7 (os mais altos conceitos) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Capes, 25% estão na USP, chegando à porcentagem de 55% se considerado apenas o território paulista.[24]

Criada em 1934, a contribuição desta universidade para a história brasileira é bastante relevante: na instituição se formaram no ensino superior doze dos quarenta e dois presidentes brasileiros,[25] como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso e o advogado Jânio Quadros — este último e outros dez apenas na Faculdade de Direito, que também formou 53 ministros na história do Supremo Tribunal Federal (STF)[26] e cuja fundação precede em 108 anos a da própria universidade.

História[editar | editar código-fonte]

Após a derrota de São Paulo na Revolução de 1932, o Estado se viu ante a necessidade de formar uma nova elite capaz de contribuir para o aperfeiçoamento das instituições, do governo e a melhoria do país. Com esse objetivo um grupo de empresários fundou a Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP) (a atual Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) em 1933, e o interventor de São Paulo (cargo que, naquele momento, correspondia ao de governador) Armando de Salles Oliveira criou a Universidade de São Paulo (USP), em 1934.[27] [28] Nas palavras de Sergio Milliet:

Cquote1.svg De São Paulo não sairão mais guerras civis anárquicas, e sim 'uma revolução intelectual e científica' suscetível de mudar as concepções econômicas e sociais dos brasileiros. Cquote2.svg
[29]

A ELSP assumiu o objetivo de formar elites administrativas para um novo modelo que vinha se configurando em que se notava uma atuação crescente do Estado, enquanto a USP voltou-se a formar professores para as escolas secundárias e especialistas nas ciências básicas. O modelo sociológico norte-americano constituiu o exemplo para ELSP, enquanto que o mundo acadêmico francês foi a principal fonte de inspiração para a USP.[27] [28]

Professores estrangeiros tais como Claude Lévi-Strauss, Fernand Braudel, Roger Bastide, Emílio Willems, Donald Pierson, Pierre Monbeig e Herbert Baldus difundiram nas duas instituições novos padrões de ensino e pesquisa, formando as novas gerações de cientistas sociais no Brasil.

Origem[editar | editar código-fonte]

A USP surgiu da união da recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) com as já existentes Escola Politécnica de São Paulo, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Faculdade de Medicina, Faculdade de Direito e Faculdade de Farmácia e Odontologia.[27] [28]

A FFCL surgiu como o elemento de integração da universidade, reunindo cursos nas diversas áreas do conhecimento. Ainda em 1934 havia sido criada a Escola de Educação Física do Estado de São Paulo, primeira faculdade civil de educação física no Brasil e que viria a ser incorporada pela USP anos depois. Na sequência foi criada a Escola de Engenharia de São Carlos - EESC e outras várias unidades foram sendo criadas pela universidade nos anos seguintes, e nos anos 1960 a universidade foi gradualmente transferindo as sedes de suas unidades para a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, em São Paulo.[27] [28]

Além do político Armando de Salles Oliveira, um outro homem de grande importância na fundação da USP foi o jornalista Júlio de Mesquita Filho.[28]

Ditadura militar[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 1970 e parte da de 1980, alguns críticos[quem?] acreditam que a USP tenha passado por um esvaziamento intelectual, tanto do ponto de vista da produção do conhecimento quanto do da qualidade dos recursos humanos. Durante as décadas anteriores, a universidade serviu de palco para a discussão de um novo projeto de país, reunindo diversos intelectuais de esquerda (como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni, Marialice Mencarini Foracchi, Luiz Pereira, Maria Sylvia de Carvalho Franco, Paula Beiguelman, José Arthur Gioanotti, Francisco Weffort, Azis Simão, Ruy Coelho, Eunice Ribeiro Durham, Ruth Cardoso, Ruy Fausto, Bóris Fausto, Paul Singer, Antonio Candido, Gioconda Mussolini entre outros) em suas várias unidades (especialmente na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras). Com a limitação das liberdades democráticas promovida pelo regime militar brasileiro (que passava por seus anos mais rígidos), vários professores da USP são cassados (e diversos deles são obrigados a sair do país), assim como várias alunas e vários, especialmente do curso de Psicologia, envolvem-se na luta armada contra a ditadura, o que gerou afastamentos compulsórios de suas faculdades.[27]

Tal situação levou a uma menor produção de conhecimento, ainda que certos avanços, especialmente do ponto de vista tecnológico (que chegou a ser financiado pelo governo) tenham sido obtidos. Promoveu-se também um aumento sistemático do número total de vagas de graduação, incentivado pelo governo do Estado. Este fato é apontado por alguns críticos como uma resposta ao movimento estudantil anterior à sua politização, quando ele mobilizava-se apenas pelas questões educacionais.[27]

O vazio causado pelo afastamento dos professores e alunos perseguidos pelo Regime Militar interrompeu-se com a campanha de anistia política, já no início dos anos 1980. Em diversas unidades da USP, a volta de professores cassados foi celebrada, embora muitos deles tenham sido recontratados em condições precárias (antigos professores catedráticos assumiram cargos de auxiliares de ensino).[27]

Redemocratização e expansão de unidades[editar | editar código-fonte]

O edifício da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), localizada no campus Leste.

Paralelamente ao esvaziamento intelectual decorrente da repressão política, ocorreu na USP nas décadas de 1960, 70 e 80 um processo de fragmentação de suas unidades: foram criadas novas faculdades e novos institutos, o que resultou em novos cursos de graduação, novas linhas de pesquisa e programas de pós-graduação. A dissolução da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) costuma ser apontada como um símbolo paradigmático deste processo.[27]

Originalmente pensada como o núcleo acadêmico da universidade, reunindo em si os vários campos do conhecimento puro, a FFCL, com o tempo, viu seus departamentos ganharem autonomia e se transformarem em unidades plenas (autônomas e administrativamente separadas de sua unidade original). O Instituto de Física foi o primeiro departamento a desvincular-se da FFCL, seguido igualmente de outros departamentos ligados às ciências exatas e biológicas. Desta forma, com a permanência apenas dos cursos ligados às humanidades, ocorreu uma reforma interna na unidade e ela passou a se chamar Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

Em 2005, foi construído na Zona Leste de São Paulo o campus USP Leste, que atualmente abriga a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), tendo alguns cursos que fogem à tradição universitária brasileira e visam à diversificação das áreas consolidadas da instituição.[30] Em 2013 o Conselho Universitário aprovou a instalação do curso Engenharia da Computação: ênfase em sistemas corporativos da Escola Politécnica campus Leste. Em 21 de março de 2006, a USP aprovou a incorporação da Faculdade de Engenharia Química de Lorena (FAENQUIL) e passou com isso a ter uma unidade no Vale do Paraíba, com cerca de 1.600 alunos no total, sendo 1.200 na graduação.[31]

Ocupação da reitoria em 2011[editar | editar código-fonte]

No dia 8 de novembro de 2011, o edifício sede da reitoria da universidade foi ocupado por centenas de estudantes descontentes com o alegado autoritarismo da gestão do reitor João Grandino Rodas (segundo colocado em uma lista tríplice e escolhido pelo então governador José Serra, do PSDB) e a outorga de um convênio ampliando a atuação da PM no campus Butantã da Universidade de São Paulo.[32] [33]

No dia 8 de novembro, mais de 400 policiais da tropa de choque, cavalaria, GOE, GATE e até helicópteros cercaram a reitoria da USP e detiveram mais de 70 pessoas no prédio.[34] [35] À noite, a Assembleia Geral dos Estudantes foi convocada e, com cerca de 4 mil alunos, votou por uma greve geral, revertida apenas no começo de 2012.[32] Os estudantes reivindicavam o fim do convênio com a PM no campus, a criação de um grupo para discutir um outro programa de segurança, a renúncia do reitor João Grandino Rodas e a não punição administrativa dos estudantes.[32]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Conjunto residencial da Cidade Universitária em São Paulo (CRUSP). Esses prédios foram a vila dos Jogos Panamericanos de São Paulo. Observa-se também, à direita, o edifício-sede do MAC.
A Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, na Zona Oeste de São Paulo. Em destaque na imagem, os edifícios da FAU, da FEA-USP e da ECA-USP.

Atualmente a USP é formada por trinta e seis unidades de pesquisa e ensino, vinte e quatro das quais se localizam em São Paulo, cidade que abriga também a reitoria, um centro de práticas esportivas (CEPEUSP, o maior da América Latina), quatro museus, dois hospitais (HU e HRACF), o Centro Universitário "Maria Antônia" e diversos órgãos especializados da universidade. Além disso, se vinculam ou a ela se subordinam, para fins de ensino, pesquisa e extensão, diversos outros órgãos públicos do estado.

Ainda em São Paulo, a USP expandiu-se em 2005 para um novo local na Zona Leste assim dando origem à EACH. E em 2011, o governador Geraldo Alckmin inaugurou um campus da USP em Santos — a 1ª unidade da USP dentre 4 que deverão funcionar no litoral do estado —, cujas atividades iniciaram-se em 2012 e baseam-se sobretudo em engenharia do petróleo com especialização em Ética, Valores e Cidadania na Escola e mestrado em Sistemas logísticos.

Segundo dados do último anuário, conjunto de informações relevantes sobre o funcionamento e situação da instituição, a USP possui: 86 187 alunos matriculados; 54 361 matriculados na Graduação (1º semestre); 25 433 matriculados na Pós-Graduação; 13 165 dos pós-graduandos estão no Mestrado; 12 278 dos pós-graduandos estão no Doutorado; 53,48% (46 090) de estudantes homens e 46,52% (40 097) de mulheres; 5 434 docentes (dos quais 4 469 dedicam-se em tempo integral); e 15 221 funcionários, em todas as funções.[1]

Recursos[editar | editar código-fonte]

Como as duas outras universidades estaduais paulistas (Unesp e Unicamp), a USP é mantida sobretudo através da arrecadação do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), por parte do governo estadual. Tal dotação orçamentária é fixa: desta forma, a USP (assim como as duas outras universidades citadas) é uma das poucas instituições públicas do país a possuir autonomia financeira. Recebe também verbas de instituições de fomento à pesquisa e ao ensino superior (como a FAPESP e o CNPq).

Como terceira fonte de arrecadação, conta com uma série de fundações privadas que atuam em forma de parceria com a universidade, utilizando-se de seus pesquisadores e instalações e fornecendo em troca verbas e know-how específico. Tais fundações são questionadas no tocante ao seu interesse público: críticos afirmam que elas representam o início de um processo de privatização do ensino superior público.

Ingresso[editar | editar código-fonte]

O ensino na USP é regimentalmente gratuito (ou seja, é considerada ilegal a oferta de cursos universitários pagos em suas dependências) e o ingresso à graduação, aberto a qualquer pessoa que tenha concluído o ensino médio, se dá por concurso público (conhecido como vestibular), realizado pela Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), órgão autônomo ligado à universidade.

No concurso para o ano letivo de 2009, foram quase 140 000 candidatos a umas das 10 557 vagas oferecidas pela USP, além de 100 oferecidas pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e 50 oferecidas pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Tais números colocam o exame aplicado pela Fuvest como um dos maiores e mais concorridos do país.[36]

Bibliotecas[editar | editar código-fonte]

A Universidade de São Paulo possui 42 bibliotecas instaladas nas unidades de ensino dos diversos campi. Juntas, elas formam um dos principais acervos bibliotecários do Brasil, com cerca de 7 052 084 unidades entre livros, teses e periódicos.[37] Essas bibliotecas são geridas pelo Sistema Integrado de Bibliotecas, que também é responsável pelo catálogo online das bibliotecas da USP (Dedalus).[38]

O Dedalus é um catálogo global, que possibilita a consulta simultânea em todas as bibliotecas da Universidade ou pelo catálogo específico de cada biblioteca. Assim, o usuário é capaz de localizar a referência bibliográfica de qualquer item do acervo da USP. Alguns artigos já possibilitam o acesso à informações online, provindas de Revistas Eletrônicas, dinamizando as pesquisas.

Esse sistema representa um passo importante para a melhoria do acesso à informação e modernização do ensino superior público. Outro passo importante da USP, em conjunto com Unicamp e Unesp, é o de integrar os acervos das três universidades estaduais paulistas via a rede mundial de computadores. Tarefa tida como de extrema importância para o processo de internacionalização dessas.

Parte das teses e dissertações defendidas na Universidade de São Paulo está disponível para consulta na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. Nessa, estão disponíveis mais de 15 921 documentos de autoria dos estudantes e docentes de instituição. O usuário pode pesquisar o conteúdo desejado a partir de palavras-chave, além de consultar a relação dos materiais disponíveis por tipo (tese de doutorado, dissertação de mestrado ou tese de livre-docência), área do conhecimento (humanidades, ciências exatas e ciências biológicas) ou pela unidade responsável pelo trabalho.[39]

Museus e galerias de arte[editar | editar código-fonte]

A Universidade de São Paulo possui um rico conjunto de museus e galerias de arte importantes, a maioria localizados no campus central, em São Paulo, tais como:

Vista panorâmica do Museu Paulista (também conhecido como Museu do Ipiranga).

(fechado por falta de manutenção)

Organização[editar | editar código-fonte]

Praça do Relógio na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo, considerado o melhor centro universitário da América Latina.[40]

A USP, assim como a maior parte das universidades latino-americanas, corresponde à ideia de "universidade" como um conjunto de escolas, institutos e faculdades autônomas, cada um deles responsável por uma área do conhecimento (as já citadas trinta e seis unidades de ensino, pesquisa e extensão).

A USP, assim como a maioria das universidades brasileiras, confere autonomia a suas unidades de ensino, pesquisa e extensão no que concerne à organização didática e definição curricular de cada um dos cursos, o que resulta muitas vezes em uma considerada excessiva fragmentação do ensino e da pesquisa e da desconexão entre o conhecimento produzido em cada uma das unidades.

Cada unidade está dividida em departamentos. Um departamento normalmente é responsável por um dos cursos oferecidos pela unidade ou por uma linha de pesquisa específica. No caso de unidades com apenas um ou dois cursos, os departamentos não ficam responsáveis pela totalidade do curso, mas por uma parte dele. Devido à já citada fragmentação e descentralização da universidade, é comum ver departamentos com perfis semelhantes em unidades diferentes, o que gera críticas quanto à eficácia dos investimentos públicos e duplicação de esforços.

Administração[editar | editar código-fonte]

A estrutura administrativa da USP tem na Reitoria o seu órgão central, assim como no Reitor a figura principal da Universidade. Subordinadas à Reitoria estão as quatro Pró-Reitorias, órgãos especializados em cada um dos campos de atuação da universidade: Pró-Reitoria de Graduação (PRG), Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG), Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) e Pró-Reitoria de Cultura e Extensão (PRC).

Nos últimos anos tem se discutido a criação de uma Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, assunto que segundo os críticos sempre foi considerado secundário para os dirigentes da Universidade.

Graduação[editar | editar código-fonte]

A USP oferece atualmente 229 cursos de graduação,[41] cada um deles subordinado a sua respectiva unidade, com exceção de alguns cursos interunidades, como, por exemplo, o curso de Informática Biomédica, oferecido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto em conjunto com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto. Outra exceção é o Curso de Ciências Moleculares, oferecido pela pró-reitoria de graduação por meio de tranferência interna, sendo considerado um curso multidisciplinar. No primeiro semestre de 2004, foram oferecidas 3 225 disciplinas, as unidades básicas de ensino na USP. Os cursos de graduação são classificados pela Universidade em três grandes áreas: Humanidades, Ciências Biológicas e Ciências Exatas.

Ciências Biológicas


Ciências Exatas


Humanidades


Campus[editar | editar código-fonte]

A Cidade universitária Armando de Salles Oliveira, campus da USP na cidade de São Paulo. Em destaque nesta foto, a Praça do Relógio.
A entrada do campus da USP em Ribeirão Preto.
A entrada do campus da USP em Bauru.

São Paulo[editar | editar código-fonte]

Na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira localiza-se a estrutura administrativa de toda a Universidade de São Paulo. Nesse campus localiza-se a maioria das unidades de ensino, pesquisa e extensão da universidade, além dos órgãos centrais como o gabinete do reitor e as pró-reitorias.

Fora da Cidade Universitária mas ainda na cidade de São Paulo estão localizadas a Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Faculdade de Direito, Faculdade de Medicina, Escola de Enfermagem e a Faculdade de Saúde Pública.

São Carlos[editar | editar código-fonte]

O campus da USP de São Carlos[42] foi implantado em 1948 com a criação da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Porém, as atividades tiveram início, efetivamente, cinco anos depois, com a primeira aula proferida no dia 18 de abril de 1953, no prédio que hoje abriga o Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), localizado na região central da cidade.

O crescimento da escola — tanto no número de alunos quanto no de atividades — forçou a transferência da unidade para um terreno maior, onde foi construído o atual Campus universitário. Na década de 1970, a diversificação e o crescimento das atividades da Escola de Engenharia se multiplicaram, resultando em um transbordamento da divisão de então. Isso levou à criação de novas unidades de ensino: o Instituto de Ciências Matemáticas de São Carlos (ICMSC) e o Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC). Mais tarde, em 1994, o IFQSC se divide, resultando na criação do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e do Instituto de Química de São Carlos (IQSC). Já no ano de 1998, o ICMSC muda de nome e passa a ser chamado de Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC). No final de 2010 foi criado o Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU), a partir do desmembramento do antigo Departamento de Arquitetura e Urbanismo da EESC, também como fruto da consolidação das atividades desenvolvidas na área, implantando assim a mais nova unidade de ensino da USP no interior do Estado de São Paulo.[43]

Atualmente, essas cinco unidades de ensino: EESC, ICMC, IFSC, IQSC e IAU, somadas à Prefeitura do Campus Administrativo de São Carlos (PCASC), ao Centro de Informática de São Carlos (CISC), ao Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) e a outros órgãos/serviços, formam a USP-São Carlos.

A unidade já possui um segundo Campus, conhecido como Campus 2, criado em decorrência da estagnação da capacidade do Campus original e também de novos cursos. Foi criado em 2001, possui uma área de pouco mais de 100 hectares, e foi inaugurado oficialmente em 4 de novembro de 2005, ano em que passou a incorporar as atividades acadêmicas da Universidade na cidade.

Os campi de São Carlos contam com uma população de 8 023 pessoas entre alunos de graduação e pós-graduação, professores e funcionários. São Carlos é conhecida como o berço dos doutores, possuindo a maior relação de doutores por km² do país e a terceira maior do mundo. A cidade São Carlos é considerada uma ilha de excelência tecnológica no estado de São Paulo, envolta por dezenas de pequenas empresas que desenvolvem tecnologia de ponta, muitas delas fundadas por ex-alunos da EESC-USP através do ParqTec.

Ribeirão Preto[editar | editar código-fonte]

No Campus de Ribeirão Preto, são oferecidos vinte e quatro cursos (totalizando 1 300 vagas oferecidas anualmente), distribuídos nas seguintes unidades: Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto; Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto; Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto; Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto; Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto; Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto; e o Centro de Informática de Ribeirão Preto.[44]

O Campus também conta a estrutura desejada para seu pleno funcionamento, como, por exemplo, uma coordenadoria,[45] centrais de tratamento odontológico, bibliotecas e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto - esse último vinculado à Faculdade de Medicina.

Piracicaba[editar | editar código-fonte]

O Campus de Piracicaba foi criado em 25 de junho de 1985. O Campus é constituído pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), pela Prefeitura do Campus "Luiz de Queiroz"(PCLQ), pelo Centro de Informática (CIAGRI) e pela Unidade Básica de Saúde (UBAS).

Bauru[editar | editar código-fonte]

O Campus da USP em Bauru foi implantado em 24 de setembro de 1948 com a criação da Faculdade de Odontologia de Bauru.

A estrutura física do campus de Bauru inclui alojamento estudantil, berçário e maternal, centro cultural, centro de convivência, complexo desportivo e restaurante, localizados em uma área de 156 850 m², integrado por uma comunidade de 1 500 pessoas, entre alunos, professores e funcionários.

Pirassununga[editar | editar código-fonte]

O Campus de Pirassununga é o maior campus da USP em extensão territorial, com área total de 22 690 337,77 m² de área e com 67 595,76 m² de área edificada, dividida pela Via Anhanguera SP-330, entre os quilômetros 211 e 218.

A fazenda, que, em 1945, iniciou suas atividades como Escola Prática de Agricultura Fernando Costa, integrou-se à Faculdade de Zootécnica de Engenharia de Alimentos em 1992. Há no Campus três unidades:

Além disso, o campus possui uma estrutura semelhante às cidades universitárias da USP e da UNICAMP, com moradia estudantil, agências bancárias, restaurantes universitários, centros esportivos, de eventos e serviços de atendimento médico e odontológico.

Lorena[editar | editar código-fonte]

A Escola de Engenharia de Lorena (EEL-USP) nasceu da transferência das atividades acadêmicas, de ensino e de pesquisa da extinta FAENQUIL - Faculdade de Engenharia Química de Lorena, criada em 1970 - para USP em 29 de maio de 2006. Lorena fica a 180 km de São Paulo.[46]

Situada no Vale do Paraíba (SP), atende anualmente em média 1600 alunos, de várias partes do país. Oferece cursos de graduação em Engenharia Química, Engenharia Industrial Química, Engenharia Bioquímica, Engenharia Ambiental, Engenharia Física, Engenharia de Produção e Engenharia de Materiais; e mestrado em Engenharia Química, mestrado e doutorado em Engenharia de Materiais, e em Biotecnologia Industrial. Possui também cursos de especialização em Engenharia Ambiental, Engenharia da Qualidade e Matemática, e ainda Ensino Médio e Técnico Profissionalizante em Química.

Santos[editar | editar código-fonte]

A USP Mar, como é também conhecido o campus da USP inaugurado em 2011 em Santos – a primeira unidade da USP no litoral do estado –, é especializada nos cursos de graduação em engenharia do petróleo, de especialização em Ética, Valores e Cidadania na Escola e de mestrado em Sistemas logísticos. Tais cursos começaram a funcionar na unidade no início de 2012.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o
Portal de São Paulo

Referências

  1. a b c d e f Universidade de São Paulo - Usp em números 2010. Página visitada em 30 de outubro de 2010.
  2. Proposta Orçamentária do Governo do Estado de São Paulo. Página visitada em 21 de dezembro de 2012.
  3. Reitoria - USP. Página visitada em 26 de dezembro de 2013.
  4. Reitoria - USP. Página visitada em 26 de dezembro de 2013.
  5. Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais. Filiadas a ABRUEM. Página visitada em 20 de março de 2011.
  6. Renex FORPROEX. http://www.renex.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=46&Itemid=29. Página visitada em 20 de março de 2011.
  7. Ranking Folha 2012 http://ruf.folha.uol.com.br/rankings/rankingdeuniversidades/
  8. a b Revista ExameUSP e Unicamp estão na lista de melhores universidades do mundo.
  9. University of São Paulo Ranks among Top Global Schools http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings/2012/reputation-ranking
  10. http://americasquarterly.org/node/2936
  11. Usp.br. COCESP. Página visitada em 20/09/2010.
  12. http://scimagoir.com/pdf/sir_2012_world_report.pdf SIR World Report 2012 de SCImago Institutions Rankings
  13. http://www.urapcenter.org/2012/world.php?q=MS0yNTA=
  14. Times Higher EducationThe World Universities Ranking 2012-2013. Página visitada em 25 de novembro de 2012.
  15. Globo.comUSP lidera ranking das 200 melhores universidades da América Latina divulgado pela QS, empresa especializada em educação (4 de outubro de 2011). Página visitada em 4 de outubro de 2011.
  16. Revista VejaUSP está entre 70 universidades com melhor reputação do mundo (15 de março de 2012). Página visitada em 2 de junho de 2012.
  17. G1Universidades brasileiras seguem fora do 'top 100' de ranking chinês. Página visitada em 6 de setembro de 2011.
  18. - Top Latin America, Webometrics Ranking of World Universities. Acessado em 10 de outubro de 2012
  19. Ranking QS by Subject http://www.topuniversities.com/node/4833/ranking-details/university-subject-rankings/2013
  20. Revista ÉpocaBrasil tem 4 universidades entre as melhores dos países emergentes (4 de dezembro de 2013). Página visitada em 5 de dezembro de 2013.
  21. Portal TerraRanking: USP é 11ª melhor universidade de países emergentes (4 de dezembro de 2013). Página visitada em 5 de dezembro de 2013.
  22. a b Folha de São Paulo. Reitora da USP nega queda em produção científica. Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  23. Jornal da USP. Os números da inovação no país. Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  24. Jornal da USP. Excelência confrimada. Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  25. USP: Conheça os presidentes do Brasil que estudaram na USP. Página visitada em 12 de maio de 2012.
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