Paul Singer
Paul Israel Singer (Viena, 24 de março de 1932) é um economista e professor brasileiro nascido na Áustria.
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[editar] Biografia
Paul Singer nasceu numa família de pequenos comerciantes judeus, estabelecidos em Erlaa, subúrbio operário de Viena. Em 1938, a Áustria foi anexada à Alemanha, e começou a perseguição aos judeus. A família decidiu emigrar e, em 1940, radicou-se no Brasil, onde já tinha alguns parentes, estabelecidos em São Paulo. Em 1951, Singer formou-se em eletrotécnica no ensino médio da Escola Técnica Getúlio Vargas de São Paulo, exercendo a profissão entre 1952 e 1956. Nesse período, filiou-se ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, militando no movimento sindical. Como trabalhador metalúrgico, liderou a histórica greve dos 300 mil, que paralisou a indústria paulistana por mais de um mês, em 1953.[1]
Obteve a cidadania brasileira em 1954.
Posteriormente, estudou Economia na Universidade de São Paulo, ao mesmo tempo em que desenvolvia atividade político-partidária, no PSB. Graduado em 1959, no mesmo ano participou da fundação da Polop, organização política constituída por membros da ala esquerda do PSB.
Em 1960, inicia sua atividade docente na USP, como professor assistente. Em 1966, obteve o grau de doutor em Sociologia com um estudo sobre desenvolvimento econômico e seus desdobramentos territoriais, abordando cinco cidades brasileiras – São Paulo, Belo Horizonte, Blumenau, Porto Alegre e Recife - na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. A tese deu origem ao livro Desenvolvimento Econômico e Evolução Urbana, sob orientação do professor Florestan Fernandes.
É também professor-titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade da mesma universidade.
Entre 1966 e 1967, estudou Demografia em Princeton, nos Estados Unidos. Em 1968, apresentou sua tese de livre-docência, Dinâmica populacional e Desenvolvimento. Nesse mesmo ano, retoma suas atividades como professor da USP até ter seus direitos políticos cassados pelo AI-5 e ser aposentado compulsoriamente, em razão de suas atividades políticas, em 1969.
Nessa época, com alguns outros professores expulsos da universidade ou simplesmente discordantes do regime, como Fernando Henrique Cardoso e Octavio Ianni, participa da fundação do CEBRAP - Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, que se constituiu em importante núcleo da intelligentsia brasileira de oposição à ditadura militar, então vigente no país. Atuou no Cebrap até 1988, quando foi Secretário Municipal de Planejamento de São Paulo. É amigo de Fernando Henrique Cardoso, mesmo divergindo fortemente dos projetos econômicos por ele adotados.
A partir de 1979, volta à atividade docente, como professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde permanece por quatro anos, tendo sido chefe do Departamento de Economia e membro do Conselho Universitário.
Em 1980, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, ao lado de outros intelectuais historicamente ligados à esquerda, como Francisco Weffort, Plínio de Arruda Sampaio, Perseu Abramo, Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda, Chico de Oliveira e Vinícius Caldeira Brant.
Em 1989, foi convidado pela então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, a assumir a Secretaria de Planejamento do município, ocupando o posto durante todo o seu mandato, que terminou em 1992.
Trabalhando recentemente com o tema da economia solidária, o professor Singer ajudou a criar a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP em 1998, quando foi convidado pela CECAE a assumir o cargo de coordenador acadêmico da incubadora. A partir de junho de 2003, Singer passa a ser o titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), que implementou, a partir de junho de 2003, no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego.
No dia 13 de março de 2009, Singer foi condecorado com a Grande Ordem do Mérito da República da Áustria, em cerimônia realizada na residência do Cônsul Geral da Áustria, em São Paulo.
Paul Singer é pai do cientista político André Singer, da jornalista Suzana Singer e da socióloga Helena Singer.
[editar] Sobre o Plano Real
Segundo Fernando Henrique Cardoso, Paul Singer foi um dos economistas contrários ao Plano Real. Em entrevista, FHC declarou:
"Quando iniciamos o Plano Real. Os mais destacados economistas do PT daquela época, Maria da Conceição Tavares, Paul Singer e Aloizio Mercadante, martelaram a tecla de que se tratava de jogada eleitoreira. Não quiseram ver que se tratava de um esforço sério de reconstrução nacional, que aproveitou uma oportunidade de ouro para inovar práticas de gestão pública e dar outro rumo ao país. Como tampouco haviam visto que, por mais atribulada que tivesse sido a abertura da economia, sem ela estaríamos condenados à irrelevância em um mundo que se globalizava. A mesma cegueira impediu que se avaliasse com objetividade o esforço hercúleo para evitar que o sistema financeiro se desfizesse por sua fragilidade e pela voragem dos ataques especulativos. Proer, Proes e o respeito às regras da Basileia foram fundamentais para alcançar as benesses de hoje. Passamos pelo penoso aprendizado do sistema de metas para controlar a inflação e aprendemos a usar o câmbio flutuante, sujeito - como deve ser - à ação corretora do Banco Central. Esses processos, a despeito de críticas que lhes tenham sido feitas no passado, constituem agora um "patrimônio comum". O mesmo se diga sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal, que foi duramente criticada pelo PT e aliados e, hoje, é indiscutida, embora nem sempre aplicada com o rigor necessário." [2]
Singer reconhece o equívoco e se diz "feliz, como brasileiro, de ter errado":
"Eu me enganei redondamente face ao Plano Real. Parecia-me que sem um acordo social, que no México bem ou mal se fez, seria quase impossível escapar da inflação, a não ser mediante uma mega-recessão. O erro que eu cometia, e suponho que outros também, foi imaginar que uma âncora cambial - que na verdade funcionou - não poderia ser suficiente em uma economia em que o coeficiente de importação não chegava nem a 10%. Eu sabia que em Israel um plano semelhante tinha dado certo. Eu tinha estudado o assunto, tinha estado lá na véspera do pacote que efetivamente acabou com a inflação, em 1985. Mas Israel é um país de 5 milhões de habitantes, em que o coeficiente de importação é de mais de 50%. Eu achava que, num país tão pouco aberto ao comércio internacional como o nosso, uma âncora cambial não seria suficiente para conter a inflação. Eu estava enganado. Eu não considerei o fato de que era possível abrir de chofre o mercado interno e praticamente aumentar em 150% os valores das importações. Foi o que aconteceu entre o primeiro semestre de 1994 e o segundo semestre de 1995. Mais que dobrou o valor das importações em um ano e meio. Foi um negócio fantástico! Tinha havido um influxo muito grande de capital, criando para o Brasil reservas cambiais enormes, capazes de bancar portanto essa abertura do mercado interno. Estava sobrando capital no mercado internacional, e o Brasil estava sendo visto com olhos gulosíssimos para se investir desde que houvesse alguma estabilização crível. Então, o capital internacional foi o fundamento do Plano Real. Eu não tenho dúvidas de que funcionou, e estou feliz, como brasileiro, de ter errado."[3]
[editar] Sobre o Brasil e a crise econômica de 2008-2009
Paul Singer aponta basicamente duas razões para o Brasil não ter sido tão duramente afetado pela crise mundial quanto os Estados Unidos e a Europa, por exemplo. Segundo o economista, o fato de cerca de 50% do setor bancário ser público tornou o país menos suscetível a operações financeiras especulativas e de alto risco. Mas o principal fator, no seu entender, foi a adoção antecipada, pelo governo federal, de políticas anticíclicas. Ainda segundo Singer, a adoção de uma política de investimentos vigorosa, através do Plano de Aceleração do Crescimento, lançado em 2007 - antes, portanto, da quebra das agências de crédito hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac e do banco de investimento Lehman Brothers, no fim de 2008 -, foi "determinante para que a crise não fosse tão violenta no Brasil quanto em outros países".[4]
[editar] Economia solidária
Seus estudos atuais são a respeito de Economia Solidária e projetos voltados ao desenvolvimento local.
Em 2011, trabalhando com o governo federal, como Secretário Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, Paul Singer apresentou suas ideias a respeito dos bancos comuninários.[5] Singer acredita que esses bancos são instrumentos para a erradicação da miséria.
[editar] Principais livros publicados
- Introdução à Economia Solidária. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2002.
- Para entender o mundo financeiro. São Paulo: Contexto, 2000.
- O Brasil na crise: perigos e oportunidades. São Paulo: Contexto, 1999. 128 p.
- Globalização e Desemprego: diagnósticos e alternativas. São Paulo: Contexto, 1998.
- Uma Utopia Militante. Repensando o socialismo. Petrópolis: Vozes, 1998. 182 p.
- Social exclusion in Brazil. Geneva: Internacional Institute for Labour Studies, 1997. 32 p.
- São Paulo's Master Plan, 1989-1992: the politics of urban space. Washington, D.C.: Woodrow Wilson International Center for Scholars, 1993.
- O que é Economia. São Paulo: Brasiliense, 1998.
- São Paulo: trabalhar e viver. São Paulo: Brasiliense, 1989. Em co-autoria com BRANT, V. C.
- O Capitalismo - sua evolução, sua lógica e sua dinâmica. São Paulo: Moderna, 1987.
- Repartição de Renda - ricos e pobres sob o regime militar. Rio de Janeiro: Zahar, 1986.
- A formação da classe operária. São Paulo: Atual, 1985.
- Aprender Economia. São Paulo: Brasiliense, 1983.
- Dominação e desigualdade: estrutura de classes e repartição de renda no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
- SINGER, P. I. (Org.) ; BRANT, V. C. (Org.) . São Paulo: o povo em movimento. Petrópolis: Vozes, 1980.
- Guia da inflação para o povo. Petrópolis: Vozes, 1980.
- O que é socialismo hoje. Petrópolis: Vozes, 1980.
- Economia Política do Trabalho. São Paulo: Hucitec, 1977.
- A Crise do Milagre. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.
- Curso de Introdução à Economia Política. Rio de Janeiro: Forense, 1975.
- Economia Política da Urbanização. São Paulo: Brasiliense, 1973.
- A cidade e o campo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1972. Em co-autoria com CARDOSO, F. H.
- Dinâmica Populacional e Desenvolvimento. São Paulo: Hucitec, 1970.
- Desenvolvimento Econômico e Evolução Urbana. São Paulo: Editora Nacional, 1969.
- Desenvolvimento e Crise. São Paulo: Difusão Européia, 1968.
Referências
- ↑ MANTEGA, Guido e REGO, José Márcio. Conversas com economistas brasileiros II. São Paulo: editora 34, 1999.
- ↑ Para Paul Singer e o PT, o Plano Real era eleitoreiro
- ↑ Entrevista: Paul Singer Teoria e Debate nº 35 - julho/agosto/setembro de 1997.
- ↑ Para Paul Singer, o PAC antecipou a crise e protegeu o Brasil. Por Marcos Palhares. Fórum, 27 de março de 2009.
- ↑ Banco comunitário incentiva produção e consumo de bens na própria comunidade
[editar] Ligações externas
- Memória: Entrevista com Paul Singer, por Fernando Haddad. Fundação Perseu Abramo.
- Pensamento econômico no Brasil Contemporâneo (II): Paul Israel Singer, por Alfredo Costa-Filho. Estudos Avançados vol.15 n°.43. São Paulo, set./dez. 2001 ISSN 0103-4014 .
- Entrevista. Paul Singer fala sobre o novo pensamento econômico socialista e sobre os papéis do Estado, dos trabalhadores e dos movimentos sociais no desenvolvimento da economia solidária no Brasil. Por Renato Rovai e Anselmo Massad. Fala, Brasil. 7 de dezembro de 2004.
- A relação entre as finanças e a economia da produção e do consumo. Artigo de Paul Singer. Carta Maior, 23 de outubro de 2008.
- Artigos de Paul Singer no portal da Fundação Perseu Abramo.