Mosteiro de São Bento (São Paulo)
| Mosteiro e Colégio de São Bento |
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|---|---|
| Frontispício do Mosteiro | |
| Construção | 1910-1914 |
| Diocese | Arquidiocese de São Paulo |
| Local | Largo de São Bento, s/nº - Sé (Centro Velho), São Paulo |
O Mosteiro de São Bento localiza-se no Largo de São Bento, no Centro da cidade de São Paulo, no Brasil. É um dos edifícios históricos mais importantes da cidade.
Forma um conjunto com a Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção, o Colégio de São Bento e a Faculdade de São Bento. Os monges aí vivem em oração, estando sempre de prontidão para receber todos os hóspedes e visitantes, acolhendo ainda os que vêm à vida de oração, retiro, ou os que procuram orientação espiritual ou confissão. A Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção (elevada a esta dignidade em 14 de junho de 1922) possui o coro para o ofício divino em rito monástico rezado diariamente pelos monges e a missa em rito romano, ambos com canto gregoriano.
O titular do mosteiro é dom abade Mathias Tolentino Braga, que, em maio de 2007, hospedou o papa Bento XVI em sua primeira visita ao Brasil.
Índice |
[editar] História
A primeira pequena ermida, precursora da várias construções futuras, foi fundada em 1598 pelo monge beneditino frei Maurício Teixeira, no cume do monte que se projetava no ângulo formado pelos rios Anhangabaú e Tamanduateí. "Decorridos anos, já retirado frei Maurício, chegaram a São Paulo, com dom Francisco de Souza, sétimo governador-geral do Brasil, os monges frei Mateus de Assunção, frei Antônio de Assunção e frei Bento da Purificação. Procuraram, os religiosos, abrigo na capelinha fundada por frei Maurício, enquanto tratava frei Mateus, que foi o primeiro prior que teve o mosteiro, de obter, na Câmara, nova sesmaria para edificar o convento"[1].
A Câmara Municipal doou, então, em 9 de maio de 1600, uma gleba de terra situada "no lugar mais ilustre da vila, depois do Colégio da Companhia" (o Colégio dos Jesuítas), em doação perpétua: "os quais chãos serão para o convento, mosteiro, ou casa do dito santo, forros livres e isentos de todo tributo e pensão, de hoje até o fim do mundo". Ainda mudaram o nome da igreja, a pedidos de dom Francisco de Souza, para Nossa Senhora de Montesserrate, posteriormente retificado para o primitivo nome. Ao fim de 1634, as obras foram concluídas e pôde ser constituída a abadia. Inicialmente, a pequena capela foi dedicada a São Bento.
O mosteiro inicial era muito pequeno e a capela não era suficiente para receber todas as pessoas que a procuravam. Em 1650, sabedor das dificuldades financeiras dos monges, Fernão Dias Pais propôs aos religiosos "fazer sua nova igreja ao pé daquela fundada pelo padre frei Mauro toda a sua custa", desde que, na capela-mor, "houvesse uma sepultura para si, e duas mais para que seus descendentes se enterrassem". Em novo sítio, um tanto distante da primitiva capela, foram erguidas a igreja e o convento de São Bento, lavrando-se a escritura de doação a 17-1-1650"[2]. E, de fato, ele e sua esposa repousam perenemente na cripta do Mosteiro. Em 1650, foi lançada a pedra fundamental dessa nova construção, que ficou pronta antes da morte de seu benemérito em 1681. Outros grandes doadores foram José Ramos da Silva, o capitão-mor Isidoro Tinoco de Sá e Pedro Taques de Almeida, avô do linhagista.
Em 1720, a capela passou a chamar-se de Nossa Senhora da Assunção, título que conserva até hoje.
Vale destacar a participação do Mosteiro de São Bento no histórico episódio que marca o primeiro grito de independência da colônia, a aclamação de Amador Bueno como rei de São Paulo: evitando aqueles que queriam fazê-lo rei apressadamente, rumou em direção ao templo onde pretendia refugiar-se. Os paulistas seguiam-no proclamando vivas: "Viva Amador Bueno, nosso rei", ao que ele replicava repetidamente: "Viva o senhor dom João IV nosso rei e senhor, pelo qual darei a vida".
[editar] Papa Bento XVI
Em 2006, o mosteiro passou por um intenso processo de restauração e melhorias para receber e hospedar o papa Bento XVI, em sua visita ao Brasil em maio de 2007. Com a cobertura internacional gerada pelo interesse que a visita despertou, o Mosteiro ganha projeção, o que pode desenvolver o turismo religioso e cultural na cidade.
[editar] Colégio e Faculdade
Em julho de 1900, se iniciou um novo período na história do mosteiro, quando começaram as obras do colégio (então chamado ginásio), ficando pronto em 1903, contando, entre seus professores fundadores, com Afonso d'Escragnolle Taunay. Após isso, em 1908, foi fundada a Faculdade de Filosofia, que viria a ser a primeira do Brasil e embrião da atual Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É nessa época, também, que se iniciou o projeto de uma nova abadia e um novo mosteiro. Em 1910, teve início a construção, segundo projeto do arquiteto Richard Berndl, da cidade de Munique, na Alemanha. Quatro anos mais tarde, em 1914, estava completo o conjunto tal como é conhecido hoje, abrigando a Basílica de Nossa Senhora da Assunção, o Mosteiro e o Colégio de São Bento.
A Faculdade de São Bento ainda hoje retém sua tradição educacional oferecendo curso de licenciatura em filosofia, além de cursos livres de idiomas.
[editar] O Relógio e o Órgão
O relógio do Mosteiro de São Bento, uma preciosidade mecânica de fabricação alemã, foi, durante o século XX, considerado o relógio mais preciso de São Paulo, até o aparecimento dos relógios a cristal de quartzo. Durante uma momentânea pane, no início da década de 1960, era comum ver os transeuntes do Centro acertando a hora errada em seus relógios de pulso, tal a fama de precisão. Conta também com um carrilhão com sinos afinados que tocam nas horas cheias e nas frações.
O órgão da igreja, também alemão, é afamado entre os especialistas, e bem mantido, com concertos regulares com intérpretes conhecidos.
[editar] Biblioteca
O mosteiro abriga ainda uma biblioteca com mais de 100 000 títulos, alguns bem raros. Especula-se que seja a mais antiga da cidade de São Paulo,[3] tendo início com os primeiros monges que chegaram em 1598.
O acervo contém 581 títulos publicados antes do século XIX, entre eles seis raros incunábulos. O mais antigo é um Novo Testamento de 1496. Tem, ainda, uma curiosa coleção de manuscritos minúsculos, com menos de um centímetro de lombada, que contém uma passagem bíblica ou uma oração.
O acesso ao acervo é restrito aos monges e alunos, mas pesquisadores e estudiosos podem solicitar uma permissão especial.
Referências
- ↑ Amaral, Antonio Barreto do. Dicionário de História de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial, 2006. Página 19.
- ↑ Amaral, Antonio Barreto do. Dicionário de História de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial, 2006. Página 20.
- ↑ O Estado de S.Paulo, 23 de novembro de 2008.
http://www.vivabrazil.com/vivabrazil/mosteiro_de_sao_bento.htm 400 anos do Mosteiro de São Bento